Mostrar mensagens com a etiqueta Sean Penn. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sean Penn. Mostrar todas as mensagens

domingo, 2 de maio de 2010

Cinema 2011: Parte 3

Peço desculpa pela minha IMENSA demora (comecei a escrever isto há um mês atrás, agora é que reparei!) mas tenho tido coisas para fazer e isto vai empilhando... Tenho a dizer apenas que estou a tentar despachar as coisas antes da Queima das Fitas de Coimbra começar senão aí é que nunca mais acabo!

Fica aqui então a minha última parte dos filmes de 2010/2011: os meus favoritos. Estes são os 25 títulos que mais antecipação me trazem para a nova temporada.





#25 - THE ADJUSTMENT BUREAU

Realizado por George Nolfi (argumentista responsável por The Bourne Ultimatum) e com Matt Damon, Emily Blunt, Anthony Mackie, John Slattery e Shoreh Aghdashloo no elenco, este filme, baseado na short story de Philip Dick, "Adjustment Team", que fala do romance entre um congressista e uma bailarina, romance esse que é impedido por forças misteriosas. O argumento, diz-se, é francamente bom e combina drama com ficção científica. Além de ter por trás da câmara inúmeras pessoas passíveis de serem nomeadas para prémios este ano, tem uma dupla de quem se tem dito muito boas coisas, em particular de Emily Blunt, que está claramente na lista preferencial dos votantes da Academia.




#24 - LONDON BOULEVARD

A realização deste filme policial está a cargo de William Monahan, o argumentista premiado de The Departed e de Kingdom of Heaven. O filme, baseado no romance de Ken Bruen e cujo argumento (também de Monahan) era dos principais da Black List e da Brit List, fala de um criminoso, londrino, que depois de ser libertado da prisão, abandona essa vida e torna-se um faz-tudo para uma jovem actriz. O elenco é composto por Keira Knightley, Colin Farrell, Ray Winstone, Stephen Graham, David Thewlis, Anna Friel e Eddie Marsan, entre outros. Com Monahan veio o editor Dody Dorn (Memento) e o cinematógrafo vencedor de 2 Óscares Chris Menges (The Reader, Notes on a Scandal). Filme com largo potencial, não será candidato a grandes prémios, mas eu sou um devoto de filmes de gangster e se este for de um nível razoável (já nem digo ao nível de In Bruges) já me dou por satisfeito.




#23 - THE CONSPIRATOR

É dos filmes mais baixos na minha lista e será, muito provavelmente, em conjunto com o The King's Speech, dos filmes que mais nomeações poderá alcançar para o ano. Apesar da última experiência (Lions for Lambs) não lhe ter corrido bem, Robert Redford volta à cadeira de realizador, desta vez para filmar The Conspirator, que conta a história de Mary Surratt, acusada de co-conspiração no assassinato de Abraham Lincoln. Do filme tem-se dito grandes coisas, nomeadamente que a vitória de Robin Wright (ex-Penn) na categoria de Melhor Actriz é seguríssima. Do elenco constam ainda grandes nomes como James McAvoy, Evan Rachel Wood, Tom Wilkinson, Justin Long, Kevin Kline e Alexis Bledel e na equipa de Redford contam-se nomes ilustres na indústria, nomeados para diversos prémios.




#22 - THE FIGHTER

Nova reunião de David O'Russell (Three Kings, I Heart Huckabees, Nailed) com Mark Wahlberg, depois de I Heart Huckabees. A eles se junta Christian Bale, num papel definidor da sua carreira (volta a perder imenso peso - vejam as imagens, é assustador!), Amy Adams e Melissa Leo. Este é um drama pesado sobre o boxer irlandês Micky Ward e o seu salto para a fama. Do nada a campeão do mundo de peso leve. Isto tudo com a ajuda do meio-irmão Dickie, que era um dos boxers mais talentosos do mundo (ao contrário do irmão, com mais coração que talento) mas que desperdiçou a sua oportunidade por se ver imerso no mundo da droga e da criminalidade. Parece ser claramente um dos títulos a apostar forte na corrida deste ano, uma vez que reúne actores que a Academia de facto gosta (Wahlberg + Leo + Adams), um actor cujas interpretações têm tresandado a necessidade de ser nomeado (Bale), um realizador competente e um tema que lhes cai como ginja (Rocky, Raging Bull, Million Dollar Baby, só alguns exemplos).




#21 - THE KING'S SPEECH

Pelo realizador de The Damned United (e da mini-série multipremiada John Adams), Tom Hooper, chega-nos uma história que tem tudo o que os votantes da Academia gostam: relevância histórica (o filme conta a história dos esforços do Rei George VI para ultrapassar a sua gaguez com o auxílio do terapeuta da fala Lionel Logue), elenco de estrelas e antigos nomeados (Colin Firth é o protagonista, ele que vem em maré ascendente depois do sucesso de A Single Man; Geoffrey Rush, Helena Bonham-Carter, Timothy Spall, Michael Gambom, Guy Pearce compõem o restante elenco), poder de campanha (adquirido pela Weinstein Co.) e sendo um filme histórico claro que dará primazia a guarda-roupa, direcção artística e maquilhagem de qualidade. Escrito por David Seidler. Mesmo que não seja tão bom quanto o que se espera, como ficou provado com The Last Station o ano passado, há-de conseguir algumas nomeações.




#20 - GREEN ZONE

Já estreado cá em Portugal e com relativo sucesso está o novo filme fruto da parceria do realizador Paul Greengrass e do actor Matt Damon. Este filme de guerra, que esteve para sair em 2009 mas acabou adiado, foi escrito por Brian Helgeland e o seu enredo toma lugar durante a ocupação americana de Bagdad em 2003, contando a história do Oficial Miller e da sua equipa de Inspecção de Armas, enviada a encontrar armas de destruição massiva que se acreditavam estarem escondidas algures no deserto iraquiano. Além de Matt Damon, o elenco contém nomes como Brendan Gleeson, Greg Kinnear, Jason Isaacs e Amy Ryan. Parece ser um filme porreiro, bastante interessante, mas que com a mudança para 2010, tal como Shutter Island, perdeu um pouco do seu vapor. Não deverá ser concorrente a nada.




#19 - THE COMPANY MEN

Um elenco com Ben Affleck, Kevin Costner, Tommy Lee Jones, Rosemarie DeWitt, Chris Cooper, Maria Bello e Craig T. Nelson. Um argumento do também realizador John Wells (criador da série ER - Serviço de Urgência). Uma estreia aplaudida em Sundance que já o catalogou como «o novo Up in the Air». Promete imenso, não é? O filme foca-se nas consequências que a actualidade financeira e económica tem causado nas grandes empresas, que foram obrigadas a despedir muitos dos seus trabalhadores. Mesmo que não seja um candidato potente a prémios, estará nas listas dos melhores do ano com certeza.




