Admira-me que ainda ninguém tenha querido (para já) fazer a versão norte-americana deste filme. Mais um vindo do cinema nórdico (muito em voga nesta década, em conjunto com o francês, o árabe e o romeno). Joachim Trier conta-nos a história de dois amigos e as entrecruzilhadas que se lhes aparecem na vida e a forma como cada um deles as ultrapassa. Os sonhos que temos na adolescência nem sempre se transpõem para a vida adulta... E há que aprender com os erros...
A droga muda vidas. Felizmente para nós, temos Aronofsky para nos mostrar o quanto. Brilhante início de uma carreira muito auspiciosa, com curtas-metragens com qualidade assegurada e uma longa-metragem com boa crítica (Pi), Darren Aronofsky mostra-nos aqui todo o seu potencial, com esta potente caracterização do mundo dos toxicodependentes.
Paul Giamatti, Virginia Madsen, Sandra Oh, Thomas Haden Church. O vinho. A paisagem. A comédia. O drama. Alexander Payne. Todos os elementos necessários para uma das grandes comédias da década, Sideways é original, dinâmico, envolvente e sobretudo muito engraçado. Se eu achei isso, então imagino para quem se identifique (pessoal na crise da meia-idade) com as personagens...
Hayao Miyazaki, o génio da animação japonesa, trouxe quatro filmes ao Velho Continente, todos eles excepcionalmente bons: Princess Mononoke, Spirited Away, Moving Castle e Ponyo By The Cliff. Dos três, Spirited Away, o que venceu o Óscar de Melhor Filme Animado, é o mais tocante, o mais belo, o mais mágico. Chihiro venceu.
The Dark Knight (2008)
É dos filmes que mais influencia o meu gosto pelo cinema. Posso vê-lo e revê-lo (tal como a primeira parte da trilogia Batman/Nolan) que nunca me canso. E encontro sempre detalhes novos para me deleitar. É TÃO bom. E Heath Ledger é tão sublime no filme. Nunca vi um vilão assim. A personagem parece que incarnou nele, ele viveu a personagem.
The Departed /
Infernal Affairs (2006/2002)
Se o filme original de 2002 já era potencialmente explosivo, que dizer da "adaptação" de Martin Scorcese ao panorama norte-americano, com um elenco de luxo composto por Wahlberg, Nicholson, DiCaprio e Damon? Espectacular.
The Devil Wears Prada (2006)
Dos filmes mais conhecidos do mundo inteiro, pleno de frases dignas de serem citadas em qualquer mídia (aquele monólogo da cor azul... :swoon:) com uma interpretação para além do humanamente permitido por Meryl Streep.
The Diving Bell and The Butterfly (2007)
Julian Schnabel traz-nos um filme estupendo sobre um homem que aprende a ver a vida de outra forma depois de só ficar incapaz de mover o corpo inteiro à excepção de um dos seus olhos, vendo-se obrigado, ao mesmo tempo, a fugir dos seus pensamentos e a refugiar-se na sua imaginação. O filme é magnificamente harmonioso, conjugando momentos de depressão com momentos de júbilo de forma exemplar.
The Fountain (2006)
O filme mais menosprezado da década e o filme mais mal-tratado da filmografia de Darren Aronofsky, este The Fountain é de uma beleza invulgar. Rachel Weisz e Hugh Jackman são os protagonistas de um filme absolutamente arrebatador, de deixar o espectador colado ao ecrã.
The Hours (2002)
Tenho que admitir que não sou o maior fã de Stephen Daldry (também ainda só fez três filmes; venha o quarto para eu lhe poder dar razão) mas este filme é absolutamente brilhante. Adaptado na perfeição de uma obra difícil e muito estruturada, complicada de "dar vida", Daldry controla impecavelmente os momentos-chave do romance e constrói um filme do qual se pode orgulhar, com desempenhos impressionantes de três das cinco maiores actrizes de Hollywood no momento: Julianne Moore, Nicole Kidman (ganhou o Óscar por este papel) e Meryl Streep (as outras duas são Cate Blanchett e Kate Winslet, que ele dirigiu em The Reader, que deu a ela um Óscar).
The Lives of Others (2006)
Este foi o filme que nos deu a conhecer o realizador Florien von Donnersmarck. Um thriller (mas com uma componente emocional muito forte também) de grande qualidade , tão grande que obviamente ganhou o Óscar e está agora a ser adaptado, felizmente pelo mesmo realizador (à la Haneke com "Funny Games"), em versão americana.
The Others (2001)
Mais uma vez, Nicole Kidman prova-nos que Moulin Rouge! não foi fruto do acaso - juntando-se ao grande Amenabar, cria uma história que nos assombra o pensamento muito tempo depois de abandonarmos o cinema.
The Pianist (2002)
Quando penso em retrospectiva nesta magnífica obra de Roman Polanski, só me lembro da profunda tristeza e desespero do filme. No entanto, penso mesmo que foi com esse intuito que o filme foi feito. Adrien Brody incorpora por completo o pianista polaco refugiado da guerra e mostra-nos a sua dor interior, sem nada esconder.
