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sábado, 9 de outubro de 2010

A arqueologia anda por Oliveira de Azeméis..



Blogs Perdidos

Bem, cá fica a divulgação de mais um blog consagrado à arqueologia, que vos aconselho a visitarem regularmente :)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Turismo Perdido

Bem.. vou tentar retomar a minha periodicidade aqui no blog.. e a minha ideia era traçar uma série de sitios a visitar em Portugal..

Sim, eu sou daquelas pessoas que faz férias cá e arranja sempre que fazer.. há muito a descobrir por cá.. e aproveitando a minha mais recente viagem.. a minha primeira sugestão.. Tongobriga..

Para quem não sabe, Tongobriga é uma espécie de prima de Conímbriga (não faltam informações sobre a estação). A ocupação do sitio estende-se desde a proto-história até à idade média/moderna.

No local da estação funciona a escola profissional de arqueologia do Marco de Canaveses, pelo que se realizam trabalhos constantemente..

Bem, em termos turísticos, talvez a visita seja um pouco confusa para quem não está habituado aquelas coisinhas sinistras.. Mas é sem dúvida um local a conhecer por quem se interessa por isto..

Para quem não gostar de ver ruínas e achar que a história não tem piada, pode ser desviar-se para o curso do Douro, com as estradas adoráveis cheias de curvas..
É uma zona para ser visitada por gregos e troianos, e que não passou ao lado dos muitos incêndios que nos assolaram este ano..

Estava capaz de vos desafiar a propor destinos.. e de convidar o Sr. Jorge e o Sr. Pedro para este nova tentativa de crónica, destinada a divulgar aspectos turísticos do país..
Provavelmente haverá muita gente a conhecer estes sítios, e outros que poderão ficar curiosos..

Deixo-vos com uma fotos (da área do fórum e das termas).. e votos de boas viagens ;)
*



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Higiene e segurança nos trabalhos arqueológicos, em Novembro, em Oliveira de Azeméis!

SEMINÁRIO: HIGIENE E SEGURANÇA NOS TRABALHOS ARQUEOLÓGICOS

A actividade arqueológica não é, habitualmente, encarada como um trabalho de risco.
A imagem do arqueólogo com o seu colherim e trincha dificilmente se associam a uma situação de perigo.
No entanto, o desenvolvimento de intervenções em contextos de obra alterou, significativamente, estas condições, dando origem a outros tipos de risco.
Tendo em conta este panorama, o Município de Oliveira de Azeméis decidiu realizar em Parceria com o Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo (Mação) e com a Associação Profissional de Arqueólogos, um seminário que visa lançar uma reflexão sobre a Higiene e Segurança nos Trabalhos Arqueológicos. Este seminário terá lugar nos dias 12 e 13 de Novembro em Oliveira de Azeméis.
Oportunamente, será divulgado o programa final bem como as indicações sobre a forma de inscrição.

Divulgação via lista Museum

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O dia das mentiras..

Arqueologia e comunicação social - relação quase impossível?

Bem.. de facto estou de volta outra vez, para vos referir uma bela coisa sobre a qual estava a aguardar mais informações..

Na edição nº 136 do jornal "Mais Alerta" [que para quem não conhece é um jornal regional, de distribuição gratuita e cuja periodicidade não sou capaz de definir, dada a sua irregularidade] fazia capa a notícia "Objectos de valor incalculável encontrados em Ul" [pág. 13 da referida edição disponível on-line no site atrás referido]



E agora são vários os pensamentos que podem ter:
1- Encontraram coisas arqueológicas e a Sara não falou disto?
2- Isto é estranho!
3- ...

E depois de pensarem no porquê da minha atitude, vão pensar, como alguns oliveirenses pensaram..
- Que bom! Temos coisas importantes aqui..
- (Se forem caçadores de tesouros) Fantástico! Vamos fazer covinhas e arranjar objectos de valor..

Depois disto, vão ler a notícia cuidadosamente, e se souberem alguma coisa disto, vão achar alguma coisa estranha no que é descrito.. E vão se perguntar..
- O autor (que não está identificado) não sabia bem sobre o que estava a escrever e cometeu algumas "gralhas"?
- A notícia é mesmo verdadeira?

Bem, podem sempre desconfiar e comentar com outras pessoas..
Portanto, foi o que fiz.. e eis que me disseram que o jornal tinha saído no dia 1 de Abril! Eis que tudo faz sentido.. ;)

20 dias depois, eis que a nova edição do jornal acrescenta um "Desmentido" na pág. 9..
Sim, de facto era uma partida do dia das mentiras.. ;)

E porquê que me deu agora para falar disto? Porque desfeitas as coisas, há que analisar as consquências disto, que certamente passaram ao lado da pessoa que teve a feliz ideia de escrever a falsa notícia..
Não vou discutir a credibilidade do jornal, ou o efeito de "satisfação" ou curiosidade que a notícia despertou nalguns leitores..
O problema, é que o tempo deixado entre a notícia e a falsa notícia, pode ter inspirado bastantes (alguns, ou nenhuns) caçadores de tesouros..
Há que considerar que as referências feitas ao castro de Ul podem ter-lhe provado alguns buracos a mais..
As imaginações são fertéis o suficiente para precisarem deste tipo de inspirações..
Dias das mentiras, partidas.. Sim, claro ;) Mas há que ter em conta o tipo de consquências que isso pode ter..
A questão é que uma notícia assim, independentemente da intenção com que é publicada, pode ter consquências desastrosas para o património se for vista como inspiração para "Caça ao Tesouro", desta vez, sem a apresentação da Catarina Furtado.

E dizem vocês.. Tanta coisa por causa duma falsa notícia? Claro.. porque desta vez, até pode só ter sido vista por pessoas que ficaram contentes, mas se houve danos patrimoniais, de quem é a culpa?

Todavia, esta notícia não foi a única, nesse dia, a brincar com arqueologia.. Pelo menos em Chaves algo parecido sucedeu (citando pessoas reais, roubo de objectos, mas cujo desmentido foi dado a conhecer, pelo menos, no dia seguinte).

A pergunta com que comecei este texto..
Entre notícias arqueológicas destas nos jornais .. Ou nenhuma notícia?
Claramente, prefiro a segunda hipótese.. ;)
Jornalistas ou não.. Cuidado com as consequências'

quarta-feira, 31 de março de 2010

Petição pelo MNA!

Infelizmente, estou de volta com o mesmo assunto, o MNA..
Desta vez, para divulgar uma nova petição, lançada pelo ICOM, em defesa do Museu Nacional de Arqueologia.
Peço-vos que leiam a petição e que a assinem se concordarem com ela..
Volto a insistir que esta questão não é só arqueológica.. e se a democracia em que vivemos nos permite usarmos deste tipo de manifestações, é uma questão de cidadania subscrever esta petição.
Desde já agradeço a todos os que a subscreverem, pelo 2º museu mais visitado do Ministério da Cultura.
 



