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domingo, 5 de abril de 2009

Os guardiães do património.. algumas reflexões.. (II)

Bem, continuando com ideias soltas do debate de ontem e alguns comentários..

- Antes, a exigência era diferente. Antes, era preciso apresentar curriculum para escavar. Antes, começava-se a escavar com o acompanhamento (na teoria) de outra pessoa com mais experiência.
Antes, antes, antes..

- O incentivo que Bolonha trás para se fazerem estudos posteriores.
- Em Portugal não há condições para oferecer muitas unidades curriculares.
- Bolonha é economicista.
- Questão das propinas - possibilidade de mestrados integrados, que ocorreram nalguns cursos porque havia uma Ordem.
O problema é que a licenciatura é insuficiente, mas o mestrado é caro. E a arqueologia é assim tão lucrativa para passar a profissão de elites? A hobbie de médicos e arquitectos, de algum excêntrico a quem saia o Euro milhões?
-As escolhas dos alunos, pelo local onde o vão fazer, prendem-se muito com gestão de cursos. Onde têm familiares.. Portanto, não é opção, é a opção condicionada.

-A legislação desactualizada. (Por lei, a licenciatura chega.. mas o conceito de licenciatura é, actualmente, diferente)
- Falta regulamentação na actividade (responsabilidade da tutela).
E queremos nós ser úteis à sociedade.. sem leis..

-Propostas de estações-escola não aceites pela Flup.
Que já foi referido num comentário ao post anterior. Mas esta questão bate records. Acho que nem consigo dizer nada. Quando se cai em cima dos alunos da maneira que se caí.. e se diz que falta a prática, mas não se assinam protocolos.. Haja investimento dos alunos! Haja super-heróis!
-A gestão aprende-se no campo. A CULPA É DO POUCO INVESTIMENTO DOS ALUNOS.
E aqui, perdoem-me a "revolta". Mas há alunos que investem e os que não investem, em qualquer curso. Como há professores bons e maus. Como há bons e maus empresários. Dizer que os culpados dos males da arqueologia são os alunos, pf, é demais. Acabamos de chegar, muitos de nós não fazem mais pq não podem, e a culpa é nossa? Também não me querem dizer que a culpa de chover esta semana é minha? É que se quiserem, nesta linha, estamos à vontade.
Claro que não desresponsabilizo muitos alunos, mas como também um aluno referiu no debate, não somos todos iguais. Sinceramente, deixa-me triste quando todos sacodem a água do capote desta maneira.
As empresas dizem - aí que são incompetentes, a culpa é das Universidades que não os formam bem. As Universidades dizem - a culpa não é nossa, eles é que não se querem empenhar. Os alunos dizem - pronto, então não posso dizer que a culpa é do caracol que me andava a estragar as alfaces (o futuro de quem se forma em arqueologia), sendo assim, fico eu com as culpas.
Convinhamos.. Será que ninguém quer reconhecer claramente a porcaria das aplicações de Bolonha que por aqui se fizeram? É que nós temos que investir como diz Bolonha, mas o nosso ensino de Bolonha só tem exigências.
Não sei se alguém também tem ideia de que a vida de quem estuda não é só estudar. E que há mais para além da arqueologia. Ou será que devemos deixar de falar com os amigos porque temos 12 livros para ler por cada disciplina?

- O que é a qualidade em arqueologia, o que são bons e maus profissionais.
- Não temos relevância social.
- Falta dinheiro para publicar resultados.
- A lei exige, mas não faz cumprir - falta fiscalização.
- Na arqueologia de salvamento, a qualidade paga-se, mas quem pede o serviço não quer qualidade, quer custo reduzido.
(Já agora, qual é a culpa dos alunos aqui? Devem ter alguma..)
- Necessidade de convencer alguém de que a qualidade compensa.
- Mas há quem não possa pagar as escavações arqueológicas que a lei exige. Contribui isso para uma má imagem dos arqueólogos. São saca €.

E bem, praticamente foi isto que apanhei.. E sim, saimos de lá deprimidos.. ou mantivemos a depressão que já tinhamos antes de lá chegar..
"Enquanto houver estrada para andar, a gente não vai parar" diz o JP numa das suas músicas..
Sinceramente, temo que a estrada da arqueologia esteje a chegar ao fim. Quem puder, salve-a..
*

sábado, 4 de abril de 2009

Os guardiães do património.. algumas reflexões.. (I)

Bem.. seguindo o meu modelo de participação em conferências e debates, achei por bem relatar por aqui o que foi dito (e o que eu acho disso) no debate hoje realizado na sede da APA no Porto.
Tendo em conta o ambiente em si, as pessoas presentes.. podia dizer que foi mais uma conversa moderada..
Mas as conclusões não são muito animadoras..
Brincando um bocadinho seria situação para dizer: "Caso seja uma pessoa crente no futuro da arqueologia e no futuro daqueles que estudam (ou tentam estudar) arqueologia em território nacional, não prossiga na leitura deste texto".

Tema inicial - "Formação académica e exercício profissional"
Ausência a registar - representante da tutela (IGESPAR).

Antes de mais, não vou referir nomes dos defensores de determinadas hipóteses porque a certo ponto, confesso que me perdi.. daí que, lamento desde já tal falha..

- Com uma licenciatura de bolonha estamos legalmente aptos para escavar, mas a teoria chega?

- Na realidade, os alunos não estão preparados para a actividade.

- Bolonha seria interessante se houvesse condições - aulas a funcionar como acompanhamentos tutoriais e os alunos a desenvolverem muito trabalho de casa.
A propósito disto, apetece-me dizer que era bom que funcionasse, (note-se caso específico da Flup) mas os problemas são muitos e dariam pra desenvolver não sei quantos textos: 1 - Aulas OT e TP, qual a diferença teórica e a diferença prática das designações; 2 - Com cadeiras a serem avaliadas por exames finais, onde entra a componente prática? ...

