Mostrar mensagens com a etiqueta Tarantino. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tarantino. Mostrar todas as mensagens

sábado, 13 de março de 2010

Melhores Filmes da Década (2000-2009)

Vou começar a arrumar com a década (em cinema, 2000-2009 é uma década sim senhor!) hoje e continuarei nas próximas semanas (vou falar sobre realizadores marcantes da década, melhores interpretações femininas e masculinas).

Eu juro que tentei diminuir a lista ainda mais além disto, mas não deu. São portanto 75 filmes (podia ter deixado e fazia 100) por ordem alfabética (só consigo escolher 20 melhores, depois não os consigo ordenar por valor...). Peço desculpa ainda pela repetitividade de algumas descrições mas têm que entender que há limites para a combinação de adjectivos de língua portuguesa.


Aqui vão...

4 Months, 3 Weeks, 2 Days (2007)
A New Wave do cinema romeno tem-nos trazido consistentemente grandes filmes esta década. Para mim, este drama sobre a luta de duas amigas, uma delas com uma gravidez indesejada, num clima político e económico complicado, é excepcional. A amizade revela-se sempre mais forte quando reina o desespero.


A History of Violence (2005)
Fazer filmes com grande competência já é marca do realizador David Cronenberg. Contudo, o que este filme tem de especial é o que está nas entrelinhas, a potência emocional do seu diálogo, a excelente interpretação dos seus actores (Mortensen e Bello).


Le Fabuleux Destin d'Amélie (2001)
Acho que é seguro dizer que pelo menos toda a gente no mundo já terá ouvido falar deste filme. Audrey Tautou protagoniza um dos papéis mais icónicos da história do cinema contemporâneo e, apesar de todo o 'hype' gerado à volta do filme, ele não defrauda as expectativas: charmoso e adorável do princípio ao fim.


American Psycho (2000)
Um filme sobre serial killers como nenhum outro esta década. Patrick Bateman devia ter garantido a Christian Bale um lugar na perpetuidade e uma nomeação para Óscar. Não garantiu, mas qualquer cena de American Psycho serve para nos mostrar o grande actor que ele é. Personagem muito bem criada por Mary Harron.


Amores Perros (2000)
A obra-prima de Iñárritu é um filme complexo, que requer o máximo de atenção para o apreciar ao máximo. Guillermo Arriaga providencia um genial argumento para um filme duro, brutal mas realista. Gael García Bernal explode como actor.


An Education (2009)
Talvez seja precipitado da minha parte incluir já filmes de 2009, mas eu mantenho que este filme vá ser revisto por mim diversas vezes. Porque é encantador a diversos níveis, porque Carey Mulligan é espectacular no papel ou porque... o filme fala-me muito. Quem já não passou por uma experiência de "educação" como ela?



Atonement (2007)
Depois de uma estreia bastante satisfatória, Joe Wright adapta da melhor forma o best-seller de Ian McEwan e captura interpretações bestiais de Saoirse Ronan, Keira Knightley e James McAvoy. A forma sublime como o filme é conduzido pelos três protagonistas é de louvar. Não há muitos actores que com a idade de Saoirse Ronan se comportem assim no ecrã.


Away From Her (2006/7)
Injustamente roubada de um Óscar, Julie Christie faz a sua redenção, numa performance impressionante obtida da mestria da realizadora Sarah Polley.


Before Sunset (2004)
Richard Linklater realiza uma dupla história encantadora, com excelentes interpretações de Hawke e Delpy, uma história de amor à moda antiga, um evento digno de se celebrar. Dos dois, o segundo filme é o que mais me fica na memória.


Birth (2004)
Jonathan Glazer dá a volta a um argumento complicado e difícil de expor, focando toda a sua atenção na expressão facial e corporal da maior actriz da década, Nicole Kidman, em mais uma interpretação notável.


Brodre/Brothers (2004/5)
O filme de estreia de Susanne Bier é excepcionalmente bom a mostrar todo o sentimento escondido por detrás de um argumento muito poderoso. Bem melhor que a sua "cópia", estreado este ano.


Brokeback Mountain (2005)
O maior roubo que a Academia já cometeu foi não lhe ter dado Melhor Filme em 2005. Interpretações singulares de Jake Gylenhaal, Michelle Williams, Anne Hathaway e especialmente de Heath Ledger, com uma realização irrepreensível do mestre Ang Lee, esta é uma história de amor que vai ficar marcada na História.


Caché (2005)
Um filme magistral de Michael Haneke, cheio de suspense e mistério, capaz de dar a volta à cabeça do mais atento dos espectadores? É isto que torna Haneke um realizador tão especial.



Children of Men (2006)
Julianne Moore e Clive Owen são peça menor na imensidão de beleza e grandiosidade que é este filme. É o filme da década que eu mais desprezado acho. E o que me impressiona mais neste filme? É a forma fantástica como o livro, que se dizia "inadaptável", foi transportado para a tela. Alfonso Cuarón continua a surpreender.


Cidade de Deus (2002)
Será, talvez, o filme estrangeiro que mais marcou a década. A história dos dois rapazinhos das favelas e os caminhos distintos que a vida lhes traçou, contada de forma excelente por Fernando Meirelles, é indelevelmente um dos retratos mais fascinantes contados na década de 2000. E também por isso levou com 4 nomeações para os Óscares, coisa rara para um filme estrangeiro.


Coraline (2009)
Um filme de animação completamente diferente do habitual, Coraline é um "case-study" interessante: animação 2D mas com efeitos absolutamente abismais, dobragem cuidadosa, com escolha interessante para vozes das personagens (Teri Hatcher não seria a primeira pessoa em quem pensaria, mas funciona na perfeição, encaixa totalmente no ar da personagem) e com uma história fascinante a ser contada. Não consigo decidir de qual gosto mais, se deste, se de Up, se de Fantastic Mr. Fox. São os três espectaculares.


Crash (2004/5)
O conceito do filme de Paul Haggis é estupendo: fazer confluírem, em uníssono, todas as personagens em torno de problemas de índole racial, social, cultural, etc. Agora, o que o filme é... não é bem o mesmo. Eu gosto do filme, acho de facto que é dos melhores da década, mas tem muitas falhas. Não deixa de ser, mesmo assim, um filme polémico, que debate abertamente algumas das temáticas mais em voga do nosso século.


Crouching Tiger, Hidden Dragon (2000)
Aventura e acção contadas de forma brilhante pelo realizador mais promissor da nova era, Ang Lee. Que grandes filmes ele fez - e com grande variedade também (Lust Caution; Brokeback Mountain; Crouching Tiger; Taking Woodstock).


Dancer in the Dark (2000)
Lars von Trier traz-nos uma interpretação surpreendente de Björk (injustamente roubada de uma nomeação para Óscar nesse ano) no seu filme mais marcante. Poderoso, acutilante e audaz, esta espécie de musical sobre o valor da amizade é uma obra-de-arte.


