quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Arqueologia e tv

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=378425&tema=31

Parece que a arqueologia e a Cultura também aparecem na tv..
Notícia a título de exemplo, entre tantas outras :)

*

Música Perdida

Pois bem, pausa na arqueologia, porque esta semana, foram longas as conversas, as reflexões, o pensar e o falar..
O regresso surpresa da Ana! ;) As conversas que começam em cultura, passam pelos males do mundo, dão voltas e voltas, e voltam.. à cultura - porque tudo é cultura..
Como o Brochado hoje dizia "Saber história, é saber futuro".

Volta a música, e não fugindo à coisa..
Jorge Palma, A Canção de Lisboa


Os serões habituais
as conversas sempre iguais
os horóscopos, os signos e ascendentes
mais a vida da outra sussurrada entre os dentes
os convites nos olhos embriagados
os encontros de novo adiados
nos ouvidos cansados ecoa
a canção de Lisboa

Não está só a solidão
há tristeza e compaixão
quando sono acalma os corpos agitados
pela noite atirados contra colchões errados
há o silêncio de quem não ri nem chora
há divórcio entre o dentro e o fora
e há quem diga que nunca foi boa
a canção de Lisboa

Mamã, mamã
onde estás tu mamã
nós sem ti não sabemos mamã
libertar-nos do mal

A urgência de agarrar
qualquer coisa para mostrar
que afinal nos também temos mão na vida
mesmo que seja a custa de a vivermos fingida
o estatuto para impressionar o mundo
não precisa de ser mais profundo
que o marasmo que nos atordoa
ó canção de Lisboa

As vielas de néon
as guitarras já sem som
vão mantendo viva a tradição da fome
que a memória deturpa e o orgulho consome
entre o orgasmo e a gruta ainda fria
o abandonado da carne vazia
cada um no seu canto entoa
a canção de Lisboa

Vamos lá..
A nossa rotina :) o destino :) os outros ..

"Não está só a solidão". "Silêncio de quem não ri nem chora".

E não sabemos libertar-nos do mal.. Ora cá temos um grande problema..

Afinal, temos mão na vida.. nem que seja a fingir, impressionar o mundo.. (o poeta é um fingidor.. e, não somos todos poetas?)

A tradição da fome, que a memória deturpa, e o orgulho consome..

Afinal, que canção de Lisboa é esta?!

Viver a fingir, numa rotina controlada por um destino, em que os outros representam uma parte muito importantes.
Sozinhos não sabemos libertar-nos do mal - seja lá o que for o mal - precisamos de ajuda.. e cuidado, afinal, também há o que (quem) nos consome..
Alguém há dias me dizia que era preciso ter cuidado com os abutres ;)

*

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sessão III - Arqueologia, Museus e Espólios Arqueológicos, versão I

Pois bem, chegamos à última das 3 sessões que visaram uma reflexão da arqueologia em Oliveira de Azeméis..
À semelhança do que fiz com as outras sessões, cá ficam algumas ideias referidas.. Desta vez, com menos comentários meus, já que é uma realidade com a qual muito poucas vezes me cruzei :)

Tema I - Arqueologia e Museus: uma relação inevitável?

Luís Raposo

Um abordagem provocatória - a pré-história dos museus
- o coleccionismo com o renascimento; o espírito de saque; procura de objectos.
- Arqueologia vs Antiquário. Arqueólogo vs Coleccionador.

O Museu como um lugar de descontextualização? Ora, a arqueologia é uma ciência de contexto, o museu é um local onde as peças estão descontextualizadas.
Assim, parece haver uma série de incompatibilidades entre museus e sítios arqueológicos.

Mas.. é um orgulho ter na sua terra um museu..

Há mais gente a visitar os sítios do que os museus que albergam as suas colecções.

Museus têm que pensar num "público" nacional - não fazer museus para "inglês ver". Devem exercer um papel educativo.

Vantagens dos sítios arqueológicos - contextualização; desenvolvimento local. Desvantagens - ilusão das reconstituições ...

Vantagens dos museus - conservação; oferta de diversos serviços. Desvantagens - excesso de peças acumuladas sem qualquer estudo..

"Não há um público de museu, mas sim públicos particulares".

Um dos factores importantes para o desenvolvimento dos museus é a sua organização em rede - Rede Portuguesa de Museus.

Falta uma política de museus - "temos bons técnicos, mas muito maus políticos".

"A arqueologia está cheia de bebés nos braços e não sabe bem o que lhes fazer" - problema de acumular espólio.

O regulamento de trabalhos arqueológicos diz o que se deve (tecnicamente) fazer com o espólio - mas isso não acontece - prevê a sua deposição em museus. - que surgem como salvadores da pátria :p mas não têm bem como o fazer..