Declaração e abaixo-assinado adoptado pela
Assembleia-Geral da Comissão Nacional Portuguesa
do Conselho Internacional dos Museus (ICOM)
EM DEFESA DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA

Subscreva em: http://peticao.com.pt/mna
Mantenha-se informado e comente em: http://gamna.blogspot.com
Divulgue por todos os seus contactos

Quando há cerca de um ano o anterior Governo colocou a hipótese da transferência do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) para a Cordoaria nacional, o seu Grupo de Amigos (GAMNA) chamou logo a atenção para os riscos inerentes, dos quais o mais importante é o da segurança geotécnica do local e do próprio edificado da Cordoaria, para aí se poderem albergar as colecções do Museu Nacional português com colecções mais volumosas e com o maior número de peças classificadas como “tesouros nacionais”.
Após as últimas eleições pareceu ser traçado um caminho que permitia encarar com seriedade esta intenção política. A ministra da Cultura afirmou à imprensa que fora pedido ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) um parecer acerca das referidas condições geotécnicas e que seria feito projecto de arquitectura coerente, respeitador tanto da Cordoaria Nacional como do programa do Museu. Ao mesmo tempo garantiu que esse complexo seria totalmente afecto ao MNA, sem a instalação antecipada de outros serviços no local. Sendo assim, deixaria também de ser necessário alienar espaços do MNA nos Jerónimos, a título de garantia da ocupação antecipada da Cordoaria.
Causa, pois, profunda estranheza a sucessão de acontecimentos das últimas semanas, os quais vão ao ponto de comprometer ou até inviabilizar a continuidade da gestão do Director do Museu, que nos cumpre elogiar pelo dinamismo que lhe conseguiu imprimir e de cujos interesses se constitui, perante todos nós, em legítimo garante.
O estudo tranquilizador que se dizia ter sido pedido ao LNEC, deu afinal lugar a parecer meramente pessoal do técnico convidado para o efeito. O GAMNA, encomendou estudo alternativo, que vai em sentido contrário. O Director do Museu recolheu, ele próprio, outros pareceres, dos mais reputados especialistas da área da engenharia sísmica, que igualmente corroboram e ampliam as preocupações existentes. É agora óbvia a necessidade da realização de um programa de sondagens e de verificações in loco, devidamente controlado por entidade idónea, de modo a poder definir com rigor a situação da Cordoaria em matéria de riscos sísmicos, maremoto, efeito de maré, inundação e infiltração de águas salgadas. A recente tragédia ocorrida na Madeira, onde se perdeu quase por completo o acervo do Museu do Açúcar, devido a inundação, aí está para nos lembrar como não pode haver facilidade e ligeireza neste tipo de decisões.
Enquanto não estiver garantida a segurança geotécnica da instalação do MNA na Cordoaria Nacional e enquanto não forem realizados os adequados estudos de planeamento urbano e circulação viária, importa manter todas as condições de operacionalidade do Museu nos Jerónimos. Neste sentido consideramos incompreensível a alienação pretendida da “torre oca” a curto prazo, até porque uma tal opção iria comprometer definitivamente qualquer hipótese futura de regressar a planos de remodelação e ampliação do MNA nos Jerónimos, conforme foi a opção consistente de sucessivos Governos, até há dois anos. O MNA merece todo o respeito e não pode ser considerado como mero estorvo num local onde aparentemente se quer fazer um novo Museu.
O poder político não pode actuar ignorando os pareceres técnicos qualificados e agindo contra o sentimento de todos os que amam o património e os museus. Apelamos ao bom senso do Governo, afirmando desde já a nossa disposição para apoiar o GAMNA na adopção de todas as medidas cívicas e legais necessárias para que seja defendida, como merece, a instituição mais do que centenária fundada pelo Doutor Leite de Vasconcelos, o antigo “museu do homem português” e actual Museu Nacional de Arqueologia.
Lisboa, em 29 de Março de 2010.

segunda-feira, 29 de março de 2010

MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA: mudar, só para melhor

Pois bem, em seguimento do meu último texto sobre as questões ligadas ao MNA, transcrevo aqui um comunicado do actual director do museu sobre essa temática, difundido via Archport.

Entretanto, como sei que muitos dos leitores deste blog não têm uma relação de proximidade com o mundo arqueológico, espero que este assunto tenha motivado alguma reflexão.. Isto já não é só uma questão de Arqueologia.. É de Cultura, de Política, de Economia.. de Cidadania!
  

[esclarecimento apresentado durante as VIII Jornadas Anuais do ICOM Portugal, em 29 de Março de 2010]

MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA: mudar, só para melhor


Uma vez que foi anunciada a intenção de fazer transitar rapidamente o Museu Nacional de Arqueologia (MNA) para a Cordoaria Nacional (CN), destinando-se o espaço dos Jerónimos à ampliação do Museu de Marinha ou a um novo museu, o Museu da Viagem, julgo já ser altura de dizer o que penso sobre o assunto. A tal me conduzem os deveres que tenho para com os visitantes, o Grupo de Amigos do MNA, as comunidades científicas e museológicas a que pertenço e sobretudo para com a minha própria consciência pessoal. Vejo, aliás, que o tema mobiliza as comunidades da arqueologia, da museologia e do património e começou a interessar os media. Ainda bem, porque o futuro de uma instituição centenária desta natureza é um assunto de cidadania, que ninguém poderia esperar, muito menos desejar, ficasse escondido dentro de gabinetes.
Como tenho repetido noutras ocasiões (v. por exemplo Publico, 23-12-2006), não sou, em absoluto, contra a transferência do MNA para outras instalações. Pertenci a equipas que procuraram essas alternativas e elas chegaram a estar prefiguradas em sucessivos PDMs de Lisboa (Alto do Restelo, Alto da Ajuda, terrenos anexos ao CCB, etc.). Tendo falhado todas estas hipóteses, optei na última década – e com eu todas as direcções do Instituto de tutela - por estudar, primeiro, e depois propor projectos de arquitectura muito sólidos, da autoria de Carlos Guimarães e Luís Soares Carneiro, alicerçados em sondagens e estudos geológicos realizados sob supervisão do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), visando a ampliação do MNA nos espaços já ocupados nos Jerónimos. Estes estudos e projectos foram desde 1998 acolhidos por todos os governos que precederam a actual legislatura e chegaram ser formalmente adoptados por um primeiro-ministro, que anunciou o calendário da sua execução.
Não posso deixar de considerar ser pena que se deitem agora à rua as dezenas, ou porventura centenas, de milhares de euros assim gastos. Mas, enfim, se a opção é de mudança de instalações, então o que importa assegurar é que ela seja claramente para melhor. Não podendo ser para edifício novo, pois que seja para um edifício histórico prestigiado, bem situado e sobretudo adequado às necessidades de um museu moderno, mormente daquele que é um dos mais visitados do Ministério da Cultura, o que possui colecções mais volumosas e vastas e ainda o que tem maior número de bens classificados como “tesouros nacionais”. E já agora, quanto ao espaço deixado livre nos Jerónimos, que se execute nele um projecto cultural que realmente valha a pena e honre a Democracia.
Ora, devo confessar que, não obstante a atitude positiva que sempre tenho em relação à mudança, o espírito construtivo e colaborante a que minha posição funcional me obriga e ainda a esperança que depositei na orientação política traçada pela actual Ministra da Cultura, tenho agora dúvidas que estes desideratos sejam de facto assegurados.
Em Novembro e Dezembro passados, após reuniões tidas com a tutela do MNA e directamente com a senhora Ministra da Cultura, foi traçado um caminho que me pareceu e continua a parecer sério e viável, a saber:
-mandar executar estudos geotécnicos, sob direcção de entidade idónea (que a senhora ministra anunciou à imprensa ser o LNEC), garantidores da viabilidade e condições de instalação do MNA na CN; destes estudos resultariam as obras de engenharia que fossem consideradas como condições prévias a qualquer projecto de arquitectura;
-execução de um projecto da arquitectura arrojado, respeitador da Cordoaria (ela própria classificada como monumento nacional e merecedora de todo o respeito) e do programa museológico do MNA;
-afectação de toda a CN ao MNA, reconfigurado institucionalmente de modo a incluir alguns serviços de arqueologia do Ministério da Cultura que nele poderiam desejavelmente ter lugar;
-não instalação antecipada na CN de serviços do MC, de modo a que o espaço estivesse totalmente disponível para a execução do projecto de arquitectura; correlativamente, não havendo necessidade de ocupação da CN por parte da Cultura, não entrega adiantada à Marinha de espaços nos Jerónimos, mantendo aqui o MNA toda a sua capacidade operacional, até que pudesse ser transferido para a CN, em boa e devida ordem.
Nos últimos dois meses parece que toda esta estratégia foi abandonada, sem que se perceba muito bem porquê. Talvez apenas pelo que se quer fazer nos Jerónimos e não propriamente pelo interesse na melhoria do MNA. Importa recordar que a ideia de afectar o sector oitocentista dos Jerónimos em exclusivo à Marinha, de forma clara (ampliação do Museu de Marinha) ou encapotada (Museu da Viagem, colocado em instalações alienadas para a Marinha, bem diferente do que seria um tal museu antropológico e civilista, sob tutela exclusiva da Cultura), limita-se a ressuscitar o antigo projecto do Estado Novo, sob impulso do almirante Américo Thomaz, que teve golpe de finados quando o Conselho da Revolução, em Janeiro de 1976 (no rescaldo do 25 de Novembro e quando País corria o risco de uma deriva cesarista), entendeu publicar um decreto hoje risível, no qual se impunha a transferência para a Marinha de todos os espaços dos Jerónimos não afectos ao culto. É irónico que este projecto seja retomado agora, mas… é a vida. Na condição em que subscrevo este texto, apenas me cumpre assinalar esta entorse cívica. Todavia, na mesma condição, cumpre-me mais, cumpre-me denunciar a extraordinária situação para que um museu mais do centenário e um acervo tão vasto e estruturante para o País são atirados, tratados como meros empecilhos para que uma opção política de regime possa rapidamente ser executada. Em ditaduras terceiro-mundistas não se faria diferente.
Quanto ao edifico da CN o problema não é tanto político mas técnico e altamente complexo, fazendo todo o sentido os cuidados na sua abordagem, acima sumariados. Trata-se de uma proposta que tem meio século, ressurge ciclicamente e foi sempre recusada com base em pareceres técnicos credíveis. Mudaram entretanto as circunstâncias ? Talvez. Mas apenas se alguém com competência bastante puder agora garantir a inexistência ou o adequado controlo dos riscos sísmicos, de inundação, impacte de marés, etc. que são reconhecidos naquele preciso local (edificado sobre o estuário do rio Seco num local, “Junqueira”, que significa pântanos de juncos) e arriscam conduzir a uma catástrofe para o acervo histórico nacional que o MNA guarda. E se outro alguém garantir depois a mobilização dos meios financeiros suficientes para a profunda requalificação do quarteirão inteiro da CN, onde nalguns sectores se verifica uma quase ruína e noutros as coberturas são em telha vã, os pavimentos são irregulares, estão saturadas em sais marinhos, etc., etc. Ora, a única coisa que até aqui me foi apresentado em sentido tranquilizador, foi um parecer dado a título individual por um antigo técnico LNEC, certamente competente, mas que não responsabiliza mais do o seu autor. O Grupo de Amigos do MNA obteve estudo de outro técnico muito credenciado e que vai em sentido contrário; eu próprio recolhi pareceres de dois dos mais reputados especialistas portugueses em engenharia sísmica – e todos concordam em alertar para o risco efectivo e elevado que existe no local da CN.
Talvez assim se compreenda melhor porque atribuo a esta matéria tanta importância. Talvez se entenda porque não posso em consciência, neste momento, considerar como definitivamente adquirida a transferência do MNA para CN. E, por outro lado, também assim se possa melhor perceber porque considero inaceitável executar desde já o despejo de parte do MNA nos Jerónimos – situação que seria sempre anómala (e desnecessária, porque não existem agora pressões para colocar quaisquer serviços da Cultura na CN), porque o que faria sentido, conforme o acordado inicialmente, era que o Museu apenas desocupasse os espaços actuais quando mudasse de instalações, após as obras profundas de arquitectura a que a CN deverá inevitavelmente ser submetida.
Continuo, pois, a aguardar a apresentação pública de estudos que garantam a segurança do acervo do MNA na CN. Aguardo, logo depois, a abertura de concurso público ou o convite a arquitecto consagrado para desenvolver o projecto que se impõe, tudo isto sem esquecer os estudos urbanísticos da zona envolvente, de modo a precaver, e potenciar, o fluxo das várias centenas de milhar de pessoas que passarão anualmente a frequentar uma zona em que se irão colocar lado a lado os dois mais visitados museus do Ministério da Cultura.
No entretanto, o MNA continuará a servir da melhor forma que puder os seus utilizadores, no cumprimento do programa cívico que Leite de Vasconcelos concebeu e Bernardino Machado adoptou. As iniciativas públicas já tomadas em torno do futuro do MNA, com especial relevo para o espírito combativo demonstrado pelo nosso Grupo de Amigos e para os oferecimentos de activa solidariedade por parte de personalidades as mais diversas, das associações científicas e profissionais, das universidades e das autarquias, reconfortam-me e dão fé de que a sociedade civil não está adormecida.
Luís Raposo
Director do Museu Nacional de Arqueologia, 29 de Março de 2010.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A (des)Ordem no Museu!

Bem, bem.. Só hoje é que dei por mim a pensar que não vos trazia novidades à muito muito tempo..
São aquelas fases da vida académica que até para escrever nos tiram a vontade.. mas adiante ;)

O que me trás cá hoje vem no seguimento do que me trouxe da última vez.. Arqueologia!
[antes fosse desta, em Tresminas.. no meio de tantos pinheiros e bichos, ainda restava alguma Ordem (de pedras claro')]

Em relação à questão da Ordem, tema da última mensagem, e depois do debate, consultem-se as conclusões do mesmo no site da APA.
Para quem não se quiser dar a esse trabalho, basicamente, constituiu-se uma comissão informal para aprofundar as questões relacionadas com um sindicato dos arqueólogos, ficando, para já a questão da Ordem em "standby".

Mas o que me trás cá hoje, já não é a questão da Ordem em si, mas do Museu Nacional de Arqueologia, e que curiosamente, também já não é nova aqui.. [em 6/02/09; 2/02/09]
Entretanto, pode também consultar-se um comunicado, no já referido site da APA sobre esta questão..
E quem não está dentro deste assunto perguntará.. "mas de que raio é que ela está a falar?"
A resposta é simples.. da transferência do museu..
Não sei se estão recordados da questão da construção do novo Museu dos Coches, num local ocupado pelos serviços de arqueologia do IPA..
Em consequência disso, e da necessidade de desocupar o local, as instalações do IPA foram desmanteladas, com intenção de se concentrarem na Cordoaria, onde mais tarde se viria a situar também o MNA.
O IPA saiu, e espalhou-se por aqui e por ali..

Mas agora.. Eis que surge a notícia que até dia 8 de Maio, o director do MNA tem que desocupar um espaço do seu museu - a Torre Oca - que deverá entregar à Marinha, como garantia para troca com o edifício da Cordoaria, actualmente sobre a tutela desse ministério.
Devo ainda dizer que a questão da transferência para a Cordoaria parece não ter sido suficientemente estudada para garantir a segurança das colecções do museu; e também não se considerou que o próprio edifício da Cordoaria, classificado, vai ter que sofrer obras (que o podem descaracterizar) para receber este tipo de museu.

No entanto, há quem levante questões relativas ao prazo e à ordem dada ao director do museu para desocupar o espaço.. É que não é viável cumprir essa ordem..
(Também se diz que a notificação foi entregue ao director em Agosto, mas a questão colocar-se-ia da mesma forma)
Ora, se um director não cumpre uma ordem superior, o que é que lhe pode acontecer? Pois é, directores desobedientes não são toleráveis para as tutelas..
E como não sou eu que o digo, deixo aqui uma frase que conclui esta lógica, extraída de um mail divulgado na Archport pelo Sr. Manuel de Castro Nunes..

"O objectivo de todo este processo era dois. Não era apenas desinstalar o MNA. Era também afastar o seu Director. Porque o MNA não era apenas um Museu, era a sede de um pensamento cultural incómodo."

E assim, deixo mais uma vez as polémicas da arqueologia, sendo que há quem defenda que a primeira - a da Ordem, foi uma jogada tutelar para distrair os arqueólogos desta velha questão do MNA..
*

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sobre uma Ordem de Arqueólogos.. e os males da arqueologia!!!

