sábado, 13 de março de 2010

Melhores Filmes da Década (2000-2009)

Vou começar a arrumar com a década (em cinema, 2000-2009 é uma década sim senhor!) hoje e continuarei nas próximas semanas (vou falar sobre realizadores marcantes da década, melhores interpretações femininas e masculinas).

Eu juro que tentei diminuir a lista ainda mais além disto, mas não deu. São portanto 75 filmes (podia ter deixado e fazia 100) por ordem alfabética (só consigo escolher 20 melhores, depois não os consigo ordenar por valor...). Peço desculpa ainda pela repetitividade de algumas descrições mas têm que entender que há limites para a combinação de adjectivos de língua portuguesa.


Aqui vão...

4 Months, 3 Weeks, 2 Days (2007)
A New Wave do cinema romeno tem-nos trazido consistentemente grandes filmes esta década. Para mim, este drama sobre a luta de duas amigas, uma delas com uma gravidez indesejada, num clima político e económico complicado, é excepcional. A amizade revela-se sempre mais forte quando reina o desespero.


A History of Violence (2005)
Fazer filmes com grande competência já é marca do realizador David Cronenberg. Contudo, o que este filme tem de especial é o que está nas entrelinhas, a potência emocional do seu diálogo, a excelente interpretação dos seus actores (Mortensen e Bello).


Le Fabuleux Destin d'Amélie (2001)
Acho que é seguro dizer que pelo menos toda a gente no mundo já terá ouvido falar deste filme. Audrey Tautou protagoniza um dos papéis mais icónicos da história do cinema contemporâneo e, apesar de todo o 'hype' gerado à volta do filme, ele não defrauda as expectativas: charmoso e adorável do princípio ao fim.


American Psycho (2000)
Um filme sobre serial killers como nenhum outro esta década. Patrick Bateman devia ter garantido a Christian Bale um lugar na perpetuidade e uma nomeação para Óscar. Não garantiu, mas qualquer cena de American Psycho serve para nos mostrar o grande actor que ele é. Personagem muito bem criada por Mary Harron.


Amores Perros (2000)
A obra-prima de Iñárritu é um filme complexo, que requer o máximo de atenção para o apreciar ao máximo. Guillermo Arriaga providencia um genial argumento para um filme duro, brutal mas realista. Gael García Bernal explode como actor.


An Education (2009)
Talvez seja precipitado da minha parte incluir já filmes de 2009, mas eu mantenho que este filme vá ser revisto por mim diversas vezes. Porque é encantador a diversos níveis, porque Carey Mulligan é espectacular no papel ou porque... o filme fala-me muito. Quem já não passou por uma experiência de "educação" como ela?



Atonement (2007)
Depois de uma estreia bastante satisfatória, Joe Wright adapta da melhor forma o best-seller de Ian McEwan e captura interpretações bestiais de Saoirse Ronan, Keira Knightley e James McAvoy. A forma sublime como o filme é conduzido pelos três protagonistas é de louvar. Não há muitos actores que com a idade de Saoirse Ronan se comportem assim no ecrã.


Away From Her (2006/7)
Injustamente roubada de um Óscar, Julie Christie faz a sua redenção, numa performance impressionante obtida da mestria da realizadora Sarah Polley.


Before Sunset (2004)
Richard Linklater realiza uma dupla história encantadora, com excelentes interpretações de Hawke e Delpy, uma história de amor à moda antiga, um evento digno de se celebrar. Dos dois, o segundo filme é o que mais me fica na memória.


Birth (2004)
Jonathan Glazer dá a volta a um argumento complicado e difícil de expor, focando toda a sua atenção na expressão facial e corporal da maior actriz da década, Nicole Kidman, em mais uma interpretação notável.


Brodre/Brothers (2004/5)
O filme de estreia de Susanne Bier é excepcionalmente bom a mostrar todo o sentimento escondido por detrás de um argumento muito poderoso. Bem melhor que a sua "cópia", estreado este ano.


Brokeback Mountain (2005)
O maior roubo que a Academia já cometeu foi não lhe ter dado Melhor Filme em 2005. Interpretações singulares de Jake Gylenhaal, Michelle Williams, Anne Hathaway e especialmente de Heath Ledger, com uma realização irrepreensível do mestre Ang Lee, esta é uma história de amor que vai ficar marcada na História.


