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domingo, 7 de março de 2010

Música Perdida... No cinema

Continuando a minha rubrica de Música Perdida com os meus nomeados do ano para Melhor Canção, hoje trago a música que mais representa, para mim, o roubo egrégio que houve este ano na categoria de Melhor Banda Sonora.

Primeiro, a música:




Depois, a pergunta:

Como é possível "Where The Wild Things Are" não estar nomeado para Melhor Banda Sonora? A sério, alguém que me diga! Esta música é brilhante, poucas melodias ouvi este ano em filmes que se comparem com esta. E o trailer do filme é tão potente por causa desta melodia. A sério, às vezes não percebo. Vejamos os nomeados...

  • "Avatar", James Horner
  • "The Fantastic Mr. Fox", Alexandre Desplat
  • "The Hurt Locker", Marco Beltrami e Buck Sanders
  • "Sherlock Holmes", Hans Zimmer
  • "Up", Michael Giacchino





Eu entendo por que razão estão os cinco nomeados. Mas dos cinco, só três me parecem merecer por inteiro a nomeação: Zimmer por "Sherlock Holmes", Sanders e Beltrami por "The Hurt Locker" e Giacchino por "Up". A banda sonora de Horner para "Avatar" é tecnicamente competente mas quase nada diferente do estilo de acção que os filmes do género usem e pronto, vou admitir, eu adoro a banda sonora de Desplat para "Fantastic Mr. Fox" e considero seriamente que devia ser nomeada mas também acho que não é superior à de Karen'O para "Where The Wild Things Are". Muito honestamente, o combo de Chéri + Fox + Chanel + A Prophet + Julie & Julia obriga-me a colocar Desplat nessa lista, porque são cinco excelentes bandas sonoras e todas com sonoridades diferentes, que é o que eu acho fantástico. Se bem que retirar Horner pareça loucura, é o que faz mais sentido. E assim abre-se um lugar. E entre "A Single Man", "Bright Star", "The Informant!" e "Where The Wild Things Are"... Eu vou com a última. Porque se destaca das demais.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Melhores Filmes: 2009/2010


It's OSCAR WEEKEND!


Já deviam saber que não me conseguem ter longe deste blog assim tanto tempo... Tem sido difícil conciliar estudo, exames, filmes e outras coisas para parar e pôr um fim na temporada 2009/2010 de cinema e dar o pontapé na nova temporada. No entanto, e como é o fim-de-semana dos Óscares (yay!), vamos arrumar de vez com as coisas.

E, como tal, qual a melhor maneira de começar? Pois, com o meu top de filmes de 2010 (os meus nomeados para Melhor Filme nos meus prémios, mais um ou outro - sim, que eu decidi fazer modificações de última hora nos meus prémios)


A MINHA LISTA DOS MELHORES FILMES DE 2009/2010:


Finalistas: Avatar é de facto de uma beleza visual estonteante (é um avanço tecnológico impressionante mas que será indubitavelmente ultrapassado dentro de algum tempo) mas as intepretações e, sobretudo, o argumento rudimentar, fraco e frágil funciona como um tiro no pé no filme; Bright Star é lindo, bem filmado, bem interpretado, bem realizado, mas tem algumas falhas a nível do argumento que me tiram do sério - e para filmes assim tão lentos a avançar no enredo, o argumento precisa de ser impecável; The White Ribbon é um filme completamente ao estilo do seu realizador, Michael Haneke (que teve uma grande década, com Hidden, Funny Games e The Piano Teacher) - é um esforço competente, muito estilizado, mais alternativo, de uma espécie de drama com toques de thriller policial (não esquecendo, sempre ao estilo Haneke), que só os seus seguidores mais ávidos serão capazes de saborear em pleno (daí que não me parece correcto mencioná-lo - eu gostei dele, mas entendo que 80% das pessoas que virem o filme não vão gostar); menção honrosa ainda para In The Loop que é uma genial comédia britânica com um sentido de humor imortal e um timing comédico impar, com interpretações surpreendentes mas que não agrada a todos os gostos; e, finalmente, há que referir que esteve perto a minha inclusão de The Boat That Rocked (outra comédia com selo britânico sobre a música rock) que eu classifiquei como uma das melhores coisas do ano, dado o que eu me diverti a ver o filme, mas que, depois de tudo considerado, não é assim tão glorioso de todo... Faltou-me ainda dizer que apesar de ter gostado de A Serious Man, não é dos melhores trabalhos dos irmãos Coen e por isso também não vai para a minha lista. E há que não esquecer também que eu gostei imenso de The Hangover, um extraordinário (e inexplicável) sucesso de Verão - uma típica "bromedy" que consegue receita de bilheteira astronómica E um Globo de Ouro - Melhor Filme Comédia.



20 - Precious: Based on the Novel 'Push' by Sapphire

As interpretações são monstruosas, em especial a de Mo'Nique, a melhor dos últimos anos (das melhores da década, mesmo), o argumento é bem adaptado, a produção artística é brilhante (em especial nas cenas do apartamento - os pés de porco, o ar sombrio do apartamento, o quarto de Precious, a escadaria...) e sim, a edição do filme é péssima e eu considero também que o realizador interviu demais na composição da história, tendo arruinado um pouco o filme. Todavia, quem saca boas interpretações de comediantes (Mo'Nique), artistas (Kravitz, Carey) e de novatas (Gabby Sidibe) merece palmas. Não deve ter sido fácil. Nomeado para 6 Óscares, Precious conta a história de Clareeice Jones, uma adolescente que vive em Harlem e que é abusada fisicamente pela mãe e sexualmente pelo pai. Está grávida do seu segundo filho, é expulsa da escola e não sabe que rumo dar à vida. (Nota: B/B+)