Dogville (2003)
Paul Bettany e Nicole Kidman brilham em grande neste filme de von Trier. Épico, terrivelmente violento e brutal, é mais um filme que mostra a inteligência e a competência do realizador nórdico.


Eastern Promises (2007)
Outro filme sobre a alçada de David Cronenberg em que Viggo Mortensen brilha incessantemente. Este drama pesado sobre a máfia russa marcou-me intensamente em 2007.


Entre Les Murs (2008)
O filme estrangeiro do ano de 2008, The Class é uma ideia brilhantemente executada. Mostrar o dia-a-dia de um professor numa sala de aulas poderia ter sido tornado mil vezes mais aborrecido, mas o filme soube aproveitar bem a classe do argumento que tinha em mãos e pô-lo em bom uso. Pena que a Academia não tenha sabido premiar tal excelência.


Erin Brokovich (2000)
O veículo de sucesso de Julia Roberts, realizado por Steven Soderbergh, não é nada mau filme. É inteligente, é audacioso, é interessante, é arrebatador. Claro que tem falhas, mas para o estilo de filme que é, é muito bom. E melhor que o outro filme de 2000 do mesmo realizador (Traffic).


Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)
Michael Gondry faz um filme ímpar, para todo o sempre. Kate Winslet dá aqui a sua melhor interpretação até à data e até Jim Carrey se sai muito bem neste papel dramático. Apesar de tudo, o argumento de Charlie Kaufman é que é o ponto alto do filme. Dinâmico, intelectual, inovador, majestoso.


Fantastic Mr. Fox (2009)
Um dos filmes animados mais espectaculares da década, esta comédia "tipicamente à Wes Anderson" virada animação é das coisas mais bem feitas que eu já vi. George Clooney particularmente bem a dar a sua inconfundível voz e estilo ao protagonista do filme, Mr. Fox.


Far From Heaven (2002)
Consigo pensar em tantas imagens marcantes deste filme... Mas o uso do vermelho e do roxo, em particular nas roupas de Julianne Moore, destaca-se. Falando em Moore, ela dá a que é indubitavelmente a intepretação mais completa, mais grandiosa da década. E, claro, não ganhou o Óscar. Todd Haynes apresenta-nos esta obra-prima de génio.


Finding Nemo (2003)
O "crème de la crème" da animação esta década é esta jóia que encanta adultos e crianças, sem nunca perder a qualidade, mesmo depois de múltiplas visualizações. Com a voz singular de Ellen DeGeneres (Rita Blanco na versão portuguesa), muito faz rir. Foi aqui que a Pixar começou a construir a sério o seu império (que solidificou com Ratatouille, Wall-E e Up, as três maiores dádivas que a animação nos deu na primeira década do século XXI).


Gosford Park (2001)
A redenção de Robert Altman vem com esta obra-prima contemporânea, soberba mas austera, na entrada da nova década. É no elenco, como sempre nos filmes de Altman, que reside a intensidade e a paixão do filme.


Hable con Ella (2002)
Este é o filme mais consagrado de Pedro Almodovar, não tanto pela sua complexidade (é, até, dos filmes mais simples dele) mas pela forma desalinhada como a história de vai desenrolando, os caminhos dos protagonistas todos entrelaçados até àquele épico final.


Happy-Go-Lucky (2008)
O mais recente filme de Mike Leigh é um primor para a mente. Elaborado, complexo, inspiracional, este filme traz-nos uma performance estonteante por parte de Sally Hawkins - a sua alegre Poppy é um raio de luz num dia cinzento.



I Heart Huckabees (2004)
Comédia existencial esplêndida de David O'Russell que também a mim me fez pensar nos problemas da vida e no que é que tudo o que nos acontece significa.


In Bruges (2008)
Martin McDonagh é, sem dúvida, das revelações do cinema em 2008. O seu In Bruges é um relato tão divertido como doloroso de como a culpa nos pode consumir a alma. O que acontece em Bruges fica em Bruges? Nem por isso... O monólogo de Colin Farrell é a cena falada mais marcante de todo o ano de 2008.


In The Bedroom (2001)
Com um elenco de luxo (Spacek, Wilkinson, Tomei), Todd Field mostra-nos como é simples criar um drama tão perturbante, tão profundamente sentido, tão exasperante quanto este.


Into the Wild (2007)
Muito injustamente arrumado da corrida aos Óscares, este filme é um pequeno milagre, um filme que nos permite escapar do mundo rotineiro e superficial em que vivemos (e no qual a personagem vive também) e partirmos à aventura (nem que seja só por duas horas) em caminho incerto, em total e absoluta liberdade. É fascinante o que Émile Hirsch faz com este papel e além dele também Kristen Stewart e Hol Holbrook têm boas intepretações.


Inglorious Basterds (2009)
O mais recente filme de Tarantino não é o melhor dele, é certo, mas é o que funciona melhor. Cenas A+ polvilhadas de génio, um elenco poderoso (com Christoph Waltz a brilhar mais alto) e um recontar hilariante de um período histórico sobejamente conhecido fazem dos Basterds um filme para ver e rever.


Junebug (2005)
Amy Adams é qualquer coisa de extraordinário neste filme belo e intemporal.




Kill Bill, Vol. 1 e 2 (2003 e 2004)
A obra-prima de Tarantino é esta. Uma Thurman é simplesmente espectacular como The Bride, mas também o são todas as restantes personagens da saga. As cenas de acção são incontestavelmente o melhor do filme, mas a substância está no rico argumento que Tarantino cria para esta bela história.


La Mala Educación (2004)
Pedro Almodovar traz-nos este delicioso filme "noir" com toques de pura genialidade e no qual Gael García Bernal explode definitivamente como um dos actores com mais talento da sua geração.


Lord of The Rings (2001, 2002 e 2003)
Haverá alguém no mundo que não conheça estas palavras ou este nome: Peter Jackson? Eu penso que não. A trilogia mais marcante da história do cinema também me deixa uma marca inapagável na história da minha década mas por muito bons que sejam os três filmes em conjunto, tenho que salientar o primeiro. "The Fellowship of the Ring" é sem dúvida o melhor dos três e a melhor introdução possível para uma saga inolvidável.


Lost In Translation (2003)
O filme em que Scarlett Johansson me provou que se pode ser estonteantemente bonita e ter carradas de talento (pena que recentemente não o aproveite). Bill Murray ajuda à festa com uma das interpretações mais cómicas e mais esclarecidas destes últimos dez anos. Profundo, mítico, mágico, o filme faz-nos repensar a forma como vemos o mundo.


