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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O processo de Bolonha

Processo de Bolonha: Foi bom ou mau para o Ensino Superior?

Era esta a pergunta da emissão da RTPN, do programa Antena Aberta.
Isto, porque já lá vão 10 anos desde a assinatura do dito cujo, e apenas 3 de aplicação.

A ideia de Bolonha em si é interessante e, seria extremamente útil que o Ensino Superior funcionasse nos moldes sugeridos por Bolonha.

Mas.. na prática, Bolonha não funciona..
Caso específico, lá voltamos à Flup, e certamente no resto do país não faltam comentários menos positivos.

*Bolonha prevê ensino centrado no aluno - Com 60, 140 ou 200 alunos numa sala de aula, pergunto-me qual a viabilidade da dita avaliação contínua.

*Se alguns professores centram a sua acção no aluno - outros não. Pergunto-me eu como é que se consegue gerir apresentações de trabalhos no espaço de uma semana; testes; exames; fazer trabalho de campo ...

*Com propinas de 1000€ p/ano como é que as faculdades nos dizem que não podem contratar professores? Que não podemos ir pro campo porque não há dinheiro?

*Cursos de 3 anos - Disciplinas anuais, viram semestrais, programas são os mesmos. Há coisas menos faladas - o conceito de se estudar por fora é bom, mas não é prático.

*Vamos todos ao mestrado - é chato. Deixa de ser uma opção, é mais uma obrigação. As propinas são mais caras, e.. para quem gostava de fazer um mestrado depois de ter estudado um caso prático, esqueça a ideia.. Sem mestrado, não dá.. e com.. também não sei se dará.. mas..

*A flexibilidade dos planos de estudo - mais opcionais, doutros cursos, doutras faculdades - a teoria é essa, mas na prática.. não funciona.. veja-se a minha liberdade em escolher a opcional do 2º semestre.. os condicionalismos de escolher opcionais não sobrepostas no 1º.


(e nisto, eis que uma aluna de arqueologia da flup liga para o programa)

Moral da história - a teoria de Bolonha é boa.. na prática, não funciona.. lá seremos nós todos licenciados por Borlonha..

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Uma coisa, uma escolha, uma opcional, uma faculdade..

Eu sei, eu sei.. a cultura ainda não acabou nos programas políticos, está quase, mas a bela vivência pediu-me que fizesse uma pausa para reflectir sobre uma coisa..

Pensei em começar por dizer "Letras? Não!" ou.. "Escolha uma das 5 disciplinas opcionais"..
E esta é a parte em que quase ninguém percebe o que é isto.. Mas passemos ao desenvolvimento, começando por outro lado..

Escolhas! E sim, são coisas muito importantes na nossa vida (já aqui falei delas).. Mas, nem todas as escolhas são democráticas.. (apesar de ter havido uma coisa designada vulgarmente por 25 de Abril)
Assim, temos.. escolhas, condicionadas..

E aqui, começa o meu conselho, se alguém pensar, um dia na vida, seguir arqueologia (que já de si, deve ser coisa bem reflectida) não o faça na Faculdade de Letras da UP.. (também já aqui escrevi sobre isto..)

(Esta é a parte em que junto as duas ideias..)
Quanto alguém escolhe um curso, analisa bem os diferentes planos de estudos.. e, pressupõe que não vão ser muitas as alterações ao dito cujo..
Mas, aí é que nos enganamos..
Ora, em 3 magníficos anos de Bolonha, conheci eu na Flup, pelo menos, 3 planos de estudo diferentes..
Ora, quando uma pessoa pensa em escolher opcionais, supõe que as restantes vão lá estar nos anos seguintes.. e programa-as partindo dessa generalização (falsa por sinal!).
No meio de tanta troca e mudança, eis que chegamos ao último ano, e temos problemas em fazer as matrículas (num post anterior, isto também já foi referido).. e depois de esperar dias, dias e dias pela resolução do problema.. eis que ela surge..
Mas, não era sem dúvida a solução esperada.. Uma das disciplinas opcionais, foi substituída por outra, tendo em conta que assim poderia ter um maior nº de alunos - de 15 para 50.
E, para além disso, foi aberta ainda outra disciplina, dedicada (como quase tudo por aqueles lados - percepção tardia a minha) à pré-história.

