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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O balanço das Legislativas

Pois bem, agora que são conhecidos quase na totalidade os resultados da eleições legislativas (faltam apenas os 4 deputados dos ciclos da emigração) impõe-se fazer um balanço dos mesmos..

*Vitória do PS - algo esperada, com clara perda da maioria absoluta. Apesar das constantes manifestações de desagrado que vivemos nos últimos 4 anos, os portugueses reconduziram o partido socialista no governo.
Com expectativa aguardam-se informações sobre coligações e manutenção de ministros.
Apesar de se tratar de uma vitória, parece-me que os portugueses mostraram, também, o seu descontetamento face a algumas políticas. A perda da maioria absoluta, com uma acentuada perda de deputados é disso espelho.

*Derrota do PSD - embora também fosse esperada uma derrota do PSD, eu não a esperava tão "esmagadora". Embora com uma pequena subida face às últimas eleições, o PSD é o claro derrotado. Agora, continuando na oposição, cabe ao partido reflectir. Manuela Ferreira Leite prefere esperar pelas autarquicas. A mim, parece-me que o rumo do partido vai ter que ser alterado. Boas políticas não chegam, são precisos bons líderes.

*A subida dos três partidos - Também era esperada.. A vitória das alternativas. Os três aumentaram o seu nº de deputados. Apesar do 5º lugar para a CDU, Jerónimo conseguiu mais um deputado. Alguém tinha que fechar as presenças na AR, mas não entenderia este lugar como uma "derrota", apesar de tudo o PCP e Os Verdes cresceram.
Quem cresceu também, como espectável, foi o BE, passando a 4ª força no parlamento. Apesar da grande conquista de deputados, o BE não chegou aos 10% (chegou a falar-se em 14%). São bons resultados para o partido, mas.. contava com mais.. previa-se que o BE fosse a 3ª força política. Que ajudasse o PS em caso de coligação.. e isso não aconteceu. Uma vitória aquém das expectativas.
Finalmente, a 3ª força no Parlamento é agora o CDS. Um esforço compensado para Portas. Algo surpreendente a diferença de deputados para com o BE. Portas teve cada vez mais gente a pensar como ele, e foi premiado com votos. Queria ser imparcial, mas o crescimento do CDS deixa-me bastante contente. Sempre dados como derrotados em sondagens, com o menor orçamento para campanha, o CDS viu o esforço recompensado. Parece-me que o RSI convenceu (entre outras coisas).

*Quanto aos restantes partidos - a surpresa foi claramente o PCTP que atingiu a barreira dos 50 000 votos, e com isso vai receber bons fundos.. Efeitos das participações televisivas de Garcia Pereira? Talvez.. 5' para a meia noite e Gato Fedorento conferiram visibilidade ao líder.
Por outro lado, havia grandes expectativas com a eleição de um deputado pelo Mep, em Lisboa, caso os resultados das europeias se repetissem. Tal não se confirmou, o partido ficou-se (+/-) pelos 20 000 votos..
Daqui só há uma conclusão.. Europeias e Legislativas são muito diferentes.. Não podemos extrapolar resultados dumas para as outras, não resulta.
Gostava que o Mep tivesse eleito Rui Marques. Internamente, o tempo deve ser de reflexão, perceber o que terá corrido mal.. Havia esperança.. e Portugal vai continuar a precisar dela.. Se assim for possível, que se pense em F. Pessoa "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Há que lutar :)

Agora, face a tudo isto, importa pensar nas consequências.. Maiorias e coligações.. Acordos parlamentares.. Instabilidade governativa..
Coligações, não acredito. Bloco central é um cenário demasiado platónico; Coligação com o CDS - Portas arriscava-se a desiludir grande parte do seu eleitorado, seria (algo hiperbolizado) o fim do partido; quanto a coligações à esquerda, só unindo BE e CDU - muita gente para se conseguir consenso em muitas áreas.
Portanto sim, acredito em acordos em determinadas circunstâncias.. Não nos podemos esquecer que, se o cenário parlamentar está agora mais dividido, interessa daí retirar vantagens. O clima económico não permite grandes instabilidades e discussões "fúteis" nalgumas temáticas. Importa que um partido não imponha as suas opções, mas que haja um consenço sobre o que fazer no país, com o país e para o país.