Lust, Caution (2007)
O seguimento de Ang Lee a Brokeback Mountain não podia ser mais diferente, contudo não perde qualidade. Lust, Caution busca guia nos seus protagonistas, Tang Wei e Tony Leung, que nos premeiam com uma história romântica digna de um sonho.


Mar Adentro (2004)
O que é que se dá quando se junta um super-talentoso actor espanhol (Bardem) a um super-talentoso realizador espanhol (Amenabar)? Dá isto: um filme de uma intensidade dramática, de uma inquietude, de uma vivacidade inexplicáveis. O filme recupera-nos a alegria de viver.


Match Point (2005)
Porque o Woody Allen é um grande contador de histórias. E porque nesta década, só este e Vicky Cristina Barcelona se safam do marasmo que é o resto da filmografia (Whatever Works, Scoop, Cassandra's Dream). E porque, lá está, Rhys Meyers e Johansson parecem-me credíveis e interessantes nos respectivos papéis. O que é raro.


Me and You and Everyone We Know (2005)
Este filme, tal como em Up in the Air, mostra-nos como é difícil, no mundo de hoje, dois seres humanos estabelecerem uma relação, uma conexão, real, verdadeira, sentida. E o quão notável é então, assim, apaixonar-se. Adoro este filme.




Memento (2000)
Nunca um filme me satisfez tanto em termos intelectuais como Memento do excepcional Christopher Nolan (a caminho de se tornar um dos maiores de sempre). Guy Pearce vende o seu papel extremamente bem, mas é o argumento, de cortar a respiração, de dar a volta à cabeça, que desempenha o papel principal no filme.


Milk (2008)
Por que razão não podem todos os biopics ser assim? Gus Van Sant aqui com trabalho tipicamente forte, com uma interpretação soberana de Sean Penn (que lhe vale o seu segundo Óscar), com um elenco repleto de talento e qualidade e com uma história com voz própria. Milk fala por si mesmo. É um grande filme.


Moulin Rouge! (2001)
Grandiosidade ou... grandiosidade? Não consigo decidir. O musical foi ressuscitado por Baz Luhrmann que nos convida para esta grande festa que é Moulin Rouge! Nicole Kidman e Ewan McGregor protagonizam o que é, para muitos, o melhor filme, o melhor espectáculo cinematográfico da década. Vivo, alegre, contagiante, hilariante, emoção, paixão, canção, este filme tem tudo.


Mulholland Dr. (2001)
David Lynch é um realizador brilhante. Mulholland Dr. é não só um marco da nossa década, mas sobretudo o marco de uma geração. Naomi Watts brilha aqui como nunca. São tantos os pormenores do filme que me vêm à memória que até me faz doer a cabeça só de pensar. Tenho que voltar a ver este filme, tipo, já.


Mystic River (2003)
Clint Eastwood é um velho mestre do drama parado, mas nem todos são tão bons como este Mystic River. Tim Robbins, Sean Penn, Kevin Bacon, Laura Linney e Marcia Gay Harden providenciam a tinta com que Eastwood delineia, à sua maneira, uma das mais tocantes histórias contadas esta década.


No Country For Old Men (2007)
Depois de Fargo e The Big Lebowski (que quase entrou nesta lista), eis que os irmãos Coen voltam a poder se orgulhar de um dos seus filmes. Acabou por ser (o inevitável, diria eu) vencedor maior da noite dos Óscares de 2008, onde "sacou" Melhor Filme e Melhor Realizador. Javier Bardem (performance incrível, digno da força imparável que estava a representar), Josh Brolin e Tommy Lee Jones protagonizam este western cheio de suspense com um final muito singular.


No Man's Land (2001)
Filme bósnio que venceu o Óscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, dá-nos um retrato sublime do que foi e do que significou experienciar a guerra na Bósnia-Herzegovina.


Once (2006/7)
E não será o maior dos romances a melhor das canções de amor? Este grande filme foi o bilhete para a fama de Glen Hansard e Marketa Iglová, que nos encantaram neste filme e particularmente com "Falling Slowly" e nos fizeram doer o coração com a sua bela, apesar de triste, história de amor.


Rachel Getting Married (2008)
Intemporal, inolvidável, magnífico, brilhante, extraordinário, mítico, espontâneo, revelação. Cada laço de família autenticamente traçado, cada discussão, cada confusão, cada relacionamento genuinamente explorado, este filmaço de Jonathan Demme é pura classe. Pena tenho eu (e aqui me junto a alguns críticos que também amam o filme) que pouca (ou nenhuma) gente lhe tenha dado atenção (além da interpretação de Anne Hathaway).


Ratatouille (2007)
Para o bem do mundo, espero que a Pixar nunca deixe de fazer filmes. Ainda melhor, espero que a Pixar nunca deixe de fazer filmes com qualidade abaixo deste nível. A lição de vida que este filme nos ensina é, apesar de simples, importante; e a forma como ele nos ensina isso, através de um pequeno ratinho talentoso, é, só por si, merecedora de todos os elogios.


Reprise (2006)
Admira-me que ainda ninguém tenha querido (para já) fazer a versão norte-americana deste filme. Mais um vindo do cinema nórdico (muito em voga nesta década, em conjunto com o francês, o árabe e o romeno). Joachim Trier conta-nos a história de dois amigos e as entrecruzilhadas que se lhes aparecem na vida e a forma como cada um deles as ultrapassa. Os sonhos que temos na adolescência nem sempre se transpõem para a vida adulta... E há que aprender com os erros...


Requiem for a Dream (2000)
A droga muda vidas. Felizmente para nós, temos Aronofsky para nos mostrar o quanto. Brilhante início de uma carreira muito auspiciosa, com curtas-metragens com qualidade assegurada e uma longa-metragem com boa crítica (Pi), Darren Aronofsky mostra-nos aqui todo o seu potencial, com esta potente caracterização do mundo dos toxicodependentes.


Sideways (2004)
Paul Giamatti, Virginia Madsen, Sandra Oh, Thomas Haden Church. O vinho. A paisagem. A comédia. O drama. Alexander Payne. Todos os elementos necessários para uma das grandes comédias da década, Sideways é original, dinâmico, envolvente e sobretudo muito engraçado. Se eu achei isso, então imagino para quem se identifique (pessoal na crise da meia-idade) com as personagens...


Spirited Away (2001)
Hayao Miyazaki, o génio da animação japonesa, trouxe quatro filmes ao Velho Continente, todos eles excepcionalmente bons: Princess Mononoke, Spirited Away, Moving Castle e Ponyo By The Cliff. Dos três, Spirited Away, o que venceu o Óscar de Melhor Filme Animado, é o mais tocante, o mais belo, o mais mágico. Chihiro venceu.