E, à primeira vista, o problema tinha sido "bem" resolvido.. Mas.. não..
Ora, tendo em conta que a disciplina dos 50 foi uma reabertura, alunos como eu, já a tiveram..
Tendo em conta que o nº de vagas para a outra disciplina se manteve (15), e não foi conferida prioridade aos alunos do 3º ano..
Considerando ainda, que as outras duas disciplinas já foram feitas..
Destas belas 5 opções, sobre apenas uma..
E a moral da história é..
Pré-história!

Opcional - completamente obrigatória.
Liberdade de escolha absoluta.
E, isto podia continuar.. mas diz-me a liberdade que me resta, que não vale a pena..

*

domingo, 5 de abril de 2009

Os guardiães do património.. algumas reflexões.. (II)

Bem, continuando com ideias soltas do debate de ontem e alguns comentários..

- Antes, a exigência era diferente. Antes, era preciso apresentar curriculum para escavar. Antes, começava-se a escavar com o acompanhamento (na teoria) de outra pessoa com mais experiência.
Antes, antes, antes..

- O incentivo que Bolonha trás para se fazerem estudos posteriores.
- Em Portugal não há condições para oferecer muitas unidades curriculares.
- Bolonha é economicista.
- Questão das propinas - possibilidade de mestrados integrados, que ocorreram nalguns cursos porque havia uma Ordem.
O problema é que a licenciatura é insuficiente, mas o mestrado é caro. E a arqueologia é assim tão lucrativa para passar a profissão de elites? A hobbie de médicos e arquitectos, de algum excêntrico a quem saia o Euro milhões?
-As escolhas dos alunos, pelo local onde o vão fazer, prendem-se muito com gestão de cursos. Onde têm familiares.. Portanto, não é opção, é a opção condicionada.

-A legislação desactualizada. (Por lei, a licenciatura chega.. mas o conceito de licenciatura é, actualmente, diferente)
- Falta regulamentação na actividade (responsabilidade da tutela).
E queremos nós ser úteis à sociedade.. sem leis..

-Propostas de estações-escola não aceites pela Flup.
Que já foi referido num comentário ao post anterior. Mas esta questão bate records. Acho que nem consigo dizer nada. Quando se cai em cima dos alunos da maneira que se caí.. e se diz que falta a prática, mas não se assinam protocolos.. Haja investimento dos alunos! Haja super-heróis!
-A gestão aprende-se no campo. A CULPA É DO POUCO INVESTIMENTO DOS ALUNOS.
E aqui, perdoem-me a "revolta". Mas há alunos que investem e os que não investem, em qualquer curso. Como há professores bons e maus. Como há bons e maus empresários. Dizer que os culpados dos males da arqueologia são os alunos, pf, é demais. Acabamos de chegar, muitos de nós não fazem mais pq não podem, e a culpa é nossa? Também não me querem dizer que a culpa de chover esta semana é minha? É que se quiserem, nesta linha, estamos à vontade.
Claro que não desresponsabilizo muitos alunos, mas como também um aluno referiu no debate, não somos todos iguais. Sinceramente, deixa-me triste quando todos sacodem a água do capote desta maneira.
As empresas dizem - aí que são incompetentes, a culpa é das Universidades que não os formam bem. As Universidades dizem - a culpa não é nossa, eles é que não se querem empenhar. Os alunos dizem - pronto, então não posso dizer que a culpa é do caracol que me andava a estragar as alfaces (o futuro de quem se forma em arqueologia), sendo assim, fico eu com as culpas.
Convinhamos.. Será que ninguém quer reconhecer claramente a porcaria das aplicações de Bolonha que por aqui se fizeram? É que nós temos que investir como diz Bolonha, mas o nosso ensino de Bolonha só tem exigências.
Não sei se alguém também tem ideia de que a vida de quem estuda não é só estudar. E que há mais para além da arqueologia. Ou será que devemos deixar de falar com os amigos porque temos 12 livros para ler por cada disciplina?