*

Hoje deu-me um ataque de loucura e decidi fazer outro post... :)

Este também tem a ver com filmes mas enfim Pitoca, se não sabes falar deste filme, morre paí xD

«A Bela e o Monstro» (1991)»


(Vou colocar a letra da versão brasileira que é a que mais gente conhece que é a do nosso tempo)



Sentimentos são

Fáceis de mudar

Mesmo entre quem

Não vê que alguém

Pode ser seu par


Basta um olhar

Que o outro não espera

Para assustar e até perturbar

Mesmo a Bela e a Fera


Sentimento assim

Sempre é uma surpresa

Quando ele vem

Nada o detém

É uma chama acesa


Sentimentos vêm

Para nos trazer

Novas sensações

Doces emoções

E um novo prazer


E numa estação

Como a Primavera

Sentimentos são

Como uma canção

Para a Bela e a Fera


Sentimentos são

Como uma canção

Para a Bela e a Fera



Música: «Falling Slowly»

Iniciando-me na lide das músicas (mas sempre relacionado com filmes xD) deixo-vos a letra de um dos nomeados para Óscar de Melhor Canção (e vencedor), «Falling Slowly» - do filme Once.

FALLING SLOWLY - Once

I don't know you

But I want you

All the more for that

Words fall through me

And always fool me

And I can't react

And games that never amount

To more than they're meant

Will play themselves out


Take this sinking boat and point it home

We've still got time

Raise your hopeful voice you have a choice

You'll make it now


Falling slowly, eyes that know me

And I can't go back

Moods that take me and erase me

And I'm painted black

You have suffered enough

And warred with yourself

It's time that you won


Take this sinking boat and point it home

We've still got time

Raise your hopeful voice you had a choice

You've made it now

Falling slowly sing your melody

I'll sing along


Nem precisa de interpretações. Vejam o clip. Vejam o casal. Diz tudo. Tudo. Às vezes a vida parece tão simples... «We've still got time...»

sábado, 13 de dezembro de 2008

Óscares 2008: Um pesadelo BEM negro


É hoje. É hoje que eu falo de morcegos. Andei a semana toda em êxtase para apanhar o raio do filme em DVD nas minhas mãos e ontem consegui-o. E vi o filme mais uma vez. E rebobinei tudo e voltei a vê-lo. Brilhante. Genial. Obra de arte. É o filme do ano (e não é dizer pouco do filme) - e por isso se podem perdoar alguns erros menores que em nada diminuem a dimensão especial deste blockbuster de Verão.




«Batman - The Dark Knight» (em português, Batman - O Cavaleiro das Trevas) é a sequela do filme Batman - O Início («Batman Begins»). Christopher Nolan retoma a realização desta franchise da Warner Bros. acompanhado de David Goyer e do seu irmão Jonathan Nolan, que o ajudaram a escrever o argumento desta história, e ainda dos já habitués Christian Bale (Batman / Bruce Wayne), Morgan Freeman (Lucius Fox), Michael Caine (Alfred) e Gary Oldman (Lt. Gordon). A eles se juntam agora Aaron Eckhart (Harvey Dent / Harvey Two-Face), Maggie Gyllenhaal (a nova Rachel Dawes, interpretada em «Begins» por Katie Holmes - das melhores trocas que já vi) e pelo GRANDIOSO Heath Ledger (The Joker) que é talvez o mais talentoso actor da sua geração, morto tragicamente no início deste ano.


A morte de Heath Ledger amplificou a escala de interesse deste filme, interesse e excitação essas que triplicaram quando se constatou que de facto este filme era um CLÁSSICO, uma LENDA e que a performance de Ledger como The Joker era IMORTAL. A história, de resto, é simples e gira em torno dos três homens: Batman/Bruce Wayne - Harvey Dent/Two-Face - The Joker. Nolan pega na história onde a deixou, Gotham ainda em péssimo estado, mas a ganhar confiança e a recuperar devido à acção de Batman que vai trilhando passos na escuridão para acabar com a corrupção, com a máfia e com os assaltos. Eis que neste tempo surge Harvey Dent, um procurador do MP que se revela como o «cavaleiro luminoso» que Gotham precisa. Um rosto que Batman não tem. Quando tudo parece funcionar, eis que The Joker surge e destrói tudo aquilo por que Batman, Dent e Gordon lutaram. Cria um pânico geral que ninguém parece controlar. Joker pretende demonstrar sobretudo que qualquer homem, por muito bom que seja, pode ser levado ao pior de si à custa de um dia mau.