The Dark Knight (2008)
É dos filmes que mais influencia o meu gosto pelo cinema. Posso vê-lo e revê-lo (tal como a primeira parte da trilogia Batman/Nolan) que nunca me canso. E encontro sempre detalhes novos para me deleitar. É TÃO bom. E Heath Ledger é tão sublime no filme. Nunca vi um vilão assim. A personagem parece que incarnou nele, ele viveu a personagem.


The Departed / Infernal Affairs (2006/2002)
Se o filme original de 2002 já era potencialmente explosivo, que dizer da "adaptação" de Martin Scorcese ao panorama norte-americano, com um elenco de luxo composto por Wahlberg, Nicholson, DiCaprio e Damon? Espectacular.


The Devil Wears Prada (2006)
Dos filmes mais conhecidos do mundo inteiro, pleno de frases dignas de serem citadas em qualquer mídia (aquele monólogo da cor azul... :swoon:) com uma interpretação para além do humanamente permitido por Meryl Streep.


The Diving Bell and The Butterfly (2007)
Julian Schnabel traz-nos um filme estupendo sobre um homem que aprende a ver a vida de outra forma depois de só ficar incapaz de mover o corpo inteiro à excepção de um dos seus olhos, vendo-se obrigado, ao mesmo tempo, a fugir dos seus pensamentos e a refugiar-se na sua imaginação. O filme é magnificamente harmonioso, conjugando momentos de depressão com momentos de júbilo de forma exemplar.


The Fountain (2006)
O filme mais menosprezado da década e o filme mais mal-tratado da filmografia de Darren Aronofsky, este The Fountain é de uma beleza invulgar. Rachel Weisz e Hugh Jackman são os protagonistas de um filme absolutamente arrebatador, de deixar o espectador colado ao ecrã.


The Hours (2002)
Tenho que admitir que não sou o maior fã de Stephen Daldry (também ainda só fez três filmes; venha o quarto para eu lhe poder dar razão) mas este filme é absolutamente brilhante. Adaptado na perfeição de uma obra difícil e muito estruturada, complicada de "dar vida", Daldry controla impecavelmente os momentos-chave do romance e constrói um filme do qual se pode orgulhar, com desempenhos impressionantes de três das cinco maiores actrizes de Hollywood no momento: Julianne Moore, Nicole Kidman (ganhou o Óscar por este papel) e Meryl Streep (as outras duas são Cate Blanchett e Kate Winslet, que ele dirigiu em The Reader, que deu a ela um Óscar).


The Lives of Others (2006)
Este foi o filme que nos deu a conhecer o realizador Florien von Donnersmarck. Um thriller (mas com uma componente emocional muito forte também) de grande qualidade , tão grande que obviamente ganhou o Óscar e está agora a ser adaptado, felizmente pelo mesmo realizador (à la Haneke com "Funny Games"), em versão americana.


The Others (2001)
Mais uma vez, Nicole Kidman prova-nos que Moulin Rouge! não foi fruto do acaso - juntando-se ao grande Amenabar, cria uma história que nos assombra o pensamento muito tempo depois de abandonarmos o cinema.


The Pianist (2002)
Quando penso em retrospectiva nesta magnífica obra de Roman Polanski, só me lembro da profunda tristeza e desespero do filme. No entanto, penso mesmo que foi com esse intuito que o filme foi feito. Adrien Brody incorpora por completo o pianista polaco refugiado da guerra e mostra-nos a sua dor interior, sem nada esconder.


The Piano Teacher (2001)
Isabelle Huppert dá neste excelente filme de Haneke a única interpretação que nesta década, a meu ver, pode rivalizar com a de Julianne Moore pelo título de "melhor interpretação". Uma actriz sempre empenhada e atenta, que sabe sempre fazer as melhores escolhas, tem aqui uma hipótese de brilhar. E fá-lo com soberania.


The Royal Tenenbaums (2001)
Wes Anderson revela-se ao mundo neste filme, com um argumento em co-autoria sua com Owen Wilson. O filme é tão intrinsecamente detalhado, com pormenores tão deliciosos e um elenco tão bem formado, que é impossível não se gostar dele. Este filme é demais.



There Will Be Blood (2007)
Se dúvidas houvesse que Paul Thomas Anderson é um grande realizador, acho que foram todas tiradas com este filme, o filme que devia ter sido o grande vencedor dos Óscares em 2008. Enfim. Mais tarde hão-de reparar o erro que fizeram. O realizador de filmes emblemáticos que falam do paradigma que é viver marginalizado da sociedade, como Magnolia, Boogie Nights e Punch-Drunk Love mostra toda a sua maturidade nesta obra-prima que nos faz sofrer e alegrar-nos com as personagens, em particular com o espectacular Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis).


The Wrestler (2008)
Darren Aronofsky bem nos avisa: testemunhem o regresso mais glorioso de sempre. E é bem verdade. Mickey Rourke ultrapassa todas as expectativas num papel que lhe cai como uma luva, embelezado e transfigurado em lenda pela mão de um enorme realizador.


Un Prophète (2009)
O cinema francês continuou em grande nesta década e uma vez mais este ano tivemos o privilégio de ver um grande filme da escola francófona. Jacques Audiard traz-nos esta valente película sobre um jovem analfabeto que é preso e que se vê obrigado a aprender a sobreviver.


Up (2009)
A jóia da coroa da Pixar, o segundo filme animado da história a ser nomeado para Óscar de Melhor Filme. Carl Fredricksen e a sua história encheram-nos os nossos corações de esperança, de alegria, de amor.


Up in the Air (2009)
Um marco da era contemporânea, de uma relevância social, cultural e económica fascinante. Excelente elenco e excelente banda sonora a acompanhar um extraordinário argumento, com uma visão transcendente de um dos maiores realizadores do nosso tempo, Jason Reitman.


Vera Drake (2004)
O dom puro de Imelda Stauton é extraordinariamente aproveitado pelo talento de Mike Leigh para capturar grandes interpretações de actrizes em câmara. Uma história de arrepiar, que em muitas formas poderia ter dado errado, dada a natureza pesada e de difícil abordagem dela, é transformada num filme soberbo que demonstra toda a qualidade e recursos de um dos realizadores mais excitantes do panteão do cinema.


Vicky Cristina Barcelona (2008)
Porque é o melhor filme de Woody Allen em muito tempo. Porque é dos poucos filmes em que não me apetece dar um par de estaladas na Scarlett Johansson a ver se ela acorda. Porque Penélope Cruz é simplesmente magistral. E Patricia Clarkson emana sensualidade mesmo com a idade dela e só através de cinco ou seis falas num filme inteiro.



Volver (2006)
Nunca num filme de Almodovar uma interpretação pareceu tão poderosa como a de Penélope Cruz como Raimunda. A força e a seriedade com que conduz o filme ajuda a que o realizador espanhol nos passe, uma vez mais, uma visão real de como é a vida e as voltas que ela dá.