#18 - LOVE AND OTHER DRUGS

Alguma vez Edward Zwick vai ter de acertar com a Academia. Será desta? Este Love And Other Drugs é a adaptação cinematográfica (de Charles Randolph) do romance multigalardoado de Jamie Reidy, "Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman", que conta a sua própria história como um representante farmacêutico nos anos 90. Além da história de amor que se desenrola entre ele (Gylenhaal) e uma mulher com Parkinson (Hathaway) que ele encontra numa das suas visitas, o filme deita supostamente um olhar crítico e inquisitivo à indústria farmacêutica, expondo muitas das coisas ilegais que ela tem feito. O filme já tem imenso buzz, uma vez que quem já viu assegura que Anne Hathaway tem a nomeação garantida. Sendo assim, porque não a vitória? Uma vez que o seu primeiro Óscar até já podia ter vindo em 2009... Do elenco fazem ainda parte Judy Greer, Oliver Platt, Hank Azaria, Gabriel Macht e Jamie Alexander.




#17 - DREAM HOUSE

Não é garantido que estreie mesmo em 2010, mas se estrear, seguramente que este novo filme do senhor Jim Sheridan (Brothers, In America), que tem como protagonistas Daniel Craig, Rachel Weisz e Naomi Watts, irá ser tido em grande conta. A história fala-nos de uma família que é recolocada para uma pequena cidade que descobre a posteriori que a sua casa foi o lugar onde ocorreu um terrível assassinato.





#16 - THE TOWN

Depois de Gone Baby Gone, eis que Ben Affleck volta a realizar uma película. De seu nome The Town, baseado no romance de Chuck Hogan, com um argumento escrito em co-parceria com Peter Craig e Sheldon Turner e também por ele protagonizado, o filme fala-nos de um ladrão de bancos que se apaixona por uma das trabalhadoras do banco que ele assaltou. Também o polícia do FBI responsável pelo caso se apaixona por ela. Desta forma, ela vai-se ver no meio dos dois e se por um lado quer tornar o ladrão numa pessoa melhor ao lado dela, num futuro risonho para os dois, ela é também, por outro lado, a única hipótese que eles têm de o fazer pagar pelo passado. Além de Ben Affleck, no elenco estão nomes como Jeremy Renner, Jon Hamm, Rebecca Hall e Blake Lively.




#15 - THE RUM DIARY

Um dos filmes mais capazes de surpreender será este The Rum Diary, filme de Bruce Robinson (que escreve e realiza) baseado na obra literária e Hunter S. Thompson, que fala de um triângulo amoroso no qual entra Paul Kemp, um jornalista em crise de meia-idade, história esta que se passa na sociedade porto-riquenha dos anos 50. O elenco inclui nomes como Johnny Depp, que fará o papel do protagonista (finalmente uma personagem normal!), Aaron Eckhart, Amber Beard, Giovanni Ribisi, Richard Jenkins e Amaury Nolasco.




#14 - THE AMERICAN

É presentemente um dos favoritos para os Óscares, tem George Clooney como cabeça de cartaz, é realizado por Anton Corbijn (realizador do óptimo - e pouco visto - Control), adaptado da obra com o mesmo nome de Martin Booth e é um thriller de acção que conta a história de um assassino e da sua última missão em Itália. Quanto a prémios não sei mas há gente a apostar já bom dinheiro em Clooney para Melhor Actor (pelo menos uma coisa é certa: parece um papel bem diferente daqueles que ele tem interpretado - e já sabemos que a Academia gosta disso)




#13 - WHAT'S WRONG WITH VIRGINIA?

Lembram-se de quando o bastante jovem Dustin Lance Black venceu o Óscar de Melhor Argumento Original por Milk, há apenas 2 anos? Pois bem, eis que enquanto escreve o argumento do novo filme de Clint Eastwood, Hoover, sentou-se na cadeira de realizador e, pegando num argumento que ele escreveu, dá-nos What's Wrong With Virginia. Este filme, que conta com nomes como Jennifer Connelly, Ed Harris, Emma Roberts e Yeardley Smith nos principais papéis, fala-nos da vida de um xerife que vê a sua candidatura ao senado fugir quando a sua filha começa a namorar com um rapaz da vizinhança que, apesar de muito encantador e bem-educado, é filho de uma mulher com perturbações psicológicas com quem ele manteve, durante 20 anos, um affair. À partida, se os talentos de Black vierem ao de cima, teremos um filme com uma história interessante e viva e um diálogo acutilante e singelo. A ver.




#12 - THE GHOST WRITER

Terminado de editar na prisão, The Ghost Writer é o novo filme de Roman Polanski (The Pianist, Rosemary's Baby, Chinatown, tantos grandes clássicos), que desta vez traz-nos Ewan McGregor como protagonista. Ele é The Ghost, um escritor "fantasma" incumbido da tarefa de escrever as memórias de um antigo Primeiro Ministro britânico, Adam Lang. Apesar de isto parecer, à partida, a oportunidade de uma vida, ele vai descobrir o mundo trapaceiro, controverso e ilegal em que se estava a envolver e encontra pistas que o permitem chegar à verdade dos factos. Excelente thriller de acção e suspense, parece uma história complexa, rica e elaborada a vários níveis, cheia de temas de discussão e com uma atmosfera muito sóbria. A Summit tem cometido alguns erros no lançamento deste filme para o mercado, tendo-o estreado mais cedo do que o que devia para um filme de tão pequena dimensão como é este. Deverá estrear também cedo aqui em Portugal. Outras caras conhecidas no elenco: Kim Cattrall, Pierce Brosnan, Tom Wilkinson, James Belushi, Timothy Hutton, Olivia Williams e Robert Pugh.




#11 - BIUTIFUL

Este filme, que tem vindo a ser constantemente adiado, é dos meus filmes mais antecipados há mais de um ano. Biutiful, de Alejandro Gonzalez Inarritu e protagonizado por Javier Bardem, é sobre um homem, traficante de droga, que é confrontado pelo seu amigo de infância, agora virado polícia. É um dos filmes aqui da lista com maiores possibilidades de nomeação para prémios, com Blanca Portillo, Maricel Alvarez e Javier Bardem (actores), Inarritu (filme e realizador), Gustavo Santaolalla (banda sonora), Rodrigo Prieto (fotografia), Stephen Mirrione (edição) e Brigitte Broch (direcção artística), entre outros.




