segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O Porto, Letras e o Dinheiro

Bem.. parece que já estivemos mais longe do dito colapso das faculdades de letras, nomeadamente da Flup..
Preocupante? ...

Ora, não fugindo à praxe, vamos navegar na questão faculdades - €...
(Diga-se que isto não cai aqui por acaso.. é tudo fruto dumas belas aulas..)

É geral - não há €, as universidades veêm orçamentos reduzidos...
Mas, no Porto, a reitoria não tem €.. e a flup também não..
Portanto, (e não fui eu que o disse) há sempre a possibilidade do nosso ano lectivo chegar a Maio e ficar por ai..
Enquanto em Lisboa o reitor da Universidade se queixa.. A Flup pede € emprestado a engenharia..

Ora.. não tendo a faculdade receitas e não subindo a verba do O.E., a faculdade pode pagar as suas dívidas? Tenho as minhas dúvidas..

Entrentando, os eurinhos que se pedem emprestados têm um v de volta.. isto é, engenharia diz - sim, nós emprestamos, mas vocês devolvem.. Ora.. se devolvermos, voltamos ao mesmo problema..
Também há a hipótese de alegar que o € deles, que eles dizem ser proveniente de receitas extraordinárias, vem do O.E., por outras vias..
Portanto, só lhes pediram que eles fossem generosos e nos oferecessem o dinheirinho.. É normal? Pois, isso já não sei.. Eles esforçam-se, arranjam artimanhas para angariar fundos extra, tem protocolos.. e depois viram Santa Casa da Misericórdia?

A hipotese de alegar que os rendimentos são de indirectamente do O.E., e que por isso, o € também é nosso, parece-me algo deveras forçado..

Não poderia então, a faculdade de letras arranjar mecanismos semelhantes?
Resposta simples, claro que não ;) Flup com protocolos com a Metro? Nunca na vida podia acontecer tal coisa...

Eu gostava de dizer que era só uma questõ de negociação.. não é por ser faculdade de Letras que alguns dos cursos não podem estabelecer acordos e protocolos que aumentem as receitas (nomeadamente a arqueologia)..

Um acto demasiado humilhante para uma Senhora Faculdade?

Também há quem veja nisto uma forma de conduzir as faculdades de letras ao colapso e despejar nas privadas as responsabilidades de leccionar e formar os srºs de letras...

Luis O, do politécnico de Tomar dizia nas conferências que as faculdades não tinham dinheiro porque não o sabiam gerir.. estava toda a gente a fazer tudo ao mesmo tempo, acabando por não fazer nada..

Não estará na hora de abdicar de alguns luxos e partir pra reforma?

Na Assembleia da Républica dizia-se que "vem ai o fantasma do capitalismo".. parece que na Flup se diz "vem ai o fantasma da bancarrota"..

Também se disse no meio de tanta conversa que o financiamento das faculdades era atribuído de acordo com o aproveitamento dos alunos.. se assim for.. para além da questão do ensino pra estatística - we have a problem..

*

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Óscares 2008: Muito «wishful thinking»

Eu sei que a Pitoca pediu morcegos mas eu decidi deixar os morcegos (ou O homem-morcego em particular) para o lançamento do DVD do filme, a 9 de Dezembro em todo o mundo.


Além de que é esperança de milhões (e minha também) para uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme. Assim vamos para um filme que, enfim, é muito... «wishful thinking» para Óscar.