19 - Where The Wild Things Are

Spike Jonze é um génio, tenho a dizer. Cada vez mais sou fã dele. O que ele fez com este filme, em particular, assombra-me. O livro infantil de Maurice Sendak, intemporal, fabuloso, brilhante, imortal, é transportado de forma irrepreensível para o grande ecrã por este excelente realizador que usa e abusa do (também excelente) argumento de Dave Eggers para nos dar uma história infantil feita tanto para adultos como para crianças. Os efeitos são extraordinários, se pensarmos que a grande maioria do filme nem é feita recorrendo a efeitos computadorizados, a banda sonora é deliciosa ("All is Love" foi miseravelmente roubada de uma nomeação para Óscar) e as interpretações falam por si. O filme tem algumas falhas (nomeadamente no segundo acto), é claro, mas não deixa de ser muito, muito bom. (Nota: B/B+)


18 - The Hurt Locker

O favorito na corrida aos Óscares deste ano tem sido imensamente elogiado do outro lado do Atlântico mas aqui, na Europa, as opiniões dividem-se. Alguns acham-no grandioso, outros desprezam-no em absoluto, outros ainda (como eu) consideram que é um bom filme, o primeiro bom filme sobre esta temática ainda recente e fresca na memória, mas nada de grandiosidade nele. Kathryn Bigelow deve ter orgulho na pequena jóia que produziu, porque é um filme de absoluta qualidade, pese alguma repetitividade e com alguma falta de objectividade nalguns pontos do argumento, contudo, com excelentes interpretações de Jeremy Renner e Anthony Mackie (roubado de uma nomeação) e uma banda sonora por Beltrami e Sanders de inestimável contributo para o filme. Os 'cameos' de Pearce e Fiennes só vieram adensar mais o enredo, pois ninguém espera que as estrelas do elenco do filme morram minutos depois de terem aparecido pela primeira vez no ecrã. Dito tudo isto, percebo claramente o amor geral ao filme (muito mais que a histeria pelo Slumdog Millionaire o ano passado) mas não entendo como se pode considerar este filme tal obra de qualidade inegável que ele, de facto, não é.(Nota: B/B+)

17 - Antichrist

Antichrist trazia largas expectativas desde que estreou em Cannes debaixo de críticas muito positivas e com um prémio de Melhor Actriz debaixo do braço. E, de facto, Charlotte Gainsbourg é a força motriz do filme. Lars Von Trier tem dedo nisto, é certo, mas não deixa de ser uma interpretação arrasadora. Willem Defoe providencia a companhia ideal para este filme de terror-suspense de um dos realizadores mais incompreendidos de sempre. O argumento, já de si muito bom, é complementado pela beleza da fotografia e pela excelente produção artística da equipa do sr. Von Trier, que tornaram Antichrist qualquer coisa de especial a ser vista nos cinemas este ano. (Nota: B/B+)



16 - Moon

O filme de estreia de Duncan Jones traz-nos Sam Rockwell numa performance inolvidável (roubado de uma nomeação - algum dia Morgan Freeman melhor que Rockwell?) é só um dos grandes filmes que o género da ficção científica nos ofereceu este ano (os outros sendo Avatar, Star Trek e District 9). Sem querer menosprezar a destreza tecnológica de Avatar e o sucesso do "reboot" da franchise Star Trek, as verdadeiras menções de honra vão para District 9 (falo dele mais à frente) e para este filme. O filho de David Bowie consegue proporcionar-nos uma experiência cinematográfica impressionante, com uma história rebuscada, cheia de reviravoltas, que nos mantém agarrados ao assento, confusos, inquietos, incomodados, até ao fim da mesma. O filme conta a história do mineiro Sam que está numa missão na Lua, sozinho, tendo apenas para companhia o computador Gertie. O isolamento, os problemas pessoais e a falta de contacto humano tornam-se insuportáveis e, depois de um acidente, tudo muda (e o filme, que já era bom até aí, melhora ainda mais substancialmente). É um relato emocionante da complexidade da mente humana quanto posta à prova. (Nota: B+)


15 - The Brothers Bloom

Tenho de começar desde já por admitir que já gostei mais deste filme, a ponto de quando ele passou para a minha lista de filmes vistos eu lhe ter atribuído a classificação de A-/B+. Há dias, voltei a vê-lo e, apesar de ter gostado imenso dele de novo, reparei nas (várias) falhas que possui. Não deixando de ser entretenimento de qualidade segura, a história tem pormenores mal explorados, Adrien Brody e Rachel Weisz têm interpretações que não são mais que esticões da sua "real persona" e só Mark Ruffalo é que impressiona no filme. É, realmente, uma excelente comédia, com um argumento interessante, com (vá, pronto) sólidas interpretações mas acaba por não ser nada mais que um bom filme. O que, nos dias de hoje, até é raro. Mas tinha potencial para ser uma comédia que marcasse o ano, tinha potencial para ser candidato a prémios se o resultado tivesse sido melhor. (Nota: B+)


14 - The Maid

Um dos melhores filmes estrangeiros que o ano se encarregou de nos trazer (ainda não compreendo porque é que o Chile não o aceitou para ser sua submissão para Óscar de Filme Estrangeiro!), com uma performance irrepreensível por Catalina Saavedra, La Nana (The Maid) explora a vida de uma mulher que se habituou a viver debaixo da subserviência, primeiro da família que serve, depois da sua própria vida e conta a história de como ela, finalmente, se decide libertar, só para se aperceber de quem é que realmente depende de quem no meio de tudo isto. Impressionante argumento, realização consistente e afinada e, já o afirmei, uma interpretação excepcional. (Nota: B+)