#10 - ANOTHER YEAR

Depois de Happy-Go-Lucky, uma jóia pouco apreciada em 2008, eis que Mike Leigh (Secrets and Lies, Tupsy-Turvy e Vera Drake) está de volta, de novo reunido com Jim Broadbent e Imelda Staunton (Lesley Manville parece ser a protagonista e de quem toda a gente fala bem). Este filme é mais um retrato intrinsecamente detalhado e francamente emocional de uma pessoa tão normal como qualquer um de nós e se forem como eu, que adoram os filmes de Mike Leigh, não vão querer perder. Tem grande potencial para Óscares.




#9 - MIRAL

A minha aposta para um dos filmes do ano. Realizado por Julian Schnabel (que surpreendeu meio mundo há 2 anos, com o seu Le Scaphandre et Le Papillon/The Diving Bell and The Butterfly) e com Hiam Abass, Willem Defoe e Freida Pinto nos principais papéis, o filme, uma adaptação de uma obra célebre de Rula Jebreal, segue a vida da personagem de Pinto - Miral, que dá o título ao filme, desde a sua entrada para adopção, aos cuidados da personagem intepretada por Abass (Hind Husseini, que começou um orfanato para mulheres palestinianas no fim dos anos 50, aquando da separação de Israel da Palestina, até à sua adolescência, em que é obrigada a crescer rápido ao ser enviada para ensinar num campo de refugiados. A paz ou a guerra, que escolha irá fazer? É uma boa pergunta. Este é um dos filmes mais intrigantes e mais curiosos desta temporada. Qual será a reacção que irá obter da Academia? Não se sabe ao certo. Mas o buzz inicial tem sido de grandes interpretações de Abass e Pinto. Definitivamente a seguir com atenção.




#8 - HEREAFTER

Clint Eastwood a sair finalmente da sua zona de conforto e a debruçar-se sobre o que se diz ser um argumento estupendo de Peter Morgan (The Queen, Frost/Nixon). O filme, um thriller sobrenatural protagonizado por Matt Damon, que de resto conta com um elenco de suporte também ele fora do habitual 'luxo' de Eastwood (Bryce Dallas Howard é o nome mais sonante), conta a história de três pessoas tocadas pela morte de três formas bastante distintas. É claramente parvo não contar com Eastwood para os Óscares e Globos de Ouro, contudo é se calhar melhor ser prudente, tendo em conta os seus últimos filmes... e o elenco à disposição.




#7 - THE WAY BACK

Talvez o grande título da época e a grande produção do ano. Peter Weir está de volta, 5 anos após Master and Commander, novamente com um grande elenco - Ed Harris, Saoirse Ronan, Colin Farrell e Mark Strong no apoio ao protagonista, Jim Sturgess e o que aparentemente é uma grande história, a fuga de alguns soldados de um gulag Siberiano, baseado no bestseller de Rawicz, "The Long Walk", que relata na sua obra as peripécias da sua fuga após ter sido aprisionado pelo Exército Vermelho nos anos 30, tendo atravessado o Ártico, o deserto de Gobi e as Himalaias, finalmente chegando ao Tibete. Se formos a ver os seus trabalhos passados e analisarmos o potencial da história, é de apostar forte neste The Way Back, ou não? Será este o ano de Weir? Tudo indica que sim.




#6 - SOMEWHERE

Este é o filme que pode surpreender toda a gente. Depois de um filme menos sucedido (Marie Antoinette) que o seu anterior (Lost In Translation), eis que Sofia Coppola volta ao ataque com Somewhere, mais terra-a-terra, mais explorador de emoções, mais próximo de Lost In Translation que de Marie Antoinette e The Virgin Suicides. O que talvez seja bom. Marie Antoinette, apesar de ser um excelente filme, falha basicamente porque a storytelling é demasiado progressiva tanto para a narrativa a que se propunha como para a reacção do público. Enfim. O filme fala da vida de Johnny Marco, uma estrela de cinema que é um autêntico bad-boy, que leva um vida de excessos (bebida, jogo, poligamia, bólides caríssimos e fãs histéricas) que o coloca numa espiral descendente, numa crise de futilidade e superficialidade à qual não consegue escapar. Até ao dia em que a sua filha Cleo, de 11 anos, lhe aparece à porta e o obriga a repensar todo o seu trajecto de vida. O elenco conta com Stephen Dorff (uma escolha no mínimo original para protagonista), Elle Fanning, Benicio Del Toro, Michelle Monaghan e Laura Ramsey.




#5 - THE SOCIAL NETWORK

Este é o David Fincher que nós gostamos. O dos filmes pesados, ilógicos, desestruturados, como Fight Club, Zodiac, Se7en, The Game, não o outro, o que fez Benjamin Button. Está bem que o primeiro foi ignorado pela Academia mas adorado pelos críticos, enquanto que o segundo conseguiu 13 nomeações, 3 Óscares mas más críticas. No entanto, parece que ele sabe o que é importante. Desta vez, ele pega num dos argumentos mais cobiçados da Black List de 2009, The Social Network de Aaron Sorkin (que tem recebido bastantes elogios), baseado no romance "The Accidental Billionaires" e que se foca na evolução do Facebook, desde a sua criação em 2004 até ao seu 'boom' mundial, onde conta agora com mais de 100 milhões de membros. Supostamente aborda o problema da falsidade e artificialidade das relações sociais enquanto dá-nos um olhar mais cuidado à mudança de vida do seu criador. O principal problema do filme pode ser a visibilidade, uma vez que desta vez ele não tem um Brad Pitt ou uma Cate Blanchett para chamar as pessoas ao cinema. O seu elenco é bastante modesto, com Rashida Jones, Jesse Einserberg, Andrew Garfield e Justin Timberlake a chamarem a atenção (deste tem-se dito grandes coisas; só acredito quando vir o filme!)




#4 - BLACK SWAN

Que dizer deste Black Swan? 1- É de Darren Aronofsky (The Wrestler, The Fountain, Requiem for a Dream); 2- Tem Natalie Portman, Winona Ryder e Vincent Cassell (e Mila Kunis) como protagonistas; 3- É um thriller sobrenatural; 4- O seu argumento e pistas acerca da produção têm sido mantidas sob máximo sigilo. É um filme atípico para lutar por prémios, mas com 10 nomeados, se o filme foi estonteantemente bom (como os filmes de Aronofsky costumam ser), é provável que tenha nomeações. Sabe-se que o enredo passa-se em Nova Iorque, onde uma bailarina talentosa se sente atormentada por uma rival que pode ser, muito apenas, resultado da sua imaginação.





