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terça-feira, 31 de março de 2009

Lá vem ela.. a cultura..

Bem, teria muito sobre o que escrever.. pensar ou enumerar.. mas como acordei cedo para não ter aula.. isto torna-se tudo muito mais sinistro..
E tudo isto porque sucessivamente se sucedem acontecimentos sucedidos.. e isto não é mais do que a História..
E a História não é mais do que uma parte, uma pequena fatia, da cultura..

E é sobre cultura que me “apetece” escrever.. e não é um apetite só por si.. é uma necessidade, tendo em conta o estado actual das coisas..

Ora, não é novidade nenhuma, e já aqui falei disso.. os problemas e discussões que a construção do museu dos coches, num local ocupado por arquivos e biblioteca do IPA, que passarão para a Cordoaria Nacional, tutelada pelo Ministério da Defesa, para onde também deverá ser transferido o MNA (Museu Nacional de Arqueologia), tem gerado..

E isto não me parece uma simples birra e implicação..
E não o é. Se há quem não defenda um Novo Museu dos Coches, há quem defenda um Novo Museu. E nada nisto é contra um projecto de arquitectura. Tudo isto, para mim, é contra uma política cultural do executivo.. ou se quiserem contra a inexistência de uma política cultural..

Na realidade, nesta questão, a arqueologia, parece-me a mim, saltita como bola de ping pong e moeda de troca.
Vejamos..
O local a ocupar pelo futuro museu dos coches pertence ao Ministério da Cultura.
Os serviços do Ministério da Cultura que aí estavam vão passar para um local tutelado pelo Ministério da Defesa.
Ora, ao Ministério da Defesa é conveniente a saída do MNA (Min da Cultura) dos Jerónimos, para ampliar o espaço do Museu da Marinha (Min Defesa).
E, por fim, o projecto de construção do novo museu dos coches.. foi iniciativa .. do Ministério da Economia.

Na realidade, isto é uma salgalhada de grelos bastante grande.. É criar confusões entre ministérios, moedas de troca, e sim.. A arqueologia é a bola de ping pong.

- Era necessário um novo museu?
- A ser necessário um novo museu, deveria ser dos Coches? (ou não seriam outros mais adequados?)
- Não haveria outro local para estabelecer os arquivos da arqueologia nacional, se não num local do Min da Defesa?
- Não há espaço nos Jerónimos para os dois museus?

E poderíamos continuar por aqui fora com uma série de perguntas que prefiro deixar sem resposta..
E é a cultura uma coisa tão abrangente, mas tão heterogénea.. e com tão pouco dinheiro.. E andamos nós com lutas internas deste género.

Mas não são só as lutas internas.. porque há lutas internas dentro do universo “cultura”, mas também as há dentro do universo “arqueologia” – e não são assim tão poucas quanto isso..

As lutas também são externas.. ou se calhar não são lutas..
A semana passada, foi divulgada uma carta de Manuel Maria Carrilho sobre o estado da cultura, e na mesma verifica-se referência a um série de promessas e politicas que ficaram por cumprir deste executivo..

Em sequência disso, e num debate televisivo, a ex ministra da cultura dizia que o orçamento do MC era de 0,4% do Orçamento de Estado.. E o actual ministro, quando ocupou o cargo disse que pretendia fazer mais com menos dinheiro..

Há quem marque penaltys por percepção.. na cultura não há percepção possível.. Nem por muito fértil e imaginativo que alguém seja pode dizer que há uma boa política cultural..

Entretanto.. as responsabilidades culturais foram descarregadas na autarquia, quase como um camião de lixo se despeja numa lixeira.. A acção social, a responsabilização do estado foi ver passar as naus dos descobrimentos..

Mas bem, como o dinheiro é tão pouco, andamos sempre todos às turras.. Pouco para muitos..
Porque a cultura engloba Artes; Património; Literatura..
No fundo, tudo é cultura..
Mas ninguém lhe dá a devida importância..
E vai desvanecendo.. sucumbindo.. extinguindo..
E já ninguém se interessa, e ninguém vai quer saber..
E tudo isto vai passar à história..
Era uma vez ..

E tudo estava podre no reino da cultura portuguesa..
“Porque o presente, é todo o passado, e todo o futuro” (Álvaro de Campos)

Legenda:
1 - Ocupação romana junto ao Castelo de Alcácer do Sal.
2 - Localização de povoado castrejo em Viana do Castelo.
3 - Vista panorâmica. Parque La-Salette, Oliveira de Azeméis.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O Porto, Letras e o Dinheiro

Bem.. parece que já estivemos mais longe do dito colapso das faculdades de letras, nomeadamente da Flup..
Preocupante? ...

Ora, não fugindo à praxe, vamos navegar na questão faculdades - €...
(Diga-se que isto não cai aqui por acaso.. é tudo fruto dumas belas aulas..)

É geral - não há €, as universidades veêm orçamentos reduzidos...
Mas, no Porto, a reitoria não tem €.. e a flup também não..
Portanto, (e não fui eu que o disse) há sempre a possibilidade do nosso ano lectivo chegar a Maio e ficar por ai..
Enquanto em Lisboa o reitor da Universidade se queixa.. A Flup pede € emprestado a engenharia..