Pontos a favor:
  • Grande história com um grande final
  • Talvez o herói mais adorado da história do cinema
  • Performance de The Joker e de Batman (melhores que em «Batman» (1989), de Burton)
  • Maggie Gyllenhaal empresta um realismo à personagem de Rachel que Katie Holmes não tem
  • Rachel Dawes não sobrevive no filme (o que é óptimo, tendo em conta que foi inventada pelos Nolans - não é personagem da BD original - e não é assim nada de especial)
  • Banda sonora de Zimmer e Newton Howard é brutal e muito tocante
  • O humanismo de Harvey Dent

Pontos contra:


  • Franchise super-explorada (é o sétimo filme da saga, mas o segundo da era Nolan - que é assim que muitos críticos vêem a coisa)
  • Os rumores de que para completar a trilogia com um terceiro Batman (versão Nolan) vão entrar super-estrelas de Hollywood à la Depp ou Jolie ou Hoffmann - estas versões foram perfeitas com actores com pouco ar de superestrelas
  • Erros técnicos na edição do filme, em especial nas cenas de batalha (o único grande erro de Nolan)
  • Bem, talvez o segundo grande erro de Nolan seja não criar bons papéis femininos: esta Rachel Dawes, por muito boazinha que seja, é um desperdício de tempo
  • A morte de Ledger (que já tinha assinado para um terceiro filme) - mas isso não é bem culpa de ninguém, não é? :D


NOTA FINAL: 19 (20 é demais, não acham? Eu até acho que o 19 está hiperbolizado)



Bom, de resto este é o filme da história (!) com mais críticas positivas no Rotten Tomatoes (e o 2º em termos de aceitação geral, 94% - perto dos 97% que Wall-E, também deste ano, reuniu) e o 2º filme da história com maior receita de bilheteira nos E.U.A. (o número baixa quando se fala em todo o mundo e baixa ainda mais se fizermos a inflacção do preço) - 560 milhões de dólares só nos E.U.A. em apenas seis semanas! Bateu o recorde de bilheteira por um dia, por um fim-de-semana, por uma semana e por um mês. Pobre Titanic (ainda por cima não gosto assim tanto desse filme... :D)

Já lançou a sua candidatura aos Óscares (que eu espero que seja bem sucedida - as minhas previsões para os Óscares aqui a 22 de Dezembro, um mês antes das dos Óscares e a partir daí vamos semanalmente actualizando as previsões) e acredito que tenha boas hipóteses em Cinematografia, Banda Sonora, Direcção Artística, Argumento Adaptado, Edição, Mistura de Som e Edição de Som. Guarda-Roupa e Maquilhagem será mais difícil, Melhor Director e Melhor Filme é discutível.
No entanto, dado o 'flop' da maioria dos grandes tubarões pró-Óscar e devido ao sucesso deste filme ('Movie of the Year' status) tenho vindo a ganhar certeza que este filme estará nos top 5 (dia 22 explico porquê). E Christopher Nolan deve ter a sua nomeação assegurada. A minha aposta é em oito/nove nomeações. Com algumas vitórias.

Sem dúvida que a Warner Bros. está a apostar em grande neste filme (quem também tem maior retorno de bilheteira que orçamento para o filme - 560m $ > 300m $ - pode dar-se a esse luxo) e tem, para já, os anúncios e os cartazes mais bem colocados e mais bonitos.


Deixo-vos agora com algumas frases brilhantes deste filme:

«You either die a hero or you live long enough to see yourself become the villain»

«This town deserves a better class of criminals. And I'm going to give it to them. This town is mine.»

«Dad put his knife in my mouth and said to me, 'Why so serious, son?'»

«"Why does the Batman have to run, dad? He didn't do anything wrong". "Because he's the hero Gotham deserves, but not the one we need right now. So we'll hunt him, because he can take it. Because he's not a hero. He's a silent guardian, a watchful protector, a DARK KNIGHT."
(esta última: fantástica!)



Sem nada mais a dizer... :)

Arqueologia in Cultura. Cultura in Sociedade.

É ciclico.. um período sem post e uma data deles no mesmo dia..

Enfim..

Apenas tenho a declarar, debater, deixar em aberto uma questão que me irrita de forma bastante pronunciada..
frases como: "com quê que o ministro da cultura se tem que preocupar?"

"se não houvesse um sem número de outras ciências, qual era a utilidade do conhecimento histórico/arqueológico?"

"obviamente que esse tipo de coisas ditas ciências não interessam"

Agora pergunto-me, qual a importância da arqueologia? Aos olhos de muita gente não é nenhuma.. Parece que há pessoas de ciências exactas que se acham demasiado superiores para perceberem que há outro tipo de coisas para além das suas palas de cientistas exactos..

