sábado, 13 de dezembro de 2008

Arqueologia in Cultura. Cultura in Sociedade.

É ciclico.. um período sem post e uma data deles no mesmo dia..

Enfim..

Apenas tenho a declarar, debater, deixar em aberto uma questão que me irrita de forma bastante pronunciada..
frases como: "com quê que o ministro da cultura se tem que preocupar?"

"se não houvesse um sem número de outras ciências, qual era a utilidade do conhecimento histórico/arqueológico?"

"obviamente que esse tipo de coisas ditas ciências não interessam"

Agora pergunto-me, qual a importância da arqueologia? Aos olhos de muita gente não é nenhuma.. Parece que há pessoas de ciências exactas que se acham demasiado superiores para perceberem que há outro tipo de coisas para além das suas palas de cientistas exactos..

Parece que a cultura não diz nada a determinadas pessoas, que a veem como perda de tempo, gastos desnecessários.. - nesse caso, vamos acabar com a cultura.. Mas, em última análise, que coisa é esta de cultura?

Bem, mais vale chegar primeiro ao significado dos termos e depois partir para o debate..

Falar de cor..

A ideia não é haver ciências mais ou menos importantes.. Porque sem medicina tavamos todos mortos, vamos investir tudo nisto porque é fixe, dá dinheiro e é útil à sociedade..

Ainda bem que tenho em casa um médico que não pensa assim, e que acha claramente que o equilíbrio consegue ser uma boa solução!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Briosa!

Pronto, fui acusado (injustamente, acho eu, mean_machine xD) de clubite aguda mas pronto...
A minha GRANDE Académica venceu o Paços de Ferreira por 2-1 num grande jogo de futebol mas uma vez mais tivemos de sofrer para sair vencedores. E sofremos por nossa culpa. Numa primeira parte que podia ter acabado com 3-0 para a equipa da AAC e numa segunda que podia ter terminado com mais um ou outro golo, a AAC começou bem, continuou bem durante toda a primeira metade e depois, não sei porquê, deixou o Paços à solta um quarto de hora. E eles fizeram o que deviam. 1-1. Depois foi sofrer, sofrer, sofrer e quando já ninguém - nem eu! - acreditava, o Orlando sacou a vitória aos 88'. Grande Briosa. 12 pontos. 9º lugar. Nada mau.

A seguir no fim-de-semana em Portugal:
Leixões-Benfica; Cinfães-FC Porto (este 2º jogo se calhar nem vale a pena seguir, tão ridículo que vai ser o resultado) - Taça de Portugal
Sporting-Marítimo - Taça da Liga

Filme da Semana: «Little Miss Sunshine (2006)»

Bem, de volta estou com mais um filme esta semana. Não, não falo de Óscares 2008 nem de futebol (neste post, pelo menos! :D)


Trago um filme que é um regalo para os olhos de qualquer amante do cinema: «Little Miss Sunshine», nomeado para os Óscares de 2007 (quatro nomeações, melhor actriz secundária - Abigail Breslin -, melhor filme, melhor actor secundário (Alan Arkin) e melhor argumento original; ganhou os últimos dois).


Muito simplesmente, o filme conta a história desta menina da foto (papel brilhantemente desempenhado por Abigail Breslin, conhecida por filmes como «A Ilha de Nin» ou «Para sempre talvez», deste passado ano) que decide muito simplesmente concorrer a um daqueles concursos de beleza. E a família, conhecedora desse sonho, parte à aventura com ela atravessando grande distância juntos. Outra das personagens que eu adorei no filme foi a de Alan Arkin, o patriarca da família, que encoraja a menina a perseguir o sonho. O filme conta ainda com Toni Colette, Greg Kinnear, Steve Carell (os três muito conhecidos) e Paul Dano nos principais papéis.