Esteve nas minhas previsões o ano todo, é verdade, mas sinto que agora que a estreia em Portugal se aproxima (26 de Dezembro) e depois de ler mais de 50 críticas e artigos se chega facilmente à conclusão que não vale a pena. Essas mesmas 50 críticas ao filme são positivas mas não AVASSALADORAS como no último filme nomeado para Óscar de Baz Luhrmann, o popularíssimo Moulin Rouge! (2001). Acho que já toda a gente percebeu de que filme se trata: o CARÍSSIMO e VISUALMENTE ESPECTACULAR filme com Nicole Kidman e Hugh Jackman, Australia. E de Nicole Kidman - que lutou arduamente (para dizer o mínimo) nos últimos anos para voltar a ser digna de Óscar (com pouco sucesso, diga-se) e continua a sua tortura por ser uma «superstar» (como Jolie, Pitt, Clooney...), largamente falada em todo o mundo (e nem sempre pelas melhores razões), com o cachet largamente expandido via divórcio de Tom Cruise (há tanto ano que isso foi!) via "autotítulo: única pessoa no mundo a conseguir torcer o nariz em Bewitched!" via... e de facto ela não consegue ser tão boa noutro género como o consegue nos dramas. E pronto... compartilha esse sofrimento com Hugh Jackman que tem de facto um talento inegável mas também tem esse «superstardom» que irrita a maioria dos críticos. E assim... passam despercebidos. O filme é GRANDE (e isto é dizer pouco!) mas não é GRANDE coisa... E assim... toda a vontade que tinha de ver o filme... fugiu.


É claro que quero ver o filme à mesma - até porque admiro o trabalho de Baz... - mas não é a mesma coisa que ir para o filme a pensar «Porra, isto é capaz de limpar alguns Óscares...». Continua no entanto a ser um clássico a considerar. Pode ser que melhore no tempo. Nota final: (a ser anunciada quando de facto vir o filme, mas pelas previsões: 14)



Fica o trailer...









Mais a seguir ao sinal... :)

Bom dia!

SPORTING C.P. - ESTRELA AMADORA, 3-1

O Sporting acabou de terminar o jogo no Estádio José Gomes, aka Reboleira, onde derrotou o Estrela da Amadora por 3-1 e conquista 22 pontos, ganhando igualdade pontual com o Benfica (que joga domingo na Madeira) e a um ponto do Leixões (que joga segunda em Guimarães). Este triunfo abre boas possibilidades a uma aproximação dos meus leões aos dois da frente, uma vez que ambos têm jogos que teoricamente podem perder. Assim sendo, força Sporting!

No entanto, começou muito mal o jogo. O Sporting não controlava, sofreu o golo aos 5 minutos por Anselmo e conseguiu miraculosamente o empate por Izmailov aos 9 minutos. Depois seguiram-se 15-20 minutos de Estrela a mandar jogar e o Sporting a ver. A partir da meia hora assistimos finalmente a alguma entrega no jogo por parte do Sporting e a partir daí mandou e ditou regras. O Sporting podia mesmo ter sofrido o 2-1 aos 21 minutos por Anselmo mas também podia ter marcado por duas oportunidades flagrantes de Liédson (41') e Miguel Veloso (37'). Intervalo, 1-1 na Reboleira. Jogo mais ou menos equilibrado, resultado que se aceita.

Para a 2ª parte, Sporting bem mais motivado, abre a 2ª parte praticamente com o 2-1, grande cruzamento de Rochemback e o nosso Levezinho a fazer o que sabe - a aparecer onde ninguém esperava e a cabecear lá para dentro. Continuou por mais tempo a desperdiçar oportunidades até à entrada de Vukcevic. Em apenas 75 segundos em campo Vuk fez o 3-1 e resolveu a partida. Assim. Simples. Com um remate sortudo. Mas merecida era a vantagem de dois golos e Vuk também merecia. Pelo que passou. Pela volta de 180º que deu ao comportamento. Pelo Sporting que precisava dele. Ainda bem.

A. ACADÉMICA COIMBRA - FC PAÇOS FERREIRA, (...) - Previsão: 1-0 (e já é muito!)

Amanhã joga a Académica no Estádio Cidade de Coimbra (e não Municipal de Coimbra como muitos jornalistas iletrados lhe chamam) com o Paços de Ferreira. Espero (porque vou ver o jogo) uma vitória da minha Briosa. Que tem mais valor do que tem mostrado. Que foi roubada em Coimbra contra o Benfica (nunca teria perdido não fosse o pénalti maravilha) e que foi infeliz no Porto (deu muito muito trabalho ao Jesualdo... Faltou um pouquinho mais). Tem 9 pontos e está perto da zona de descida, por isso espero que Garcés, Lito, Sougou, Luis Nunes, Pedro Costa, Peskovic, Berger, Pavlovic e companhia consigam a inspiração necessária para levar 12 pontos no fim do jogo. É que com os 12 pontos a AAC passa à condição para o 8º lugar! (um salto de basicamente 5 lugares!) Espero e desespero... Força Briosa! «Briosa... Chama ardente... Alma presente... Vamos ganhar!»
Jorge Rodrigues

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sessão II - Ensino e Carreiras, versão III

Tema II – Quem pode ser arqueólogo. Será o título académico suficiente?