13 - A Single Man

Não houve filme este ano com uma produção tão intrinsecamente estilizada, organizada e planeada como A Single Man. A juntar à mestria do antigo estilista Tom Ford, que decidiu abraçar a carreira de realizador e adaptar o romance de Christopher Isherwood para a grande tela, está uma assombrosa interpretação de Colin Firth que, se não houvesse Jeff Bridges a merecer atenção da Academia, seria o digno e merecido vencedor da estatueta. O seu George, professor gay que acaba de perder o seu amante e procura conforto nos braços de uma velha amiga que o ama sem ele saber, é portentoso. É um retrato muito autêntico de uma personagem que, nas mãos de outro artista, podia sair arruinada. Daí que se diga que o papel lhe assenta como uma luva. Além disto, temos Julianne Moore em nova fase ascendente da carreira e Matthew Goode que continua a solidificar a sua credibilidade como um bom actor de elenco. Há muita gente que diz que este filme é só detalhe, é só arte, é só beleza, que não tem história, mas eu acho que tem. Uma estupenda história. (Nota: B+)


12 - The Cove

Decidi incluir aqui na lista um documentário. O melhor documentário deste ano. Nunca tive tanta pena de um animal na vida como destes golfinhos. O realizador Louie Psihoyos captura de uma forma tão especial como brutal a crueldade humana para com estes animais tão belos e interessantes. Fez-me sair do cinema com um pesar enorme, como se tivesse acabado de ser assombrado. Fez-me pensar. (Nota: B+)



11 - District 9

District 9 surpreendeu todo o mundo quando estreou e surpreendeu ainda mais o mundo quando na manhã das nomeações para os Óscares conseguiu 4, incluindo Melhor Filme. Neil Blomkamp relata de forma extraordinária os acontecimentos no Distrito 9, um campo para extraterrestres refugiados na África do Sul dos nossos dias e, por duas horas, a ficção mistura-se com a realidade. E se algum dia realmente nos suceder uma coisa assim? Sharlto Copley é outro dos injustiçados do ano (como é possível Freeman ser nomeado e ele não, volto a perguntar), com uma interpretação (primeiro papel!) fora de série. O argumento é excepcionalmente bom, os efeitos são bem doseados, bem aproveitados, bem pensados, e, a cereja no topo do bolo, o filme tem uma carga dramática (e de suspense) tão intensa que dá-nos um prazer vê-lo desenrolar. Tudo isto é o que torna este filme o melhor título de ficção científica do ano. (Nota: B+)


10 - (500) Days of Summer

Percebo que haja gente por aí que considere que este filme está repleto de clichés, de ideias estandardizadas, de floreados irritantes e que não contribui em nada para a história do cinema. Na minha opinião, pelo contrário, considero que este é dos melhores filmes do ano e é, sem dúvida, o filme com maior tendência para agradar à minha geração da última década (tirando os fenómenos Harry Potter e Twilight, claro está, e os filmes de super-heróis). Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt formam o formidável par que nos dá a conhecer a "história de amor" de Tom e Summer - mas da forma mais incomum possível. O filme tem tudo: grande argumento, boa música, boas interpretações, timing comédico, profundidade emocional e tem, na minha modesta opinião, das melhores cenas de 2009: aquela cena EXPECTATIONS/REALITY? Priceless. (Nota: B+)


9 - The Road

Como é que alguém pode criticar o The Road, eu não tenho ideia. Eu percebo que há gente que não gosta dele pelo muito triste, pessimista, depressivo, escuro, assustador que o filme é, mas ninguém pode negar a sua profundidade, o drama, a emoção crua, as assombrosas interpretações de Viggo Mortensen e Kodi Smith-McPhee, a excelente adaptação do romance de Cormac McCarthy e o olho e o cuidado de John Hilcoat na elaboração desta bela obra de arte que vai acabar esquecida no meio dos títulos deste ano mas que, daqui a uns anos, vai ser considerada um clássico do género. O Apocalipse nunca foi tão medonho, mas também nunca foi tão humano, tão real, tão autêntico. É nos momentos de trevas que as pessoas revelam a sua verdadeira faceta. Não é, como se pode perceber, um filme para todos os gostos. (Nota: B+)


8 - Inglorious Basterds

Não me parece que seja o melhor esforço de Quentin Tarantino (esse, para mim, é Kill Bill, que até ele já admitiu que é o seu filme mais perfeito), não me parece que seja o mais louco (Grindhouse e Death Proof estão bem lá na frente), não me parece que seja o mais revolucionário (Pulp Fiction, anyone?) e também não me parece que seja uma revelação de qualquer género (ele já se revelou muitas vezes como um realizador de topo, mas tudo começou com Reservoir Dogs, onde ele aí sim fez a sua revelação). No entanto, em qualquer filme de Tarantino notamos uma diferença de estilo, de contar a história, de desenvolver o enredo diferente. E, como não podia deixar de ser, em Inglorious Basterds temos isso de novo. O que torna, na minha opinião, os Basterds num filme tão sui generis é que parece que agrupam todas as particularidades e pequenos detalhes que fazem os seus filmes tão singulares, tudo em equilíbrio, sendo o filme em simultâneo um filme que tanto um cinéfilo como um leigo possam desfrutar. Este 'mass appeal' era o que vinha faltando a Tarantino desde Pulp Fiction e, assim, não é de estranhar que este seja o seu segundo filme a ganhar um bom número de nomeações para Óscares. Além do impecável argumento, da extraordinária direcção artística, da fotografia e do elenco (Kruger, Fassbender e Laurent são muito bons), há uma interpretação em particular que importa realçar: Christoph Waltz. (Nota: B+)