Parece que a cultura não diz nada a determinadas pessoas, que a veem como perda de tempo, gastos desnecessários.. - nesse caso, vamos acabar com a cultura.. Mas, em última análise, que coisa é esta de cultura?

Bem, mais vale chegar primeiro ao significado dos termos e depois partir para o debate..

Falar de cor..

A ideia não é haver ciências mais ou menos importantes.. Porque sem medicina tavamos todos mortos, vamos investir tudo nisto porque é fixe, dá dinheiro e é útil à sociedade..

Ainda bem que tenho em casa um médico que não pensa assim, e que acha claramente que o equilíbrio consegue ser uma boa solução!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Briosa!

Pronto, fui acusado (injustamente, acho eu, mean_machine xD) de clubite aguda mas pronto...
A minha GRANDE Académica venceu o Paços de Ferreira por 2-1 num grande jogo de futebol mas uma vez mais tivemos de sofrer para sair vencedores. E sofremos por nossa culpa. Numa primeira parte que podia ter acabado com 3-0 para a equipa da AAC e numa segunda que podia ter terminado com mais um ou outro golo, a AAC começou bem, continuou bem durante toda a primeira metade e depois, não sei porquê, deixou o Paços à solta um quarto de hora. E eles fizeram o que deviam. 1-1. Depois foi sofrer, sofrer, sofrer e quando já ninguém - nem eu! - acreditava, o Orlando sacou a vitória aos 88'. Grande Briosa. 12 pontos. 9º lugar. Nada mau.

A seguir no fim-de-semana em Portugal:
Leixões-Benfica; Cinfães-FC Porto (este 2º jogo se calhar nem vale a pena seguir, tão ridículo que vai ser o resultado) - Taça de Portugal
Sporting-Marítimo - Taça da Liga

Filme da Semana: «Little Miss Sunshine (2006)»

Bem, de volta estou com mais um filme esta semana. Não, não falo de Óscares 2008 nem de futebol (neste post, pelo menos! :D)


Trago um filme que é um regalo para os olhos de qualquer amante do cinema: «Little Miss Sunshine», nomeado para os Óscares de 2007 (quatro nomeações, melhor actriz secundária - Abigail Breslin -, melhor filme, melhor actor secundário (Alan Arkin) e melhor argumento original; ganhou os últimos dois).


Muito simplesmente, o filme conta a história desta menina da foto (papel brilhantemente desempenhado por Abigail Breslin, conhecida por filmes como «A Ilha de Nin» ou «Para sempre talvez», deste passado ano) que decide muito simplesmente concorrer a um daqueles concursos de beleza. E a família, conhecedora desse sonho, parte à aventura com ela atravessando grande distância juntos. Outra das personagens que eu adorei no filme foi a de Alan Arkin, o patriarca da família, que encoraja a menina a perseguir o sonho. O filme conta ainda com Toni Colette, Greg Kinnear, Steve Carell (os três muito conhecidos) e Paul Dano nos principais papéis.





Além de me ter feito rir constantemente e de ter, de facto, um argumento muito escrito, este filme é daqueles tipos de filme que não estamos à espera de gostar (tal como «Juno» o ano passado) mas que acabamos por adorar, porque é simples, porque é engraçado, porque é... nem sei explicar bem. Vão ver o filme. Talvez já estejam a perceber como acaba esta bela história, talvez não. Não vos vou estragar a curiosidade. Nota final: 18

Poemas perdidos

E depois sou eu que deixo isto ao abandono... =P
Cá vai mais um dos meus poemas.
Espero que gostem =)

"Solidão II"
Tristeza e solidão
É o que eu sinto cada vez mais
Cada dia que passa estes sentimentos aumentam
Não sei mais o que fazer
Sinto-me triste e cada vez mais sozinho
Sem ninguém com quem partilhar o que sinto
Ninguém com quem partilhar as alegrias e tristezas
Sei o que é amar
Mas sei mais o que é sofrer por não ser amado
Nesta porcaria de mundo de ódios e guerras
Não há nada mais bonito que o amor
Amor puro e verdadeiro
Entre duas pessoas que se completam
Será tão difícil encontrar um amor assim?
Ou talvez um amor assim não exista
Talvez seja um produto da minha imaginação
Sinceramente não sei
Cada dia que passa
Começo a achar que um amor assim não existe
Mas no fundo do meu coração ainda tenho a esperança
A esperança que um amor assim realmente exista
Um amor puro e verdadeiro
De alguém que me complete
Alguém que hei-de encontrar
Em qualquer dia...
Em qualquer lugar...