#3 - THE TREE OF LIFE

Da última vez que Terrence Malick fez um filme, The New World, ele passou um pouco ao lado. É um filme estupendo, de excelente qualidade, mas que não excitou a Academia. Pois bem, o criador de obras intemporais como esta, esta ou esta volta com este The Tree of Life, que foi adiado o ano passado (não admira, pois os filmes de Malick demoram imenso a sair). Do elenco fazem parte grandes nomes como Sean Penn e Brad Pitt, que dividem entre si os dois actos do filme. Dizer ainda que o argumento é também dele. O filme é, segundo a definição de Malick, «um épico cósmico, um hino à vida» e segue a vida de Jack, primeiramente quando este tem 11 anos e imagina o mundo como o vê, de forma maravilhosa, com elementos fantásticos, vê os pais como representação do bem (mãe) e do mal (pai) no mundo, e depois com ele já adulto, à deriva no complexo mundo moderno, em busca de descobrir qual o projecto de vida para si, qual o seu papel neste mundo e na reflexão que faz, encontra-se finalmente consigo mesmo e dá passos no sentido de cumprir o que lhe foi destinado. Não parece, muito simplesmente, uma excelente história?




#2 - TRUE GRIT

Razões para gostar de True Grit? #1 - É dos irmãos Coen, os realizadores mais entusiasmantes dos últimos anos e que vêm numa senda de sucesso; #2 - É um western e toda a gente sabe a qualidade dos irmãos Coen nesse género; #3 - Jeff Bridges é o protagonista da película, seguindo os passos de John Wayne, que conquistou o Óscar pelo original deste filme; #3 - É baseado na obra literária "True Grit" e não no filme de 1969, o que só prova que os Coen querem recriar a coisa, não melhorá-la; #4 - O elenco de suporte tem bastante potencial, com nomes como Matt Damon, Barry Pepper e Josh Brolin; #5- Hailee Steinfeld, que vai interpretar a protagonista, Mattie Ross, foi contratada a partir de um casting com mais de 15000 audições, o que só prova que a qualidade está assegurada; #6 - Os irmãos Coen reuniram a sua equipa do costume, incluindo o cinematógrafo Roger Deakins que poderá finalmente ganhar o seu Óscar. Tendo tudo isto em conta, como é que se pode NÃO ver este filme?




#1 - INCEPTION

O grande mistério do ano - e, arriscaria eu, da década: o que é este Inception? Christopher Nolan fará o melhor trabalho da sua carreira ou irá finalmente dar um tiro no pé? Todo o hype à volta do filme vai valer alguma coisa? Sobre o que é que trata o filme? Muitas perguntas por responder. Se o filme for tudo aquilo que as expectativas ditam (que neste momento estão tão altas, quase ao nível da segunda vinda de Cristo), vai ser um dos grandes vencedores do ano. Se o filme ficar bem abaixo das expectativas... É uma pena. Este sigilo sobre o filme é bom, mantém-nos alerta. E o trailer é igualmente espantoso nessa qualidade. O elenco é composto por grandes actores (Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Michael Caine), jovens estrelas (Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Tom Hardy) e caracterizadores natos (Ken Watanabe, Cillian Murphy, Lukas Haas), o que lhe dá uma boa mistura. A equipa por detrás da câmara mantém-se também fiel ao realizador de The Dark Knight. Como é que se define o filme? O próprio Nolan explicou: um filme de ficção científica que tem lugar na arquitectura da mente. Haverá alguém que mais goste de fazer disto que ele? Não, claro que não.


sábado, 13 de março de 2010

Melhores Filmes da Década (2000-2009)

Vou começar a arrumar com a década (em cinema, 2000-2009 é uma década sim senhor!) hoje e continuarei nas próximas semanas (vou falar sobre realizadores marcantes da década, melhores interpretações femininas e masculinas).

Eu juro que tentei diminuir a lista ainda mais além disto, mas não deu. São portanto 75 filmes (podia ter deixado e fazia 100) por ordem alfabética (só consigo escolher 20 melhores, depois não os consigo ordenar por valor...). Peço desculpa ainda pela repetitividade de algumas descrições mas têm que entender que há limites para a combinação de adjectivos de língua portuguesa.


Aqui vão...

4 Months, 3 Weeks, 2 Days (2007)
A New Wave do cinema romeno tem-nos trazido consistentemente grandes filmes esta década. Para mim, este drama sobre a luta de duas amigas, uma delas com uma gravidez indesejada, num clima político e económico complicado, é excepcional. A amizade revela-se sempre mais forte quando reina o desespero.


A History of Violence (2005)
Fazer filmes com grande competência já é marca do realizador David Cronenberg. Contudo, o que este filme tem de especial é o que está nas entrelinhas, a potência emocional do seu diálogo, a excelente interpretação dos seus actores (Mortensen e Bello).


Le Fabuleux Destin d'Amélie (2001)
Acho que é seguro dizer que pelo menos toda a gente no mundo já terá ouvido falar deste filme. Audrey Tautou protagoniza um dos papéis mais icónicos da história do cinema contemporâneo e, apesar de todo o 'hype' gerado à volta do filme, ele não defrauda as expectativas: charmoso e adorável do princípio ao fim.


American Psycho (2000)
Um filme sobre serial killers como nenhum outro esta década. Patrick Bateman devia ter garantido a Christian Bale um lugar na perpetuidade e uma nomeação para Óscar. Não garantiu, mas qualquer cena de American Psycho serve para nos mostrar o grande actor que ele é. Personagem muito bem criada por Mary Harron.


Amores Perros (2000)
A obra-prima de Iñárritu é um filme complexo, que requer o máximo de atenção para o apreciar ao máximo. Guillermo Arriaga providencia um genial argumento para um filme duro, brutal mas realista. Gael García Bernal explode como actor.


An Education (2009)
Talvez seja precipitado da minha parte incluir já filmes de 2009, mas eu mantenho que este filme vá ser revisto por mim diversas vezes. Porque é encantador a diversos níveis, porque Carey Mulligan é espectacular no papel ou porque... o filme fala-me muito. Quem já não passou por uma experiência de "educação" como ela?



Atonement (2007)
Depois de uma estreia bastante satisfatória, Joe Wright adapta da melhor forma o best-seller de Ian McEwan e captura interpretações bestiais de Saoirse Ronan, Keira Knightley e James McAvoy. A forma sublime como o filme é conduzido pelos três protagonistas é de louvar. Não há muitos actores que com a idade de Saoirse Ronan se comportem assim no ecrã.