- Exigência, daqui a algum tempo, de mestrados para direcção de uma actividade; ser arqueólogo só com o 2º ciclo, mas só daqui a alguns anos é que isso vai realmente funcionar.
E o que se chama à "coisa" com 1º ciclo? E o que é que os difere? E até entrar em funcionamento, vamos andar aqui nós feitos cobaias como temos sido? (bem, seguir arqueologia parece que é mesmo Paixão - no sentido inicial do termo) E o que é um arqueólogo?

- Arqueologia passa por uma crise - uma das principais causas, a falta de enquadramento legal. Arqueólogos cada x mais desenquadrados, não se aprocimam da sociedade, são "bichos do mato". É preciso arqueólogos que saibam gerir e defender o seu trabalho na sociedade. Necessidade de comunidade arqueológica mais virada para a sociedade.
Ora bem.. se o arqueólogo não está munido de uma componente social e não vê na sociedade o seu objectivo, então perdoe-me Shakespeare, mas algo está podre no reino da arqueologia nacional.
Parece-me uma uma das imagens-tipo que a sociedade tem de um arqueólogo é a de um sr pequenino, com uma barriga considerável, com óculos muito graduados e uma lupa na mão, enterrado em arquivos e museus.. ou então com uma pá na mão enterrado num buraco com mais de 10m de profundidade..
Se é assim que nos veem, então como esperamos que nos achem úteis e interessantes? Como vão subsidiar uma actividade com um "cheiro a mofo" tão grande? (e.. perdoem-me se, por vezes, me incluo no grupo de arqueólogos ao qual ainda não pertenço, mas também, tenho sérias dúvidas se algum dia virei a pertencer).

- As universidades deviam ter cadeiras de gestão. Como opção talvez.. Mas que mais não deviam ter os alunos de arqueologia numa faculdade?

- Agora não há especialistas, só arqueólogos generalistas - deviam saber mais de tudo, mas na realidade, cada vez sabem menos.
Eu pessoalmente, vejo bolonha com um mestrado com especialização, mas digo eu, que quando alguém faz um acompanhamento arqueológico não pode esperar identificar só vestígios de determinada época.

-É nos trabalhos mais difíceis que se colocam os arqueólogos com menos experiência, nos acompanhamentos. O arqueólogo é inexperiente, tem medo, empata obras. E a culpa é de quem?

- Universidades e empresas deviam complementar-se.

- Não há controle do que é a cultura material, assim não se pode escavar bem, nem interpretar.

Há falhas graves no ensino, mas tb noutros sítios. Com bolonha o que se conseguiu foi eliminar cadeiras.

E amanhã continuo.. felizmente, a vida não é só arqueologia..
*

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Arqueologia uma reflexão necessária - o balanço dos balanços

Castro de Ul. Maio 2008. E dois oliveirenses curiosos.. um por minha causa ;)



Bem.. como já tinha dito, para encerrar os comentários às conferências, só faltava manifestar-me sobre a globalidade das ditas cujas..

Assim sendo, acho que foi uma iniciativa muito bem sucedida, e obviamente devia ser para repetir, porque cheira-me que as reflexões em arqueologia são sempre necessárias.. ;)

Portanto, os parabéns à organização que se esforçou para concretizar as ditas cujas e trazer mais debate a esta ciência que é a arqueologia (sim, pq a arqueologia é mesmo uma ciência..)

Para além dos temas debatidos e da reflexão ser sobre este tema que já de si me diz muita coisa.. tb existe o facto deste ciclo se ter passado em Azeméis.. E sim, isso deixa-me muito mais satisfeita..

Normal, todos nós gostamos de ver acontecimentos interessantes nas nossas terrinhas..

E logo eu, que nunca tal coisa houvera visto por aqui.. ;)

Entretanto, quanto às três sessões e os diferentes temas aí tratados, não me resta muito para além do que já fui referindo.. Umas apresentações mais objectivas, outras menos.. ;) a versão do "de tudo um pouco"..

Como vê pelos meus comentários.. talvez possa destacar a sessão II, do ensino porque é essa a minha realidade.. não sei bem por quanto tempo, mas é..

Entretanto, a sessão das autarquias, a I, porque sempre foi o universo da arqueologia em que eu dizia que gostava de vir a trabalhar, por muitos motivos, mas não nos moldes que lhes são impostos hoje.. "a tutela demitiu-se" e a arqueologia, foi juntamente com outras coisas, descarregada para as autarquias.. enfim..

Finalmente, a sessão III, dos museus.. Porque um arqueologo não é só um sr que descobre túmulos e faz buracos.. ou um sr que escreve histórias sobre sítios.. é preciso ter em conta o depois disso tudo e como lidar com o que dai resultou.. uma coisa bem mais complicada do que aquilo que parece..

Portanto, nada de negativo a declarar em relação directa com as ditas cujas..

Agora.. acho lamentável a pouca cobertura (a nível de comunicação social local) que foi conferida às conferências.. Não foi por não saberem..

E a pouca curiosidade dos oliveirenses em relação às ditas cujas..

Está bem, à primeira vista veem arqueologia no título e dizem "foge, mais doidos não.." Claro que não se debateu o povoamento da época xpto da região.. Mas os temas não passavam ao lado daquilo que uma pessoa que não arqueologa deve saber..

Bem, só para explicar porque que isto me chateia :)

Há muito boa gente cá na cidade que passa a vida a queixar-se "porque não há iniciativas disto ou daquilo. Porque ninguém liga nada à cultura."

Se calhar liga-se, e as pessoas não sabem, e a culpa é do monumento..