Wall-E (2008)
Aquela que é, para mim, a obra-prima da Pixar. O pequeno robô empilhador de lixo Wall-E conta-nos a sua história de forma tão emocionalmente profunda e rica que até nos esquecemos que ele não fala e que não tem (quase nenhumas) expressões faciais. Não dá para não nos apaixonar-nos por ele. Este devia ter sido o segundo filme animado a ser nomeado para Melhor Filme.


Y Tu Mamá También (2001)
A vida foi feita para ser vivida e não pode ser prevista nem planeada de qualquer forma. Este é o ensinamento central deste grande filme de Alfonso Cuarón, que conta a história de dois amigos que partem à aventura com uma mulher mais velha. Brilhantes participações de Bernal e Luna.


You Can Count On Me (2000)
Um argumento riquíssimo, excelentes interpretações de Mark Ruffalo e Laura Linney e uma impressionante realização de Kenneth Lonnergan são as peças que fazem de You Can Count On Me um filme tão imponente. Lembra-me que o tenho que rever brevemente.


Zodiac (2007)
Não podia deixar de parte o mestre da obsessão e da mania. David Fincher (que conquistou a sua primeira nomeação como Melhor Realizador em 2009 por um filme nada coincidente com a sua filmografia, The Curious Case of Benjamin Button!) traz-nos um filme com um argumento forte mas altamente confuso (em mãos erradas, o filme podia ter corrido mal), com boas interpretações de Downey Jr., Ruffalo e Gylenhaal e que usa e abusa do seu estilo próprio para compor esta história de um desenhador de BD para jornais que fica obcecado com um assassino.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Melhores Filmes: 2009/2010


It's OSCAR WEEKEND!


Já deviam saber que não me conseguem ter longe deste blog assim tanto tempo... Tem sido difícil conciliar estudo, exames, filmes e outras coisas para parar e pôr um fim na temporada 2009/2010 de cinema e dar o pontapé na nova temporada. No entanto, e como é o fim-de-semana dos Óscares (yay!), vamos arrumar de vez com as coisas.

E, como tal, qual a melhor maneira de começar? Pois, com o meu top de filmes de 2010 (os meus nomeados para Melhor Filme nos meus prémios, mais um ou outro - sim, que eu decidi fazer modificações de última hora nos meus prémios)


A MINHA LISTA DOS MELHORES FILMES DE 2009/2010:


Finalistas: Avatar é de facto de uma beleza visual estonteante (é um avanço tecnológico impressionante mas que será indubitavelmente ultrapassado dentro de algum tempo) mas as intepretações e, sobretudo, o argumento rudimentar, fraco e frágil funciona como um tiro no pé no filme; Bright Star é lindo, bem filmado, bem interpretado, bem realizado, mas tem algumas falhas a nível do argumento que me tiram do sério - e para filmes assim tão lentos a avançar no enredo, o argumento precisa de ser impecável; The White Ribbon é um filme completamente ao estilo do seu realizador, Michael Haneke (que teve uma grande década, com Hidden, Funny Games e The Piano Teacher) - é um esforço competente, muito estilizado, mais alternativo, de uma espécie de drama com toques de thriller policial (não esquecendo, sempre ao estilo Haneke), que só os seus seguidores mais ávidos serão capazes de saborear em pleno (daí que não me parece correcto mencioná-lo - eu gostei dele, mas entendo que 80% das pessoas que virem o filme não vão gostar); menção honrosa ainda para In The Loop que é uma genial comédia britânica com um sentido de humor imortal e um timing comédico impar, com interpretações surpreendentes mas que não agrada a todos os gostos; e, finalmente, há que referir que esteve perto a minha inclusão de The Boat That Rocked (outra comédia com selo britânico sobre a música rock) que eu classifiquei como uma das melhores coisas do ano, dado o que eu me diverti a ver o filme, mas que, depois de tudo considerado, não é assim tão glorioso de todo... Faltou-me ainda dizer que apesar de ter gostado de A Serious Man, não é dos melhores trabalhos dos irmãos Coen e por isso também não vai para a minha lista. E há que não esquecer também que eu gostei imenso de The Hangover, um extraordinário (e inexplicável) sucesso de Verão - uma típica "bromedy" que consegue receita de bilheteira astronómica E um Globo de Ouro - Melhor Filme Comédia.



20 - Precious: Based on the Novel 'Push' by Sapphire

As interpretações são monstruosas, em especial a de Mo'Nique, a melhor dos últimos anos (das melhores da década, mesmo), o argumento é bem adaptado, a produção artística é brilhante (em especial nas cenas do apartamento - os pés de porco, o ar sombrio do apartamento, o quarto de Precious, a escadaria...) e sim, a edição do filme é péssima e eu considero também que o realizador interviu demais na composição da história, tendo arruinado um pouco o filme. Todavia, quem saca boas interpretações de comediantes (Mo'Nique), artistas (Kravitz, Carey) e de novatas (Gabby Sidibe) merece palmas. Não deve ter sido fácil. Nomeado para 6 Óscares, Precious conta a história de Clareeice Jones, uma adolescente que vive em Harlem e que é abusada fisicamente pela mãe e sexualmente pelo pai. Está grávida do seu segundo filho, é expulsa da escola e não sabe que rumo dar à vida. (Nota: B/B+)


19 - Where The Wild Things Are

Spike Jonze é um génio, tenho a dizer. Cada vez mais sou fã dele. O que ele fez com este filme, em particular, assombra-me. O livro infantil de Maurice Sendak, intemporal, fabuloso, brilhante, imortal, é transportado de forma irrepreensível para o grande ecrã por este excelente realizador que usa e abusa do (também excelente) argumento de Dave Eggers para nos dar uma história infantil feita tanto para adultos como para crianças. Os efeitos são extraordinários, se pensarmos que a grande maioria do filme nem é feita recorrendo a efeitos computadorizados, a banda sonora é deliciosa ("All is Love" foi miseravelmente roubada de uma nomeação para Óscar) e as interpretações falam por si. O filme tem algumas falhas (nomeadamente no segundo acto), é claro, mas não deixa de ser muito, muito bom. (Nota: B/B+)


18 - The Hurt Locker

O favorito na corrida aos Óscares deste ano tem sido imensamente elogiado do outro lado do Atlântico mas aqui, na Europa, as opiniões dividem-se. Alguns acham-no grandioso, outros desprezam-no em absoluto, outros ainda (como eu) consideram que é um bom filme, o primeiro bom filme sobre esta temática ainda recente e fresca na memória, mas nada de grandiosidade nele. Kathryn Bigelow deve ter orgulho na pequena jóia que produziu, porque é um filme de absoluta qualidade, pese alguma repetitividade e com alguma falta de objectividade nalguns pontos do argumento, contudo, com excelentes interpretações de Jeremy Renner e Anthony Mackie (roubado de uma nomeação) e uma banda sonora por Beltrami e Sanders de inestimável contributo para o filme. Os 'cameos' de Pearce e Fiennes só vieram adensar mais o enredo, pois ninguém espera que as estrelas do elenco do filme morram minutos depois de terem aparecido pela primeira vez no ecrã. Dito tudo isto, percebo claramente o amor geral ao filme (muito mais que a histeria pelo Slumdog Millionaire o ano passado) mas não entendo como se pode considerar este filme tal obra de qualidade inegável que ele, de facto, não é.(Nota: B/B+)