Away From Her (2006/7)
Injustamente roubada de um Óscar, Julie Christie faz a sua redenção, numa performance impressionante obtida da mestria da realizadora Sarah Polley.


Before Sunset (2004)
Richard Linklater realiza uma dupla história encantadora, com excelentes interpretações de Hawke e Delpy, uma história de amor à moda antiga, um evento digno de se celebrar. Dos dois, o segundo filme é o que mais me fica na memória.


Birth (2004)
Jonathan Glazer dá a volta a um argumento complicado e difícil de expor, focando toda a sua atenção na expressão facial e corporal da maior actriz da década, Nicole Kidman, em mais uma interpretação notável.


Brodre/Brothers (2004/5)
O filme de estreia de Susanne Bier é excepcionalmente bom a mostrar todo o sentimento escondido por detrás de um argumento muito poderoso. Bem melhor que a sua "cópia", estreado este ano.


Brokeback Mountain (2005)
O maior roubo que a Academia já cometeu foi não lhe ter dado Melhor Filme em 2005. Interpretações singulares de Jake Gylenhaal, Michelle Williams, Anne Hathaway e especialmente de Heath Ledger, com uma realização irrepreensível do mestre Ang Lee, esta é uma história de amor que vai ficar marcada na História.


Caché (2005)
Um filme magistral de Michael Haneke, cheio de suspense e mistério, capaz de dar a volta à cabeça do mais atento dos espectadores? É isto que torna Haneke um realizador tão especial.



Children of Men (2006)
Julianne Moore e Clive Owen são peça menor na imensidão de beleza e grandiosidade que é este filme. É o filme da década que eu mais desprezado acho. E o que me impressiona mais neste filme? É a forma fantástica como o livro, que se dizia "inadaptável", foi transportado para a tela. Alfonso Cuarón continua a surpreender.


Cidade de Deus (2002)
Será, talvez, o filme estrangeiro que mais marcou a década. A história dos dois rapazinhos das favelas e os caminhos distintos que a vida lhes traçou, contada de forma excelente por Fernando Meirelles, é indelevelmente um dos retratos mais fascinantes contados na década de 2000. E também por isso levou com 4 nomeações para os Óscares, coisa rara para um filme estrangeiro.


Coraline (2009)
Um filme de animação completamente diferente do habitual, Coraline é um "case-study" interessante: animação 2D mas com efeitos absolutamente abismais, dobragem cuidadosa, com escolha interessante para vozes das personagens (Teri Hatcher não seria a primeira pessoa em quem pensaria, mas funciona na perfeição, encaixa totalmente no ar da personagem) e com uma história fascinante a ser contada. Não consigo decidir de qual gosto mais, se deste, se de Up, se de Fantastic Mr. Fox. São os três espectaculares.


Crash (2004/5)
O conceito do filme de Paul Haggis é estupendo: fazer confluírem, em uníssono, todas as personagens em torno de problemas de índole racial, social, cultural, etc. Agora, o que o filme é... não é bem o mesmo. Eu gosto do filme, acho de facto que é dos melhores da década, mas tem muitas falhas. Não deixa de ser, mesmo assim, um filme polémico, que debate abertamente algumas das temáticas mais em voga do nosso século.


Crouching Tiger, Hidden Dragon (2000)
Aventura e acção contadas de forma brilhante pelo realizador mais promissor da nova era, Ang Lee. Que grandes filmes ele fez - e com grande variedade também (Lust Caution; Brokeback Mountain; Crouching Tiger; Taking Woodstock).


Dancer in the Dark (2000)
Lars von Trier traz-nos uma interpretação surpreendente de Björk (injustamente roubada de uma nomeação para Óscar nesse ano) no seu filme mais marcante. Poderoso, acutilante e audaz, esta espécie de musical sobre o valor da amizade é uma obra-de-arte.


Dogville (2003)
Paul Bettany e Nicole Kidman brilham em grande neste filme de von Trier. Épico, terrivelmente violento e brutal, é mais um filme que mostra a inteligência e a competência do realizador nórdico.


Eastern Promises (2007)
Outro filme sobre a alçada de David Cronenberg em que Viggo Mortensen brilha incessantemente. Este drama pesado sobre a máfia russa marcou-me intensamente em 2007.


Entre Les Murs (2008)
O filme estrangeiro do ano de 2008, The Class é uma ideia brilhantemente executada. Mostrar o dia-a-dia de um professor numa sala de aulas poderia ter sido tornado mil vezes mais aborrecido, mas o filme soube aproveitar bem a classe do argumento que tinha em mãos e pô-lo em bom uso. Pena que a Academia não tenha sabido premiar tal excelência.


Erin Brokovich (2000)
O veículo de sucesso de Julia Roberts, realizado por Steven Soderbergh, não é nada mau filme. É inteligente, é audacioso, é interessante, é arrebatador. Claro que tem falhas, mas para o estilo de filme que é, é muito bom. E melhor que o outro filme de 2000 do mesmo realizador (Traffic).


Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)
Michael Gondry faz um filme ímpar, para todo o sempre. Kate Winslet dá aqui a sua melhor interpretação até à data e até Jim Carrey se sai muito bem neste papel dramático. Apesar de tudo, o argumento de Charlie Kaufman é que é o ponto alto do filme. Dinâmico, intelectual, inovador, majestoso.


Fantastic Mr. Fox (2009)
Um dos filmes animados mais espectaculares da década, esta comédia "tipicamente à Wes Anderson" virada animação é das coisas mais bem feitas que eu já vi. George Clooney particularmente bem a dar a sua inconfundível voz e estilo ao protagonista do filme, Mr. Fox.


Far From Heaven (2002)
Consigo pensar em tantas imagens marcantes deste filme... Mas o uso do vermelho e do roxo, em particular nas roupas de Julianne Moore, destaca-se. Falando em Moore, ela dá a que é indubitavelmente a intepretação mais completa, mais grandiosa da década. E, claro, não ganhou o Óscar. Todd Haynes apresenta-nos esta obra-prima de génio.


Finding Nemo (2003)
O "crème de la crème" da animação esta década é esta jóia que encanta adultos e crianças, sem nunca perder a qualidade, mesmo depois de múltiplas visualizações. Com a voz singular de Ellen DeGeneres (Rita Blanco na versão portuguesa), muito faz rir. Foi aqui que a Pixar começou a construir a sério o seu império (que solidificou com Ratatouille, Wall-E e Up, as três maiores dádivas que a animação nos deu na primeira década do século XXI).