- O que é a qualidade em arqueologia, o que são bons e maus profissionais.
- Não temos relevância social.
- Falta dinheiro para publicar resultados.
- A lei exige, mas não faz cumprir - falta fiscalização.
- Na arqueologia de salvamento, a qualidade paga-se, mas quem pede o serviço não quer qualidade, quer custo reduzido.
(Já agora, qual é a culpa dos alunos aqui? Devem ter alguma..)
- Necessidade de convencer alguém de que a qualidade compensa.
- Mas há quem não possa pagar as escavações arqueológicas que a lei exige. Contribui isso para uma má imagem dos arqueólogos. São saca €.

E bem, praticamente foi isto que apanhei.. E sim, saimos de lá deprimidos.. ou mantivemos a depressão que já tinhamos antes de lá chegar..
"Enquanto houver estrada para andar, a gente não vai parar" diz o JP numa das suas músicas..
Sinceramente, temo que a estrada da arqueologia esteje a chegar ao fim. Quem puder, salve-a..
*

sábado, 4 de abril de 2009

Os guardiães do património.. algumas reflexões.. (I)

Bem.. seguindo o meu modelo de participação em conferências e debates, achei por bem relatar por aqui o que foi dito (e o que eu acho disso) no debate hoje realizado na sede da APA no Porto.
Tendo em conta o ambiente em si, as pessoas presentes.. podia dizer que foi mais uma conversa moderada..
Mas as conclusões não são muito animadoras..
Brincando um bocadinho seria situação para dizer: "Caso seja uma pessoa crente no futuro da arqueologia e no futuro daqueles que estudam (ou tentam estudar) arqueologia em território nacional, não prossiga na leitura deste texto".

Tema inicial - "Formação académica e exercício profissional"
Ausência a registar - representante da tutela (IGESPAR).

Antes de mais, não vou referir nomes dos defensores de determinadas hipóteses porque a certo ponto, confesso que me perdi.. daí que, lamento desde já tal falha..

- Com uma licenciatura de bolonha estamos legalmente aptos para escavar, mas a teoria chega?

- Na realidade, os alunos não estão preparados para a actividade.

- Bolonha seria interessante se houvesse condições - aulas a funcionar como acompanhamentos tutoriais e os alunos a desenvolverem muito trabalho de casa.
A propósito disto, apetece-me dizer que era bom que funcionasse, (note-se caso específico da Flup) mas os problemas são muitos e dariam pra desenvolver não sei quantos textos: 1 - Aulas OT e TP, qual a diferença teórica e a diferença prática das designações; 2 - Com cadeiras a serem avaliadas por exames finais, onde entra a componente prática? ...

- Exigência, daqui a algum tempo, de mestrados para direcção de uma actividade; ser arqueólogo só com o 2º ciclo, mas só daqui a alguns anos é que isso vai realmente funcionar.
E o que se chama à "coisa" com 1º ciclo? E o que é que os difere? E até entrar em funcionamento, vamos andar aqui nós feitos cobaias como temos sido? (bem, seguir arqueologia parece que é mesmo Paixão - no sentido inicial do termo) E o que é um arqueólogo?

- Arqueologia passa por uma crise - uma das principais causas, a falta de enquadramento legal. Arqueólogos cada x mais desenquadrados, não se aprocimam da sociedade, são "bichos do mato". É preciso arqueólogos que saibam gerir e defender o seu trabalho na sociedade. Necessidade de comunidade arqueológica mais virada para a sociedade.
Ora bem.. se o arqueólogo não está munido de uma componente social e não vê na sociedade o seu objectivo, então perdoe-me Shakespeare, mas algo está podre no reino da arqueologia nacional.
Parece-me uma uma das imagens-tipo que a sociedade tem de um arqueólogo é a de um sr pequenino, com uma barriga considerável, com óculos muito graduados e uma lupa na mão, enterrado em arquivos e museus.. ou então com uma pá na mão enterrado num buraco com mais de 10m de profundidade..
Se é assim que nos veem, então como esperamos que nos achem úteis e interessantes? Como vão subsidiar uma actividade com um "cheiro a mofo" tão grande? (e.. perdoem-me se, por vezes, me incluo no grupo de arqueólogos ao qual ainda não pertenço, mas também, tenho sérias dúvidas se algum dia virei a pertencer).