Além de me ter feito rir constantemente e de ter, de facto, um argumento muito escrito, este filme é daqueles tipos de filme que não estamos à espera de gostar (tal como «Juno» o ano passado) mas que acabamos por adorar, porque é simples, porque é engraçado, porque é... nem sei explicar bem. Vão ver o filme. Talvez já estejam a perceber como acaba esta bela história, talvez não. Não vos vou estragar a curiosidade. Nota final: 18

Poemas perdidos

E depois sou eu que deixo isto ao abandono... =P
Cá vai mais um dos meus poemas.
Espero que gostem =)

"Solidão II"
Tristeza e solidão
É o que eu sinto cada vez mais
Cada dia que passa estes sentimentos aumentam
Não sei mais o que fazer
Sinto-me triste e cada vez mais sozinho
Sem ninguém com quem partilhar o que sinto
Ninguém com quem partilhar as alegrias e tristezas
Sei o que é amar
Mas sei mais o que é sofrer por não ser amado
Nesta porcaria de mundo de ódios e guerras
Não há nada mais bonito que o amor
Amor puro e verdadeiro
Entre duas pessoas que se completam
Será tão difícil encontrar um amor assim?
Ou talvez um amor assim não exista
Talvez seja um produto da minha imaginação
Sinceramente não sei
Cada dia que passa
Começo a achar que um amor assim não existe
Mas no fundo do meu coração ainda tenho a esperança
A esperança que um amor assim realmente exista
Um amor puro e verdadeiro
De alguém que me complete
Alguém que hei-de encontrar
Em qualquer dia...
Em qualquer lugar...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sessão II - Ensino e Carreiras, versão IV

Bem.. e finalmente, para concluir o ciclo de comentários/reflexões à Sessão II das conferências...

Sessão III - Emprego e Empregabilidade em Arqueologia

Pedro Faria (Igespar)

Não há normas que regulem as empresas e os seus requesitos.

"Há uma série de Arqueologias que entupiram o mercado".

Falta fiscalização. - Algo já referido na 1a sessão em que se chegou mesmo a pedir ao Sub-director do Igespar, Cunha Ribeiro, que houvesse mais fiscalização.. Ora, se são CM, empresas, e próprios elementos do Igespar a pedir.. - Algo está podre no reino da Dinamarca..

Quanto a Bolonha - trará beneficios, porque trás especializações. - bem, o actual modelo da flup trás menos conhecimentos.. mais ou menos específicos..

Ora portanto, não há normas, nem fiscalização, quanto mais barato for o serviço duma empresa, mais depressa é escolhido esse projecto.. Não andamos, porventura, a chover no molhado?

António Carvalho, CM Cascais

Autarquias como fonte de emprego em arqueologia. - eu também gostava de ser ;) mas.. talvez volte a pegar nisto.. lol ;)

Apresentação de dados quanto ao nº de intervenções arqueologicas - Portanto, vence o litoral..

Fazer arqueologia numa autarquia é possível e viável - com a revisão dos PDM; necessidade de Cartas Arqueologicas; e.. a parte de que as autarquias, como poder local, devem contribuir para a construção de um passado da região ... - qualquer dia estou eu a dizer que devemos contruir uma herança comum, e que é ela que vai acabar com todas as outras diferenças da nação :p lol
Portanto, como o estado se demitiu das suas adoráveis competências, vamos responsabilizar as autarquias com os deveres do poder central e do local - depois queixem-se ao monumento ;)

Aposta no património sub-aquático - as cartas de potêncial sub-aquático..

Os outros dois conferêncistas que estavam no plano não poderam estar presentes pelo que ficamos com uma perspectiva muito optimista do trabalho arqueológico numa autarquia..
Há dias, alguém me dizia que quando acabasse o curso gostava de trabalhar numa autarquia, não se fazia nada e sempre se ganhava "tempo" e dinheiro.. - bem, eu não sou muito apologista deste tipo de ideias (de não se fazer nada e se ganhar dinheiro).. mas..

Seguiu-se, depois, um intenso período de debate onde se levantou o problema dos recém-licenciados e, no qual alguém disse: "É que já não pode ser só incompetência" ;)

Entretanto, a minha moral da história de tudo isto (sessão II) -
Fazer arqueologia é útil, importante - isso não é discutível..
Vale a pena investir nisto em Portugal? Tenho as minhas dúvidas.. (enquanto houver pessoas que têm medo de perder os seus lugares para os que saem do forno.. enquanto houver tantas incompatibilidades de cargos..)
Portanto, vou ser arqueóloga (quando acabar a licenciatura), no papel :) exercer a actividade é outra história completamente diferente e na qual deposito sérias dúvidas. A hipótese que muita gente levanta do "mudar de curso".. bem, sou demasiado teimosa pra tal coisa portanto ;)
Se vos ocorrer pensar - então porque é que não te manifestas-te na conferência? bem.. "sou ainda muito nova" :)