17 - Antichrist

Antichrist trazia largas expectativas desde que estreou em Cannes debaixo de críticas muito positivas e com um prémio de Melhor Actriz debaixo do braço. E, de facto, Charlotte Gainsbourg é a força motriz do filme. Lars Von Trier tem dedo nisto, é certo, mas não deixa de ser uma interpretação arrasadora. Willem Defoe providencia a companhia ideal para este filme de terror-suspense de um dos realizadores mais incompreendidos de sempre. O argumento, já de si muito bom, é complementado pela beleza da fotografia e pela excelente produção artística da equipa do sr. Von Trier, que tornaram Antichrist qualquer coisa de especial a ser vista nos cinemas este ano. (Nota: B/B+)



16 - Moon

O filme de estreia de Duncan Jones traz-nos Sam Rockwell numa performance inolvidável (roubado de uma nomeação - algum dia Morgan Freeman melhor que Rockwell?) é só um dos grandes filmes que o género da ficção científica nos ofereceu este ano (os outros sendo Avatar, Star Trek e District 9). Sem querer menosprezar a destreza tecnológica de Avatar e o sucesso do "reboot" da franchise Star Trek, as verdadeiras menções de honra vão para District 9 (falo dele mais à frente) e para este filme. O filho de David Bowie consegue proporcionar-nos uma experiência cinematográfica impressionante, com uma história rebuscada, cheia de reviravoltas, que nos mantém agarrados ao assento, confusos, inquietos, incomodados, até ao fim da mesma. O filme conta a história do mineiro Sam que está numa missão na Lua, sozinho, tendo apenas para companhia o computador Gertie. O isolamento, os problemas pessoais e a falta de contacto humano tornam-se insuportáveis e, depois de um acidente, tudo muda (e o filme, que já era bom até aí, melhora ainda mais substancialmente). É um relato emocionante da complexidade da mente humana quanto posta à prova. (Nota: B+)


15 - The Brothers Bloom

Tenho de começar desde já por admitir que já gostei mais deste filme, a ponto de quando ele passou para a minha lista de filmes vistos eu lhe ter atribuído a classificação de A-/B+. Há dias, voltei a vê-lo e, apesar de ter gostado imenso dele de novo, reparei nas (várias) falhas que possui. Não deixando de ser entretenimento de qualidade segura, a história tem pormenores mal explorados, Adrien Brody e Rachel Weisz têm interpretações que não são mais que esticões da sua "real persona" e só Mark Ruffalo é que impressiona no filme. É, realmente, uma excelente comédia, com um argumento interessante, com (vá, pronto) sólidas interpretações mas acaba por não ser nada mais que um bom filme. O que, nos dias de hoje, até é raro. Mas tinha potencial para ser uma comédia que marcasse o ano, tinha potencial para ser candidato a prémios se o resultado tivesse sido melhor. (Nota: B+)


14 - The Maid

Um dos melhores filmes estrangeiros que o ano se encarregou de nos trazer (ainda não compreendo porque é que o Chile não o aceitou para ser sua submissão para Óscar de Filme Estrangeiro!), com uma performance irrepreensível por Catalina Saavedra, La Nana (The Maid) explora a vida de uma mulher que se habituou a viver debaixo da subserviência, primeiro da família que serve, depois da sua própria vida e conta a história de como ela, finalmente, se decide libertar, só para se aperceber de quem é que realmente depende de quem no meio de tudo isto. Impressionante argumento, realização consistente e afinada e, já o afirmei, uma interpretação excepcional. (Nota: B+)


13 - A Single Man

Não houve filme este ano com uma produção tão intrinsecamente estilizada, organizada e planeada como A Single Man. A juntar à mestria do antigo estilista Tom Ford, que decidiu abraçar a carreira de realizador e adaptar o romance de Christopher Isherwood para a grande tela, está uma assombrosa interpretação de Colin Firth que, se não houvesse Jeff Bridges a merecer atenção da Academia, seria o digno e merecido vencedor da estatueta. O seu George, professor gay que acaba de perder o seu amante e procura conforto nos braços de uma velha amiga que o ama sem ele saber, é portentoso. É um retrato muito autêntico de uma personagem que, nas mãos de outro artista, podia sair arruinada. Daí que se diga que o papel lhe assenta como uma luva. Além disto, temos Julianne Moore em nova fase ascendente da carreira e Matthew Goode que continua a solidificar a sua credibilidade como um bom actor de elenco. Há muita gente que diz que este filme é só detalhe, é só arte, é só beleza, que não tem história, mas eu acho que tem. Uma estupenda história. (Nota: B+)


12 - The Cove

Decidi incluir aqui na lista um documentário. O melhor documentário deste ano. Nunca tive tanta pena de um animal na vida como destes golfinhos. O realizador Louie Psihoyos captura de uma forma tão especial como brutal a crueldade humana para com estes animais tão belos e interessantes. Fez-me sair do cinema com um pesar enorme, como se tivesse acabado de ser assombrado. Fez-me pensar. (Nota: B+)



11 - District 9

District 9 surpreendeu todo o mundo quando estreou e surpreendeu ainda mais o mundo quando na manhã das nomeações para os Óscares conseguiu 4, incluindo Melhor Filme. Neil Blomkamp relata de forma extraordinária os acontecimentos no Distrito 9, um campo para extraterrestres refugiados na África do Sul dos nossos dias e, por duas horas, a ficção mistura-se com a realidade. E se algum dia realmente nos suceder uma coisa assim? Sharlto Copley é outro dos injustiçados do ano (como é possível Freeman ser nomeado e ele não, volto a perguntar), com uma interpretação (primeiro papel!) fora de série. O argumento é excepcionalmente bom, os efeitos são bem doseados, bem aproveitados, bem pensados, e, a cereja no topo do bolo, o filme tem uma carga dramática (e de suspense) tão intensa que dá-nos um prazer vê-lo desenrolar. Tudo isto é o que torna este filme o melhor título de ficção científica do ano. (Nota: B+)