Porque o castro de ossela tá cheio de ervas, é preciso requalificar o sitio.. pois é, mas quando se assinam protocolos com outras entidades que podem vir a ajudar nesta área, ninguém lhes liga nada..



Então, andamos preocupados em tapar buracos por aí, e quando nos lembramos... ai que não sei o que do património..

Parece-me a mim.. que o mundo está perdido..

*

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sessão III - Arqueologia, Museus e Espólios Arqueológicos, versão III

Tema II – depósitos de espólio arqueológico: locais de estudo e valorização das colecções ou simples espaços de recolha de peças

Ana Maria Ferreira – Museu Aveiro

A experiência em Castelo Branco: Museu de Francisco Tavares Proença Júnior
Organização de colecções, utilização de registos que o srº tinha deixado.
Actualmente, o trabalho não pode ser continuado..

No Museu de Aveiro..
Espólio tem que ser estudado e publicado. Mas nem tudo tem necessidade de ir para o museu – selecção do que interessa ao visitante.

A.C.F. Silva – Museu de Sanfins, Flup.

O exemplo de Sanfins – o Martins Sarmento não tinha bem noção do que estava a fazer.. – focinhos de cão, que no fim de contas eram fundos de ânfora.
Almeida Garrett disse que havia casas celtas no Norte de Portugal – e Sanfins passou a ser uma cidade celta.

O Castro de Ossela é a citânia da região.

Sanfins – importante para a região, representa a sua identidade.

É necessário modernizar o museu com dados da investigação..

João Tiago Tavares – Câmara Municipal de O. Azeméis

Partir duma notícia do JN “milhares de achados nas mãos dos arqueólogos”. – Ora a lei permite que os arqueólogos tenham as peças, para investigação, durante 5 anos.

O espólio é sempre património nacional. O arqueólogo funciona como fiel depositário.

E o dono do terreno não pode reclamar a posse dos objectos que forem encontrados no seu terreno – segundo jurista da Apa.

Destino das peças – Ipa – uma solução temporária ou organismo locais.
Se não vão para museus, e os depósitos de materiais são catacumbas..
Hipótese de reservas arqueológicas – não há referência na lei, mas foram apontados como locais de conservação e estudo dos espólios – garantindo a sua gestão. Sendo portanto necessárias instalações e pessoal.
Desempenham menos funções do que um museu, e podem funcionar como ponto de partida para uma estrutura mais complexa.

Assim, terminadas as intervenções, seguiu-se o período de debate..

Modelo positivo o de Castelo Branco – Catálogo, vídeo – tornar o museu menos “seca”.

Museus devem colaborar com autarquias e outros museus.

Reservas têm que ter ligações com instituições e devem ceder peças para outras exposições.

Assim sendo, seguiu-se a sessão de encerramento deste ciclo de três conferências..

Assinatura de protocolo entre o Museu Nacional de Arqueologia e a CMOAZ.

Apa – reconhece o sucesso do ciclo.

Presidente da CMOAZ, Ápio Assunção, afirma uma aposta na arqueologia para prevenir problemas futuros, tecendo também largos elogios ao arqueólogo da CM, João Tiago Tavares, afirmando que o valor humano é o maior capital que uma autarquia pode ter.

*Fim* ;)

Entretanto, numa pausa entre exames, talvez consiga fazer o meu balanço do ciclo..

*

sábado, 27 de dezembro de 2008

Sessão III - Arqueologia, Museus e Espólios Arqueológicos, versão II

Virgilio Hipólito Correia

Não há carência de leis quanto aos bens arqueológicos.

Espólio – bem nacional – museu.

“Os armazéns do IPA são cemitérios, catacumbas de sacos de material e informação”

3 papéis para o museu: guardar espólio móvel; centro de investigação e lugar de comunicação.

“Os museus de arqueologia são uma maçada.”- colecções sem enquadramento cientifico.

Arqueologia é ciência – o museu de arqueologia é um museu de ciência. Não basta expor, é preciso explicar.

Os museus são para uma cidadania informada – é para isso que se faz arqueologia – expõe-se uma interpretação (falível) mas que visa dizer às pessoas de onde vêm, como e porquê..

Necessário ter em conta a estrutura e os recursos humanos do museu.

Sara Cura

O exemplo de Mação – associação da CM Mação (CMM) e do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) – criar um centro de investigação com vários objectivos.

Entre muitos objectivos… aproximação com a comunidade – ex: elaboração de vídeo jogos.

“Tornar museus necessários à população”.
Os utilizadores do museu são, muitas vezes, alunos de mestrado e doutoramento.

Mação – um projecto preocupado com a sociedade, a comunidade envolvente e a economia local.

Seguiu-se o debate com a discussão de temas como:
Conceitos de público vs utilizador;
Museus sem condições para desenvolver todas as funções que lhe competiam – sugestão da criação de museus regionais tendo em conta a região em que se inserem;
Museus com registos ou arquivos com objectos;
ACFSilva – “No Porto há uma bandalheira nos museus”;
Protocolos entre museus e universidades são úteis a todos;

Muitas terras fazem da arqueologia um factor de desenvolvimento local e regional.

Fim sessão da manhã.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sessão III - Arqueologia, Museus e Espólios Arqueológicos, versão I

Pois bem, chegamos à última das 3 sessões que visaram uma reflexão da arqueologia em Oliveira de Azeméis..
À semelhança do que fiz com as outras sessões, cá ficam algumas ideias referidas.. Desta vez, com menos comentários meus, já que é uma realidade com a qual muito poucas vezes me cruzei :)

Tema I - Arqueologia e Museus: uma relação inevitável?