7 - Coraline
6 - Fantastic Mr. Fox
5 - Up



No melhor ano de sempre para os filmes animados, três fazem parte da minha lista de melhores do ano. E tive que subir os três em conjunto porque não consigo distingui-los em termos de qualidade. São os três tão bons... E o que é mais engraçado, é que cada um tem grande qualidade mas à sua maneira. Adoro a direcção artística por trás de Coraline, o estupendo argumento de Fantastic Mr. Fox e a sequência de 'Married Life' de Up. Adoro a animação por detrás de cada um dos três filmes. Adoro o voiceover. Adoro as três histórias, adoro as personagens e adoro as três deixaram o meu coração mais apertado por saber que em 2011 não vou ter filmes do seu gabarito para ver. (Nota: B+;B+;B+/A-)


Aproximando-me do meu nº 1...




4 - Ágora

Continuando a caminhada para o fim do meu top... vem Ágora, que ainda não estreou nos Estados Unidos. E, por isso, sinto-me priveligiado por ter visto esta obra de Amenabar na qual o governo espanhol investiu milhões de euros. Posso já dizer que este vai ser um filme muito divisivo, com alguns a achar o seu vazio, a sua narrativa desleixada, descomplexada, a sua investida contra a história encantadora, enquanto outros consideram que isto tudo é resultado de um fraco argumento e de uma frágil vontade de conduzir a história. Certo é que Amenabar me apanhou mesmo de surpresa com este filme. Nunca pensei gostar TANTO dele. Do princípio ao fim, mesmo que com algumas falhas, o filme é tão enorme, tão imenso, tão extraordinário, que nem liguei muito para o que estava a faltar. Admito, é um pouco monótono e a narrativa é lenta e pouco interligada, mas a batalha religião-ciência-sociedade, as belas paisagens, os cenários magníficos, tudo me maravilhou. E aquele final! Surpreendente, emocional, estonteantemente belo, este Ágora é um grande filme. Já para não falar da excelente interpretação de Rachel Weisz, a heroína que o filme toma como foco da história, sem nunca nela se consumir, isto é, ela é a protagonista que o filme precisa, é sempre a ela que a história volta, mas ela não protagoniza, per se, o filme. Não obstante, Rachel Weisz domina o ecrã nas suas cenas. (Nota: B+/A-)


3 - An Education

Para muita gente, este filme só lhes lembra uma coisa: a magnífica performance de Carey Mulligan. Graças a Deus que, para muitos também, este filme ocupa os lugares de topo na sua lista de melhores do ano. É que o filme é tão grandioso a tantos níveis que eu até me perco a enumerá-los. Começando por Mulligan. Ela interpreta Jenny, uma adolescente dos tempos antigos a quem era apenas exigido estudo e trabalho para chegar a uma faculdade de respeito (Oxford). Todavia, tudo muda quando conhece e se envolve com um homem mais velho (excelente participação de Peter Sarsgaard, roubado de uma nomeação) e se vê posta entre a espada e a parede, obrigada a tomar uma decisão: o que é que ela quer para a sua vida? Se no mundo houvesse justiça, no domingo seria ela a ir buscar a estatueta. Além de ela ser excelente e exibir toda a sua versatilidade e talento, proporciona-nos um dos momentos mais raros do cinema: um momento «a star is born». Ela muda, cresce, transforma-se em frente aos nossos olhos. É uma interpretação tão forte, tão cheia de brilho, de carisma, que é inevitável uma pessoa não se apaixonar por ela. Além de Mulligan e Sarsgaard, o filme conta com belíssimos actores em pequenos papéis (Emma Thompson, Sally Hawkins, Olivia Williams, Alfred Molina, Dominic Cooper e Rosamund Pike) que ajudam ainda mais a fortalecer o poder e a riqueza e a complexidade da interpretação da jovem britânica. Um argumento cheio de moralidade, de ironia, muito bem escrito, e uma boa prestação por parte da realizadora Lone Sherfig, leva-nos a que, apesar de sabermos sempre o rumo que o filme vai tomar e de reconhecermos as falhas que o filme tem, ele nos traga uma satisfação, um prazer tão grande que é impossível não o apreciarmos. (Nota: A-)


2 - Un Prophète

O outro filme estrangeiro na minha lista, A Prophet, é a mais recente criação da escola francesa de fazer bom cinema (e não é o único: 35 Shots of Rum, de Claire Denis, e L'Heure d'Eté são outros títulos francófonos que fizeram a crítica babar-se entre elogios este ano) e, tal como o seu antecessor Entre Les Murs (The Class) o ano passado, deixou-me uma marca indelével na minha mente. Tahir Rahim é absolutamente extraordinário como o enigmático, calado, analfabeto presidiário Malik que, com 18 anos, se vê obrigado a cumprir uma pena de prisão de 6 anos. Na cadeia, Malik tem que aprender a virar-se sozinho e, mesmo sem saber ler nem escrever, rapidamente percebe o que tem que fazer para se salvar no meio das confusões entre presidiários e tão bem o faz que chega mesmo ao topo da hierarquia, na luta de poder na prisão. Jacques Audiard traz-nos um filme estupendo, poderoso, violento, profunda e emocionalmente desgastante, com subtis mas muito importante detalhes, que é impossível não seguir com toda a atenção, na ponta da cadeira, preparados para tudo. É um clássico do cinema do género. Bónus do filme: banda sonora de Alexandre Desplat, que se tornou este ano no meu compositor favorito de sempre. Que sigas a carreira de John Williams e ganhes muitos Óscares! (Nota: A-)


E o meu filme #1 para 2009/2010 é...