Maria José Almeida

Actividade arqueológica regulada na lei de bases da cultura – quem podia ser arqueólogo na função pública – mas as carreiras da função pública foram extintas.. Portanto – 1ª lacuna da lei.. Ora portanto, muito interessante..

Outra lacuna da lei – quem pode requerer trabalhos arqueológicos? Qual é a habilitação necessária? Para todos os efeitos – Licenciatura/1º Ciclo.
Leis que remetem para leis que já não estão em vigor.. – mas deve haver quem seja feliz assim.. ;)

Portanto, um arqueólogo é “um indivíduo que se dedica à arqueologia” – definição do dicionário – ora bem.. parece que dedicar-se à arqueologia, é um passatempo.. É quase como gerir uma colecção de pacotes de açúcar..
“Tens este?” “Tenho” – então não é preciso guardar.
“Este tá um bocado estragado. Distrai-me e virei-lhe café” – “Ah, não faz mal”
“Olha, vai haver um encontro de coleccionadores não sei onde, queres ir?”
Um exemplo muito estranho, mas o que me dizem em relação à glicofilia, uma coisa encarada como passatempo, divertimento.. Porque uma vez saiu uma colecção de pacotes com comboios e comecei a juntar.. É quase o mesmo que dizer – Vi um filme muito engraçado, Indiana Jones.. É aquilo que quero ser quando for grande :)
Bem.. tanta coisa para dizer que, à semelhança do que se disse na conferência, o conceito de arqueólogo parece remeter para um passatempo..
Infelizmente, é assim que é encarado por muita gente.. Sem se ter consciência do peso moral que esta actividade tem.. Porque uma coisa é enganar-me e perder um pacote de açúcar, ou virar-lhe café em cima.. Outra, é destruir património que não é meu.. e que depois de destruído, não há volta a dar – será assim tão difícil perceber a responsabilidade ética e social dum arqueólogo?

Titulo académico suficiente? Não.
Bem... em Portugal, não há uma preocupação com a qualidade do trabalho; as empresas não têm vantagens por ter pessoal mais competente..
Mais um bocadinho só falta colocar anúncios no jornal semelhantes aqueles “dá-se explicações” “toma-se conta de crianças” ou, porque não, “observam-se máquinas a trabalhar”, “fazem-se covinhas no chão”, “limpa-se mato”..

Sendo a arqueologia uma ciência social, a sua principal função é ser socialmente útil..

“Ser arqueólogo é um processo contínuo, nunca se esgota” MJA
“Até aqui estudei – agora vou trabalhar e nunca mais pego em livros na vida” – esqueçam lá isso :)

O que eu acho que se esgotou foi a legislação – e não, os srºs das leis não estão muito preocupados com isso não..

José Morais Arnaud

Há 40 anos, escavava-se em valas, não se dava importância à estratigrafia.. era mais do tipo “anda cá estruturinha, anda cá” ou então “quero uma estrutura, quero quero quero.” – e de preferência com um bilhete a dizer:

“Srº do futuro, não sei como se vai chamar esta actividade quando se resolverem a estudar o que eu andei a construir nos inícios do povoamento desta terra. Provavelmente, nalguns países, alguns de vocês vão-se chamar bandidos, outros malucos, outros ainda corajosos, futuristas, materialistas ou, porque não, simplesmente desactualizados.
Bem, para que não restem duvidas, eu construi este sitio neste dia, a esta hora, a uma altitude de x com a ajuda de y pessoas que desempenharam um determinado papel nesta comunidade. Ora pra nos, uma comunidade é isto e aquilo. Acresce-se ainda que, de vez em quando, o cozinheiro junta umas ervas que dão um sabor magnifico à comida, que nós começamos a cultivar ali no fundo do monte, junto ao rio, depois de terem cá vindo uns senhores com um aspecto muito estranho trazer-nos isso juntamente com uns seres de quatro patas que se mexem. Voltando às ervas, nessas noites, normalmente, reunimo-nos todos neste sítio, e fazemos aqui práticas rituais. E vocês devem entender por ritual isto, isto e isto. Às vezes, há cá uns acidentes e nós deixamos aqui vestígios disso – se os encontrarem, por favor, tentem procurar o meu copo, era o meu preferido, mas partiu-se durante esta noite. Assim, porque este sitio me marcou negativamente com a perda do meu copo, o meu património, decidimos abandoná-lo. De qualquer forma, vinham por ai uns bárbaros saltar-nos em cima.. só nos adiantamos um bocadinho.
Espero que este meu relato vos venha a ajudar quando tentarem escrever a vossa história sobre o que aqui se passou.”

Isto tudo só pra dizer que muito boa gente continua em busca das coisas que melhor lhe convêm pra justificar a sua teoria.. e bem, as purgas sempre foram uma boa maneira de eliminar o que não interessa ;) – note-se que eu e a hipérbole e a ironia damo-nos muito bem de vez em quando : ).

Continuando com a sessão “O futuro não é muito risonho para os mais jovens” – podemos tirar um curso, e outro, e outro.. e fazer arqueologia nas férias, definitivamente Arqueologia + Portugal = loja de shopping (note-se que sendo de “Letras” não sei fazer continhas .. acrescente-se que há sempre a excepção que confirma a regra)

Bolonha não passou de 4 para 3, mas de 4 para 5. O 2º ciclo devia incluir uma componente mais prática, mais vocacionada para o mundo profissional. – precisaríamos dos ditos mestrados integrados.. mas isso..

Entretanto, temos os fornos todos a produzir objectos com defeito – vamos atingir a saturação – aposta devia passar pela requalificação..

A minha dúvida.. isso faz-se como? Fechando cursos? Diminuindo vagas? – parece-me que esta ultima hipótese resolveria muitos problemas (já me manifestei algures num post sobre ensino em Portugal que anda praqui) mas ia levantar outro – era mau prá economia.. lá se ia o € das propinas de uns quantos..

Miguel Almeida, Dryas Arqueologia

Explicados os fundamentos da Dryas – centro interpretativo que valoriza relação com a sociedade, vertente empresa – porque é preciso €.

Falhas na formação – Sim – Ex: Ciências da Terra

“Mercado desqualificado, desregulado e esquizóide” – o estado não impõe coisa nenhuma (a dita fiscalização tb não há) e a qualidade tem custos.
Portanto empresas qualificadas têm que formar o seu pessoal…
É preciso mudar o mundo da arqueologia – Reestruturar uma organização central recentemente reestruturada.

A formação actual é deficiente. Pois, e não se aprende a descrever uma estratigrafia não..

Debate:
“Se os governadores dos bancos são bandidos, porque que os da arqueologia não podem ser?” L.O.
Bolonha – coisa idílica – mobilidade entre universidades? Cadeiras opcionais? (ah, opcionais obrigatórias :p)
Bem, o último tema brevemente ;)
*

Óscares 2008 - Arrancamos em definitivo!



Estamos na hora. Chegou o momento. A temporada dos Óscares começou ontem. A caça à estatueta mais desejada no mundo do cinema está a principiar. São muitos os candidatos, mas só UM chegará ao topo. Para já vamos neste blogue fazer semanalmente previsões sobre os prémios mais valiosos da cerimónia: Melhor Filme, Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Realizador, Melhor Actor Secundário e Melhor Actriz Secundária.



Bem... E começamos pelos filmes em exibição com valor para Óscar. Diariamente farei questão de vos mostrar um a um, com direito a um pequeno resumo, a minha opinião do filme e as suas hipóteses para conquistar a estatueta. E vamos desde logo ao filme de hoje... Já que a Sara o pediu...