Gosford Park (2001)
A redenção de Robert Altman vem com esta obra-prima contemporânea, soberba mas austera, na entrada da nova década. É no elenco, como sempre nos filmes de Altman, que reside a intensidade e a paixão do filme.


Hable con Ella (2002)
Este é o filme mais consagrado de Pedro Almodovar, não tanto pela sua complexidade (é, até, dos filmes mais simples dele) mas pela forma desalinhada como a história de vai desenrolando, os caminhos dos protagonistas todos entrelaçados até àquele épico final.


Happy-Go-Lucky (2008)
O mais recente filme de Mike Leigh é um primor para a mente. Elaborado, complexo, inspiracional, este filme traz-nos uma performance estonteante por parte de Sally Hawkins - a sua alegre Poppy é um raio de luz num dia cinzento.



I Heart Huckabees (2004)
Comédia existencial esplêndida de David O'Russell que também a mim me fez pensar nos problemas da vida e no que é que tudo o que nos acontece significa.


In Bruges (2008)
Martin McDonagh é, sem dúvida, das revelações do cinema em 2008. O seu In Bruges é um relato tão divertido como doloroso de como a culpa nos pode consumir a alma. O que acontece em Bruges fica em Bruges? Nem por isso... O monólogo de Colin Farrell é a cena falada mais marcante de todo o ano de 2008.


In The Bedroom (2001)
Com um elenco de luxo (Spacek, Wilkinson, Tomei), Todd Field mostra-nos como é simples criar um drama tão perturbante, tão profundamente sentido, tão exasperante quanto este.


Into the Wild (2007)
Muito injustamente arrumado da corrida aos Óscares, este filme é um pequeno milagre, um filme que nos permite escapar do mundo rotineiro e superficial em que vivemos (e no qual a personagem vive também) e partirmos à aventura (nem que seja só por duas horas) em caminho incerto, em total e absoluta liberdade. É fascinante o que Émile Hirsch faz com este papel e além dele também Kristen Stewart e Hol Holbrook têm boas intepretações.


Inglorious Basterds (2009)
O mais recente filme de Tarantino não é o melhor dele, é certo, mas é o que funciona melhor. Cenas A+ polvilhadas de génio, um elenco poderoso (com Christoph Waltz a brilhar mais alto) e um recontar hilariante de um período histórico sobejamente conhecido fazem dos Basterds um filme para ver e rever.


Junebug (2005)
Amy Adams é qualquer coisa de extraordinário neste filme belo e intemporal.




Kill Bill, Vol. 1 e 2 (2003 e 2004)
A obra-prima de Tarantino é esta. Uma Thurman é simplesmente espectacular como The Bride, mas também o são todas as restantes personagens da saga. As cenas de acção são incontestavelmente o melhor do filme, mas a substância está no rico argumento que Tarantino cria para esta bela história.


La Mala Educación (2004)
Pedro Almodovar traz-nos este delicioso filme "noir" com toques de pura genialidade e no qual Gael García Bernal explode definitivamente como um dos actores com mais talento da sua geração.


Lord of The Rings (2001, 2002 e 2003)
Haverá alguém no mundo que não conheça estas palavras ou este nome: Peter Jackson? Eu penso que não. A trilogia mais marcante da história do cinema também me deixa uma marca inapagável na história da minha década mas por muito bons que sejam os três filmes em conjunto, tenho que salientar o primeiro. "The Fellowship of the Ring" é sem dúvida o melhor dos três e a melhor introdução possível para uma saga inolvidável.


Lost In Translation (2003)
O filme em que Scarlett Johansson me provou que se pode ser estonteantemente bonita e ter carradas de talento (pena que recentemente não o aproveite). Bill Murray ajuda à festa com uma das interpretações mais cómicas e mais esclarecidas destes últimos dez anos. Profundo, mítico, mágico, o filme faz-nos repensar a forma como vemos o mundo.


Lust, Caution (2007)
O seguimento de Ang Lee a Brokeback Mountain não podia ser mais diferente, contudo não perde qualidade. Lust, Caution busca guia nos seus protagonistas, Tang Wei e Tony Leung, que nos premeiam com uma história romântica digna de um sonho.


Mar Adentro (2004)
O que é que se dá quando se junta um super-talentoso actor espanhol (Bardem) a um super-talentoso realizador espanhol (Amenabar)? Dá isto: um filme de uma intensidade dramática, de uma inquietude, de uma vivacidade inexplicáveis. O filme recupera-nos a alegria de viver.


Match Point (2005)
Porque o Woody Allen é um grande contador de histórias. E porque nesta década, só este e Vicky Cristina Barcelona se safam do marasmo que é o resto da filmografia (Whatever Works, Scoop, Cassandra's Dream). E porque, lá está, Rhys Meyers e Johansson parecem-me credíveis e interessantes nos respectivos papéis. O que é raro.


Me and You and Everyone We Know (2005)
Este filme, tal como em Up in the Air, mostra-nos como é difícil, no mundo de hoje, dois seres humanos estabelecerem uma relação, uma conexão, real, verdadeira, sentida. E o quão notável é então, assim, apaixonar-se. Adoro este filme.




Memento (2000)
Nunca um filme me satisfez tanto em termos intelectuais como Memento do excepcional Christopher Nolan (a caminho de se tornar um dos maiores de sempre). Guy Pearce vende o seu papel extremamente bem, mas é o argumento, de cortar a respiração, de dar a volta à cabeça, que desempenha o papel principal no filme.


Milk (2008)
Por que razão não podem todos os biopics ser assim? Gus Van Sant aqui com trabalho tipicamente forte, com uma interpretação soberana de Sean Penn (que lhe vale o seu segundo Óscar), com um elenco repleto de talento e qualidade e com uma história com voz própria. Milk fala por si mesmo. É um grande filme.


Moulin Rouge! (2001)
Grandiosidade ou... grandiosidade? Não consigo decidir. O musical foi ressuscitado por Baz Luhrmann que nos convida para esta grande festa que é Moulin Rouge! Nicole Kidman e Ewan McGregor protagonizam o que é, para muitos, o melhor filme, o melhor espectáculo cinematográfico da década. Vivo, alegre, contagiante, hilariante, emoção, paixão, canção, este filme tem tudo.


Mulholland Dr. (2001)
David Lynch é um realizador brilhante. Mulholland Dr. é não só um marco da nossa década, mas sobretudo o marco de uma geração. Naomi Watts brilha aqui como nunca. São tantos os pormenores do filme que me vêm à memória que até me faz doer a cabeça só de pensar. Tenho que voltar a ver este filme, tipo, já.