Luís Raposo

Um abordagem provocatória - a pré-história dos museus
- o coleccionismo com o renascimento; o espírito de saque; procura de objectos.
- Arqueologia vs Antiquário. Arqueólogo vs Coleccionador.

O Museu como um lugar de descontextualização? Ora, a arqueologia é uma ciência de contexto, o museu é um local onde as peças estão descontextualizadas.
Assim, parece haver uma série de incompatibilidades entre museus e sítios arqueológicos.

Mas.. é um orgulho ter na sua terra um museu..

Há mais gente a visitar os sítios do que os museus que albergam as suas colecções.

Museus têm que pensar num "público" nacional - não fazer museus para "inglês ver". Devem exercer um papel educativo.

Vantagens dos sítios arqueológicos - contextualização; desenvolvimento local. Desvantagens - ilusão das reconstituições ...

Vantagens dos museus - conservação; oferta de diversos serviços. Desvantagens - excesso de peças acumuladas sem qualquer estudo..

"Não há um público de museu, mas sim públicos particulares".

Um dos factores importantes para o desenvolvimento dos museus é a sua organização em rede - Rede Portuguesa de Museus.

Falta uma política de museus - "temos bons técnicos, mas muito maus políticos".

"A arqueologia está cheia de bebés nos braços e não sabe bem o que lhes fazer" - problema de acumular espólio.

O regulamento de trabalhos arqueológicos diz o que se deve (tecnicamente) fazer com o espólio - mas isso não acontece - prevê a sua deposição em museus. - que surgem como salvadores da pátria :p mas não têm bem como o fazer..

*

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sessão II - Ensino e Carreiras, versão IV

Bem.. e finalmente, para concluir o ciclo de comentários/reflexões à Sessão II das conferências...

Sessão III - Emprego e Empregabilidade em Arqueologia

Pedro Faria (Igespar)

Não há normas que regulem as empresas e os seus requesitos.

"Há uma série de Arqueologias que entupiram o mercado".

Falta fiscalização. - Algo já referido na 1a sessão em que se chegou mesmo a pedir ao Sub-director do Igespar, Cunha Ribeiro, que houvesse mais fiscalização.. Ora, se são CM, empresas, e próprios elementos do Igespar a pedir.. - Algo está podre no reino da Dinamarca..

Quanto a Bolonha - trará beneficios, porque trás especializações. - bem, o actual modelo da flup trás menos conhecimentos.. mais ou menos específicos..

Ora portanto, não há normas, nem fiscalização, quanto mais barato for o serviço duma empresa, mais depressa é escolhido esse projecto.. Não andamos, porventura, a chover no molhado?

António Carvalho, CM Cascais

Autarquias como fonte de emprego em arqueologia. - eu também gostava de ser ;) mas.. talvez volte a pegar nisto.. lol ;)

Apresentação de dados quanto ao nº de intervenções arqueologicas - Portanto, vence o litoral..

Fazer arqueologia numa autarquia é possível e viável - com a revisão dos PDM; necessidade de Cartas Arqueologicas; e.. a parte de que as autarquias, como poder local, devem contribuir para a construção de um passado da região ... - qualquer dia estou eu a dizer que devemos contruir uma herança comum, e que é ela que vai acabar com todas as outras diferenças da nação :p lol
Portanto, como o estado se demitiu das suas adoráveis competências, vamos responsabilizar as autarquias com os deveres do poder central e do local - depois queixem-se ao monumento ;)

Aposta no património sub-aquático - as cartas de potêncial sub-aquático..

Os outros dois conferêncistas que estavam no plano não poderam estar presentes pelo que ficamos com uma perspectiva muito optimista do trabalho arqueológico numa autarquia..
Há dias, alguém me dizia que quando acabasse o curso gostava de trabalhar numa autarquia, não se fazia nada e sempre se ganhava "tempo" e dinheiro.. - bem, eu não sou muito apologista deste tipo de ideias (de não se fazer nada e se ganhar dinheiro).. mas..

Seguiu-se, depois, um intenso período de debate onde se levantou o problema dos recém-licenciados e, no qual alguém disse: "É que já não pode ser só incompetência" ;)

Entretanto, a minha moral da história de tudo isto (sessão II) -
Fazer arqueologia é útil, importante - isso não é discutível..
Vale a pena investir nisto em Portugal? Tenho as minhas dúvidas.. (enquanto houver pessoas que têm medo de perder os seus lugares para os que saem do forno.. enquanto houver tantas incompatibilidades de cargos..)
Portanto, vou ser arqueóloga (quando acabar a licenciatura), no papel :) exercer a actividade é outra história completamente diferente e na qual deposito sérias dúvidas. A hipótese que muita gente levanta do "mudar de curso".. bem, sou demasiado teimosa pra tal coisa portanto ;)
Se vos ocorrer pensar - então porque é que não te manifestas-te na conferência? bem.. "sou ainda muito nova" :)

Ora portanto, dia 13, próximo sábado, a terceira e última sessão - Arqueologia, Museus e Espólios Arqueológicos. :)

*

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sessão II - Ensino e Carreiras, versão III

Tema II – Quem pode ser arqueólogo. Será o título académico suficiente?

Maria José Almeida

Actividade arqueológica regulada na lei de bases da cultura – quem podia ser arqueólogo na função pública – mas as carreiras da função pública foram extintas.. Portanto – 1ª lacuna da lei.. Ora portanto, muito interessante..