10 - (500) Days of Summer

Percebo que haja gente por aí que considere que este filme está repleto de clichés, de ideias estandardizadas, de floreados irritantes e que não contribui em nada para a história do cinema. Na minha opinião, pelo contrário, considero que este é dos melhores filmes do ano e é, sem dúvida, o filme com maior tendência para agradar à minha geração da última década (tirando os fenómenos Harry Potter e Twilight, claro está, e os filmes de super-heróis). Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt formam o formidável par que nos dá a conhecer a "história de amor" de Tom e Summer - mas da forma mais incomum possível. O filme tem tudo: grande argumento, boa música, boas interpretações, timing comédico, profundidade emocional e tem, na minha modesta opinião, das melhores cenas de 2009: aquela cena EXPECTATIONS/REALITY? Priceless. (Nota: B+)


9 - The Road

Como é que alguém pode criticar o The Road, eu não tenho ideia. Eu percebo que há gente que não gosta dele pelo muito triste, pessimista, depressivo, escuro, assustador que o filme é, mas ninguém pode negar a sua profundidade, o drama, a emoção crua, as assombrosas interpretações de Viggo Mortensen e Kodi Smith-McPhee, a excelente adaptação do romance de Cormac McCarthy e o olho e o cuidado de John Hilcoat na elaboração desta bela obra de arte que vai acabar esquecida no meio dos títulos deste ano mas que, daqui a uns anos, vai ser considerada um clássico do género. O Apocalipse nunca foi tão medonho, mas também nunca foi tão humano, tão real, tão autêntico. É nos momentos de trevas que as pessoas revelam a sua verdadeira faceta. Não é, como se pode perceber, um filme para todos os gostos. (Nota: B+)


8 - Inglorious Basterds

Não me parece que seja o melhor esforço de Quentin Tarantino (esse, para mim, é Kill Bill, que até ele já admitiu que é o seu filme mais perfeito), não me parece que seja o mais louco (Grindhouse e Death Proof estão bem lá na frente), não me parece que seja o mais revolucionário (Pulp Fiction, anyone?) e também não me parece que seja uma revelação de qualquer género (ele já se revelou muitas vezes como um realizador de topo, mas tudo começou com Reservoir Dogs, onde ele aí sim fez a sua revelação). No entanto, em qualquer filme de Tarantino notamos uma diferença de estilo, de contar a história, de desenvolver o enredo diferente. E, como não podia deixar de ser, em Inglorious Basterds temos isso de novo. O que torna, na minha opinião, os Basterds num filme tão sui generis é que parece que agrupam todas as particularidades e pequenos detalhes que fazem os seus filmes tão singulares, tudo em equilíbrio, sendo o filme em simultâneo um filme que tanto um cinéfilo como um leigo possam desfrutar. Este 'mass appeal' era o que vinha faltando a Tarantino desde Pulp Fiction e, assim, não é de estranhar que este seja o seu segundo filme a ganhar um bom número de nomeações para Óscares. Além do impecável argumento, da extraordinária direcção artística, da fotografia e do elenco (Kruger, Fassbender e Laurent são muito bons), há uma interpretação em particular que importa realçar: Christoph Waltz. (Nota: B+)




7 - Coraline
6 - Fantastic Mr. Fox
5 - Up



No melhor ano de sempre para os filmes animados, três fazem parte da minha lista de melhores do ano. E tive que subir os três em conjunto porque não consigo distingui-los em termos de qualidade. São os três tão bons... E o que é mais engraçado, é que cada um tem grande qualidade mas à sua maneira. Adoro a direcção artística por trás de Coraline, o estupendo argumento de Fantastic Mr. Fox e a sequência de 'Married Life' de Up. Adoro a animação por detrás de cada um dos três filmes. Adoro o voiceover. Adoro as três histórias, adoro as personagens e adoro as três deixaram o meu coração mais apertado por saber que em 2011 não vou ter filmes do seu gabarito para ver. (Nota: B+;B+;B+/A-)


Aproximando-me do meu nº 1...




4 - Ágora

Continuando a caminhada para o fim do meu top... vem Ágora, que ainda não estreou nos Estados Unidos. E, por isso, sinto-me priveligiado por ter visto esta obra de Amenabar na qual o governo espanhol investiu milhões de euros. Posso já dizer que este vai ser um filme muito divisivo, com alguns a achar o seu vazio, a sua narrativa desleixada, descomplexada, a sua investida contra a história encantadora, enquanto outros consideram que isto tudo é resultado de um fraco argumento e de uma frágil vontade de conduzir a história. Certo é que Amenabar me apanhou mesmo de surpresa com este filme. Nunca pensei gostar TANTO dele. Do princípio ao fim, mesmo que com algumas falhas, o filme é tão enorme, tão imenso, tão extraordinário, que nem liguei muito para o que estava a faltar. Admito, é um pouco monótono e a narrativa é lenta e pouco interligada, mas a batalha religião-ciência-sociedade, as belas paisagens, os cenários magníficos, tudo me maravilhou. E aquele final! Surpreendente, emocional, estonteantemente belo, este Ágora é um grande filme. Já para não falar da excelente interpretação de Rachel Weisz, a heroína que o filme toma como foco da história, sem nunca nela se consumir, isto é, ela é a protagonista que o filme precisa, é sempre a ela que a história volta, mas ela não protagoniza, per se, o filme. Não obstante, Rachel Weisz domina o ecrã nas suas cenas. (Nota: B+/A-)


3 - An Education

Para muita gente, este filme só lhes lembra uma coisa: a magnífica performance de Carey Mulligan. Graças a Deus que, para muitos também, este filme ocupa os lugares de topo na sua lista de melhores do ano. É que o filme é tão grandioso a tantos níveis que eu até me perco a enumerá-los. Começando por Mulligan. Ela interpreta Jenny, uma adolescente dos tempos antigos a quem era apenas exigido estudo e trabalho para chegar a uma faculdade de respeito (Oxford). Todavia, tudo muda quando conhece e se envolve com um homem mais velho (excelente participação de Peter Sarsgaard, roubado de uma nomeação) e se vê posta entre a espada e a parede, obrigada a tomar uma decisão: o que é que ela quer para a sua vida? Se no mundo houvesse justiça, no domingo seria ela a ir buscar a estatueta. Além de ela ser excelente e exibir toda a sua versatilidade e talento, proporciona-nos um dos momentos mais raros do cinema: um momento «a star is born». Ela muda, cresce, transforma-se em frente aos nossos olhos. É uma interpretação tão forte, tão cheia de brilho, de carisma, que é inevitável uma pessoa não se apaixonar por ela. Além de Mulligan e Sarsgaard, o filme conta com belíssimos actores em pequenos papéis (Emma Thompson, Sally Hawkins, Olivia Williams, Alfred Molina, Dominic Cooper e Rosamund Pike) que ajudam ainda mais a fortalecer o poder e a riqueza e a complexidade da interpretação da jovem britânica. Um argumento cheio de moralidade, de ironia, muito bem escrito, e uma boa prestação por parte da realizadora Lone Sherfig, leva-nos a que, apesar de sabermos sempre o rumo que o filme vai tomar e de reconhecermos as falhas que o filme tem, ele nos traga uma satisfação, um prazer tão grande que é impossível não o apreciarmos. (Nota: A-)