Ora portanto, dia 13, próximo sábado, a terceira e última sessão - Arqueologia, Museus e Espólios Arqueológicos. :)

*

Poemas perdidos

Esta é a minha nova coluna semanal lol
Como poeta que sou, venho aqui mostrar a todo o mundo e arredores, a minha veia poética.
O primeiro poema, escrevi eu tinha uns 18 anos (bons velhos tempos lol)
Espero que gostem =P

"Solidão"
Estou só
No silêncio da noite escrevo o que sinto
Paixão? Por várias pessoas
Amor? Um só que jamais irei esquecer
Não sei o que fazer...
Não tenho vontade de chorar
Escrevo para desabafar
Amores não correspondidos
Não consigo compreender
Tanto amor para dar
Ninguém o quer receber
Ninguém me ama
Ou ninguém me quer amar
Porquê?
Ainda não descobri...
Culpa minha?
Não sei
Talvez sim, talvez não
Só sei que continuo só
Será este o meu destino?
Solidão até morrer?
Não, não quero ficar sozinho
Quero alguém que me compreenda
Me dê carinho e amor
Alguém que me ame e queira ser amado
Um amor profundo até ao fim dos tempos
Continuo à procura...
Alguém hei-de encontrar
Alguém que me dê tudo aquilo
Que também tenho para dar.

O Porto, Letras e o Dinheiro

Bem.. parece que já estivemos mais longe do dito colapso das faculdades de letras, nomeadamente da Flup..
Preocupante? ...

Ora, não fugindo à praxe, vamos navegar na questão faculdades - €...
(Diga-se que isto não cai aqui por acaso.. é tudo fruto dumas belas aulas..)

É geral - não há €, as universidades veêm orçamentos reduzidos...
Mas, no Porto, a reitoria não tem €.. e a flup também não..
Portanto, (e não fui eu que o disse) há sempre a possibilidade do nosso ano lectivo chegar a Maio e ficar por ai..
Enquanto em Lisboa o reitor da Universidade se queixa.. A Flup pede € emprestado a engenharia..

Ora.. não tendo a faculdade receitas e não subindo a verba do O.E., a faculdade pode pagar as suas dívidas? Tenho as minhas dúvidas..

Entrentando, os eurinhos que se pedem emprestados têm um v de volta.. isto é, engenharia diz - sim, nós emprestamos, mas vocês devolvem.. Ora.. se devolvermos, voltamos ao mesmo problema..
Também há a hipótese de alegar que o € deles, que eles dizem ser proveniente de receitas extraordinárias, vem do O.E., por outras vias..
Portanto, só lhes pediram que eles fossem generosos e nos oferecessem o dinheirinho.. É normal? Pois, isso já não sei.. Eles esforçam-se, arranjam artimanhas para angariar fundos extra, tem protocolos.. e depois viram Santa Casa da Misericórdia?

A hipotese de alegar que os rendimentos são de indirectamente do O.E., e que por isso, o € também é nosso, parece-me algo deveras forçado..

Não poderia então, a faculdade de letras arranjar mecanismos semelhantes?
Resposta simples, claro que não ;) Flup com protocolos com a Metro? Nunca na vida podia acontecer tal coisa...

Eu gostava de dizer que era só uma questõ de negociação.. não é por ser faculdade de Letras que alguns dos cursos não podem estabelecer acordos e protocolos que aumentem as receitas (nomeadamente a arqueologia)..

Um acto demasiado humilhante para uma Senhora Faculdade?

Também há quem veja nisto uma forma de conduzir as faculdades de letras ao colapso e despejar nas privadas as responsabilidades de leccionar e formar os srºs de letras...

Luis O, do politécnico de Tomar dizia nas conferências que as faculdades não tinham dinheiro porque não o sabiam gerir.. estava toda a gente a fazer tudo ao mesmo tempo, acabando por não fazer nada..

Não estará na hora de abdicar de alguns luxos e partir pra reforma?

Na Assembleia da Républica dizia-se que "vem ai o fantasma do capitalismo".. parece que na Flup se diz "vem ai o fantasma da bancarrota"..