Wall-E (estreou em Junho/08 nos E.U.A., Julho/08 em Portugal)



É um filme que dispensa, desde logo, apresentações. O pequenino e caricato robot colector de lixo cativou a atenção dos espectadores que se dirigiram às salas de cinema no Verão e ganhou, de facto, espaço no seu coração. Wall-E é de resto a nova pérola da Pixar que decidiu, uma vez mais, subir a fasquia. E conseguiu superar todas as expectativas. O filme é genuinamente belo: fala da história de Wall-E, um robot cuja função na Terra é recolher o lixo deixado pelos humanos que partiram há muito tempo do seu planeta, por este se encontrar impossível de habitar. O problema é que Wall-E não é um robot qualquer: a sua memória deve ter qualquer tipo de defeito, porque este robot tem personalidade, tem carácter, mostra-se curioso, receoso, amigável, amável, generoso e outras qualidades que o aproximam muito mais de um humano do que o se poderia, à partida, imaginar. Ele tinha, de facto, um problema: sentia-se só. A cena em que se dá conta da solidão de Wall-E é tocante: ele vê um vídeo de «E tudo o vento levou» com Clark Gable, uma cena célebre, em que ele agarra a sua co-actriz e lhe pede uma última dança; Wall-E aperta as suas mãos como se esperasse por qualquer tipo de contacto com outra pessoa - ou mesmo ser. E eis que vê o seu desejo tornar-se real quando EVE, uma robot ultra-sofisticada, chega à Terra para inspeccionar a existência de vida. Wall-E e Eve passam algum tempo juntos até que Wall-E lhe mostra uma planta que recolheu da terra. Eve acciona o mecanismo que a faz retornar à nave onde se encontram os restantes humanos e abandona Wall-E. Este parte então na viagem da sua vida: vai em busca da única «amiga» que teve. A história é fascinante, a dimensão humana que estes dois pequenos robots mostram é impressionante. Nota final: 16.


Merece ser visto por toda a família. Andrew Stanton (o criador e chefe executivo da Pixar) conseguiu - uma vez mais - o seu objectivo. E ganha um clássico da animação, um clássico do cinema em geral, porque este WALL-E é, de facto, uma pérola, uma gema preciosa de valor incalculável. Provável nomeado - e vencedor - do Óscar de Melhor Filme Animado, Wall-E conseguiu este Verão conquistar a admiração à escala mundial, lançando muitos rumores e isco de Melhor Filme. Será que esta pérola da animação consegue de facto o prémio máximo, uma nomeação para Melhor Filme? Na minha opinião, acho que não. Porque é um filme de género (e ainda para mais um género que é premiado pela Academia separadamente - maldita categoria de Melhor Filme Animado!), porque é um filme direccionado para o público infantil e porque sobretudo NÃO TEM o isco e o orçamento e uma grande indústria por trás (como a Warner Bros. ou a Miramax... a Disney tem reconhecimento mundial mas não é propriamente por fazer filmes com inegável Oscar-quality)... Assim, ficamo-nos só pela admiração. A verdade é que passado cerca de três semanas chegou - talvez infelizmente, talvez não - o FILME DO ANO: E com o filme do ano todo o «rumor, boato, isco» fugiu. Batman - THE DARK KNIGHT assumiu-se logo de seguida como o blockbuster do Verão, roubou a atenção do público, dos críticos e dos amantes de cinema.



No entanto, talvez haja esperança para este filme. A maioria dos verdadeiros concorrentes ao Óscar falharam no seu pico. Changeling, Australia, Defiance, entre outros, falharam em conquistar o público. E mesmo a maioria dos filmes para Óscar agora em estreia nos Estados Unidos da América - «The Curious Case of Benjamin Button», «Milk», «Revolutionary Road», «Doubt», «The Reader» - todos estes perderam uma boa parte do seu potencial para Óscar. E o buzz (leia-se isco, leia-se apelo) ficou-se pelos filmes do Verão, muito curiosamente.