Bem, hoje voltei aos assuntos temíveis da Arqueologia, e tudo isto porque, em virtude de um debate a realizar dia 20/03, se discute por aí a possibilidade e importância de criar uma Ordem de Arqueólogos.. Coisinha “pouco” complexa sobre a qual resolvi tecer algumas considerações, sem esquecer, claro,
que:
- Ainda sou daquelas pessoas que não entrou totalmente no mundo da Arqueologia, mas que gostava de o
fazer..
- Sou apenas uma estudante a desabafar sobre um futuro que parece ser ilusório..

[atrevi-me a colocar aqui a representação do Jorge de uma arqueóloga ;)]

*Ordens não faltam - profissões como médicos, engenheiros, advogados, enfermeiros, psicólogos ... todas elas têm ordens.. E pergunto, há alguma desvantagem em ter uma?!

*Ordens vs Sindicatos - outro dos problemas levantados passava por saber se as duas "organizações" são compatíveis. Ao que parece tanto são compatíveis como possuem objectivos diferentes.
Se um sindicato se pode ocupar das questões salariais, de trabalho, de problemas entre patrões e prestadores de serviços; não é essa a função de uma ordem..

*Precisamos de uma ordem? Parece-me que sim.. Não sei se é ou não a melhor altura para a criar.. Se vem tarde ou se vem cedo.. Mas ela é precisa.. E passo já a explicar o porquê desta opinião..
A arqueologia em Portugal apresenta-se como um empilhado de dúvidas e incertezas.. de buracos na lei.. de desgulamentação..
Parece-me que reside na Ordem o peso social de pressionar as tutelas e ver esclarecidos os problemas de vazios legais..
Para além disso há uma coisa que faz muita comichão.. Quem raio tem legitimidade de dizer: "Você pode ir ali um buraco"; "Ai você tem um curso de Bolonha? Desculpe lá, mas não lhe serve de nada"

Eu percebo que haja algumas reticências nos licenciados fast food de Bolonha (eu tb as tenho), a questão é que a arqueologia não pode de repente dizer que a licenciatura de Bolonha não serve para nada, e mais valia ter ido para um curso no Marco, do que matar a cabeça com problemas interpretativamente rituais!
A questão é que se se reconhece que a formação universitária é insuficiente, alguém, alguma coisa tem que criar complementos a essa formação.. complementos reconhecidos.. Não estou a falar de escavações em que tiramos terra e despejamos baldes.. Alguém tem que pensar se não são precisos estágios profissionais integrados nas formações, ou pós formações ou o raio que os empisque!

Eu não sei se as pessoas que estão actualmente nos grandes cadeirões da arqueologia percebem que não são eternas.. E se têm medo que alguém lhe roube o lugar demasiado cedo, tranquilizem-se, mas formem é pessoas competentes que possam vir a substituir..
Os cursos de Bolonha são uma porcaria, mas é deles que vai sair o futuro arqueólogo..
E sim, há pessoas que não querem saber, e vão fazer arqueologia em qualquer circunstância..

Srs Arqueólogos, acordem' As pessoas que realmente se preocupam com o património, não vão investir numa área que não lhe dá segurança profissional.. (não estou a dizer que há arq que não se preocupam, o objectivo não é esse).

Se a Ordem restringe o acesso à profissão, só leva a que as pessoas realmente se empenhem para lá chegar.. Não é porque sim, não estamos a brincar aos escavadores.. Estamos a trabalhar com um recurso, onde depois de abrirmos, não fechamos da mesma maneira..

E é preciso que a sociedade em geral reconheça isto.. e não são sindicatos que levam a sociedade a perceber a importância da arqueologia.. não são meia dúzia de arqueólogos sozinhos que resolvem isso..

Que se debata uma Ordem, um sindicato.. Mas que se faça alguma coisa em prol da Arqueologia!
*

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Workshop Prospecção Geofísica e Arqueologia - o balanço..

Ora, eu disse que cá viria tecer alguns comentários sobre o Workshop.. portanto, lá vamos nós :)

Bem, um workshop de dois dias, e que implicou uma tarde de "campo".. Uma sexta mais geo científica, que se misturou com uma tarde de prospecção, na quinta do Covo..
Um sábado mais arqueológico, oliveirense e futurista ;)

Foi um workshop multi disciplinar.. e, como foi referido, "o arqueólogo não tem que saber tudo, tem que colaborar com todos"..
Obtivemos precisas informações dos processos que a metodologia usada no Covo utilizou..
Foram também referidos alguns métodos de prospecção geofísica não utilizados e algumas limitações à respectiva utilização.. (humidade, presença de metais..
Foi também abordada a questão da prospecção geoquímica utilizada..

Claro que, algumas destas apresentações, pareciam, aos olhinhos de um pseudo futuro arqueólogo, demasiado científicas :)
De qualquer forma, importantes, no sentido em que o tipo de conhecimentos expressos não se ouvem numa qualquer faculdade de letras..
A importância destes métodos não é expressa nas aulinhas belas e amarelas.. E, certamente, passa ao lado de muita gente a utilidade que esta aplicação da geofísica tem para a arqueologia.

Quanto à visualização dos métodos.. uma experiência quase única.. oportunidades destas não devem saltitar muito por aí.. Assistimos portanto a todo o processo de recolha, tratamento e análise dos dados..

Já no sábado, e na óptica de manter viva a memória vidreira no concelho, foram apresentados os motivos que levaram à investigação da fábrica de vidros do Covo.. A importância da mesma, a sua longa permanência.. a importância de desenvolver estudos numa área pouco conhecida..
Os resultados das investigações.. que revelaram a presença de, provavelmente, três fornos.. a local de moagem de quartzo (única estrutura arqueológica visível..)
A questão curiosa da chaminé.. se calhar eram duas e não uma.. a minha fonte diz que, à 60 anos, ainda havia vestígios duma perto da pocilga..

Bem, deixando o Covo, seguiu-se a mesa redonda onde se discutiram outros casos da aplicação da geofísica à arqueologia..
O caso de Perdigões, em que a geofísica permitiu identificar muitos mais fossos do que os já conhecidos.. e permitiu o planeamento de intervenções seguintes..
Também houve relatos de prospecções falhadas..
A geofísica foi considerada uma técnica de diagnóstico.. Se, na medicina, ninguém abre um doente sem saber exactamente o que é que ele tem.. em arqueologia já não é bem assim..
Também foi referido que a geofísica, embora sendo "cara", permitia a minimização de custos.. E, quando há empresas de arqueologia que não a podem fazer, contratam outras de geofísica que o façam..
Discutidos foram também os cadernos de encargos, como fazer, quem.. e, de que forma, se podiam evitar os erros do Caderno de Encargos da Cava de Viriato..
Também se constatou a dificuldade de aplicar estes métodos na arqueologia urbana..
Houve quem apelasse à necessidade de tornar a geofísica apelativa.. e à formação de arqueólogos em geofísica, que pudessem acompanhar todos os processos dum trabalho..

No debate que se seguiu, foi referido que a geofísica trazia contexto à arqueologia, embora não datando..
Voltou-se a discutir a questão dos cadernos de encargos e a possibilidade de adjudicar a sua elaboração a empresas.. por outro lado, foram referidas as dificuldades autárquicas em adjudicar primeiro a elaboração dum caderno de encargos e depois, colocar esse caderno de encargos a concurso..

E, à semelhança do que se disse o ano passado em relação aos trabalhos arqueológicos e ao pastel de natal.. Quem vai ao médico quer saber o que é que tem.. Mas quem faz uma obra não quer encontrar nada..

"A geofísica trás mais problemas do que soluções"

Bem, viajando agora pela memória do vidro.. começamos com uma viagem pela História do Vidro em Portugal, com referência às principais publicações, fábricas, evoluções, introduções..
Passamos para uma perspectiva mais.. geológica.. abordando as matérias primas minerais presentes no vidro, nos fornos.. as tipologias do vidro.. (coisinhas que condicionam bastante a localização duma fábrica..)