1 - Up in the Air

Grandiosidade pura. É talvez o meu filme favorito da década. Excelentes interpretações de Clooney, Kendrick e Farmiga. Clooney, em particular, é tão bom que até dói (papel feito exactamente à sua medida). Kendrick aproveita muito bem as suas cenas com ele para brilhar e consegue, em algumas delas, sair como força dominante, o que contra George Clooney, é raro acontecer. E Farmiga... Que química. Ela aparece-nos tão selvagem, tão superior, tão inatingível, como se tivesse toda uma aura de intocável à sua volta... Para depois, no filme, repararmos como é tão vulnerável, tão frágil, tão pecadora, tão humana, como qualquer outra pessoa. Banda sonora e argumento impecáveis, com diálogos super inteligentes, edição extremamente bem conseguida, detalhes e pormenores e timing comédico irrepreensíveis (bem ao estilo de Reitman), Tema intemporal (humanidade, mortalidade, tempo, automatização da rotina diária) que dão ao filme uma relevância cultural, económica e social enorme, de modo que se vai tornar instantaneamente um clássico do género e dentro de 20 anos ainda estaremos a celebrar o quão brilhante este filme é, pois este é o filme que vai ser o marco da nossa vida contemporânea. A forma como esta personagem, construída por Reitman, se vê de repente questionada pela fonte mais improvável, acerca das suas teorias sobre o tempo e a mortalidade, se apercebe da desumanidade e automaticidade dos actos diários, da forma como uma pessoa nunca pára para pensar, nunca se compromete em mais do que lhe convém, nunca arrisca mais além. E ele finalmente repara que não pode ser mais essa pessoa (o que está escondido nas entrelinhas do filme é fabuloso), que não pode ter vivido a sua vida em vão, que tem que arranjar algum significado, alguma razão de ser para ela, sob pena de ter de admitir que nos perdemos em coisas fúteis, superficiais e sem real valor. Reitman, que é um génio, vai ter que suar muito para ultrapassar tal divina obra-prima. (Nota: A)


E pronto, cheguei ao fim. Deixem-me nos comentários as vossas sugestões. Quais são os filmes que vos marcaram este ano?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Vencedores dos BFCA

Ontem à noite os BFCA (Broadcast Film Critics Awards), um dos maiores grupos de precursores de Óscares (os outros sendo os Globos, os SAG e os BAFTA) ditaram os seus vencedores:


Melhor Filme: “The Hurt Locker”
Melhor Filme Estrangeiro: “Broken Embraces”
Melhor Filme Documentário: “The Cove”
Melhor Filme Animado: “Up”

Melhor Realizador: Kathryn Bigelow, “The Hurt Locker”

Melhor Actor: Jeff Bridges, “Crazy Heart”
Melhor Actriz: Sandra Bullock, “The Blind Side” and Meryl Streep, “Julie & Julia”

Melhor Actor Secundário: Christoph Waltz, “Inglourious Basterds”
Melhor Actriz Secundária: Mo’Nique, “Precious”

Melhor Argumento Original: Quentin Tarantino, “Inglourious Basterds”
Melhor Argumento Adaptado: Jason Reitman and Sheldon Turner, “Up in the Air”

Melhor Direcção de Fotografia: Mauro Fiore, “Avatar”
Melhor Direcção Artística: Rick Carter and Robert Stromberg, “Avatar”
Melhor Edição: John Refoua and Stephen E. Rivkin,“Avatar”

Melhores Efeitos Sonoros: “Avatar”
Melhores Efeitos Visuais: “Avatar”

Melhor Guarda-Roupa: Sandy Powell, “The Young Victoria”
Melhor Maquilhagem: District 9


Melhor Banda Sonora: Michael Giacchino, “Up”
Melhor Canção Original: T Bone Burnett, Ryan Bingham, “The Weary Kind”, “Crazy Heart”

Melhor Elenco: “Inglourious Basterds”

Melhor Filme Comédia: “The Hangover”
Melhor Filme Acção: “Avatar”

Melhor Actor/Actriz Jovem: Saoirse Ronan, “The Lovely Bones”


Portanto, da gala saíram três grandes vencedores: Avatar (6 vitórias), Inglorious Basterds (3 vitórias) e The Hurt Locker, o maior vencedor da noite, com duas vitórias mas nos maiores prémios: Melhor Filme e Melhor Realizador. Com isto, há algumas conclusões a tirar: Sandra Bullock, ganhando o Globo - Drama (o que é provável), perfila-se como a mais directa rival de Meryl Streep para o Óscar (o que é igual a dizer que Streep vai ganhar); Up in the Air fica para trás na corrida ao Óscar de Melhor Filme em comparação com os seus dois outros rivais, The Hurt Locker e Avatar, principalmente porque se haveria um grupo que iria premiar o filme de Reitman deveria ter sido os BFCA. Se nem eles quiseram... Está complicado. A ver vamos como ficam os Globos amanhã.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Novas Previsões Óscares


Vou tentar ser o mais breve possível para não deixar aqui mais um belo e amarelo (diria a Sara) testamento.

Portanto, tudo visto (ou quase) de 2009, antes de arrancar para 2010 tenho que despachar as minhas previsões... Provavelmente só voltarei a mudar alguma coisa nelas se acontecer alguma reviravolta que eu não tenha previsto mas caso isso aconteça na véspera de anunciarem as nomeações para os Óscares eu colocarei novas previsões.

Para finalmente abraçar 2010, preciso ainda de despachar outras coisas: Filmes da Década, Actores da Década, Actrizes da Década e até Realizadores da Década. Mas lá iremos mais adiante.