Também se disse no meio de tanta conversa que o financiamento das faculdades era atribuído de acordo com o aproveitamento dos alunos.. se assim for.. para além da questão do ensino pra estatística - we have a problem..

*

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Óscares 2008: Muito «wishful thinking»

Eu sei que a Pitoca pediu morcegos mas eu decidi deixar os morcegos (ou O homem-morcego em particular) para o lançamento do DVD do filme, a 9 de Dezembro em todo o mundo.


Além de que é esperança de milhões (e minha também) para uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme. Assim vamos para um filme que, enfim, é muito... «wishful thinking» para Óscar.

Esteve nas minhas previsões o ano todo, é verdade, mas sinto que agora que a estreia em Portugal se aproxima (26 de Dezembro) e depois de ler mais de 50 críticas e artigos se chega facilmente à conclusão que não vale a pena. Essas mesmas 50 críticas ao filme são positivas mas não AVASSALADORAS como no último filme nomeado para Óscar de Baz Luhrmann, o popularíssimo Moulin Rouge! (2001). Acho que já toda a gente percebeu de que filme se trata: o CARÍSSIMO e VISUALMENTE ESPECTACULAR filme com Nicole Kidman e Hugh Jackman, Australia. E de Nicole Kidman - que lutou arduamente (para dizer o mínimo) nos últimos anos para voltar a ser digna de Óscar (com pouco sucesso, diga-se) e continua a sua tortura por ser uma «superstar» (como Jolie, Pitt, Clooney...), largamente falada em todo o mundo (e nem sempre pelas melhores razões), com o cachet largamente expandido via divórcio de Tom Cruise (há tanto ano que isso foi!) via "autotítulo: única pessoa no mundo a conseguir torcer o nariz em Bewitched!" via... e de facto ela não consegue ser tão boa noutro género como o consegue nos dramas. E pronto... compartilha esse sofrimento com Hugh Jackman que tem de facto um talento inegável mas também tem esse «superstardom» que irrita a maioria dos críticos. E assim... passam despercebidos. O filme é GRANDE (e isto é dizer pouco!) mas não é GRANDE coisa... E assim... toda a vontade que tinha de ver o filme... fugiu.


É claro que quero ver o filme à mesma - até porque admiro o trabalho de Baz... - mas não é a mesma coisa que ir para o filme a pensar «Porra, isto é capaz de limpar alguns Óscares...». Continua no entanto a ser um clássico a considerar. Pode ser que melhore no tempo. Nota final: (a ser anunciada quando de facto vir o filme, mas pelas previsões: 14)



Fica o trailer...









Mais a seguir ao sinal... :)

Bom dia!

SPORTING C.P. - ESTRELA AMADORA, 3-1

O Sporting acabou de terminar o jogo no Estádio José Gomes, aka Reboleira, onde derrotou o Estrela da Amadora por 3-1 e conquista 22 pontos, ganhando igualdade pontual com o Benfica (que joga domingo na Madeira) e a um ponto do Leixões (que joga segunda em Guimarães). Este triunfo abre boas possibilidades a uma aproximação dos meus leões aos dois da frente, uma vez que ambos têm jogos que teoricamente podem perder. Assim sendo, força Sporting!

No entanto, começou muito mal o jogo. O Sporting não controlava, sofreu o golo aos 5 minutos por Anselmo e conseguiu miraculosamente o empate por Izmailov aos 9 minutos. Depois seguiram-se 15-20 minutos de Estrela a mandar jogar e o Sporting a ver. A partir da meia hora assistimos finalmente a alguma entrega no jogo por parte do Sporting e a partir daí mandou e ditou regras. O Sporting podia mesmo ter sofrido o 2-1 aos 21 minutos por Anselmo mas também podia ter marcado por duas oportunidades flagrantes de Liédson (41') e Miguel Veloso (37'). Intervalo, 1-1 na Reboleira. Jogo mais ou menos equilibrado, resultado que se aceita.

Para a 2ª parte, Sporting bem mais motivado, abre a 2ª parte praticamente com o 2-1, grande cruzamento de Rochemback e o nosso Levezinho a fazer o que sabe - a aparecer onde ninguém esperava e a cabecear lá para dentro. Continuou por mais tempo a desperdiçar oportunidades até à entrada de Vukcevic. Em apenas 75 segundos em campo Vuk fez o 3-1 e resolveu a partida. Assim. Simples. Com um remate sortudo. Mas merecida era a vantagem de dois golos e Vuk também merecia. Pelo que passou. Pela volta de 180º que deu ao comportamento. Pelo Sporting que precisava dele. Ainda bem.

