Bem.. seguindo o meu modelo de participação em conferências e debates, achei por bem relatar por aqui o que foi dito (e o que eu acho disso) no debate hoje realizado na sede da APA no Porto.
Tendo em conta o ambiente em si, as pessoas presentes.. podia dizer que foi mais uma conversa moderada..
Mas as conclusões não são muito animadoras..
Brincando um bocadinho seria situação para dizer: "Caso seja uma pessoa crente no futuro da arqueologia e no futuro daqueles que estudam (ou tentam estudar) arqueologia em território nacional, não prossiga na leitura deste texto".
Tema inicial - "Formação académica e exercício profissional"
Ausência a registar - representante da tutela (IGESPAR).
Antes de mais, não vou referir nomes dos defensores de determinadas hipóteses porque a certo ponto, confesso que me perdi.. daí que, lamento desde já tal falha..
- Com uma licenciatura de bolonha estamos legalmente aptos para escavar, mas a teoria chega?
- Na realidade, os alunos não estão preparados para a actividade.
- Bolonha seria interessante se houvesse condições - aulas a funcionar como acompanhamentos tutoriais e os alunos a desenvolverem muito trabalho de casa.
A propósito disto, apetece-me dizer que era bom que funcionasse, (note-se caso específico da Flup) mas os problemas são muitos e dariam pra desenvolver não sei quantos textos: 1 - Aulas OT e TP, qual a diferença teórica e a diferença prática das designações; 2 - Com cadeiras a serem avaliadas por exames finais, onde entra a componente prática? ...
- Exigência, daqui a algum tempo, de mestrados para direcção de uma actividade; ser arqueólogo só com o 2º ciclo, mas só daqui a alguns anos é que isso vai realmente funcionar.
E o que se chama à "coisa" com 1º ciclo? E o que é que os difere? E até entrar em funcionamento, vamos andar aqui nós feitos cobaias como temos sido? (bem, seguir arqueologia parece que é mesmo Paixão - no sentido inicial do termo) E o que é um arqueólogo?
- Arqueologia passa por uma crise - uma das principais causas, a falta de enquadramento legal. Arqueólogos cada x mais desenquadrados, não se aprocimam da sociedade, são "bichos do mato". É preciso arqueólogos que saibam gerir e defender o seu trabalho na sociedade. Necessidade de comunidade arqueológica mais virada para a sociedade.
Ora bem.. se o arqueólogo não está munido de uma componente social e não vê na sociedade o seu objectivo, então perdoe-me Shakespeare, mas algo está podre no reino da arqueologia nacional.
Parece-me uma uma das imagens-tipo que a sociedade tem de um arqueólogo é a de um sr pequenino, com uma barriga considerável, com óculos muito graduados e uma lupa na mão, enterrado em arquivos e museus.. ou então com uma pá na mão enterrado num buraco com mais de 10m de profundidade..
Se é assim que nos veem, então como esperamos que nos achem úteis e interessantes? Como vão subsidiar uma actividade com um "cheiro a mofo" tão grande? (e.. perdoem-me se, por vezes, me incluo no grupo de arqueólogos ao qual ainda não pertenço, mas também, tenho sérias dúvidas se algum dia virei a pertencer).
- As universidades deviam ter cadeiras de gestão. Como opção talvez.. Mas que mais não deviam ter os alunos de arqueologia numa faculdade?
- Agora não há especialistas, só arqueólogos generalistas - deviam saber mais de tudo, mas na realidade, cada vez sabem menos.
Eu pessoalmente, vejo bolonha com um mestrado com especialização, mas digo eu, que quando alguém faz um acompanhamento arqueológico não pode esperar identificar só vestígios de determinada época.
-É nos trabalhos mais difíceis que se colocam os arqueólogos com menos experiência, nos acompanhamentos. O arqueólogo é inexperiente, tem medo, empata obras. E a culpa é de quem?
- Universidades e empresas deviam complementar-se.
- Não há controle do que é a cultura material, assim não se pode escavar bem, nem interpretar.
Há falhas graves no ensino, mas tb noutros sítios. Com bolonha o que se conseguiu foi eliminar cadeiras.
E amanhã continuo.. felizmente, a vida não é só arqueologia..
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