[N.B.: A cor dos nomeados varia de verde escuro (mais firme) para verde claro (menos seguro) até vermelho (por uma nesga)]




MELHOR FILME (BEST PICTURE)
(1) Up in the Air
(2) The Hurt Locker
(3) Precious

(4) Avatar
(5) Invictus
(6) An Education
(7) Inglorious Basterds
(8) Up!
(9) A Serious Man
(10) Nine

Daqui, sinceramente, só consigo ver quatro seguros até agora, Up in the Air, The Hurt Locker e Avatar a formar a trifecta que vai lutar pelo prémio. Neste momento, considero que o filme de Reitman é o cabeça da corrida tanto pelo tema, como pela aceitação geral como até pelo seu precurso como realizador (três bons filmes, foi nomeado para Realizador e Filme pelo seu último, Juno). The Hurt Locker tem o poder de ter ganho a maioria dos prémios da crítica (para Hurt Locker caíram Austin, AWFJ, Boston, Chicago, Houston, Las Vegas, Los Angeles, National, NYFC, Oklahoma, SFFC; para Up in the Air foram DFW, Florida, Indiana, WDCAFC, NBR, St. Louis, Utah; para Avatar só o prémio dos NYOFC; os 3 foram nomeados para os Globos de Ouro) mas Avatar tem a receita de bilheteira, James Cameron e a adoração mundial. E o 3D. Que magnífico uso do 3D. Mas tem contra si o fraquíssimo argumento, cheio de diálogo rotundo e sem eco, além de ser um filme de ficção científica (!). Up in the Air luta contra a sua incapacidade de ser um tubarão (o que, tendo em conta o filme que é, seria o estatuto de que devia usufruir) e The Hurt Locker luta contra a dimensão do filme, o facto do seu realizador ser mulher e do facto de não ter estrelas conhecidas para suportar o filme. Precious e An Education estão provavelmente dentro também, com isto dos 10 nomeados. Invictus seguirá pelo mesmo caminho de Frost/Nixon (rasca, fraco mas silenciosamente em campanha para uma nomeação) e agora é que se coloca o dilema: quanto gostará a Academia de Tarantino e de animação? Não há dúvida que os dois filmes seguintes são adorados, mas será que é desta, com um filme animado mais fraco do que a Pixar normalmente faz, e com um filme de Tarantino claramente divisivo e com algumas lacunas (além de ser uma sátira comédica aos eventos da II Guerra Mundial), que vamos ter Up e Inglorious Basterds nomeados?

Finalmente, sobram dois lugares. Nine, A Serious Man, A Single Man, The Road, The Lovely Bones, The Messenger, Where The Wild Things Are e District 9 lutam pelas duas vagas. Nine é a escolha mais convencional. Musical divertido, cheio de estrelas, capaz de ser nomeado para muitas categorias técnicas mesmo que com críticas péssimas. A Serious Man é dos irmãos Coen (logo aí, bónus!) e tem sido muito bem recebido pela crítica, apesar de um filme mais ao estilo de Burn After Reading do que de No Country For Old Men. Se isto não correr como digo, The Road, The Messenger e The Lovely Bones estarão a postos para roubar lugares. District 9 corre por fora porque sinceramente já basta a Academia nomear um filme de ficção científica (já será um feito), agora 2? Seria histórico.



MELHOR ACTOR (BEST ACTOR)
(1) Jeff Bridges, Crazy Heart
(2) George Clooney, Up in the Air
(3) Colin Firth, A Single Man

(4) Morgan Freeman, Invictus
(5) Jeremy Renner, The Hurt Locker

Aqui parece que a categoria tem três, provavelmente quatro lugares decididos. Bem, pelo menos Bridges, Clooney e Firth estão certamente na calha. Clooney num filme candidato a Melhor Filme e com uma interpretação extraordinária, possivelmente a número 1 da sua carreira, num filme feito à sua medida. Bridges num papel que envolve todos os factores que o Óscar mais gosta (músico alcoólatra fracassado à procura de redenção). Firth num dos poucos papéis da sua já longa carreira que lhe permite mostrar toda a sua versatilidade (professor gay que perde o amante e que busca consolo numa antiga amiga que continua, depois de tantos anos, ainda apaixonada por ele). Sobram dois lugares. Freeman quase de certeza dentro, foi abraçado por alguns prémios de críticos e faz de Mandela (pessoa real!) num filme de Eastwood (bónus!). A última vaga deverá ser disputada entre nomeado perenial nesta categoria já (Day-Lewis) e entre um bom actor com um papel que lhe permitiu finalmente brilhar (Renner). Day-Lewis tem o factor Weinstein + o factor Nine + Nicole Kidman, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Judi Dench e Sophia Loren (excluí, de forma muito sábia, Fergie e Kate Hudson). Se os ramos técnicos acharem que o filme deve ser digno de nomeações nas categorias de actuação e com Marion Cotillard (estupidamente) a concorrer como protagonista, pode ser que a Academia decida premiar Day-Lewis. Apesar de Renner merecer muito mais. Rockwell, Copley, Damon, Stuhlbarg e Maguire correm por fora e será muito surpreendente se o nome deles for chamado.