A. ACADÉMICA COIMBRA - FC PAÇOS FERREIRA, (...) - Previsão: 1-0 (e já é muito!)

Amanhã joga a Académica no Estádio Cidade de Coimbra (e não Municipal de Coimbra como muitos jornalistas iletrados lhe chamam) com o Paços de Ferreira. Espero (porque vou ver o jogo) uma vitória da minha Briosa. Que tem mais valor do que tem mostrado. Que foi roubada em Coimbra contra o Benfica (nunca teria perdido não fosse o pénalti maravilha) e que foi infeliz no Porto (deu muito muito trabalho ao Jesualdo... Faltou um pouquinho mais). Tem 9 pontos e está perto da zona de descida, por isso espero que Garcés, Lito, Sougou, Luis Nunes, Pedro Costa, Peskovic, Berger, Pavlovic e companhia consigam a inspiração necessária para levar 12 pontos no fim do jogo. É que com os 12 pontos a AAC passa à condição para o 8º lugar! (um salto de basicamente 5 lugares!) Espero e desespero... Força Briosa! «Briosa... Chama ardente... Alma presente... Vamos ganhar!»
Jorge Rodrigues

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sessão II - Ensino e Carreiras, versão III

Tema II – Quem pode ser arqueólogo. Será o título académico suficiente?

Maria José Almeida

Actividade arqueológica regulada na lei de bases da cultura – quem podia ser arqueólogo na função pública – mas as carreiras da função pública foram extintas.. Portanto – 1ª lacuna da lei.. Ora portanto, muito interessante..

Outra lacuna da lei – quem pode requerer trabalhos arqueológicos? Qual é a habilitação necessária? Para todos os efeitos – Licenciatura/1º Ciclo.
Leis que remetem para leis que já não estão em vigor.. – mas deve haver quem seja feliz assim.. ;)

Portanto, um arqueólogo é “um indivíduo que se dedica à arqueologia” – definição do dicionário – ora bem.. parece que dedicar-se à arqueologia, é um passatempo.. É quase como gerir uma colecção de pacotes de açúcar..
“Tens este?” “Tenho” – então não é preciso guardar.
“Este tá um bocado estragado. Distrai-me e virei-lhe café” – “Ah, não faz mal”
“Olha, vai haver um encontro de coleccionadores não sei onde, queres ir?”
Um exemplo muito estranho, mas o que me dizem em relação à glicofilia, uma coisa encarada como passatempo, divertimento.. Porque uma vez saiu uma colecção de pacotes com comboios e comecei a juntar.. É quase o mesmo que dizer – Vi um filme muito engraçado, Indiana Jones.. É aquilo que quero ser quando for grande :)
Bem.. tanta coisa para dizer que, à semelhança do que se disse na conferência, o conceito de arqueólogo parece remeter para um passatempo..
Infelizmente, é assim que é encarado por muita gente.. Sem se ter consciência do peso moral que esta actividade tem.. Porque uma coisa é enganar-me e perder um pacote de açúcar, ou virar-lhe café em cima.. Outra, é destruir património que não é meu.. e que depois de destruído, não há volta a dar – será assim tão difícil perceber a responsabilidade ética e social dum arqueólogo?

Titulo académico suficiente? Não.
Bem... em Portugal, não há uma preocupação com a qualidade do trabalho; as empresas não têm vantagens por ter pessoal mais competente..
Mais um bocadinho só falta colocar anúncios no jornal semelhantes aqueles “dá-se explicações” “toma-se conta de crianças” ou, porque não, “observam-se máquinas a trabalhar”, “fazem-se covinhas no chão”, “limpa-se mato”..

Sendo a arqueologia uma ciência social, a sua principal função é ser socialmente útil..

“Ser arqueólogo é um processo contínuo, nunca se esgota” MJA
“Até aqui estudei – agora vou trabalhar e nunca mais pego em livros na vida” – esqueçam lá isso :)

O que eu acho que se esgotou foi a legislação – e não, os srºs das leis não estão muito preocupados com isso não..