2 - Un Prophète

O outro filme estrangeiro na minha lista, A Prophet, é a mais recente criação da escola francesa de fazer bom cinema (e não é o único: 35 Shots of Rum, de Claire Denis, e L'Heure d'Eté são outros títulos francófonos que fizeram a crítica babar-se entre elogios este ano) e, tal como o seu antecessor Entre Les Murs (The Class) o ano passado, deixou-me uma marca indelével na minha mente. Tahir Rahim é absolutamente extraordinário como o enigmático, calado, analfabeto presidiário Malik que, com 18 anos, se vê obrigado a cumprir uma pena de prisão de 6 anos. Na cadeia, Malik tem que aprender a virar-se sozinho e, mesmo sem saber ler nem escrever, rapidamente percebe o que tem que fazer para se salvar no meio das confusões entre presidiários e tão bem o faz que chega mesmo ao topo da hierarquia, na luta de poder na prisão. Jacques Audiard traz-nos um filme estupendo, poderoso, violento, profunda e emocionalmente desgastante, com subtis mas muito importante detalhes, que é impossível não seguir com toda a atenção, na ponta da cadeira, preparados para tudo. É um clássico do cinema do género. Bónus do filme: banda sonora de Alexandre Desplat, que se tornou este ano no meu compositor favorito de sempre. Que sigas a carreira de John Williams e ganhes muitos Óscares! (Nota: A-)


E o meu filme #1 para 2009/2010 é...


1 - Up in the Air

Grandiosidade pura. É talvez o meu filme favorito da década. Excelentes interpretações de Clooney, Kendrick e Farmiga. Clooney, em particular, é tão bom que até dói (papel feito exactamente à sua medida). Kendrick aproveita muito bem as suas cenas com ele para brilhar e consegue, em algumas delas, sair como força dominante, o que contra George Clooney, é raro acontecer. E Farmiga... Que química. Ela aparece-nos tão selvagem, tão superior, tão inatingível, como se tivesse toda uma aura de intocável à sua volta... Para depois, no filme, repararmos como é tão vulnerável, tão frágil, tão pecadora, tão humana, como qualquer outra pessoa. Banda sonora e argumento impecáveis, com diálogos super inteligentes, edição extremamente bem conseguida, detalhes e pormenores e timing comédico irrepreensíveis (bem ao estilo de Reitman), Tema intemporal (humanidade, mortalidade, tempo, automatização da rotina diária) que dão ao filme uma relevância cultural, económica e social enorme, de modo que se vai tornar instantaneamente um clássico do género e dentro de 20 anos ainda estaremos a celebrar o quão brilhante este filme é, pois este é o filme que vai ser o marco da nossa vida contemporânea. A forma como esta personagem, construída por Reitman, se vê de repente questionada pela fonte mais improvável, acerca das suas teorias sobre o tempo e a mortalidade, se apercebe da desumanidade e automaticidade dos actos diários, da forma como uma pessoa nunca pára para pensar, nunca se compromete em mais do que lhe convém, nunca arrisca mais além. E ele finalmente repara que não pode ser mais essa pessoa (o que está escondido nas entrelinhas do filme é fabuloso), que não pode ter vivido a sua vida em vão, que tem que arranjar algum significado, alguma razão de ser para ela, sob pena de ter de admitir que nos perdemos em coisas fúteis, superficiais e sem real valor. Reitman, que é um génio, vai ter que suar muito para ultrapassar tal divina obra-prima. (Nota: A)


E pronto, cheguei ao fim. Deixem-me nos comentários as vossas sugestões. Quais são os filmes que vos marcaram este ano?

domingo, 6 de setembro de 2009

Inglorious (Crítica aos) Basterds


Verdadeiramente prodigioso o novo filme de Tarantino (e já vão sete: Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill 1, Kill Bill 2, Death Proof, Inglorious Basterds). Vou portanto tentar resumir a minha opinião num pequeno texto (é a minha nova medida: fazer a crítica no dia em que vejo o filme; ando a adiar críticas há séculos!).

Bom e que dizer do filme? Uma saga. Uma autêntica saga. Um pouco longo, sim, foram quase três horas. Mas três horas de tantos detalhes, de tanto pormenor, de tanta sagacidade que nem reparei no relógio. Só quando saí e vi que tinham passado três horas é que reparei no tempo que estive dentro da sala. Quanto ao filme em si? Banda sonora tipicamente à Tarantino, tal como a edição e como a abertura do filme. Um facto muito positivo (e que Tarantino já tinha apontado nas entrevistas que deu) é o de ter utilizado actores dos países que pretendia retratar; enquanto que na maioria dos filmes nazis produzidos pela indústria estado-udinense usa actores que falam inglês com o sotaque da região, neste filme se o actor é francês fala francês ou se é alemão fala alemão. Dá um toque muito mais original à história. O argumento é surpreendentemente saboroso, é um Tarantino de volta à quick-wit de Pulp Fiction e Reservoir Dogs, mas ainda com alguns momentos de Kill Bill à mistura. Muito sangue, como é óbvio: está na natureza de QT. Não dá para escapar. E o que é mais interessante é que a cada filme que ele faz a forma de matar muda completamente. É sempre uma surpresa. A cada canto dos filmes de QT, há qualquer coisa que nos rende, que nos apanha desprevenidos. É incrível! Sinceramente, eu adoro Kill Bill (em conjunto, não separados, porque foi assim, em conjunto, que QT visionou a obra) mas este não lhe fica nada atrás. Percebo se não se tornar um clássico (como Pulp Fiction), um ícone do género porque não tem muito a ver com os filmes de Nazis que por aí andam mas... é um filme bestial.

Espero que pelo menos consiga ser nomeado para Melhor Argumento. E não perdoarei a Academia se o Coronel Hans Landa, figura que me marcou no filme, não for nomeado: Christoph Waltz dá uma performance de outro mundo! É brilhante, sombrio e cómico ao mesmo tempo, contido mas de repente desconcertante. É genial. Também apreciei muito Diane Kruger como Bridget von Hammersmark e até Eli Roth também me pareceu bem. Michael Fassbender num papel que não lhe deu muito que fazer, tal como Mélanie Laurent. Ainda assim... Landa é a estrela.

Ah. E elogiar a excelente jogada de marketing dos Weinsteins e de Tarantino de convidar Brad Pitt para o papel do Tenente Aldo Raine. Esteve a um nível aceitável, mas nada de mais. Para um actor da sua qualidade, não foi um papel que requerisse grande esforço.

Assim sendo... Nota: B+



E ao sétimo filme, Tarantino olhou e disse que estava tudo bem.