MELHOR ACTRIZ (BEST ACTRESS)
(1) Meryl Streep, Julie & Julia
(2) Carey Mulligan, An Education
(3) Gabourey Sidibe, Precious

(4) Sandra Bullock, The Blind Side
(5) Helen Mirren, The Last Station


Tornou-se de um momento para o outro na categoria mais fácil de ler. São estas as cinco nomeadas em todos (!) os prémios de críticos e nos Globos de Ouro só não são porque Streep concorre por comédia (tendo sido o seu lugar nestas nomeadas ocupada por Blunt). Haverá alguma surpresa nas nomeações? Cada vez mais acho que não. Tanto porque as adversárias com poder, prestígio e com nome têm filmes que não as ajudam (Pfeiffer, Swank, Ronan), porque as adversárias com interpretações de qualidade não têm quem as premeie em catadupa (Blunt, Laurent, Saavedra), porque há filmes que têm passado (infelizmente) despercebidos (Swinton, Monaghan, Cornish, Saavedra) e até porque há actrizes com maiores possibilidades de serem premiadas na categoria de secundária do que nesta (Cruz por Nine em vez de por Los Abrazos Rotos). A única incógnita na categoria é Marion Cotillard, que tem papel secundário em Nine mas concorre como protagonista (e além disso, é bastante boa). Mas se a Academia for inteligente ela será nomeada mas na outra categoria, na correcta. E parece mesmo que Meryl Streep vai ganhar o seu terceiro Óscar com a sua personificação de Julia Child. Carey Mulligan vai levar o "selo de qualidade", as boas-vindas ao clube (como Hathaway em 2008), Sidibe é bom que seja premiada porque uma rapariga com o seu tamanho e aspecto não sei quantos bons papéis conseguirá arranjar e Mirren já tem estatuto de nomeada antes dos filmes saírem (tem mais 3 com possibilidades para 2010). Bullock é a surpresa do ano. Actriz com mais dinheiro feito em 2009, dois filmes no top 20 no ano, The Blind Side bate recordes. E ela colecciona nomeações.



MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO (BEST SUPPORTING ACTOR)
(1) Christoph Waltz, Inglorious Basterds
(2) Woody Harrelson, The Messenger

(3) Christopher Plummer, The Last Station
(4) Stanley Tucci, The Lovely Bones
(5) Matt Damon, Invictus

Os primeiros três da lista estão asseguradíssimos já. Waltz está em nº 1 mas não sei se é ele quem ganha. Os filmes de Tarantino são tão... bipolares, à falta de melhor expressão... Harrelson tem um papel do género daqueles que a Academia adora bajular. Plummer é finalmente nomeado pela primeira vez pela sua interpretação como Leo Tolstoy. Tucci também deverá estar dentro até porque toda a gente reconhece o seu enorme contributo para os filmes em que participa. E entre este e Julie & Julia, é este papel o mais favorável a lhe dar a nomeação. O último lugar vai ser disputado entre McKay (que faz de Orson Welles), Mackie (companheiro de Renner em The Hurt Locker e o digno merecedor da vaga), Damon (Pienaar (pessoa real!) num filme de Eastwood (bónus!) em que contracena com Morgan Freeman (bónus x2!) sobre eventos reais (bónus x3!) - daí a minha convicção que ele também estará dentro) e Molina (adorei a interpretação em An Education, percebo que haja gente que ache o pai de Jenny histriónico e exagerado no papel mas é um actor multifacetado que está por detrás e que já merecia ser nomeado).


MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA (BEST SUPPORTING ACTRESS)
(1) Mo'Nique, Precious
(2) Anna Kendrick, Up in the Air
(3) Vera Farmiga, Up in the Air

(4) Marion Cotillard, Nine
(5) Julianne Moore, A Single Man


Aqui nem sequer há corrida, Mo'Nique já venceu. Hands down! A piada da categoria está em decifrar quem vai ser nomeado e quem vai ser deixado de fora. E de longe esta parece ser a categoria que no dia das nomeações vai levar um abanão. Tenho um pressentimento que vamos ver aqui alguma surpresa. O duo de Up in the Air também estará seguro, deixando dois lugares a ser disputados por estas concorrentes: Mélanie Laurent e Diane Kruger (Inglorious Basterds), Penélope Cruz, Judi Dench e Marion Cotillard (Nine), Julianne Moore (A Single Man), Maggie Gylenhaal (Crazy Heart), Zoe Saldana (Avatar), Rosamund Pike (An Education), Susan Sarandon (The Lovely Bones) e Samantha Morton (The Messenger). À partida, parece-me óbvio que alguém de Nine vai ter lugar. A minha aposta cai em Marion Cotillard, até porque ela anda a fazer campanha como protagonista precisamente por ter um papel maior que as outras. E o último lugar vai para... Julianne Moore, para já. Acho que o seu prestígio e a nomeação segura para o colega Colin Firth podem ajudar a arrastá-la para a sua quinta nomeação. Mas é no lugar dela que espero uma surpresa: Cruz, Morton, Laurent e até Gylenhaal (Saldana corre por fora) estão prontas para tomar o seu posto.



MELHOR REALIZADOR (BEST DIRECTOR)
(1) Kathryn Bigelow, The Hurt Locker
(2) James Cameron, Avatar
(3) Jason Reitman, Up in the Air