Mystic River (2003)
Clint Eastwood é um velho mestre do drama parado, mas nem todos são tão bons como este Mystic River. Tim Robbins, Sean Penn, Kevin Bacon, Laura Linney e Marcia Gay Harden providenciam a tinta com que Eastwood delineia, à sua maneira, uma das mais tocantes histórias contadas esta década.


No Country For Old Men (2007)
Depois de Fargo e The Big Lebowski (que quase entrou nesta lista), eis que os irmãos Coen voltam a poder se orgulhar de um dos seus filmes. Acabou por ser (o inevitável, diria eu) vencedor maior da noite dos Óscares de 2008, onde "sacou" Melhor Filme e Melhor Realizador. Javier Bardem (performance incrível, digno da força imparável que estava a representar), Josh Brolin e Tommy Lee Jones protagonizam este western cheio de suspense com um final muito singular.


No Man's Land (2001)
Filme bósnio que venceu o Óscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, dá-nos um retrato sublime do que foi e do que significou experienciar a guerra na Bósnia-Herzegovina.


Once (2006/7)
E não será o maior dos romances a melhor das canções de amor? Este grande filme foi o bilhete para a fama de Glen Hansard e Marketa Iglová, que nos encantaram neste filme e particularmente com "Falling Slowly" e nos fizeram doer o coração com a sua bela, apesar de triste, história de amor.


Rachel Getting Married (2008)
Intemporal, inolvidável, magnífico, brilhante, extraordinário, mítico, espontâneo, revelação. Cada laço de família autenticamente traçado, cada discussão, cada confusão, cada relacionamento genuinamente explorado, este filmaço de Jonathan Demme é pura classe. Pena tenho eu (e aqui me junto a alguns críticos que também amam o filme) que pouca (ou nenhuma) gente lhe tenha dado atenção (além da interpretação de Anne Hathaway).


Ratatouille (2007)
Para o bem do mundo, espero que a Pixar nunca deixe de fazer filmes. Ainda melhor, espero que a Pixar nunca deixe de fazer filmes com qualidade abaixo deste nível. A lição de vida que este filme nos ensina é, apesar de simples, importante; e a forma como ele nos ensina isso, através de um pequeno ratinho talentoso, é, só por si, merecedora de todos os elogios.


Reprise (2006)
Admira-me que ainda ninguém tenha querido (para já) fazer a versão norte-americana deste filme. Mais um vindo do cinema nórdico (muito em voga nesta década, em conjunto com o francês, o árabe e o romeno). Joachim Trier conta-nos a história de dois amigos e as entrecruzilhadas que se lhes aparecem na vida e a forma como cada um deles as ultrapassa. Os sonhos que temos na adolescência nem sempre se transpõem para a vida adulta... E há que aprender com os erros...


Requiem for a Dream (2000)
A droga muda vidas. Felizmente para nós, temos Aronofsky para nos mostrar o quanto. Brilhante início de uma carreira muito auspiciosa, com curtas-metragens com qualidade assegurada e uma longa-metragem com boa crítica (Pi), Darren Aronofsky mostra-nos aqui todo o seu potencial, com esta potente caracterização do mundo dos toxicodependentes.


Sideways (2004)
Paul Giamatti, Virginia Madsen, Sandra Oh, Thomas Haden Church. O vinho. A paisagem. A comédia. O drama. Alexander Payne. Todos os elementos necessários para uma das grandes comédias da década, Sideways é original, dinâmico, envolvente e sobretudo muito engraçado. Se eu achei isso, então imagino para quem se identifique (pessoal na crise da meia-idade) com as personagens...


Spirited Away (2001)
Hayao Miyazaki, o génio da animação japonesa, trouxe quatro filmes ao Velho Continente, todos eles excepcionalmente bons: Princess Mononoke, Spirited Away, Moving Castle e Ponyo By The Cliff. Dos três, Spirited Away, o que venceu o Óscar de Melhor Filme Animado, é o mais tocante, o mais belo, o mais mágico. Chihiro venceu.



The Dark Knight (2008)
É dos filmes que mais influencia o meu gosto pelo cinema. Posso vê-lo e revê-lo (tal como a primeira parte da trilogia Batman/Nolan) que nunca me canso. E encontro sempre detalhes novos para me deleitar. É TÃO bom. E Heath Ledger é tão sublime no filme. Nunca vi um vilão assim. A personagem parece que incarnou nele, ele viveu a personagem.


The Departed / Infernal Affairs (2006/2002)
Se o filme original de 2002 já era potencialmente explosivo, que dizer da "adaptação" de Martin Scorcese ao panorama norte-americano, com um elenco de luxo composto por Wahlberg, Nicholson, DiCaprio e Damon? Espectacular.


The Devil Wears Prada (2006)
Dos filmes mais conhecidos do mundo inteiro, pleno de frases dignas de serem citadas em qualquer mídia (aquele monólogo da cor azul... :swoon:) com uma interpretação para além do humanamente permitido por Meryl Streep.


The Diving Bell and The Butterfly (2007)
Julian Schnabel traz-nos um filme estupendo sobre um homem que aprende a ver a vida de outra forma depois de só ficar incapaz de mover o corpo inteiro à excepção de um dos seus olhos, vendo-se obrigado, ao mesmo tempo, a fugir dos seus pensamentos e a refugiar-se na sua imaginação. O filme é magnificamente harmonioso, conjugando momentos de depressão com momentos de júbilo de forma exemplar.


The Fountain (2006)
O filme mais menosprezado da década e o filme mais mal-tratado da filmografia de Darren Aronofsky, este The Fountain é de uma beleza invulgar. Rachel Weisz e Hugh Jackman são os protagonistas de um filme absolutamente arrebatador, de deixar o espectador colado ao ecrã.


The Hours (2002)
Tenho que admitir que não sou o maior fã de Stephen Daldry (também ainda só fez três filmes; venha o quarto para eu lhe poder dar razão) mas este filme é absolutamente brilhante. Adaptado na perfeição de uma obra difícil e muito estruturada, complicada de "dar vida", Daldry controla impecavelmente os momentos-chave do romance e constrói um filme do qual se pode orgulhar, com desempenhos impressionantes de três das cinco maiores actrizes de Hollywood no momento: Julianne Moore, Nicole Kidman (ganhou o Óscar por este papel) e Meryl Streep (as outras duas são Cate Blanchett e Kate Winslet, que ele dirigiu em The Reader, que deu a ela um Óscar).