- As universidades deviam ter cadeiras de gestão. Como opção talvez.. Mas que mais não deviam ter os alunos de arqueologia numa faculdade?

- Agora não há especialistas, só arqueólogos generalistas - deviam saber mais de tudo, mas na realidade, cada vez sabem menos.
Eu pessoalmente, vejo bolonha com um mestrado com especialização, mas digo eu, que quando alguém faz um acompanhamento arqueológico não pode esperar identificar só vestígios de determinada época.

-É nos trabalhos mais difíceis que se colocam os arqueólogos com menos experiência, nos acompanhamentos. O arqueólogo é inexperiente, tem medo, empata obras. E a culpa é de quem?

- Universidades e empresas deviam complementar-se.

- Não há controle do que é a cultura material, assim não se pode escavar bem, nem interpretar.

Há falhas graves no ensino, mas tb noutros sítios. Com bolonha o que se conseguiu foi eliminar cadeiras.

E amanhã continuo.. felizmente, a vida não é só arqueologia..
*

segunda-feira, 23 de março de 2009

E.. as previsões para amanhã..

Ora, conforme me foi solicitado, aqui deixo a minha previsão, que não é de signos, nem de tempo, mas sim dos acontecimentos que sucessivamente irão suceder amanhã na Flup.

Bem, vou partir do pressuposto que a Manifestação é do conhecimento de todos, e portanto, vou partir do inicio desta para proceder à enumeração do que se irá seguir ;)

Estando os alunos concentrados no portão principal da Flup, reivindicando o direito a um ensino gratuito, solicitando ao Estado que cumpra as suas funções sociais de garantir um ensino democrático e não elitista, empregando faixas e gritando palavras de ordem conta o RJIES, a passagem a fundação e o adorável processo de Bo(r)lonha (como já alguém me disse).

Nisto, eis que uns, mais exaltados do que outros; mais insatisfeitos..e já com planos profundamente elaborados gritam a palavra mágica; ou se preferirem a Grândola dos tempos modernos e.. isso desencadeava a ocupação da Faculdade..

E nisto, a faculdade era ocupada, as portas dominadas por pessoas que saiam de todos os locais..

Mas, como estamos em Portugal, a PIDE dos tempos modernos estava lá, e não tarda aparecia o exército, todos os compartimentos eram revistados.. De G3 na mão, abriam portas e gritavam “limpo”; ou procediam à identificação dos ocupantes, prontamente detidos, porque lembrem-se, antes do 25 Abril.. Nisto, eram também utilizados os ditos pastores (alemães, claro) sendo os mesmos usados na identificação e localização de drogas.. assim, quem não fosse preso por uma coisa, podia sempre ser pela outra..
Mas quem escapasse a estes meios, depressa assistiu à apresentação da queixa de mais um crime.. um sr todo poderoso, dirigindo-se para o chefe das operações dizia: Prenda-os a todos! Eles roubaram..fizeram plágio; fizeram falsificações.. de assinaturas..
E agora, quase que havia crimes para toda a gente..

Mas, eis que, no meio de tanta coisa, alguém corre em gritos pelos corredores da faculdade, a gritar: “Fui roubada, fui roubada” (eu, ou outra pessoa qualquer).. E isso, representaria um problema’ antes do 25 de Abril, não havia inseguranças e roubos.. Então, foi necessário perceber o que se estava a passar.. E alguém (tu, ou o chefe do exército) perguntaria “Então menina, mas o que é que se passa? O que é que lhe roubaram?” E eis que eu, ou outra pessoa qualquer responderia.. “Roubaram-me a taça!! Sim, a taça.” “Mas quem lhe fez isso menina? Há suspeitos? Sabe quem foi?” “Claro que sei, foi o Baptista.” “E como é que ele fez isso, também sabe?” “Sim, toda a gente viu, gravaram e tudo! Marcou um penalty!!”