A maioria dos cinéfilos já chegou à conclusão que o Óscar este ano JÁ VAI premiar um filme de género: The Dark Knight pode ser um filme baseado num superherói de BD, mas conseguiu o estatuto de filme do ano, #2 maior receita de bilheteira de sempre (o #1 foi Titanic e esse sugou 11 das 14 estatuetas para as quais estava nomeado) e aclamação mundial. Além disso as audiências da cerimónia fora baixando desde que filmes independentes (Crash em 2005, No Country for Old Men em 2007, The Departed em 2006, Million Dollar Baby em 2004) conquistaram o prémio máximo - em 2003 fora «O Senhor dos Anéis: o Regresso do Rei» o vencedor e os Óscares, devido à massa fanática pela trilogia, conseguiu das melhores audiências televisivas de sempre. Assim, é mais ou menos acertado dizer que THE DARK KNIGHT será um dos nomeados. E é um filme de Verão. E teve imenso buzz - a morte de Heath Ledger (o Joker) ajudou - mas o filme é excelente. E tem a seu favor a queda de todos os outros. E por isto estou convencido - e a maioria também está - que será nomeado para Melhor Filme. Podemos estar enganados (a Academia engana algumas vezes) mas...


E assim Wall-E perde manobra. A jóia de filme que é não merecia este desprezo - mas porque não dois filmes com género específico (BD e animação) ganharem o direito de estarem no 'top 5'? Pode ser que a re-visualização do filme (feita sempre por altura do Ano Novo pelos votantes da Academia) amoleça alguns corações... É difícil, mas não é impossível...

Agora pergunto-vos: o que acharam deste filme?


Fica o trailer do filme, para quem ainda não viu...



Beijinhos às famílias! Saudinha xD

Jorge Rodrigues

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sessão II - Ensino e Carreiras, versão II

Vamos lá continuar com elas ... ;)
Luís Oosterbeek

As nossas universidades não têm dinheiro porque não o sabem gerir – professores são todos iguais. Defesa de modelo como nas universidades europeias. Professores assistentes, investigadores dividem tarefas entre si.
Ideia – não vão todos a reuniões, nem dão todos aulas. Não se queixam de excesso de trabalho porque souberam dividi-lo.

Enquanto não acertarmos no modelo, o “que não formamos aqui, forma-se lá fora” – “Estamos a formar para o desemprego” – Má adaptação de Bolonha.

Para haver uma boa aplicação de Bolonha e isso ter resultados práticos no mercado, é preciso envolver não arqueólogos – importante contribuir e interagir com outras áreas, nomeadamente com a gestão.

“Se em Portugal ser mestre começa a ser uma condição sine qua non para exercer arqueologia, há espanhóis prontos para trabalhar”.

Apresentados dados comparativos com países europeus do número de arqueólogos por habitante, entre outros …

Lino Tavares Dias

“Em Portugal, a arqueologia faz-se a reboque da obra pública ou então, para acompanhar a destruição”
Digo eu.. ainda bem que já se reconhece isto.. Alguém, a semana passada, dizia que não acreditava na arqueologia “comercial”… Pois que a mim me parece algo deveras sinistro e assustador.. Digo eu que em 5 dias não se fica a conhecer uma região para se fazer um acompanhamento com algum grau cientifico.. Claro que ajudaria se tivéssemos uma base de dados actualizada, correcta e precisa – mas isso, já são outras histórias…

Houve uma altura em que em Portugal se sentiu falta de técnicos intermédios – é nesse contexto que surge a escola do Freixo – formação feita em contexto de trabalho.

“… Um estudante universitário, a partir da praxe, já acha que é doutor” – bem, há de tudo sim.. mas eu não seria tão dramática nisto.. Claro que há os que acham que o conhecimento nasce todo connosco, portanto, páginas tantas, nem valia a pena ir pra faculdade.. Faziam-se as covinhas no jardim, treinava-se a prática.. A teoria, bem, use-se a imaginação..

E.. o belo e amarelo período de debate…

Algumas realidades, “formar arqueólogos com cadeiras de economia pra saberem gerir a sua empresa”…

Faltam as duas sessões da tarde : )
*

Primeiro Post do Jorginho :)

Que dizer num primeiro post? :)
Bem... revelo a minha ambição: tornar o blogue referência no panorama bloguista nacional!