Finalmente, e já como aparte, as campanhas e discussões políticas não acabam aqui. Começa a agitação autárquica, aquilo que está mais perto de nós, as instituições que têm que nos resolver os problemas diários.
Nesta temática, se conseguir, gostava de trazer aqui algumas discussões sobre as autárquicas oliveirenses, pedindo desde já desculpas a quem fica excluído com a geografia política.
Importa meditar muito bem em quem votar, porque votar.. mas votar! Chega de falar de quem não vota, de quem tem preguiça e não aproveita o direito que o 25 de Abril trouxe.
Vou estar atenta à campanha oliveirense, está tudo por decidir. E, não eleger o presidente, quer dizer que se pode eleger um vereador. Esqueça-se o voto inútil..
Depois de 11 de Outubro, talvez este blog se acalme com questões políticas.. :) Não esquecendo que quase tudo nas nossas vidas é condicionado por ela ;)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Em que partido vai votar nas Legislativas?


Bem, coube-me a mim comentar esta sondagem (certa que o Jorge cá passará com contributos para a discussão).
Primeiro, o fim da sondagem foi pensado para hoje, amanhã é dia de reflexão, e campanhas e companhias ficam por aqui.

Depois, aproveito esta pequena "reflexão" para relembrar o quão importante é participar, através do voto, no acto eleitoral.. Abstenção não!

Quanto à sondagem propriamente dita essa, permite-nos tirar várias conclusões:

*Tendo sido uma das mais participadas sondagens deste blog (33 votos) não é minimamente representativa da população portuguesa.

*Prova disso, é o empate entre BE e CDS/PP (10 votos). A meu ver, esta vitória de opostos tem relação, com a faixa etária da maior parte das pessoas que visitam o blog.

*Para além disso, o descontentamento face às duas forças políticas que, por norma, se encontram no governo - PS (4 votos) e PSD (apenas 1 - ora, se isto fosse representativo..).

*De qualquer das formas, a esquerda vence sempre, se associarmos a estes resultados o voto no PCP. Teriamos 15 votos à esquerda, contra apenas 11 à direita.

*Uma coisa que me parece interessante, são os 7 votos no Outros. Coisa vaga, que pode ser um outro partido (que eu acredito que vão eleger deputados) ou votos brancos.

Em suma, parece-me claro que as bancadas do parlamento se vão preencher com outras cores. A ascensão de BE e CDS parece-me uma grande hipótese. A associar-lhe, possivelmente, novos partidos.
O descontentamento é claro, estamos cansados, exaustos, fatigados..

E.. permitam-me só acrescentar a questão do dito voto útil - para mim,o voto é útil a partir do momento em que é capaz de levar alguém à reflexão. Certamente que mais um, ou menos um voto num "enorme" partido é importante. Mas o valor que esses votos têm nos partidos mais pequenos é ainda maior.

O essencial, é votar.. E votar com consciência..
*

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Cultura na CDU e PS

Para finalizar a nossa "breve" viagem pela cultura, cá ficam as principais ideias dos programas eleitorais da CDU e do PS

Comecemos pela CDU...
O programa começa por nos apontar diversas falhas ao executivo de José Sócrates, referindo o "retrocesso político no domínio da política cultural".
Assim, esta política cultural deve terminar, já que asfixia o sector e o secundariza.

Quanto a propostas, a CDU apresenta como objectivos conseguir 1% do OE. O que aliás é uma constante em quase todos os programas. Até o próprio PS afirma serem necessárias mais verbas para o MC.

Deve verificar-se uma reformulação no MC para que este disponha de meios humanos e técnicos para: - preservação do património; - criação contemporânea; - alargamento de públicos e democratização do acesso. Estas preocupações são referidas, de forma mais ou menos marcada, em todos os programas eleitorais, embora não se verifique uma clara defesa de reformulação do MC.

A questão da transversalidade entre ministérios está, também, presente. A defesa da CDU foca
Cultura, Educação e Ensino Superior.

Há também interesse em apoiar áreas como teatro, música, dança, cinema, artes plásticas e expressão escrita.
Verifica-se também uma preocupação com as condições profissionais de artistas e criadores. A crítica mantém-se.. Há coisas para regular e.. ninguém falou delas..

A coisa inovadora, e de acordo com a ideologia comunista - impedir a privatização de bens patrimoniais.

Em termos de política de museus, deve haver modernização, dinamização, preservação e investigação. Quantas não são as reservas amontoadas para estudar?

Para além disso, são referidas ainda as apostas no ensino artístico de qualidade; a afirmação e promoção da Língua Portuguesa.

Portanto, assim em síntese, comparando com os outros programas, não há nada que já não tenha sido referido, excepto aquela parte das privatizações..

__________________

Passando ao programa do PS, ligeiramente (muito) mais extenso..
E, sinceramente, é o que tem mais "piada".. Perceber de que forma os erros do passado, condicionam o que se diz no futuro..

O PS refere que a cultura vai ser uma das prioridades do próximo governo.
Defende portanto um reforço do OE, bem como a transversalidade entre ministérios. Valorizar o contributo da criação contemporânea para o desenvolvimento do país, consta também do programa eleitoral.