Outra lacuna da lei – quem pode requerer trabalhos arqueológicos? Qual é a habilitação necessária? Para todos os efeitos – Licenciatura/1º Ciclo.
Leis que remetem para leis que já não estão em vigor.. – mas deve haver quem seja feliz assim.. ;)

Portanto, um arqueólogo é “um indivíduo que se dedica à arqueologia” – definição do dicionário – ora bem.. parece que dedicar-se à arqueologia, é um passatempo.. É quase como gerir uma colecção de pacotes de açúcar..
“Tens este?” “Tenho” – então não é preciso guardar.
“Este tá um bocado estragado. Distrai-me e virei-lhe café” – “Ah, não faz mal”
“Olha, vai haver um encontro de coleccionadores não sei onde, queres ir?”
Um exemplo muito estranho, mas o que me dizem em relação à glicofilia, uma coisa encarada como passatempo, divertimento.. Porque uma vez saiu uma colecção de pacotes com comboios e comecei a juntar.. É quase o mesmo que dizer – Vi um filme muito engraçado, Indiana Jones.. É aquilo que quero ser quando for grande :)
Bem.. tanta coisa para dizer que, à semelhança do que se disse na conferência, o conceito de arqueólogo parece remeter para um passatempo..
Infelizmente, é assim que é encarado por muita gente.. Sem se ter consciência do peso moral que esta actividade tem.. Porque uma coisa é enganar-me e perder um pacote de açúcar, ou virar-lhe café em cima.. Outra, é destruir património que não é meu.. e que depois de destruído, não há volta a dar – será assim tão difícil perceber a responsabilidade ética e social dum arqueólogo?

Titulo académico suficiente? Não.
Bem... em Portugal, não há uma preocupação com a qualidade do trabalho; as empresas não têm vantagens por ter pessoal mais competente..
Mais um bocadinho só falta colocar anúncios no jornal semelhantes aqueles “dá-se explicações” “toma-se conta de crianças” ou, porque não, “observam-se máquinas a trabalhar”, “fazem-se covinhas no chão”, “limpa-se mato”..

Sendo a arqueologia uma ciência social, a sua principal função é ser socialmente útil..

“Ser arqueólogo é um processo contínuo, nunca se esgota” MJA
“Até aqui estudei – agora vou trabalhar e nunca mais pego em livros na vida” – esqueçam lá isso :)

O que eu acho que se esgotou foi a legislação – e não, os srºs das leis não estão muito preocupados com isso não..

José Morais Arnaud

Há 40 anos, escavava-se em valas, não se dava importância à estratigrafia.. era mais do tipo “anda cá estruturinha, anda cá” ou então “quero uma estrutura, quero quero quero.” – e de preferência com um bilhete a dizer:

“Srº do futuro, não sei como se vai chamar esta actividade quando se resolverem a estudar o que eu andei a construir nos inícios do povoamento desta terra. Provavelmente, nalguns países, alguns de vocês vão-se chamar bandidos, outros malucos, outros ainda corajosos, futuristas, materialistas ou, porque não, simplesmente desactualizados.
Bem, para que não restem duvidas, eu construi este sitio neste dia, a esta hora, a uma altitude de x com a ajuda de y pessoas que desempenharam um determinado papel nesta comunidade. Ora pra nos, uma comunidade é isto e aquilo. Acresce-se ainda que, de vez em quando, o cozinheiro junta umas ervas que dão um sabor magnifico à comida, que nós começamos a cultivar ali no fundo do monte, junto ao rio, depois de terem cá vindo uns senhores com um aspecto muito estranho trazer-nos isso juntamente com uns seres de quatro patas que se mexem. Voltando às ervas, nessas noites, normalmente, reunimo-nos todos neste sítio, e fazemos aqui práticas rituais. E vocês devem entender por ritual isto, isto e isto. Às vezes, há cá uns acidentes e nós deixamos aqui vestígios disso – se os encontrarem, por favor, tentem procurar o meu copo, era o meu preferido, mas partiu-se durante esta noite. Assim, porque este sitio me marcou negativamente com a perda do meu copo, o meu património, decidimos abandoná-lo. De qualquer forma, vinham por ai uns bárbaros saltar-nos em cima.. só nos adiantamos um bocadinho.
Espero que este meu relato vos venha a ajudar quando tentarem escrever a vossa história sobre o que aqui se passou.”

Isto tudo só pra dizer que muito boa gente continua em busca das coisas que melhor lhe convêm pra justificar a sua teoria.. e bem, as purgas sempre foram uma boa maneira de eliminar o que não interessa ;) – note-se que eu e a hipérbole e a ironia damo-nos muito bem de vez em quando : ).

Continuando com a sessão “O futuro não é muito risonho para os mais jovens” – podemos tirar um curso, e outro, e outro.. e fazer arqueologia nas férias, definitivamente Arqueologia + Portugal = loja de shopping (note-se que sendo de “Letras” não sei fazer continhas .. acrescente-se que há sempre a excepção que confirma a regra)

Bolonha não passou de 4 para 3, mas de 4 para 5. O 2º ciclo devia incluir uma componente mais prática, mais vocacionada para o mundo profissional. – precisaríamos dos ditos mestrados integrados.. mas isso..

Entretanto, temos os fornos todos a produzir objectos com defeito – vamos atingir a saturação – aposta devia passar pela requalificação..

A minha dúvida.. isso faz-se como? Fechando cursos? Diminuindo vagas? – parece-me que esta ultima hipótese resolveria muitos problemas (já me manifestei algures num post sobre ensino em Portugal que anda praqui) mas ia levantar outro – era mau prá economia.. lá se ia o € das propinas de uns quantos..

Miguel Almeida, Dryas Arqueologia

Explicados os fundamentos da Dryas – centro interpretativo que valoriza relação com a sociedade, vertente empresa – porque é preciso €.

Falhas na formação – Sim – Ex: Ciências da Terra

“Mercado desqualificado, desregulado e esquizóide” – o estado não impõe coisa nenhuma (a dita fiscalização tb não há) e a qualidade tem custos.
Portanto empresas qualificadas têm que formar o seu pessoal…
É preciso mudar o mundo da arqueologia – Reestruturar uma organização central recentemente reestruturada.