E lembrem-se, como estamos antes do 25 de Abril, o Salazar é do Benfica : )

Brincadeiras à parte.. boas manifs!

sábado, 14 de março de 2009

Notas sobre a passagem a fundação, em seguimento de Millady ;)

Cara Millady,
Demais leitores :)

(Ia comentar isto em resposta ao comentário da anterior postagem, mas já que expressa a minha opinião face ao comunicado da Feup, decide por bem colocá-lo aqui..)

Atrevia-me a dizer que continuamos sem saber o que se está a passar.. e não somos só nós, porque parece que a questão também não é clara para o pessoal docente, que corre o risco de ver o seu posto voar para outras paragens.

Letras apesar da interrupção que teve nos tempos do Salas, foi sempre uma faculdade de prestigio.. Agora, atrevo-me a dizer que esse prestígio só pode ser referido quando da história da faculdade se trata..
É triste, mas é assim. É assim, mas é triste.
"Enquanto houver estrada para andar, a gente não vai parar" - temos é que andar depressa porque a estrada acaba já aqui..

Outra leitura que eu faço deste "comunicado" da Feup do mês passado.. bem, para eles, o regime fundacional vai dar ao mesmo, na realidade, são quase eles que se auto-financiam.. São uma faculdade retável e com lucros..
Agora, a não ser que os municipios se lembrem todos de estudar a sua história e arqueologia, já fomos..Entretanto, trabalhar com municipios exclusivamente às vezes é complicado.. Ainda se levanta outro problema, no caso da arqueologia, se se estender em demasia a área de uma faculdade em termos de intervenção, pode sempre haver uma bela duma empresa que diga que é contra as regras da concorrência, e isso era chatinho de facto..

E como a Feup não é a santa casa da misericórdia do ensino superior..
Acho que isto também nos deveria levar a outra discussão - acho que muitos de nós se cruzam já com isto.. todos temos alguém que pensa assim..
Qual o objectivo duma Faculdade de Letras?
No cenário da crise global actual, que importância têm as Letras?
Vale a pena remar contra a maré, as ditas "ciências exactas" e investir nas Letras?

Segue-se uma listagem dos cursos de licenciatura oferecidos pela Flup, talvez possam ser úteis na resposta a algumas destas questões..
Licenciatura em Arqueologia
Licenciatura em Ciência da Informação
Licenciatura em Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria, Multimédia
Licenciatura em Ciências da Linguagem
Licenciatura em Estudos Portugueses e Lusófonos
Licenciatura em Filosofia
Licenciatura em Geografia
Licenciatura em História
Licenciatura em História da Arte
Licenciatura em Línguas Aplicadas
Licenciatura em Línguas e Relações Internacionais
Licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas
Licenciatura em Sociologia

*

sexta-feira, 13 de março de 2009

Algumas informações sobre a passagem a fundação..

Lê-se num comunicado da Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto - ver em: http://site.aefeup.pt/uploads/documents/0000/1001/comunicado20090207.pdf

A passagem da Universidade do Porto para uma Fundação Pública de Direito Privado vai permitir à mesma,
através de um contrato programa com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, proceder a um
conjunto de operações que compreendem:
a) reforço das infra-estruturas e equipamentos, científicos e de ensino;
b) reforço de meios humanos qualificados;
c) medidas específicas de apoio aos estudantes.
Permite ainda, adoptar um modelo de governo e de organização capaz de responder agilmente aos
desafios da competição internacional, nomeadamente:
a) uma maior capacidade para a realização dos seus planos estratégicos, facilitada por:
◦ não sujeição às mudanças anuais das políticas orçamentais do governo,
◦ financiamento através de contratos plurianuais com o Estado segundo objectivos de
desempenho,
◦ uma gestão mais simplificada dos saldos de cada ano,
◦ gestão autónoma do imobiliário da Fundação;
b) uma maior capacidade para contratar os recursos humanos essenciais à realização das suas apostas
num ensino e numa I&D internacionalmente competitivos;
c) induzir uma maior e melhor cooperação entre a Universidade do Porto e as suas instituições
privadas sem fins lucrativos de Investigação e Desenvolvimento ou aquelas em que participa;
d) a possibilidade do recurso ao endividamento para melhorar a qualidade e o portefólio das ofertas
de ensino e de I&D&I, bem como das condições de vida no campus;
e) possibilidades acrescidas de obtenção de financiamentos complementares, para as actividades de
ensino e I&D, através do compromisso dos curadores para angariação de doações, patrocínios e
outras formas de apoio financeiro;
f) um maior reconhecimento público nacional e internacional da Universidade do Porto, com reflexos
muito positivos na sua imagem e prestígio.