The Piano Teacher (2001)
Isabelle Huppert dá neste excelente filme de Haneke a única interpretação que nesta década, a meu ver, pode rivalizar com a de Julianne Moore pelo título de "melhor interpretação". Uma actriz sempre empenhada e atenta, que sabe sempre fazer as melhores escolhas, tem aqui uma hipótese de brilhar. E fá-lo com soberania.
The Royal Tenenbaums (2001)
Wes Anderson revela-se ao mundo neste filme, com um argumento em co-autoria sua com Owen Wilson. O filme é tão intrinsecamente detalhado, com pormenores tão deliciosos e um elenco tão bem formado, que é impossível não se gostar dele. Este filme é demais.
There Will Be Blood (2007)
Se dúvidas houvesse que Paul Thomas Anderson é um grande realizador, acho que foram todas tiradas com este filme, o filme que devia ter sido o grande vencedor dos Óscares em 2008. Enfim. Mais tarde hão-de reparar o erro que fizeram. O realizador de filmes emblemáticos que falam do paradigma que é viver marginalizado da sociedade, como Magnolia, Boogie Nights e Punch-Drunk Love mostra toda a sua maturidade nesta obra-prima que nos faz sofrer e alegrar-nos com as personagens, em particular com o espectacular Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis).
The Wrestler (2008)
Darren Aronofsky bem nos avisa: testemunhem o regresso mais glorioso de sempre. E é bem verdade. Mickey Rourke ultrapassa todas as expectativas num papel que lhe cai como uma luva, embelezado e transfigurado em lenda pela mão de um enorme realizador.
Un Prophète (2009)
O cinema francês continuou em grande nesta década e uma vez mais este ano tivemos o privilégio de ver um grande filme da escola francófona. Jacques Audiard traz-nos esta valente película sobre um jovem analfabeto que é preso e que se vê obrigado a aprender a sobreviver.
Up (2009)
A jóia da coroa da Pixar, o segundo filme animado da história a ser nomeado para Óscar de Melhor Filme. Carl Fredricksen e a sua história encheram-nos os nossos corações de esperança, de alegria, de amor.
Up in the Air (2009)
Um marco da era contemporânea, de uma relevância social, cultural e económica fascinante. Excelente elenco e excelente banda sonora a acompanhar um extraordinário argumento, com uma visão transcendente de um dos maiores realizadores do nosso tempo, Jason Reitman.
Vera Drake (2004)
O dom puro de Imelda Stauton é extraordinariamente aproveitado pelo talento de Mike Leigh para capturar grandes interpretações de actrizes em câmara. Uma história de arrepiar, que em muitas formas poderia ter dado errado, dada a natureza pesada e de difícil abordagem dela, é transformada num filme soberbo que demonstra toda a qualidade e recursos de um dos realizadores mais excitantes do panteão do cinema.
Vicky Cristina Barcelona (2008)
Porque é o melhor filme de Woody Allen em muito tempo. Porque é dos poucos filmes em que não me apetece dar um par de estaladas na Scarlett Johansson a ver se ela acorda. Porque Penélope Cruz é simplesmente magistral. E Patricia Clarkson emana sensualidade mesmo com a idade dela e só através de cinco ou seis falas num filme inteiro.
Volver (2006)
Nunca num filme de Almodovar uma interpretação pareceu tão poderosa como a de Penélope Cruz como Raimunda. A força e a seriedade com que conduz o filme ajuda a que o realizador espanhol nos passe, uma vez mais, uma visão real de como é a vida e as voltas que ela dá.
Wall-E (2008)
Aquela que é, para mim, a obra-prima da Pixar. O pequeno robô empilhador de lixo Wall-E conta-nos a sua história de forma tão emocionalmente profunda e rica que até nos esquecemos que ele não fala e que não tem (quase nenhumas) expressões faciais. Não dá para não nos apaixonar-nos por ele. Este devia ter sido o segundo filme animado a ser nomeado para Melhor Filme.
Y Tu Mamá También (2001)
A vida foi feita para ser vivida e não pode ser prevista nem planeada de qualquer forma. Este é o ensinamento central deste grande filme de Alfonso Cuarón, que conta a história de dois amigos que partem à aventura com uma mulher mais velha. Brilhantes participações de Bernal e Luna.
You Can Count On Me (2000)
Um argumento riquíssimo, excelentes interpretações de Mark Ruffalo e Laura Linney e uma impressionante realização de Kenneth Lonnergan são as peças que fazem de You Can Count On Me um filme tão imponente. Lembra-me que o tenho que rever brevemente.
Zodiac (2007)
Não podia deixar de parte o mestre da obsessão e da mania. David Fincher (que conquistou a sua primeira nomeação como Melhor Realizador em 2009 por um filme nada coincidente com a sua filmografia, The Curious Case of Benjamin Button!) traz-nos um filme com um argumento forte mas altamente confuso (em mãos erradas, o filme podia ter corrido mal), com boas interpretações de Downey Jr., Ruffalo e Gylenhaal e que usa e abusa do seu estilo próprio para compor esta história de um desenhador de BD para jornais que fica obcecado com um assassino.