A formação actual é deficiente. Pois, e não se aprende a descrever uma estratigrafia não..

Debate:
“Se os governadores dos bancos são bandidos, porque que os da arqueologia não podem ser?” L.O.
Bolonha – coisa idílica – mobilidade entre universidades? Cadeiras opcionais? (ah, opcionais obrigatórias :p)
Bem, o último tema brevemente ;)
*

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sessão II - Ensino e Carreiras, versão II

Vamos lá continuar com elas ... ;)
Luís Oosterbeek

As nossas universidades não têm dinheiro porque não o sabem gerir – professores são todos iguais. Defesa de modelo como nas universidades europeias. Professores assistentes, investigadores dividem tarefas entre si.
Ideia – não vão todos a reuniões, nem dão todos aulas. Não se queixam de excesso de trabalho porque souberam dividi-lo.

Enquanto não acertarmos no modelo, o “que não formamos aqui, forma-se lá fora” – “Estamos a formar para o desemprego” – Má adaptação de Bolonha.

Para haver uma boa aplicação de Bolonha e isso ter resultados práticos no mercado, é preciso envolver não arqueólogos – importante contribuir e interagir com outras áreas, nomeadamente com a gestão.

“Se em Portugal ser mestre começa a ser uma condição sine qua non para exercer arqueologia, há espanhóis prontos para trabalhar”.

Apresentados dados comparativos com países europeus do número de arqueólogos por habitante, entre outros …

Lino Tavares Dias

“Em Portugal, a arqueologia faz-se a reboque da obra pública ou então, para acompanhar a destruição”
Digo eu.. ainda bem que já se reconhece isto.. Alguém, a semana passada, dizia que não acreditava na arqueologia “comercial”… Pois que a mim me parece algo deveras sinistro e assustador.. Digo eu que em 5 dias não se fica a conhecer uma região para se fazer um acompanhamento com algum grau cientifico.. Claro que ajudaria se tivéssemos uma base de dados actualizada, correcta e precisa – mas isso, já são outras histórias…

Houve uma altura em que em Portugal se sentiu falta de técnicos intermédios – é nesse contexto que surge a escola do Freixo – formação feita em contexto de trabalho.

“… Um estudante universitário, a partir da praxe, já acha que é doutor” – bem, há de tudo sim.. mas eu não seria tão dramática nisto.. Claro que há os que acham que o conhecimento nasce todo connosco, portanto, páginas tantas, nem valia a pena ir pra faculdade.. Faziam-se as covinhas no jardim, treinava-se a prática.. A teoria, bem, use-se a imaginação..

E.. o belo e amarelo período de debate…

Algumas realidades, “formar arqueólogos com cadeiras de economia pra saberem gerir a sua empresa”…

Faltam as duas sessões da tarde : )
*

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Conferências Arqueologia - uma reflexão necessária

Bem, à semelhança do que aconteceu com a sessão, a cm difundiu nas vias normais para o efeito (archport..) um documento resumo do que se passou na dita sessão..

Ora portanto, podem consultar o dito documento..

Entretanto, aproveito para salvaguardar que tudo o que escrevo é uma opinião duma opinião aplicada a uma realidade (única que conheço) portanto, não é nadinha isenta, e, portanto não quero induzir ninguém em erro..
Há sempre a hipótese de irem há sessão III e ficarem com a vossa própria opinião, o que se torna muito mais seguro :) Já dia 13 Dez..

Entretanto, vou ver se encerro isto da II sessão.. Isto anda um bocado ao abandono.. mas.. pra próxima lembrem-me de não ter latim ou de aprender inglês, francês, espanhol, italiano e alemão na primária :)
*

domingo, 16 de novembro de 2008

Sessão II - Ensino e Carreiras, versão I

Bem, à semelhança do que sucedeu com a sessão I, vão cá ficar, parcialmente, as minhas impressões sobre esta sessão :)
E.. pra não ser muito muito desagradável, em vários posts..

em linhas gerais, a coisa começou por volta das 10 e qualquer cpisa.. pausa para almoço as 13.40.. Inicio da sessão da tarde prevista para as 14.30, o que na realidade veio a acontecer cerca das 15.15.. só sei que sai de lá às 20.15 (+/-). Pelo que nada do que eu possa escrever vai recriar completamente o que por lá se passou..

Carlos Fabião, FLUL - alguns comentários..

- Formação em Arqueologia é dotar alguém de responsabilidades sociais. Os profs têm esse dever e essa responsabilidade.
Acontece? Tenho as minhas dúvidas..
O património é de todos, daí essa responsabilidade..

- Bolonha: é ou não um problema?
Objectivo: pegar no diploma dum aluno e saber que conhecimentos adquiriu. Ou que devia ter adquirido?
O curso tem que ser da responsabilidade dos alunos, depende do seu investimento.. mas.. e os professores? Não têm responsabilidade nenhuma? ok.. então, podemos seguir o modelo "os alunos dão as aulas" e, nesse caso, podiamos dispensar várias personagens do ensino - poupavamos dinheiro, era bom pra economia.. não?!
Bem, mas voltando ao diploma.. provavelmente diz o que o aluno devia ter aprendido, o que devia saber.. mas não é isso que necessáriamente acontece..
Não é por ter feito uma cadeira que domino o que do seu nome se poderia deduzir..
Também não é por ter assistido a determinadas aulas que os professores cumpriram aquilo que disseram que iam dar no programa..
Ou.. também não é por uma cadeira ter um nome que os conteúdos que lá se adquirem correspondem efectivamente, ao que inicialmente poderia parecer..