No que diz respeito ao Acesso e Ingresso ao Ensino Superior, ao Regime de Propinas dos Estudantes e à
Acção Social Escolar o regime fundacional não trará modificações, sendo que, já está assegurado na lei
que:
1. “As instituições de ensino superior públicas de natureza fundacional seleccionam os seus
estudantes através dos critérios e procedimentos fixados na lei.”
2. “O regime de propinas dos estudantes das instituições de ensino superior públicas de natureza
fundacional é o fixado pela lei que regula esta matéria no que se refere às instituições de ensino
superior públicas.”
3. “Os estudantes das instituições de ensino superior públicas de natureza fundacional estão
abrangidos pela acção social escolar nos mesmos termos dos estudantes das demais instituições
de ensino superior públicas.”
Através dos novos estatutos da Universidade do Porto é dada uma real importância aos estudantes, pelo
que as Associações de Estudantes são vistas como parceiras privilegiadas na prossecução da missão da
Universidade do Porto e serão sempre ouvidas em todos os assuntos que sejam do interesse dos
estudantes.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ensino "Superior" "Público"

Hoje, o meu dever cívico ditava que falasse dos mais recentes desenvolvimentos universitários, oliveirenses e arqueológicos..
Mas o que há em mim é sobretudo cansaço..

Mas bem, vamos aos desenvolvimentos universitários, sem dúvida, os mais relevantes do dia de hoje..
O ensino “superior” “público”
“Superior” – as sistemáticas queixinhas com que nos temos cruzado em arqueologia invalidam que se apelide de superior. Destas coisas, só me lembro acontecerem na escola primária, e mesmo ai, não era com o espírito de lixar ninguém.. simplesmente havia uma música do género “Acusa Pilatos vai à fonte e come ratos!”

“Público” – porque os conceitos mudam, os planos de estudam mudam, mas nós já lá estamos, e não há muito mais a fazer.. Passamos a fundação.. público-privada.. Sim, vamos ser geridos como se fossemos uma empresa.. na busca do auto-financiamento (impossível nas letras), do lucro.. E numa empresa, o sector que não dá lucro, fecha.
Dia 24 Março temos Manif.

Este “Estado” descarta-se de todas as suas funções.. privatiza.. demite-se e delega a arqueologia nas autarquias e empresas; a saúde em parcerias público-privadas.. e o ensino, sim, o ensino, aquilo que forma os Homens do futuro.. nas mãos de privados, cedendo a politicas economicistas, estatísticas..
Apliquem Bolonha, o regime das fundações, já agora, transformem as Universidades todas em Novas Oportunidades, cursos de três meses, com cópias de textos e história de vida.
Enfim.. vamos dizer que somos cultos, temos pessoas bem formadas..
Vamos ler os livros todos que os professores pedem então.. para cadeiras que eram anuais e com Bolonha passam a semestrais..
Vamos estudar a matéria toda antes de termos as disciplinas, porque é isso que se espera de alunos aplicados então.. temos que ser nós a investir na nossa formação.. esqueçam lá sanidades mentais e vidas privadas..

Enfim.. como já alguém disse hoje “Se não me virem por aí, procurem-me na prisão”..

*

terça-feira, 10 de março de 2009

A criação do Naup (Núcleo de Arqueologia da Universidade do Porto)

Bem, como se devem ter apercebido, já de há uns tempos para cá que não me dedico claramente a debater questões de arqueologia. Sendo que as ultimas vezes que isso sucedeu, foram apenas ligeiras referências aos temas, não me prolongando muito nas minhas abordagens.
Bem, a única explicação para tal facto, apenas o meu “cansaço”.