Depois, uma intervenção muito poética e que fez sorrir muitos dos oliveirenses que assistiam às apresentações.. O património industrial vidreiro.. Classificando as investigações no Covo como uma etapa decisiva para o conhecimento da história do vidro.. Oliveira de Azeméis, um diamante em bruto, com um património espantoso..
Continuamos a jogar com as emoções, e seguiu-se a intervenção do Sr. Morgado sobre o dia-a-dia de um vidreiro.. Não faltaram as histórias e aventuras.. (Aqui, em trabalhos no Berço Vidreiro)


E continuamos na nostalgia dos bens perdidos.. A visualização de uma vídeo sobre o Centro Vidreiro do Norte de Portugal, as peças, os processos produtivos.. A produção de tudo e mais alguma coisa necessário ao funcionamento da fábrica.. [um vídeo que devia estar acessível a toda a gente..]

E, finalmente, para concluir, viajamos pelo que será o futuro do vidro.. as suas novas aplicações.. a sua resposta aos novos desafios..

Sem dúvida, extremamente produtivo :)
*

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Oliveira de Azeméis e Arqueologia

Ora, como aqui referi, há já algum tempo, Oliveira de Azeméis está a ser palco do Workshop sobre prospecção geofísica e arqueologia.. Cá fica uma das primeiras notícias que nos dá conta da ocorrência.. :)
Voltarei a manifestar-me sobre isto no final do workshop.. ;)
[e aguardamos a 2ª postagem das séries do Jorge; o resumo da semana e, brevemente, o comentário à sondagem.. Será ele capaz?!]

Concelho possui 140 locais com potencial arqueológico

O município de Oliveira de Azeméis tem actualmente identificados cerca de 140 locais com potencial arqueológico, revelou hoje a vereadora da cultura, Gracinda Leal.

De um número inicial de 21 locais reconhecidos, o município passou, com o arranque do projecto da Carta Arqueológica em 2008, para quase uma centena e meia de sítios com interesse.

«Os trabalhos de preparação do projecto da carta arqueológica já nos permitiu multiplicar por sete o número de locais com potencial arqueológico», afirmou Gracinda Leal na abertura do workshop «Prospecção Geofísica e Arqueologia – A fábrica de vidro do Covo» que reúne, durante dois dias, meia centena de profissionais e alunos ligados à arqueologia.

Em cima da mesa está a análise das técnicas de prospecção do subsolo aplicáveis à arqueologia e a importância da indústria vidreira, incluindo o caso específico da investigação efectuada na Quinta do Covo.

Os resultados da prospecção nesta antiga unidade vidreira são apresentados este sábado e visaram identificar estruturas associáveis ao fabrico do vidro naquele local, numa parceria que envolveu o Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

O concelho de Oliveira de Azeméis está ligado à história vidreira nacional pela razão dali terem nascido as primeiras fábricas de vidro do país. O Centro Vidreiro do Norte de Portugal foi a última unidade a laborar desde que, em meados do século XV, começou a laborar, em Oliveira de Azeméis, a primeira indústria de vidro do país – a Fábrica do Covo.

«A necessidade de avaliar o potencial arqueológico de um espaço que foi ocupado pela conhecida fábrica de vidro que mais tempo esteve em laboração no território nacional mostrou-se prioritária no quadro da manutenção da memória vidreira no nosso concelho», afirmou a vereadora.

«A integração, em 2008, de um técnico do sector do Museu e Arqueologia marcou o arranque da actividade nesta área e foi decisiva para iniciarmos um percurso de criação de condições necessárias ao desenvolvimento de projectos de investigação arqueológica», disse Gracinda Leal.

«A actividade do sector em 2008 permitiu a celebração de protocolos de colaboração com entidades capazes de nos garantirem o acesso a conhecimentos e a técnicas que, de outra forma, não estariam acessíveis ao município», explicou.

O workshop – uma parceria entre a autarquia de Oliveira de Azeméis, a Associação Profissional de Arqueólogos e as universidades de Aveiro e Porto - termina amanhã com a abordagem ao tema «Dos produtos tradicionais às novas aplicações, o futuro do vidro».

Fonte: http://www.cm-oaz.pt/?lop=artigo&op=c0c7c76d30bd3dcaefc96f40275bdc0a&id=3f088ebeda03513be71d34d214291986

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Workshop Prospecção Geofísica e Arqueologia, O. Azeméis


Bem, eu sei que isto deve estar pouco legível, portanto consultem: www.aparqueologos.org
Vim só cá deixar a informação de um adorável workshop, em Oliveira, sobre arqueologia e vidro basicamente.. :)

E sim, eu sei que tenho uma sondagem para comentar.. espero fazê-lo até ao final da semana.. Esta semana em que toda a gente neste blog ficou velha, não deu para isso ;)
*

[Bem, acrescentei hoje título ao post, 28/10, prova da minha intensa visita ao mundo lunar nas últimas semanas :)]

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Uma coisa, uma escolha, uma opcional, uma faculdade..

Eu sei, eu sei.. a cultura ainda não acabou nos programas políticos, está quase, mas a bela vivência pediu-me que fizesse uma pausa para reflectir sobre uma coisa..

Pensei em começar por dizer "Letras? Não!" ou.. "Escolha uma das 5 disciplinas opcionais"..
E esta é a parte em que quase ninguém percebe o que é isto.. Mas passemos ao desenvolvimento, começando por outro lado..

Escolhas! E sim, são coisas muito importantes na nossa vida (já aqui falei delas).. Mas, nem todas as escolhas são democráticas.. (apesar de ter havido uma coisa designada vulgarmente por 25 de Abril)
Assim, temos.. escolhas, condicionadas..

E aqui, começa o meu conselho, se alguém pensar, um dia na vida, seguir arqueologia (que já de si, deve ser coisa bem reflectida) não o faça na Faculdade de Letras da UP.. (também já aqui escrevi sobre isto..)

(Esta é a parte em que junto as duas ideias..)
Quanto alguém escolhe um curso, analisa bem os diferentes planos de estudos.. e, pressupõe que não vão ser muitas as alterações ao dito cujo..
Mas, aí é que nos enganamos..
Ora, em 3 magníficos anos de Bolonha, conheci eu na Flup, pelo menos, 3 planos de estudo diferentes..
Ora, quando uma pessoa pensa em escolher opcionais, supõe que as restantes vão lá estar nos anos seguintes.. e programa-as partindo dessa generalização (falsa por sinal!).
No meio de tanta troca e mudança, eis que chegamos ao último ano, e temos problemas em fazer as matrículas (num post anterior, isto também já foi referido).. e depois de esperar dias, dias e dias pela resolução do problema.. eis que ela surge..
Mas, não era sem dúvida a solução esperada.. Uma das disciplinas opcionais, foi substituída por outra, tendo em conta que assim poderia ter um maior nº de alunos - de 15 para 50.
E, para além disso, foi aberta ainda outra disciplina, dedicada (como quase tudo por aqueles lados - percepção tardia a minha) à pré-história.

E, à primeira vista, o problema tinha sido "bem" resolvido.. Mas.. não..
Ora, tendo em conta que a disciplina dos 50 foi uma reabertura, alunos como eu, já a tiveram..
Tendo em conta que o nº de vagas para a outra disciplina se manteve (15), e não foi conferida prioridade aos alunos do 3º ano..
Considerando ainda, que as outras duas disciplinas já foram feitas..
Destas belas 5 opções, sobre apenas uma..
E a moral da história é..
Pré-história!

Opcional - completamente obrigatória.
Liberdade de escolha absoluta.
E, isto podia continuar.. mas diz-me a liberdade que me resta, que não vale a pena..

*

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O mundo está perdido - estados dos monumentos em Portugal!