Assim, o programa organiza-se em três grandes áreas, para as quais são defendidas inúmeras medidas: Língua, Património e Arte e indústrias criativas e culturais.

Quanto à Língua, vemos o PS defender o acordo ortográfico; o fomento do ensino nos países da CPLP; uma política de expansão da LP; redes de bibliotecas e escolas - com possível deslocação de profs portugueses para países de LP (o que me parece ser uma inovação); reforço financeiro do fundo da língua; a criação de uma academia de LP; expansão da rede de bibliotecas e continuidade do Plano Nacional de Leitura; digitalização e disponibilização de conteúdos científicos, literarios, informativos e culturais em LP e, finalmente..
"Promover a aquisição e depósito dos espólios e acervos de grandes escritores da LP, pela Biblioteca Nacional, o seu tratamento, preservação, classificação e disponibilização". E, esta parece-me uma das importantes inovações face aos outros programas.. provavelmente tem alguma relação com alguns episódios menos felizes ocorridos durante a última legislatura..

Entretanto.. quanto ao património..
"desenvolver uma política de preservação do património histórico e cultural"; criação de "cheques-obra", em que cidadãos e privados contribuem para revitalizar o património; elaborar projectos para candidaturas ao QREN - sim, porque essas de se deixarem ir os fundos.. de certeza que não devem faltar candidaturas; estabelecer parcerias com diversas entidades para reabilitar o património classificado; apostar na reabilitação urbana; promover a preservação dos Monumentos Nacionais no estrangeiro, bem como o património imaterial e da LP; criação de uma fonoteca nacional; reavaliar modelos de gestão de museus e palácios, para possibilitar uma gestão em rede; reforçar os meios em museus e arquivos; expandir a rede de arquivos e efectuar parcerias para a aquisição de património cultural valioso.

E, finalmente, passando às Artes e Indústrias Criativas e Culturais..
Reforçar apoios aos artistas e criadores, bem como às respectivas artes, conferindo estágios profissionalizantes; promover o ensino artístico com a criação de programas de ocupação de tempos livres; utilizar o serviço público de tv e rádio para difundir mais conteúdos culturais; estabelecer parcerias com poder local para uma maior produção e programação cultural; criar linhas de crédito público às empresas do sector criativo; promover a circulação de artistas e obras de arte; apoiar a criação literária; reforçar o fundo de investimento para o cinema e audiovisual; aperfeiçoar o estatuto da carreira astística; rever a lei da cópia privada e apostar no trabalho em rede.

E, para terminar de forma bastante poética..
"Promover um plano interministerial que valorize a cultura como factor de crescimetno e emprego, porporcionando a colocação temporária de desempregados qualificados em instituições culturais".

E bem, assim dou por encerrada a minha abordagem às políticas culturais.. ;)
*

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Política Perdida - os debates televisivos

Ora bem, como ainda não avancei nas minhas adoráveis reflexões sobre programas eleitorais, depois de ver o debate de hoje, à esquerda, entre José Sócrates e Francisco Louçã achei que os ditos cujos mereciam alguns comentários..

De alguns destes debates, já cá ficaram impressões, tanto minhas como do Jorge, em comentários aos post sobre política.

Para hoje, seria espectável que Francisco Louçã arrasasse, de certa forma, com o primeiro ministro. Mas, para mim, não foi isso que aconteceu.
Foi um debate vivo e interessante, e que certamente, levou muita gente a repensar as suas opções de voto.
Sócrates usou, inicialmente, a expressão "radical" para classificar o BE.
E Louçã "crashou" na Galp, na Mota Engil e no Amorim.
A coisa complicou-se quando JS resolveu falar das medidas económicas que constam no programa eleitoral do BE. O que passou para o lado de cá (e de quem não leu na íntegra o programa) - nacionalizações e perdas fiscais.
Para o BE parece simples, nacionaliza-se tudo (bancas, seguros, ..), as propinas e as taxas moderadoras deixam de existir.. e a minha única dúvida é.. E o Estado resiste? Ou pode declarar falência?

Não que o PM tenha ficado bem na fotografia (impossível depois da legislatura), Francisco Louçã, com estas coisas, pode ter perdido alguns votos.
Espero bem que os eleitores comecem a pensar que ter facilidade argumentativa não é sinal de se ter boas políticas..

Aproveito ainda para falar do debate de ontem, entre Paulo Portas e Jerónimo de Sousa.. Um debate esclarecedor das políticas de cada um.. E gostei da questão da agricultura quando Paulo Portas disse que só havia dois partidos a discutir o assunto no parlamento, o CDS e o PCP!

*