Agora em termos de ambição pessoal: queria tornar o blogue referência de cinéfilos e viciados em TV nacionais... É muito difícil mas sei que talvez cheguemos lá... ;)

Enfim... agora que tenho isto dito... Agradeço à Sara por (finalmente) me ter aceite por cá :D E espero que não se arrependa de me ter trazido para cá :D


Pergunto-vos agora: Viram algum filme recentemente (DVD, cinema, TV) que vos tenha enchido o olho? Contem-me tudo!



CINEMA. Brilhante, mágico. Se forem ao meu perfil vão poder consultar uma lista de filmes que acho que qualquer pessoa devia ver antes de ser tarde demais. Para os filmes (alguns deles são dos anos 30 e 40... :D) e para eles (para não morrerem ignorantes).


Outro grande interesse é a TV. Pronto, tenho de confessar, não vejo muita televisão, mas quando vejo algo de interesse fico grudado. Mesmo. Pronto, que é que vou fazer? ;)



Enfim... O último grande interesse... o desporto. Futebol, basquetebol, ténis. Principalmente. U.D. Oliveirense, A. Académica de Coimbra e Sporting C.P. em particular. Não se admirem de ver aqui clubismo exacerbado da minha parte. Tenho muito orgulho nestas três estampas do futebol português. Apesar de neste momento o futebol português não seja grande motivo de orgulho... Até porque tivemos o nosso SUPER MENINO MIMADO, Cristiano Ronaldo, nomeado melhor do mundo. É justo, de facto. Mas ele nunca terá a força mental nem o carácter para ser um vencedor gracioso. Kaká e Messi são 2000000000000x vezes mais simpáticos e nem por isso menos talentosos. E nos confrontos directos (Kaká x Ronaldo e Ronaldo x Messi) foram sempre os outros dois a levar a melhor :)


Bem... Deixo-vos com cinco filmes para o resto da semana...

3ª feira - Into the Wild (2007) - acho que de facto vale a pena ver, pela perspectiva de vida que dá
4ª feira - Batman Begins (2005) - deu ontem na TV, até fiquei admirado (e seguido do Filadélfia, maravilhoso filme também :D)
5ª feira - Gone with the Wind (1929, 1960s) - qualquer um deles é fantástico; se não conseguirem nenhum deles, recomendo que vejam, por exemplo, O Padrinho I. Clássico.
6ª feira - Dia de cinema. Vão ver Entre les Murs (A Turma). Genial.
Sábado - Dia de descanso. Dá para maratona Nolan: The Dark Knight (dia de lançamento - 6 de Dezembro), Batman Begins (se quiserem ver os dois juntos xD), Memento, Insomnia, The Prestige. Nada a dizer, Nolan é neste momento top 5 dos realizadores de Hollywood.
Domingo - Dia de descanso absoluto. Não há filmes neste dia. Bem, talvez um pequeno. Vão ao cinema e riam-se com Madagáscar 2: Fuga para África. Hilariante!





P.S. 1: ih ih ih! Viva os Benfas que levaram 2 pelo (dito cujo) acima! Grande Vitória!
P.S. 2: Raios e coriscos para o FC Porto que, não sabendo bem como, derrotou 2-1 a MINHA Académica.
P.S. 3: Oliveirense 2-1 Feirense. E já fugiu a lanterna vermelha... ;)
P.S. 4: Farto de P.S.s! :D

Abraço à malta (beijinhos às famílias, saudinha!, tudo de bom) :) Sempre ao dispôr,
Jorge Rodrigues

O Regresso (Ou então não) (Mas sim, é mesmo o regresso xD)

Depois de uma longa ausência, derivada a motivos mais fortes (preguiça e sem ideias para postar lol), cá estou eu de novo.
E porque voltaste? Perguntam vocês.
Porque a Sarinha fez-me um ultimato, que ou eu voltava a postar, pelo menos uma vez por semana, ou era demitido do cargo que ocupo.
E como a vida tá difícil, estamos em crise, tenho de fazer um esforço para manter o meu único sustento financeiro.
Sim, porque ela paga-me para eu andar por aqui a dizer parvoíces, e não é pouco.
Para manter uma moradia de luxo, com piscina, court de ténis e campo de futebol, para não falar da garagem cheia de carros, como Rolls Royce, Ferrari, McLaren Mercedes, Lamborghini, Aston Martin e outros mais, tenho de ser bem pago.
Ou apenas ser administrador do BPN xD
Bem, hoje fico-me por aqui...
Aguardem pelas novidades.