- CF disse: "modelo implica maior envolvência do docente" (salvaguardado o problema da falta de pessoal) - agora digo eu.. nós conhecemos todos casos brilhantemente elucidativos disso..
Mas.. vamos continuar a acreditar que as coisas funcionam mesmo assim..
Como deve haver quem seja feliz ao pensar assim, vamos lá manter essa felicidade..

- Outro dos aspectos referidos: Os alunos devem ser munidos dum conjunto de técnicas universais.. O que se verifica claramente.. mas.. são técnicas de fazer buracos ou técnicas de invenção de interpretações de sitios?

- A competência dum técnico é: " executar tarefas de produção de registo de campo, não lhe competendo a interpretação dos dados"
Vamos lá ver.. com Bolonha, o 1ºciclo confere um grau de técnico.. e, deveria também conferir um meio de entrada no mercado de trabalho.. pergunto-me eu.. algum licenciado da flup, com bolonha, adquire, ao longo da sua formação, este tipo de competências? Então, ou mudariamos a abrangência do conceito de técnico dizendo que é uma qualquer criatura que conclui um período de estudos numa área da qual não percebe nada.. E é extremamente incompetente para o desempenho dessas funções..
Para mim, o grave está em haver quem tendo conhecimento e meios para mudar, não faz nada.. E subscreve este tipo de diplomas..

- Mas.. parte da formação deve ser autónoma.. Para os três primeiros trabalhos conta o Curriculum, para o outros, conta o desempenho nos primeiros..
Desempenho esse que deve ser extremamente desenvolvido, tendo em conta a aplicação do conhecimento que não se adquiriu..

- Mas, para o mercado, o 1º ciclo é insuficiente, os técnicos estão impreparados e a formação é inadquada às necessidades do exercício da profissão.
-Para ultrapassar estas lacunas.. É preciso:
.. intensificar a interacção de entidades empregadores e universidades (também há as que dizem "chega pra lá")
.. empresas e autarquias devem intervir, a vários níveis, com as universidades
.. diversificar a formação ao nível do 2ºciclo: ou se consolida a formação em arqueologia ou diversifica-se para outras áreas

Mas, ainda antes se tinha dito que o 1º ciclo era suficiente para a entrada no mercado..

*fim da 1ª intervenção

A única conclusão que eu tiro disto: "A tutela demitiu-se!" e quem quiser que se amanhe..

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Município terá Carta Arqueológica em 2013 - Oliveira de Azeméis

http://www.metronews.com.pt/2008/10/20/municipio-tera-carta-arqueologica-em-2013-oliveira-de-azemeis/

Por metronews em 20 de Outubro de 2008

A Carta Arqueológica do município de Oliveira de Azeméis ficará concluída em 2013 e terá o envolvimento de duas universidades e do Museu Nacional de Arqueologia, anunciou fonte da autarquia.
“Já demos os primeiros passos para o desenvolvimento da Carta Arqueológica, tendo sido realizados trabalhos de pesquisa e efectuados contactos com entidades para a elaboração de protocolos que nos permitam ter suporte técnico e teórico”, afirmou à Agência Lusa João Tavares, responsável pela área de arqueologia do município.
A colaboração da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro e do Museu Nacional de Arqueologia na elaboração da Carta Arqueológica será formalizado em acordos a assinar nos próximos três meses.
O primeiro foi asinado no sábado no âmbito do ciclo de conferências “Arqueologia, uma reflexão necessária”, da responsabilidade da Câmara de Oliveira de Azeméis.
O protocolo com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra garantirá a consultoria científica e o apoio em trabalhos de campo de escavação de espólios antropológicos no concelho e respectivo estudo laboratorial.
No âmbito do protocolo a assinar com a Universidade de Aveiro é assegurado o aconselhamento, apoio técnico e execução de trabalhos de caracterização geofísica aplicada à arqueologia.
O último acordo, envolvendo o Museu Nacional de Arqueologia, salvaguarda a consultoria científica relativamente às boas práticas de conservação, restauro e embalagem dos materiais arqueológicos depositados em reserva, além do apoio à criação de programas pedagógicos e realização de exposições resultantes de trabalhos de campo.
O ciclo de conferências, que arrancou no sábado, envolve a realização de três sessões onde serão abordados “temas que preocupam a comunidade arqueológica”.
“Considerámos como temas principais de análise a organização da arqueologia ao nível do poder central, as competências dos municípios neste sector, o ensino e a formação, os critérios de acesso às carreiras, as perspectivas profissionais e a transmissão dos resultados das intervenções arqueológicas”, acrescentou João Tavares.
O ciclo de conferências tem o apoio da Associação Profissional de Arqueólogos e prossegue nos dias 15 de Novembro e 13 de Dezembro com os temas “Ensino e carreiras” e “Arqueologia, museus e espólios arqueológicos”.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Sessão I - Instituições públicas e arqueologia - Versão III

Bem.. chegamos à tarde.. é à discussão dos Municípios e Arqueologia..
E, assim sendo..
António Manuel Silva, CM Porto
"O património arqueológico é imprevisível"
Ponto de partida - Salvaguardar. Só assim podemos deixar que alguém o estude depois.. Mas, temos que ter consciência que não pudems perder informações, e condicionar toda uma possível futura investigação..
Daí importância de fiscalizar obras, fazer cartas arqueológicas e/ou cartas de potêncial arqueológico..
Nota: Nem estudo está na Carta!
Ideia: notificar proprietários: "Olhe que tem aí uma mamoa no quintal, se lhe quiser mexer avise para ver se pudemos todos atingir objectivos" - Concertação com as populações
Paulo Costa Pinto, CM Vila do Conde
Problema de localização de um arqueólogo numa câmara: em que pelouro? necessário interface entre todos..
Como fazer as pessoas gostar do seu património: Rota das Raízes, Corridas de Cavalos Cividade de Baguntes..
Francisco Faure, CM Guimarães
Problemas de UM arqueólogo numa autarquia.. Como lidar com adversidades..
Notas finais das conferências:
- a função social da arqueologia;
- racionalização dos recursos nas autarquias;
- cadastrar sitios, avisar proprietários
O Balanço fica pra um próximo post ;) *

domingo, 19 de outubro de 2008

Sessão I - Instituições públicas e arqueologia - Versão II

Bem.. a manhã prosseguiu com as comunicações de Monge Soares e Cunha Ribeiro..