The Lives of Others (2006)
Este foi o filme que nos deu a conhecer o realizador Florien von Donnersmarck. Um thriller (mas com uma componente emocional muito forte também) de grande qualidade , tão grande que obviamente ganhou o Óscar e está agora a ser adaptado, felizmente pelo mesmo realizador (à la Haneke com "Funny Games"), em versão americana.


The Others (2001)
Mais uma vez, Nicole Kidman prova-nos que Moulin Rouge! não foi fruto do acaso - juntando-se ao grande Amenabar, cria uma história que nos assombra o pensamento muito tempo depois de abandonarmos o cinema.


The Pianist (2002)
Quando penso em retrospectiva nesta magnífica obra de Roman Polanski, só me lembro da profunda tristeza e desespero do filme. No entanto, penso mesmo que foi com esse intuito que o filme foi feito. Adrien Brody incorpora por completo o pianista polaco refugiado da guerra e mostra-nos a sua dor interior, sem nada esconder.


The Piano Teacher (2001)
Isabelle Huppert dá neste excelente filme de Haneke a única interpretação que nesta década, a meu ver, pode rivalizar com a de Julianne Moore pelo título de "melhor interpretação". Uma actriz sempre empenhada e atenta, que sabe sempre fazer as melhores escolhas, tem aqui uma hipótese de brilhar. E fá-lo com soberania.


The Royal Tenenbaums (2001)
Wes Anderson revela-se ao mundo neste filme, com um argumento em co-autoria sua com Owen Wilson. O filme é tão intrinsecamente detalhado, com pormenores tão deliciosos e um elenco tão bem formado, que é impossível não se gostar dele. Este filme é demais.



There Will Be Blood (2007)
Se dúvidas houvesse que Paul Thomas Anderson é um grande realizador, acho que foram todas tiradas com este filme, o filme que devia ter sido o grande vencedor dos Óscares em 2008. Enfim. Mais tarde hão-de reparar o erro que fizeram. O realizador de filmes emblemáticos que falam do paradigma que é viver marginalizado da sociedade, como Magnolia, Boogie Nights e Punch-Drunk Love mostra toda a sua maturidade nesta obra-prima que nos faz sofrer e alegrar-nos com as personagens, em particular com o espectacular Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis).


The Wrestler (2008)
Darren Aronofsky bem nos avisa: testemunhem o regresso mais glorioso de sempre. E é bem verdade. Mickey Rourke ultrapassa todas as expectativas num papel que lhe cai como uma luva, embelezado e transfigurado em lenda pela mão de um enorme realizador.


Un Prophète (2009)
O cinema francês continuou em grande nesta década e uma vez mais este ano tivemos o privilégio de ver um grande filme da escola francófona. Jacques Audiard traz-nos esta valente película sobre um jovem analfabeto que é preso e que se vê obrigado a aprender a sobreviver.


Up (2009)
A jóia da coroa da Pixar, o segundo filme animado da história a ser nomeado para Óscar de Melhor Filme. Carl Fredricksen e a sua história encheram-nos os nossos corações de esperança, de alegria, de amor.


Up in the Air (2009)
Um marco da era contemporânea, de uma relevância social, cultural e económica fascinante. Excelente elenco e excelente banda sonora a acompanhar um extraordinário argumento, com uma visão transcendente de um dos maiores realizadores do nosso tempo, Jason Reitman.


Vera Drake (2004)
O dom puro de Imelda Stauton é extraordinariamente aproveitado pelo talento de Mike Leigh para capturar grandes interpretações de actrizes em câmara. Uma história de arrepiar, que em muitas formas poderia ter dado errado, dada a natureza pesada e de difícil abordagem dela, é transformada num filme soberbo que demonstra toda a qualidade e recursos de um dos realizadores mais excitantes do panteão do cinema.


Vicky Cristina Barcelona (2008)
Porque é o melhor filme de Woody Allen em muito tempo. Porque é dos poucos filmes em que não me apetece dar um par de estaladas na Scarlett Johansson a ver se ela acorda. Porque Penélope Cruz é simplesmente magistral. E Patricia Clarkson emana sensualidade mesmo com a idade dela e só através de cinco ou seis falas num filme inteiro.



Volver (2006)
Nunca num filme de Almodovar uma interpretação pareceu tão poderosa como a de Penélope Cruz como Raimunda. A força e a seriedade com que conduz o filme ajuda a que o realizador espanhol nos passe, uma vez mais, uma visão real de como é a vida e as voltas que ela dá.


Wall-E (2008)
Aquela que é, para mim, a obra-prima da Pixar. O pequeno robô empilhador de lixo Wall-E conta-nos a sua história de forma tão emocionalmente profunda e rica que até nos esquecemos que ele não fala e que não tem (quase nenhumas) expressões faciais. Não dá para não nos apaixonar-nos por ele. Este devia ter sido o segundo filme animado a ser nomeado para Melhor Filme.


Y Tu Mamá También (2001)
A vida foi feita para ser vivida e não pode ser prevista nem planeada de qualquer forma. Este é o ensinamento central deste grande filme de Alfonso Cuarón, que conta a história de dois amigos que partem à aventura com uma mulher mais velha. Brilhantes participações de Bernal e Luna.


You Can Count On Me (2000)
Um argumento riquíssimo, excelentes interpretações de Mark Ruffalo e Laura Linney e uma impressionante realização de Kenneth Lonnergan são as peças que fazem de You Can Count On Me um filme tão imponente. Lembra-me que o tenho que rever brevemente.


Zodiac (2007)
Não podia deixar de parte o mestre da obsessão e da mania. David Fincher (que conquistou a sua primeira nomeação como Melhor Realizador em 2009 por um filme nada coincidente com a sua filmografia, The Curious Case of Benjamin Button!) traz-nos um filme com um argumento forte mas altamente confuso (em mãos erradas, o filme podia ter corrido mal), com boas interpretações de Downey Jr., Ruffalo e Gylenhaal e que usa e abusa do seu estilo próprio para compor esta história de um desenhador de BD para jornais que fica obcecado com um assassino.

domingo, 7 de março de 2010

É já amanhã...

It's OSCAR WEEKEND!


É já amanhã que são os ÓSCARES! E lembrei-me, numa tentativa parva de ter piada, de legendar a seguinte imagem:



Sean Penn: "Sandra Bullock for Best Actress?! Really?! F*ck you Academy!"




Eu ainda sonho com a Sra. Meryl Streep a subir ao palco amanhã...