Ora.. não tendo a faculdade receitas e não subindo a verba do O.E., a faculdade pode pagar as suas dívidas? Tenho as minhas dúvidas..

Entrentando, os eurinhos que se pedem emprestados têm um v de volta.. isto é, engenharia diz - sim, nós emprestamos, mas vocês devolvem.. Ora.. se devolvermos, voltamos ao mesmo problema..
Também há a hipótese de alegar que o € deles, que eles dizem ser proveniente de receitas extraordinárias, vem do O.E., por outras vias..
Portanto, só lhes pediram que eles fossem generosos e nos oferecessem o dinheirinho.. É normal? Pois, isso já não sei.. Eles esforçam-se, arranjam artimanhas para angariar fundos extra, tem protocolos.. e depois viram Santa Casa da Misericórdia?

A hipotese de alegar que os rendimentos são de indirectamente do O.E., e que por isso, o € também é nosso, parece-me algo deveras forçado..

Não poderia então, a faculdade de letras arranjar mecanismos semelhantes?
Resposta simples, claro que não ;) Flup com protocolos com a Metro? Nunca na vida podia acontecer tal coisa...

Eu gostava de dizer que era só uma questõ de negociação.. não é por ser faculdade de Letras que alguns dos cursos não podem estabelecer acordos e protocolos que aumentem as receitas (nomeadamente a arqueologia)..

Um acto demasiado humilhante para uma Senhora Faculdade?

Também há quem veja nisto uma forma de conduzir as faculdades de letras ao colapso e despejar nas privadas as responsabilidades de leccionar e formar os srºs de letras...

Luis O, do politécnico de Tomar dizia nas conferências que as faculdades não tinham dinheiro porque não o sabiam gerir.. estava toda a gente a fazer tudo ao mesmo tempo, acabando por não fazer nada..

Não estará na hora de abdicar de alguns luxos e partir pra reforma?

Na Assembleia da Républica dizia-se que "vem ai o fantasma do capitalismo".. parece que na Flup se diz "vem ai o fantasma da bancarrota"..

Também se disse no meio de tanta conversa que o financiamento das faculdades era atribuído de acordo com o aproveitamento dos alunos.. se assim for.. para além da questão do ensino pra estatística - we have a problem..

*

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O orçamento e a cultura..

Excerto de notícia do público de 28 de Novembro de 2008
Artigo de Campos e Cunha "Orçamento em tempos de crise"

... "Outra sugestão de despesa é a exploração e a pesquisa de zonas arqueológicas cuja existência é conhecida, mas sobre as quais nada se sabe. Dizia-me um amigo americano que Portugal tem um potencial arqueológico absolutamente ímpar no mundo. Temos de tudo um pouco, temos paleolítico, celta, fenício, romano, bárbaro, árabe, etc. A nossa melhor estação arqueológica é Conímbriga e nem essa está integralmente estudada. Mas o abandono do Cromeleque dos Almendres, de Foz Côa, dos castros,
das mamoas, das vastas e inúmeras ruínas romanas faz dó. Há arqueólogos, historiadores, botânicos, zoólogos... no desemprego. Há pequenas obras para pequenos centros explicativos que tornariam pequenas empresas de construção viáveis. Etc, etc. O país ficaria mais atraente para o turismo de qualidade, que não o é, criávamos
emprego e não hipotecávamos o futuro, pelo contrário.

Uma terceira sugestão (bastaria copiar dos espanhóis) é aumentar o orçamento da Cultura. Durante os próximos dois anos, pelo menos, é natural e esperada uma
crescente dificuldade em obter apoio mecenático das empresas para as actividades das instituições culturais e para continuar a comprar obras de arte para as colecções
nacionais. Por outro lado, deverão aparecer boas peças de arte a preços excepcionalmente baixos, que deveríamos aproveitar, pois Portugal é paupérrimo em
colecções de arte. O Orçamento para 2009 faz exactamente o contrário.
Estes exemplos, entre muitos, são despesas que podem ter consequências quase imediatas na economia, que melhorariam significativamente a qualidade de vida dos
portugueses e com elevado impacto no emprego. Mais ainda, porque são pequenos
projectos, não criam problemas orçamentais a prazo, porque são limitados no tempo."

Diria eu, ideias não faltam.. Falta apenas quem as aplique..
Confesso que ver a arqueologia e o património como fonte de resolução deste dito problema teria a sua piada.. Obrigaria muita gente das ditas "ciências exactas" ou melhor, que não se formam em cursos das Faculdades de Letras reconhecerem que afinal esta área científica "serve, afinal, para alguma coisa"..
Lá se iam as frases do tipo "Estudar o passado não interessa. Temos é que estudar o futuro".
Pois, Património por estudar não falta.. Claro que associar a vertente turistica e comercial demasiado aos sitios me parece ligeiramente perigoso.. Mas o equilíbrio sempre foi uma boa solução, tudo qb.

Parece que nem toda a gente acha que a cultura é um bichinho que só serve para comer dinheiro sem dar algum retorno..
Mas.. é este o pensamento que reina nos ditos "homens do futuro"..

"Portugal, Portugal.. enquanto ficares à espera, ninguém te pode ajudar.."