Um dos sismos da arqueo foi o Côa.. Parece que acordaram tds pra vida.. um outro.. foi a criação do IPA.. também havia alguém que gostava da caça ao tesouro..
E o problema com os depósitos do IPA nem se devia por.. porque os depositos deviam ser temporários e não definitivos.. (tamos em Portugal, sim?)
E também era obrigação dos que punham ruínas a descoberto, tratar delas, do espólio e publicar.. Era.. dizia bem..
Depois houve Porrada: o IPA e o IPPAR não se davam..
Moral da historia: Comunidade arqueologica perdida..
E a perspectiva segundo o srº para o Igespar é: Vai dar tenda!

Cunha Ribeiro, o sub director do dito IGESPAR

O problema da regionalização.. sim ou não? teoria: igespar centraliza pra depois descentralizar.. (mundo perdido?)
O que é necessário resolver: Instalações definitivas; questões dos avençados; acabar a construção do museu do Côa e torná-lo um paradigma; apoiar as arqueociências...
O que é possível resolver: Nada
Conclusão: A arqueologia tá perdida!

Mas.. como bom gestor que é tem que pensar: o que é que arqueologia pode dar ao país e não o que é que o país pode dar à arqueologia...

Período de debate matinal:
"Temos de passar duma política do é possível para uma política do é necessário"
"O barco da arqueologia portuguesa foi ao fundo. Bem, se não foi, estamos cheios de sorte por andar em cima duma lancha" - pois.. há os que tão na lancha.. e os que não estão? Só lá devem chegar se alguém os puxar..
"A arqueologia não está na agenda política" - CRibeiro..
Um srº duma CM diz: eu quero fiscalização. Um srº duma empresa diz: eu exijo fiscalização.

Moral da história: Quando mudamos de chefe, mudamos os objectivos... A questão é que.. a Arqueologia raramente faz parte deles..

*fim da manhã, numa real e acesa discussão..

sábado, 18 de outubro de 2008

Sessão I - Instituições públicas e arqueologia

Bem.. como é do conhecimento geral, hoje realizou-se a primeira das três conferências do ciclo de conferências: arqueologia'08 - uma reflexão necessária. (Org: CMOAZ; Apoio: APA)

O tema está indicado no título desta postagem.. Portanto antes dos factos podemos chegar à moral da história: A arqueologia está perdida!

Notas soltas:
Quanto à CM - de parabéns pela organização, empenho ... pela celebração de protocolos e acordos na área ... pela presença do Presidente e da Vereadora Gracinda Leal durante todo o dia nas conferências. Demonstram, pelo menos, uma tentativa de fazer algo, de melhorar, dinamizar e investir.. Pelas palavras iniciais e finais do Srº Presente, Ápio Assunção, não posso deixar de me sentir feliz por ver esta autarquia, a minha autarquia, com um papel activo no que é a minha área.. no que é a área de todos e de cada um - no património cultural, construtor de uma unidade entre as populações, as tais heranças comuns que justificaram Churchill e muitos outros políticos nos apoios à criação de uma CECA, CEE, UE..

"[A arqueologia] é uma área em que temos que fazer" Ápio Assunção

Quanto às comunicações..

Fernando Real, Igespar - O que foi a arqueologia e o papel do estado. Evolução histórica.
D. João V, Leite Vasconcelos, pós 25 Abril..
Basicamente.. a gestão política da arqueologia, património .. é como um sismógrafo.. quando há um sismo, há oscilações violentas, momentos de ruptura.. depois, há períodos de maior calma.. mas também há de reconstrução..

Portanto.. construimos.. vem um sismo.. abana as estruturas.. e elas caem.. Ciclo Vicioso? Isso são vocês a pensarem :)

Independentemente do papel das autarquias, o poder central e o estado não se podem descartar das obrigações perante um património que é de todos - normalmente não acontece.. mas enfim..
Sujeita a leis, a arqueologia tem uma função social - que não podemos esquecer!

O resto das comunicações.. fica pra outro post.. faltam 5 :) lol

Bem, o importante é não deixar de debater estes temas.. independentemente do que venha a ser o futuro..

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Conferências Arqueologia - uma reflexão necessária

Pois bem..

http://www.cm-oaz.pt/?lop=artigo&op=c0c7c76d30bd3dcaefc96f40275bdc0a&id=83cdcec08fbf90370fcf53bdd56604ff

Terá lugar, na Biblioteca Municipal de Oliveira de Azeméis, o ciclo de conferências: Arqueologia'08 - uma reflexão necessária.
Portanto.. um ciclo de conferências que irá debater o estado perdido, ou não, da arqueologia..

Sessão I – Instituições Públicas e Arqueologia (18 de Outubro 2008)

Sessão II – Ensino e Carreiras (15 de Novembro 2008)

Sessão III – Arqueologia, Museus e Espólios Arqueológicos (13 de Dezembro 2008)

Mais informação a consultar no site da autarquia (v. link cima). Estão disponíveis no site o programa, a ficha de inscrição e uma série de informações sobre os conferêncistas..

Eu vou, vocês também deviam :)