Ate já...

Serigaigai, iupi iupi ai =P

Mais um..

Ora, uma pequena novidade..

Tendo em conta o actual estado de coisas e o facto de o mundo estar perdido, tenho a comunicar que este blog vai passar a contar com mais uma participação sinistra, assustadora, perdida, bela e amarela... A do Jorge..

Bem.. tendo em conta que é mais um cidadão oliveirense, mais um sportinguista, viciado em desporto e que quer escrever sobre os óscares..

Alertam-se os demais que o conteúdo das suas mensagens pode ser terrível - tendo em conta descrições de cirurgias e elementos sinistros do mundo universitário da FMUC - Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra..

Não me cheira que precisem de ser mais elucidados sobre esta criatura que consegue ser pior que eu em quase tudo..

Ora, votos de boa sorte para a personagem..
E espero que traga a discussão assuntos até agora ausentes deste Mundo Perdido..
Entretanto, manifestem-se ;)

*

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O orçamento e a cultura..

Excerto de notícia do público de 28 de Novembro de 2008
Artigo de Campos e Cunha "Orçamento em tempos de crise"

... "Outra sugestão de despesa é a exploração e a pesquisa de zonas arqueológicas cuja existência é conhecida, mas sobre as quais nada se sabe. Dizia-me um amigo americano que Portugal tem um potencial arqueológico absolutamente ímpar no mundo. Temos de tudo um pouco, temos paleolítico, celta, fenício, romano, bárbaro, árabe, etc. A nossa melhor estação arqueológica é Conímbriga e nem essa está integralmente estudada. Mas o abandono do Cromeleque dos Almendres, de Foz Côa, dos castros,
das mamoas, das vastas e inúmeras ruínas romanas faz dó. Há arqueólogos, historiadores, botânicos, zoólogos... no desemprego. Há pequenas obras para pequenos centros explicativos que tornariam pequenas empresas de construção viáveis. Etc, etc. O país ficaria mais atraente para o turismo de qualidade, que não o é, criávamos
emprego e não hipotecávamos o futuro, pelo contrário.

Uma terceira sugestão (bastaria copiar dos espanhóis) é aumentar o orçamento da Cultura. Durante os próximos dois anos, pelo menos, é natural e esperada uma
crescente dificuldade em obter apoio mecenático das empresas para as actividades das instituições culturais e para continuar a comprar obras de arte para as colecções
nacionais. Por outro lado, deverão aparecer boas peças de arte a preços excepcionalmente baixos, que deveríamos aproveitar, pois Portugal é paupérrimo em
colecções de arte. O Orçamento para 2009 faz exactamente o contrário.
Estes exemplos, entre muitos, são despesas que podem ter consequências quase imediatas na economia, que melhorariam significativamente a qualidade de vida dos
portugueses e com elevado impacto no emprego. Mais ainda, porque são pequenos
projectos, não criam problemas orçamentais a prazo, porque são limitados no tempo."

Diria eu, ideias não faltam.. Falta apenas quem as aplique..
Confesso que ver a arqueologia e o património como fonte de resolução deste dito problema teria a sua piada.. Obrigaria muita gente das ditas "ciências exactas" ou melhor, que não se formam em cursos das Faculdades de Letras reconhecerem que afinal esta área científica "serve, afinal, para alguma coisa"..
Lá se iam as frases do tipo "Estudar o passado não interessa. Temos é que estudar o futuro".
Pois, Património por estudar não falta.. Claro que associar a vertente turistica e comercial demasiado aos sitios me parece ligeiramente perigoso.. Mas o equilíbrio sempre foi uma boa solução, tudo qb.

Parece que nem toda a gente acha que a cultura é um bichinho que só serve para comer dinheiro sem dar algum retorno..
Mas.. é este o pensamento que reina nos ditos "homens do futuro"..

"Portugal, Portugal.. enquanto ficares à espera, ninguém te pode ajudar.."