(4) Quentin Tarantino, Inglorious Basterds
(5) Lee Daniels, Precious

Se The Hurt Locker não ganhar Melhor Filme, garanto que Kathryn Bigelow é quem tem as melhores chances de ganhar Melhor Realizador. Da trifecta de possíveis vencedores, é Reitman quem (de novo, já com Juno foi igual) parece o mais fraco. Cameron tem a seu favor toda a gente admitir que Avatar tem inteiramente mão sua mas Bigelow tem a seu favor ter criado o filme mais bem recebido pela crítica este ano. The Hurt Locker até pode ganhar Melhor Filme abrindo lugar a que Cameron ganhasse por Avatar (ou vice-versa) mas neste momento estou mais convicto que Up in the Air leva Melhor Filme e Bigelow o troféu de Melhor Realizador. Tarantino é sempre divisivo e a Academia já provou que não aprecia o estilo dele nalgumas ocasiões mas sempre que o filme foi um hit a nível mundial (Pulp Fiction, Reservoir Dogs) ele ganha nomeações, por isso... O último posto é que pode variar. Muito, até. Temos os auteurs se a Academia quiser fugir ao habitual (Haneke, Von Trier, Almodovar), temos os novatos com filmes de excelência (Daniels, Jonze, Blomkamp, Ford, Hoffmann), temos as mulheres (Scherfig, Campion) e até temos os habituais nomeados (Eastwood, Coen Bros., Marshall). Muito por onde escolher. Eu vou por agora com o meu quinto nomeado (a corresponder com os filmes): o realizador de Precious. Se bem que ele ter aparecido na lista dos DGA é mau omen, porque normalmente eles prevêem sempre 4 dos 5 lugares desta categoria e como Daniels é o menos seguro dos cinco... Ai que lá vem o Clint!

Música Perdida... No cinema


Mais um dia, mais uma música. Desta vez do filme cabeça-de-série dos Globos de Ouro (e previsivelmente dos Óscares). Falo de Up in the Air de Jason Reitman e esta música consta da brilhante banda sonora compilada por Rolfe Kent e da qual constam duas músicas originais, de ambas gosto imenso. Hoje deixo-vos aqui "Help Yourself" que aparece no filme numa cena pivotal, diria mesmo no climax do filme.



Infelizmente, foi copiosamente "roubada" do direito de competir (eu diria mesmo vencer) na Categoria de Melhor Canção Original. Não entrando em muitos pormenores, a Academia e em particular o seu ramo de Músicos são uma cambada de idiotas petulantes que não sabem reconhecer uma boa música quando a ouvem. Já se viu no passado com "Come What May" de Moulin Rouge! e até o ano passado quando "The Wrestler" foi eliminado da competição só para que duas músicas de Slumdog Millionaire passassem aos três finalistas. Além do ridículo que são algumas das regras, torna muito difícil que esta categoria seja respeitada, como é óbvio. Muito sumariamente, as regras dizem que as canções submetidas para aprovação na categoria de Canção Original têm que: (1) resultar de um processo interactivo entre realizador e compositor da banda sonora, (2) ser escrita e interpretada de propósito para este filme, (3) nunca ter sido exibida em lado algum, em nenhum CD do próprio cantor, nem ter sido intepretada em espectáculos públicos e ainda (4) tem que constar da lista das músicas que tocam durante o filme ou ser a primeira música que toca nos créditos. Pois, nada simpáticos que são os membros do ramo Musical da Academia. Isto foi o que eliminou, por exemplo, "Come What May". A música principal de Moulin Rouge! tinha sido escrita pelo compositor para outro filme de Baz Luhrmann e portanto foi excluída da competição (teria ganho, seguramente, o Óscar). Num exemplo oposto, "Falling Slowly", vencedor em 2007, do filme Once, foi declarada elegível para competição 1 mês antes dos nomeados serem lançados e isto porque houve polémica primeiro porque a canção tinha sido composta em 2002, 2 anos antes do filme ter começado a ser produzido e depois porque Glen Hansard e Marketa Irglová teriam interpretado esta canção num espectáculo na Hungria. Em princípio, isto excluía a música de ser aceite para concurso. No entanto, numa jogada sem precedentes da Academia, decidiram passar por cima de todos estes detalhes e aceitá-la. Como já disse, viria a ganhar o Óscar. Enfim. Politiquices.



Continuando. Depois de validadas as músicas em competição, o ramo Musical vota por rondas. Em cada ronda, uma canção tem que ter X pontos para passar à fase seguinte. Sei que para ser finalista a canção tem que ter um score acima de 8.7, o que significa, muito simplesmente, que TODOS os pertencentes ao ramo musical têm que votá-la com pelo menos 8 ou 9 para ela passar (porque abaixo de 6, se não me falha a memória, a canção é eliminada). Isto foi o que não permitiu que "The Wrestler" juntasse o Óscar ao Globo de Ouro que já possuía. Regras idiotas, não acham?


O azar de Up in the Air é, ainda para mais, a dobrar. Esta música, "Help Yourself", foi usada (em parte) num dos CDs de Sad Brad Smith, por isso não dá. Ainda por cima, a outra música (que postarei amanhã) com possibilidade de ir a concurso, que tem como título o nome do filme, "Up in the Air", também não é elegível para competição, uma vez que é a SEGUNDA música que passa nos créditos, não a primeira. Além disso, não respeita aquela treta do "processo interactivo" uma vez que Renick, o cantor e compositor da música, não trabalhou com Reitman ao longo do filme. É uma história bonita até - ele viu que estavam a fazer um filme do seu livro preferido e decidiu enviar uma música que ele tinha composto a Jason Reitman que a adorou e decidiu usá-la. Aparentemente a Academia não vai em falinhas mansas...


Aqui fica a música então...

Sad Brad Smith - UP IN THE AIR - "Help Yourself"







I know you'll help us
When you're...
Feeling better and we realise
That it might not be for a long, long time...

But we're willing to wait on you
We believe in everything that you can do
If you could only lay down your mind

I want you to try to help yourself

Take the time to take apart
Each brick that sits outside your heart
And look around you
There's people everywhere
No they don't always show
They're just as scared
And we'd be more prepared
If we pulled on through...

I want you to try to help yourself

Oceans of water underneath our feet
Terrible design
Dusty rooms you cannot sweep
Clouding up your mind

I know you'll help us when you're...
Feeling better
And we realise that it might not be
For a long, long time...

But we, we're willing to wait on you
We believe in everything that you can do
If you could only lay down your mind

I want you to try to help yourself...