Pois bem.. hoje não há tour e o que me trás cá é outra coisa..
O estado das estações arqueológicas e monumentos em Portugal..
Bem, isto não surgiu por acaso.. não foi por estar de férias e não ter mais nada que fazer..
Na realidade, por não ter nada que fazer, no meio do interior alentejano, andei à procura de estações belas e amarelas para visitar..
E.. a meia dúzia de Km de Sousel, surgiu uma Villa romana (vá, uma espécie de quinta, ou casa de campo), em Santa Vitória do Ameixial, concelho de Estremoz..
Nisto, e depois de algumas pesquisas, descobri que da estação tinham sido recolhidas 3000 moedas, um mosaico com o srº Ulisses, que agora até está no MNA (Museu Nacional de Arqueologia)..
Pareceram-me bons indicadores para sair do fresquinho e mergulhar nos 38º lá de fora..
Mas.. havia uma coisa estranha.. não havia, em sitio nenhum, indicação do horário de funcionamento da dita cuja.. O que me levou a pensar se o sitio estaria aberto.. ou vedado.. e fechado..
Não tardei muito em desfazer essas dúvidas..

A villa estava localizada.. (vá, num sitio mal cheiroso e escondido.. mas estava..)
E lá subimos o caminho a pé.. onde não faltavam cacos e companhias..

Até chegarmos a um sítio.. onde havia um portão.. com um cadeado que não estava fechado.. E um portão ferrugento.. Não sei se estava aberto ou não..
Certo é que o sítio estava fechado.. mas a bela da informação sempre tinha um horário.. E.. surgiu um outro dado muito mais interessante..
O raio do sítio estava completamente a monte.. viam-se alguns buracos.. e uma plataforma de onde eu diria ter sido retirado o mosaico.. e.. pralém disso, dos materiais, e das estruturas que se viam da estrada.. só erva..

Mas.. a informação interessante.. é que o sítio foi classificado como MONUMENTO NACIONAL!!! em 1974 (salvo erro..)
Rico estado para um monumento nacional..
E eu só me pergunto.. para mim, que estudo arqueologia, não há maior frustação que ver um sítio naquele estado.. sujeito a quase tudo..
Mas para o "turista", visitante, curioso, ou habitante do local.. que vantagem tem o sítio arqueológico? Ao turista só má imagem.. aos srs habitantes, confesso que não sei.. eventualmente chateiam-se um bocadinho porque ali à volta devem "chover tralhas" romanas.. sem que haja qualquer beneficio..

A estação tem mesmo aquele ar de quem foi saqueada.. e agora, que aparentemente já não se lá vai encontrar mais Ouro! fica pra lá ao abandono..


E as estruturas que já estão na estrada..

Enfim :s
*

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Finalmente a sós..


Bem.. agora que, para mim acabou a Queima 2009, que consegui regularizar os meus adoráveis mails e que a minha vida deve voltar à sua rotina normal.. ;)

Ora, assim sendo, as minhas mais recentes noticias vão para o ciclismo..

*A 100ª edição do Giro de Itália começa sábado. Conta com o regresso de Ivan Basso e com a primeira participação de Lance Armstrong.

*Astana com problemas financeiros. Talvez possível intervenção da Livestrong.

*Vinokourov anuncia o seu regresso, depois de cumprir a suspensão de 2 anos por doping no Tour 2007.

*João Cabreira foi novamente ilibado.

*Em estudo a possibilidade de num futuro próximo a Volta a Portugal partir do Funchal.

*Notícia sobre o I Memorial Bruno Neves: http://www.labor.pt/index.asp?idEdicao=179&id=8906&idSeccao=1876&Action=noticia
E segundo sei, a segunda edição do Memorial encontra-se já em preparação.

Entretanto.. quanto a Oliveira de Azeméis..

*Os assaltos durante o dia continuam a suceder.

*No próximo dia 16 de Maio a cidade comemora os seus 25 anos de elevação. O programa oficial encontra-se no site da CM. A essas comemorações associa-se também o 13º Festival da Juventude.
http://www.cm-oaz.pt/up/UPLOAD-bin2_imagem_0657177001241791863-766.pdf

*Entretanto foi revelado que o candidato à CMOAZ pelo PSD seria Hermínio Loureiro, actual presidente da Assembleia Municipal, da Liga de Clubes e deputado na Assembleia da República.

Arqueologia e escavações..

Começam agora divulgações de escavações em regime de voluntariado para estudantes de arqueologia.. Estejam atentos.. ;)

Rio Zêzere

Portanto, chega onde tu quiseres, mas goza bem a tua rota..
*

domingo, 5 de abril de 2009

Os guardiães do património.. algumas reflexões.. (II)

Bem, continuando com ideias soltas do debate de ontem e alguns comentários..

- Antes, a exigência era diferente. Antes, era preciso apresentar curriculum para escavar. Antes, começava-se a escavar com o acompanhamento (na teoria) de outra pessoa com mais experiência.
Antes, antes, antes..

- O incentivo que Bolonha trás para se fazerem estudos posteriores.
- Em Portugal não há condições para oferecer muitas unidades curriculares.
- Bolonha é economicista.
- Questão das propinas - possibilidade de mestrados integrados, que ocorreram nalguns cursos porque havia uma Ordem.
O problema é que a licenciatura é insuficiente, mas o mestrado é caro. E a arqueologia é assim tão lucrativa para passar a profissão de elites? A hobbie de médicos e arquitectos, de algum excêntrico a quem saia o Euro milhões?
-As escolhas dos alunos, pelo local onde o vão fazer, prendem-se muito com gestão de cursos. Onde têm familiares.. Portanto, não é opção, é a opção condicionada.

-A legislação desactualizada. (Por lei, a licenciatura chega.. mas o conceito de licenciatura é, actualmente, diferente)
- Falta regulamentação na actividade (responsabilidade da tutela).
E queremos nós ser úteis à sociedade.. sem leis..

-Propostas de estações-escola não aceites pela Flup.
Que já foi referido num comentário ao post anterior. Mas esta questão bate records. Acho que nem consigo dizer nada. Quando se cai em cima dos alunos da maneira que se caí.. e se diz que falta a prática, mas não se assinam protocolos.. Haja investimento dos alunos! Haja super-heróis!
-A gestão aprende-se no campo. A CULPA É DO POUCO INVESTIMENTO DOS ALUNOS.
E aqui, perdoem-me a "revolta". Mas há alunos que investem e os que não investem, em qualquer curso. Como há professores bons e maus. Como há bons e maus empresários. Dizer que os culpados dos males da arqueologia são os alunos, pf, é demais. Acabamos de chegar, muitos de nós não fazem mais pq não podem, e a culpa é nossa? Também não me querem dizer que a culpa de chover esta semana é minha? É que se quiserem, nesta linha, estamos à vontade.
Claro que não desresponsabilizo muitos alunos, mas como também um aluno referiu no debate, não somos todos iguais. Sinceramente, deixa-me triste quando todos sacodem a água do capote desta maneira.
As empresas dizem - aí que são incompetentes, a culpa é das Universidades que não os formam bem. As Universidades dizem - a culpa não é nossa, eles é que não se querem empenhar. Os alunos dizem - pronto, então não posso dizer que a culpa é do caracol que me andava a estragar as alfaces (o futuro de quem se forma em arqueologia), sendo assim, fico eu com as culpas.
Convinhamos.. Será que ninguém quer reconhecer claramente a porcaria das aplicações de Bolonha que por aqui se fizeram? É que nós temos que investir como diz Bolonha, mas o nosso ensino de Bolonha só tem exigências.
Não sei se alguém também tem ideia de que a vida de quem estuda não é só estudar. E que há mais para além da arqueologia. Ou será que devemos deixar de falar com os amigos porque temos 12 livros para ler por cada disciplina?