Hoje, vejo-me obrigada a retomar isso, o motivo, a criação do Naup.

Sim, de facto, verificava-se alguma necessidade de criar um organismo que fizesse uma ligação entre os alunos de arqueologia e o resto do mundo.. tendo em conta que a arqueologia é um mundo ligeiramente diferente de cursos ligados a línguas e coisas que tal..

Portanto sim, considero o projecto de utilidade para todos.
Antes de me referir concretamente ao que se passará amanha e a moção da lista apresentada, devo antes de mais esclarecer (não vá alguém alegar o “falas falas mas não fazes nada”) o motivo pelo qual não me envolveria assim de repente em tal projecto.. considero que a fazer-se, não seria linear, e portanto, seria necessário empreender muito esforço, dedicação e responsabilidade.. é necessário gostar-se muito, ter-se noção das responsabilidades e das implicações que este tipo de organizações tem, no imediato e no futuro.
Não me parece que o âmbito destas organizações se fique por uma ponte entre alunos de arqueologia – associações de estudantes – professores e directores. Se criamos e queremos a todo o custo investir na arqueologia, o âmbito destas organizações tem que se alargar, perceber o papel da arqueologia numa sociedade; nos municípios e nas empresas.
Mas exige muita coisa, e tenho dúvidas se o esforço valeria a pena. (discurso pessimista, mas pronto, é o meu).

Ora, há coisa de 15 dias, foi-nos comunicada a criação do dito núcleo e divulgada a sua pagina na internet. Amanha, pelos vistos, há eleições.
Suponho que a divulgação e o conhecimento de tal coisa passou ao lado de muita gente. De qualquer das formas, não é por desconhecimento que as eleições não se vão realizar.
Quem não estava envolvido no projecto inicial, e se quisesse candidatar, adios’ porque não me parece que tenha havido tempo para quem quer que fosse organizar uma candidatura (para alem dos srs que se dedicaram à criação do dito cujo).

Bem, enfim.. adiante disso.. apresentação de uma lista às eleições .. a lista P..
Divulgação de tal coisa, vi hoje depois de receber um e-mail dinâmico a dizer que ia haver eleições. O programa, bem.. assusta-me ligeiramente..

Antes de pensarmos em passear e coisas que tal, eu diria que era necessário pensar em aplicar melhor Bolonha ao curso. Parece-me que isso falhou. Cada avaliação para seu lado.. não sei, parece-me que haveria outras prioridades..
Claro que as visitas são importantes para a formação académica.. se há departamentos que até conseguem dinheiro para autocarros, o nosso já não, e temos que lidar com isso, num panorama de crise global..
Preferencialmente, acho que a prioridade passaria por adaptar melhor Bolonha. Perceber o que está mal, o que falta e tentar melhorar as coisas que possam beneficiar também as gerações vindouras para este curso..

Festas para socialização? Não me parece que seja preciso um núcleo de arqueologia para as organizar!
Mesas redondas e conferências? Já não as há?

Escavações faltam sim, mas a integrar, deveriam ser integradas como componente lectiva. Quem raio são os arqueólogos que não são avaliados pela forma como escavam? Que Arqueologia do Futuro…

E poderíamos andar nisto mais não sei quanto tempo.. talvez volte a isto.. mas agora, o cansaço regressou..

*

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

As tretas do ensino..