Caché (2005)
Um filme magistral de Michael Haneke, cheio de suspense e mistério, capaz de dar a volta à cabeça do mais atento dos espectadores? É isto que torna Haneke um realizador tão especial.



Children of Men (2006)
Julianne Moore e Clive Owen são peça menor na imensidão de beleza e grandiosidade que é este filme. É o filme da década que eu mais desprezado acho. E o que me impressiona mais neste filme? É a forma fantástica como o livro, que se dizia "inadaptável", foi transportado para a tela. Alfonso Cuarón continua a surpreender.


Cidade de Deus (2002)
Será, talvez, o filme estrangeiro que mais marcou a década. A história dos dois rapazinhos das favelas e os caminhos distintos que a vida lhes traçou, contada de forma excelente por Fernando Meirelles, é indelevelmente um dos retratos mais fascinantes contados na década de 2000. E também por isso levou com 4 nomeações para os Óscares, coisa rara para um filme estrangeiro.


Coraline (2009)
Um filme de animação completamente diferente do habitual, Coraline é um "case-study" interessante: animação 2D mas com efeitos absolutamente abismais, dobragem cuidadosa, com escolha interessante para vozes das personagens (Teri Hatcher não seria a primeira pessoa em quem pensaria, mas funciona na perfeição, encaixa totalmente no ar da personagem) e com uma história fascinante a ser contada. Não consigo decidir de qual gosto mais, se deste, se de Up, se de Fantastic Mr. Fox. São os três espectaculares.


Crash (2004/5)
O conceito do filme de Paul Haggis é estupendo: fazer confluírem, em uníssono, todas as personagens em torno de problemas de índole racial, social, cultural, etc. Agora, o que o filme é... não é bem o mesmo. Eu gosto do filme, acho de facto que é dos melhores da década, mas tem muitas falhas. Não deixa de ser, mesmo assim, um filme polémico, que debate abertamente algumas das temáticas mais em voga do nosso século.


Crouching Tiger, Hidden Dragon (2000)
Aventura e acção contadas de forma brilhante pelo realizador mais promissor da nova era, Ang Lee. Que grandes filmes ele fez - e com grande variedade também (Lust Caution; Brokeback Mountain; Crouching Tiger; Taking Woodstock).


Dancer in the Dark (2000)
Lars von Trier traz-nos uma interpretação surpreendente de Björk (injustamente roubada de uma nomeação para Óscar nesse ano) no seu filme mais marcante. Poderoso, acutilante e audaz, esta espécie de musical sobre o valor da amizade é uma obra-de-arte.


Dogville (2003)
Paul Bettany e Nicole Kidman brilham em grande neste filme de von Trier. Épico, terrivelmente violento e brutal, é mais um filme que mostra a inteligência e a competência do realizador nórdico.


Eastern Promises (2007)
Outro filme sobre a alçada de David Cronenberg em que Viggo Mortensen brilha incessantemente. Este drama pesado sobre a máfia russa marcou-me intensamente em 2007.


Entre Les Murs (2008)
O filme estrangeiro do ano de 2008, The Class é uma ideia brilhantemente executada. Mostrar o dia-a-dia de um professor numa sala de aulas poderia ter sido tornado mil vezes mais aborrecido, mas o filme soube aproveitar bem a classe do argumento que tinha em mãos e pô-lo em bom uso. Pena que a Academia não tenha sabido premiar tal excelência.


Erin Brokovich (2000)
O veículo de sucesso de Julia Roberts, realizado por Steven Soderbergh, não é nada mau filme. É inteligente, é audacioso, é interessante, é arrebatador. Claro que tem falhas, mas para o estilo de filme que é, é muito bom. E melhor que o outro filme de 2000 do mesmo realizador (Traffic).


Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)
Michael Gondry faz um filme ímpar, para todo o sempre. Kate Winslet dá aqui a sua melhor interpretação até à data e até Jim Carrey se sai muito bem neste papel dramático. Apesar de tudo, o argumento de Charlie Kaufman é que é o ponto alto do filme. Dinâmico, intelectual, inovador, majestoso.


Fantastic Mr. Fox (2009)
Um dos filmes animados mais espectaculares da década, esta comédia "tipicamente à Wes Anderson" virada animação é das coisas mais bem feitas que eu já vi. George Clooney particularmente bem a dar a sua inconfundível voz e estilo ao protagonista do filme, Mr. Fox.