- O que é a qualidade em arqueologia, o que são bons e maus profissionais.
- Não temos relevância social.
- Falta dinheiro para publicar resultados.
- A lei exige, mas não faz cumprir - falta fiscalização.
- Na arqueologia de salvamento, a qualidade paga-se, mas quem pede o serviço não quer qualidade, quer custo reduzido.
(Já agora, qual é a culpa dos alunos aqui? Devem ter alguma..)
- Necessidade de convencer alguém de que a qualidade compensa.
- Mas há quem não possa pagar as escavações arqueológicas que a lei exige. Contribui isso para uma má imagem dos arqueólogos. São saca €.

E bem, praticamente foi isto que apanhei.. E sim, saimos de lá deprimidos.. ou mantivemos a depressão que já tinhamos antes de lá chegar..
"Enquanto houver estrada para andar, a gente não vai parar" diz o JP numa das suas músicas..
Sinceramente, temo que a estrada da arqueologia esteje a chegar ao fim. Quem puder, salve-a..
*

sábado, 4 de abril de 2009

Os guardiães do património.. algumas reflexões.. (I)

Bem.. seguindo o meu modelo de participação em conferências e debates, achei por bem relatar por aqui o que foi dito (e o que eu acho disso) no debate hoje realizado na sede da APA no Porto.
Tendo em conta o ambiente em si, as pessoas presentes.. podia dizer que foi mais uma conversa moderada..
Mas as conclusões não são muito animadoras..
Brincando um bocadinho seria situação para dizer: "Caso seja uma pessoa crente no futuro da arqueologia e no futuro daqueles que estudam (ou tentam estudar) arqueologia em território nacional, não prossiga na leitura deste texto".

Tema inicial - "Formação académica e exercício profissional"
Ausência a registar - representante da tutela (IGESPAR).

Antes de mais, não vou referir nomes dos defensores de determinadas hipóteses porque a certo ponto, confesso que me perdi.. daí que, lamento desde já tal falha..

- Com uma licenciatura de bolonha estamos legalmente aptos para escavar, mas a teoria chega?

- Na realidade, os alunos não estão preparados para a actividade.

- Bolonha seria interessante se houvesse condições - aulas a funcionar como acompanhamentos tutoriais e os alunos a desenvolverem muito trabalho de casa.
A propósito disto, apetece-me dizer que era bom que funcionasse, (note-se caso específico da Flup) mas os problemas são muitos e dariam pra desenvolver não sei quantos textos: 1 - Aulas OT e TP, qual a diferença teórica e a diferença prática das designações; 2 - Com cadeiras a serem avaliadas por exames finais, onde entra a componente prática? ...

- Exigência, daqui a algum tempo, de mestrados para direcção de uma actividade; ser arqueólogo só com o 2º ciclo, mas só daqui a alguns anos é que isso vai realmente funcionar.
E o que se chama à "coisa" com 1º ciclo? E o que é que os difere? E até entrar em funcionamento, vamos andar aqui nós feitos cobaias como temos sido? (bem, seguir arqueologia parece que é mesmo Paixão - no sentido inicial do termo) E o que é um arqueólogo?

- Arqueologia passa por uma crise - uma das principais causas, a falta de enquadramento legal. Arqueólogos cada x mais desenquadrados, não se aprocimam da sociedade, são "bichos do mato". É preciso arqueólogos que saibam gerir e defender o seu trabalho na sociedade. Necessidade de comunidade arqueológica mais virada para a sociedade.
Ora bem.. se o arqueólogo não está munido de uma componente social e não vê na sociedade o seu objectivo, então perdoe-me Shakespeare, mas algo está podre no reino da arqueologia nacional.
Parece-me uma uma das imagens-tipo que a sociedade tem de um arqueólogo é a de um sr pequenino, com uma barriga considerável, com óculos muito graduados e uma lupa na mão, enterrado em arquivos e museus.. ou então com uma pá na mão enterrado num buraco com mais de 10m de profundidade..
Se é assim que nos veem, então como esperamos que nos achem úteis e interessantes? Como vão subsidiar uma actividade com um "cheiro a mofo" tão grande? (e.. perdoem-me se, por vezes, me incluo no grupo de arqueólogos ao qual ainda não pertenço, mas também, tenho sérias dúvidas se algum dia virei a pertencer).

- As universidades deviam ter cadeiras de gestão. Como opção talvez.. Mas que mais não deviam ter os alunos de arqueologia numa faculdade?

- Agora não há especialistas, só arqueólogos generalistas - deviam saber mais de tudo, mas na realidade, cada vez sabem menos.
Eu pessoalmente, vejo bolonha com um mestrado com especialização, mas digo eu, que quando alguém faz um acompanhamento arqueológico não pode esperar identificar só vestígios de determinada época.

-É nos trabalhos mais difíceis que se colocam os arqueólogos com menos experiência, nos acompanhamentos. O arqueólogo é inexperiente, tem medo, empata obras. E a culpa é de quem?

- Universidades e empresas deviam complementar-se.

- Não há controle do que é a cultura material, assim não se pode escavar bem, nem interpretar.

Há falhas graves no ensino, mas tb noutros sítios. Com bolonha o que se conseguiu foi eliminar cadeiras.

E amanhã continuo.. felizmente, a vida não é só arqueologia..
*

terça-feira, 31 de março de 2009

Lá vem ela.. a cultura..

Bem, teria muito sobre o que escrever.. pensar ou enumerar.. mas como acordei cedo para não ter aula.. isto torna-se tudo muito mais sinistro..
E tudo isto porque sucessivamente se sucedem acontecimentos sucedidos.. e isto não é mais do que a História..
E a História não é mais do que uma parte, uma pequena fatia, da cultura..

E é sobre cultura que me “apetece” escrever.. e não é um apetite só por si.. é uma necessidade, tendo em conta o estado actual das coisas..

Ora, não é novidade nenhuma, e já aqui falei disso.. os problemas e discussões que a construção do museu dos coches, num local ocupado por arquivos e biblioteca do IPA, que passarão para a Cordoaria Nacional, tutelada pelo Ministério da Defesa, para onde também deverá ser transferido o MNA (Museu Nacional de Arqueologia), tem gerado..

E isto não me parece uma simples birra e implicação..
E não o é. Se há quem não defenda um Novo Museu dos Coches, há quem defenda um Novo Museu. E nada nisto é contra um projecto de arquitectura. Tudo isto, para mim, é contra uma política cultural do executivo.. ou se quiserem contra a inexistência de uma política cultural..

Na realidade, nesta questão, a arqueologia, parece-me a mim, saltita como bola de ping pong e moeda de troca.
Vejamos..
O local a ocupar pelo futuro museu dos coches pertence ao Ministério da Cultura.
Os serviços do Ministério da Cultura que aí estavam vão passar para um local tutelado pelo Ministério da Defesa.
Ora, ao Ministério da Defesa é conveniente a saída do MNA (Min da Cultura) dos Jerónimos, para ampliar o espaço do Museu da Marinha (Min Defesa).
E, por fim, o projecto de construção do novo museu dos coches.. foi iniciativa .. do Ministério da Economia.

Na realidade, isto é uma salgalhada de grelos bastante grande.. É criar confusões entre ministérios, moedas de troca, e sim.. A arqueologia é a bola de ping pong.

- Era necessário um novo museu?
- A ser necessário um novo museu, deveria ser dos Coches? (ou não seriam outros mais adequados?)
- Não haveria outro local para estabelecer os arquivos da arqueologia nacional, se não num local do Min da Defesa?
- Não há espaço nos Jerónimos para os dois museus?

E poderíamos continuar por aqui fora com uma série de perguntas que prefiro deixar sem resposta..
E é a cultura uma coisa tão abrangente, mas tão heterogénea.. e com tão pouco dinheiro.. E andamos nós com lutas internas deste género.

Mas não são só as lutas internas.. porque há lutas internas dentro do universo “cultura”, mas também as há dentro do universo “arqueologia” – e não são assim tão poucas quanto isso..