Bem..
primeiro, há que dizer que em dias de exame que não correm bem, temos tendência pra este tipo de comentário, portanto, previnam-se :)
Ora bem, é reconhecido, no meio arqueológico (pelo menos, tb deve ser noutros bastante diversificados) que o ensino anda um bocado decadente..
Tendo em conta que há quem possa mudar o ensino, o critique de forma gigantesca, e chegue ao fim e diga "avé césar"..
Ora Bolonha é o que é.. mas está ai, e não resta se não aplicá-lo..
Agora, vamos ter que deixar de ser seres humanos se houver mil e uma aplicações diferentes de bolonha..
Quer se com isto dizer o que.. Por exemplo, a divisão de aulas na flup faz-se em TP (teorico praticas) e OT (orientações tutoriais).. A questão das OT, do que são e de como se aplicam não consegue ser igual em dois professores..
Se é pra continuar cada um pra seu lado, então vá, continue-se enquanto as portas não fecharem..
Outra coisa.. sendo que uns resolvem aplicar bolonha na hipotese do fazer cadeiras por frequência.. e outros não.. combinams diferentes métodos de avaliação que dão, no fim, uma grande treta..
Ora cadeiras por frequência implicam quase dedicação a 100% durante o semestre..
Cadeiras por exame obrigam a não sei quantas leituras por semestre..
Eu diria que a juntar a vida própria - familia, amigos, relações - acrescem-se necessidades básicas como comer e dormir..
Assim, parece me que as coisas se tornam ligeiramente insustentáveis quando se fazem exames que obrigam alunos a ler livros na integra tão pequenos e tão pouco complexos como a Odisseia e companhias limitadas..

*

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O Porto, Letras e o Dinheiro

Bem.. parece que já estivemos mais longe do dito colapso das faculdades de letras, nomeadamente da Flup..
Preocupante? ...

Ora, não fugindo à praxe, vamos navegar na questão faculdades - €...
(Diga-se que isto não cai aqui por acaso.. é tudo fruto dumas belas aulas..)

É geral - não há €, as universidades veêm orçamentos reduzidos...
Mas, no Porto, a reitoria não tem €.. e a flup também não..
Portanto, (e não fui eu que o disse) há sempre a possibilidade do nosso ano lectivo chegar a Maio e ficar por ai..
Enquanto em Lisboa o reitor da Universidade se queixa.. A Flup pede € emprestado a engenharia..

Ora.. não tendo a faculdade receitas e não subindo a verba do O.E., a faculdade pode pagar as suas dívidas? Tenho as minhas dúvidas..

Entrentando, os eurinhos que se pedem emprestados têm um v de volta.. isto é, engenharia diz - sim, nós emprestamos, mas vocês devolvem.. Ora.. se devolvermos, voltamos ao mesmo problema..
Também há a hipótese de alegar que o € deles, que eles dizem ser proveniente de receitas extraordinárias, vem do O.E., por outras vias..
Portanto, só lhes pediram que eles fossem generosos e nos oferecessem o dinheirinho.. É normal? Pois, isso já não sei.. Eles esforçam-se, arranjam artimanhas para angariar fundos extra, tem protocolos.. e depois viram Santa Casa da Misericórdia?

A hipotese de alegar que os rendimentos são de indirectamente do O.E., e que por isso, o € também é nosso, parece-me algo deveras forçado..

Não poderia então, a faculdade de letras arranjar mecanismos semelhantes?
Resposta simples, claro que não ;) Flup com protocolos com a Metro? Nunca na vida podia acontecer tal coisa...

Eu gostava de dizer que era só uma questõ de negociação.. não é por ser faculdade de Letras que alguns dos cursos não podem estabelecer acordos e protocolos que aumentem as receitas (nomeadamente a arqueologia)..

Um acto demasiado humilhante para uma Senhora Faculdade?

Também há quem veja nisto uma forma de conduzir as faculdades de letras ao colapso e despejar nas privadas as responsabilidades de leccionar e formar os srºs de letras...

Luis O, do politécnico de Tomar dizia nas conferências que as faculdades não tinham dinheiro porque não o sabiam gerir.. estava toda a gente a fazer tudo ao mesmo tempo, acabando por não fazer nada..

Não estará na hora de abdicar de alguns luxos e partir pra reforma?

Na Assembleia da Républica dizia-se que "vem ai o fantasma do capitalismo".. parece que na Flup se diz "vem ai o fantasma da bancarrota"..

Também se disse no meio de tanta conversa que o financiamento das faculdades era atribuído de acordo com o aproveitamento dos alunos.. se assim for.. para além da questão do ensino pra estatística - we have a problem..

*