José Morais Arnaud

Há 40 anos, escavava-se em valas, não se dava importância à estratigrafia.. era mais do tipo “anda cá estruturinha, anda cá” ou então “quero uma estrutura, quero quero quero.” – e de preferência com um bilhete a dizer:

“Srº do futuro, não sei como se vai chamar esta actividade quando se resolverem a estudar o que eu andei a construir nos inícios do povoamento desta terra. Provavelmente, nalguns países, alguns de vocês vão-se chamar bandidos, outros malucos, outros ainda corajosos, futuristas, materialistas ou, porque não, simplesmente desactualizados.
Bem, para que não restem duvidas, eu construi este sitio neste dia, a esta hora, a uma altitude de x com a ajuda de y pessoas que desempenharam um determinado papel nesta comunidade. Ora pra nos, uma comunidade é isto e aquilo. Acresce-se ainda que, de vez em quando, o cozinheiro junta umas ervas que dão um sabor magnifico à comida, que nós começamos a cultivar ali no fundo do monte, junto ao rio, depois de terem cá vindo uns senhores com um aspecto muito estranho trazer-nos isso juntamente com uns seres de quatro patas que se mexem. Voltando às ervas, nessas noites, normalmente, reunimo-nos todos neste sítio, e fazemos aqui práticas rituais. E vocês devem entender por ritual isto, isto e isto. Às vezes, há cá uns acidentes e nós deixamos aqui vestígios disso – se os encontrarem, por favor, tentem procurar o meu copo, era o meu preferido, mas partiu-se durante esta noite. Assim, porque este sitio me marcou negativamente com a perda do meu copo, o meu património, decidimos abandoná-lo. De qualquer forma, vinham por ai uns bárbaros saltar-nos em cima.. só nos adiantamos um bocadinho.
Espero que este meu relato vos venha a ajudar quando tentarem escrever a vossa história sobre o que aqui se passou.”

Isto tudo só pra dizer que muito boa gente continua em busca das coisas que melhor lhe convêm pra justificar a sua teoria.. e bem, as purgas sempre foram uma boa maneira de eliminar o que não interessa ;) – note-se que eu e a hipérbole e a ironia damo-nos muito bem de vez em quando : ).

Continuando com a sessão “O futuro não é muito risonho para os mais jovens” – podemos tirar um curso, e outro, e outro.. e fazer arqueologia nas férias, definitivamente Arqueologia + Portugal = loja de shopping (note-se que sendo de “Letras” não sei fazer continhas .. acrescente-se que há sempre a excepção que confirma a regra)

Bolonha não passou de 4 para 3, mas de 4 para 5. O 2º ciclo devia incluir uma componente mais prática, mais vocacionada para o mundo profissional. – precisaríamos dos ditos mestrados integrados.. mas isso..

Entretanto, temos os fornos todos a produzir objectos com defeito – vamos atingir a saturação – aposta devia passar pela requalificação..

A minha dúvida.. isso faz-se como? Fechando cursos? Diminuindo vagas? – parece-me que esta ultima hipótese resolveria muitos problemas (já me manifestei algures num post sobre ensino em Portugal que anda praqui) mas ia levantar outro – era mau prá economia.. lá se ia o € das propinas de uns quantos..

Miguel Almeida, Dryas Arqueologia

Explicados os fundamentos da Dryas – centro interpretativo que valoriza relação com a sociedade, vertente empresa – porque é preciso €.

Falhas na formação – Sim – Ex: Ciências da Terra

“Mercado desqualificado, desregulado e esquizóide” – o estado não impõe coisa nenhuma (a dita fiscalização tb não há) e a qualidade tem custos.
Portanto empresas qualificadas têm que formar o seu pessoal…
É preciso mudar o mundo da arqueologia – Reestruturar uma organização central recentemente reestruturada.

A formação actual é deficiente. Pois, e não se aprende a descrever uma estratigrafia não..

Debate:
“Se os governadores dos bancos são bandidos, porque que os da arqueologia não podem ser?” L.O.
Bolonha – coisa idílica – mobilidade entre universidades? Cadeiras opcionais? (ah, opcionais obrigatórias :p)
Bem, o último tema brevemente ;)
*