As lutas também são externas.. ou se calhar não são lutas..
A semana passada, foi divulgada uma carta de Manuel Maria Carrilho sobre o estado da cultura, e na mesma verifica-se referência a um série de promessas e politicas que ficaram por cumprir deste executivo..

Em sequência disso, e num debate televisivo, a ex ministra da cultura dizia que o orçamento do MC era de 0,4% do Orçamento de Estado.. E o actual ministro, quando ocupou o cargo disse que pretendia fazer mais com menos dinheiro..

Há quem marque penaltys por percepção.. na cultura não há percepção possível.. Nem por muito fértil e imaginativo que alguém seja pode dizer que há uma boa política cultural..

Entretanto.. as responsabilidades culturais foram descarregadas na autarquia, quase como um camião de lixo se despeja numa lixeira.. A acção social, a responsabilização do estado foi ver passar as naus dos descobrimentos..

Mas bem, como o dinheiro é tão pouco, andamos sempre todos às turras.. Pouco para muitos..
Porque a cultura engloba Artes; Património; Literatura..
No fundo, tudo é cultura..
Mas ninguém lhe dá a devida importância..
E vai desvanecendo.. sucumbindo.. extinguindo..
E já ninguém se interessa, e ninguém vai quer saber..
E tudo isto vai passar à história..
Era uma vez ..

E tudo estava podre no reino da cultura portuguesa..
“Porque o presente, é todo o passado, e todo o futuro” (Álvaro de Campos)

Legenda:
1 - Ocupação romana junto ao Castelo de Alcácer do Sal.
2 - Localização de povoado castrejo em Viana do Castelo.
3 - Vista panorâmica. Parque La-Salette, Oliveira de Azeméis.

sábado, 14 de março de 2009

Notas sobre a passagem a fundação, em seguimento de Millady ;)

Cara Millady,
Demais leitores :)

(Ia comentar isto em resposta ao comentário da anterior postagem, mas já que expressa a minha opinião face ao comunicado da Feup, decide por bem colocá-lo aqui..)

Atrevia-me a dizer que continuamos sem saber o que se está a passar.. e não somos só nós, porque parece que a questão também não é clara para o pessoal docente, que corre o risco de ver o seu posto voar para outras paragens.

Letras apesar da interrupção que teve nos tempos do Salas, foi sempre uma faculdade de prestigio.. Agora, atrevo-me a dizer que esse prestígio só pode ser referido quando da história da faculdade se trata..
É triste, mas é assim. É assim, mas é triste.
"Enquanto houver estrada para andar, a gente não vai parar" - temos é que andar depressa porque a estrada acaba já aqui..

Outra leitura que eu faço deste "comunicado" da Feup do mês passado.. bem, para eles, o regime fundacional vai dar ao mesmo, na realidade, são quase eles que se auto-financiam.. São uma faculdade retável e com lucros..
Agora, a não ser que os municipios se lembrem todos de estudar a sua história e arqueologia, já fomos..Entretanto, trabalhar com municipios exclusivamente às vezes é complicado.. Ainda se levanta outro problema, no caso da arqueologia, se se estender em demasia a área de uma faculdade em termos de intervenção, pode sempre haver uma bela duma empresa que diga que é contra as regras da concorrência, e isso era chatinho de facto..

E como a Feup não é a santa casa da misericórdia do ensino superior..
Acho que isto também nos deveria levar a outra discussão - acho que muitos de nós se cruzam já com isto.. todos temos alguém que pensa assim..
Qual o objectivo duma Faculdade de Letras?
No cenário da crise global actual, que importância têm as Letras?
Vale a pena remar contra a maré, as ditas "ciências exactas" e investir nas Letras?

Segue-se uma listagem dos cursos de licenciatura oferecidos pela Flup, talvez possam ser úteis na resposta a algumas destas questões..
Licenciatura em Arqueologia
Licenciatura em Ciência da Informação
Licenciatura em Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria, Multimédia
Licenciatura em Ciências da Linguagem
Licenciatura em Estudos Portugueses e Lusófonos
Licenciatura em Filosofia
Licenciatura em Geografia
Licenciatura em História
Licenciatura em História da Arte
Licenciatura em Línguas Aplicadas
Licenciatura em Línguas e Relações Internacionais
Licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas
Licenciatura em Sociologia

*

terça-feira, 10 de março de 2009

A criação do Naup (Núcleo de Arqueologia da Universidade do Porto)

Bem, como se devem ter apercebido, já de há uns tempos para cá que não me dedico claramente a debater questões de arqueologia. Sendo que as ultimas vezes que isso sucedeu, foram apenas ligeiras referências aos temas, não me prolongando muito nas minhas abordagens.
Bem, a única explicação para tal facto, apenas o meu “cansaço”.

Hoje, vejo-me obrigada a retomar isso, o motivo, a criação do Naup.

Sim, de facto, verificava-se alguma necessidade de criar um organismo que fizesse uma ligação entre os alunos de arqueologia e o resto do mundo.. tendo em conta que a arqueologia é um mundo ligeiramente diferente de cursos ligados a línguas e coisas que tal..

Portanto sim, considero o projecto de utilidade para todos.
Antes de me referir concretamente ao que se passará amanha e a moção da lista apresentada, devo antes de mais esclarecer (não vá alguém alegar o “falas falas mas não fazes nada”) o motivo pelo qual não me envolveria assim de repente em tal projecto.. considero que a fazer-se, não seria linear, e portanto, seria necessário empreender muito esforço, dedicação e responsabilidade.. é necessário gostar-se muito, ter-se noção das responsabilidades e das implicações que este tipo de organizações tem, no imediato e no futuro.
Não me parece que o âmbito destas organizações se fique por uma ponte entre alunos de arqueologia – associações de estudantes – professores e directores. Se criamos e queremos a todo o custo investir na arqueologia, o âmbito destas organizações tem que se alargar, perceber o papel da arqueologia numa sociedade; nos municípios e nas empresas.
Mas exige muita coisa, e tenho dúvidas se o esforço valeria a pena. (discurso pessimista, mas pronto, é o meu).

Ora, há coisa de 15 dias, foi-nos comunicada a criação do dito núcleo e divulgada a sua pagina na internet. Amanha, pelos vistos, há eleições.
Suponho que a divulgação e o conhecimento de tal coisa passou ao lado de muita gente. De qualquer das formas, não é por desconhecimento que as eleições não se vão realizar.
Quem não estava envolvido no projecto inicial, e se quisesse candidatar, adios’ porque não me parece que tenha havido tempo para quem quer que fosse organizar uma candidatura (para alem dos srs que se dedicaram à criação do dito cujo).

Bem, enfim.. adiante disso.. apresentação de uma lista às eleições .. a lista P..
Divulgação de tal coisa, vi hoje depois de receber um e-mail dinâmico a dizer que ia haver eleições. O programa, bem.. assusta-me ligeiramente..

Antes de pensarmos em passear e coisas que tal, eu diria que era necessário pensar em aplicar melhor Bolonha ao curso. Parece-me que isso falhou. Cada avaliação para seu lado.. não sei, parece-me que haveria outras prioridades..
Claro que as visitas são importantes para a formação académica.. se há departamentos que até conseguem dinheiro para autocarros, o nosso já não, e temos que lidar com isso, num panorama de crise global..
Preferencialmente, acho que a prioridade passaria por adaptar melhor Bolonha. Perceber o que está mal, o que falta e tentar melhorar as coisas que possam beneficiar também as gerações vindouras para este curso..

Festas para socialização? Não me parece que seja preciso um núcleo de arqueologia para as organizar!
Mesas redondas e conferências? Já não as há?

Escavações faltam sim, mas a integrar, deveriam ser integradas como componente lectiva. Quem raio são os arqueólogos que não são avaliados pela forma como escavam? Que Arqueologia do Futuro…

E poderíamos andar nisto mais não sei quanto tempo.. talvez volte a isto.. mas agora, o cansaço regressou..

*