Far From Heaven (2002)
Consigo pensar em tantas imagens marcantes deste filme... Mas o uso do vermelho e do roxo, em particular nas roupas de Julianne Moore, destaca-se. Falando em Moore, ela dá a que é indubitavelmente a intepretação mais completa, mais grandiosa da década. E, claro, não ganhou o Óscar. Todd Haynes apresenta-nos esta obra-prima de génio.


Finding Nemo (2003)
O "crème de la crème" da animação esta década é esta jóia que encanta adultos e crianças, sem nunca perder a qualidade, mesmo depois de múltiplas visualizações. Com a voz singular de Ellen DeGeneres (Rita Blanco na versão portuguesa), muito faz rir. Foi aqui que a Pixar começou a construir a sério o seu império (que solidificou com Ratatouille, Wall-E e Up, as três maiores dádivas que a animação nos deu na primeira década do século XXI).


Gosford Park (2001)
A redenção de Robert Altman vem com esta obra-prima contemporânea, soberba mas austera, na entrada da nova década. É no elenco, como sempre nos filmes de Altman, que reside a intensidade e a paixão do filme.


Hable con Ella (2002)
Este é o filme mais consagrado de Pedro Almodovar, não tanto pela sua complexidade (é, até, dos filmes mais simples dele) mas pela forma desalinhada como a história de vai desenrolando, os caminhos dos protagonistas todos entrelaçados até àquele épico final.


Happy-Go-Lucky (2008)
O mais recente filme de Mike Leigh é um primor para a mente. Elaborado, complexo, inspiracional, este filme traz-nos uma performance estonteante por parte de Sally Hawkins - a sua alegre Poppy é um raio de luz num dia cinzento.



I Heart Huckabees (2004)
Comédia existencial esplêndida de David O'Russell que também a mim me fez pensar nos problemas da vida e no que é que tudo o que nos acontece significa.


In Bruges (2008)
Martin McDonagh é, sem dúvida, das revelações do cinema em 2008. O seu In Bruges é um relato tão divertido como doloroso de como a culpa nos pode consumir a alma. O que acontece em Bruges fica em Bruges? Nem por isso... O monólogo de Colin Farrell é a cena falada mais marcante de todo o ano de 2008.


In The Bedroom (2001)
Com um elenco de luxo (Spacek, Wilkinson, Tomei), Todd Field mostra-nos como é simples criar um drama tão perturbante, tão profundamente sentido, tão exasperante quanto este.


Into the Wild (2007)
Muito injustamente arrumado da corrida aos Óscares, este filme é um pequeno milagre, um filme que nos permite escapar do mundo rotineiro e superficial em que vivemos (e no qual a personagem vive também) e partirmos à aventura (nem que seja só por duas horas) em caminho incerto, em total e absoluta liberdade. É fascinante o que Émile Hirsch faz com este papel e além dele também Kristen Stewart e Hol Holbrook têm boas intepretações.


Inglorious Basterds (2009)
O mais recente filme de Tarantino não é o melhor dele, é certo, mas é o que funciona melhor. Cenas A+ polvilhadas de génio, um elenco poderoso (com Christoph Waltz a brilhar mais alto) e um recontar hilariante de um período histórico sobejamente conhecido fazem dos Basterds um filme para ver e rever.


Junebug (2005)
Amy Adams é qualquer coisa de extraordinário neste filme belo e intemporal.




Kill Bill, Vol. 1 e 2 (2003 e 2004)
A obra-prima de Tarantino é esta. Uma Thurman é simplesmente espectacular como The Bride, mas também o são todas as restantes personagens da saga. As cenas de acção são incontestavelmente o melhor do filme, mas a substância está no rico argumento que Tarantino cria para esta bela história.


La Mala Educación (2004)
Pedro Almodovar traz-nos este delicioso filme "noir" com toques de pura genialidade e no qual Gael García Bernal explode definitivamente como um dos actores com mais talento da sua geração.


Lord of The Rings (2001, 2002 e 2003)
Haverá alguém no mundo que não conheça estas palavras ou este nome: Peter Jackson? Eu penso que não. A trilogia mais marcante da história do cinema também me deixa uma marca inapagável na história da minha década mas por muito bons que sejam os três filmes em conjunto, tenho que salientar o primeiro. "The Fellowship of the Ring" é sem dúvida o melhor dos três e a melhor introdução possível para uma saga inolvidável.


Lost In Translation (2003)
O filme em que Scarlett Johansson me provou que se pode ser estonteantemente bonita e ter carradas de talento (pena que recentemente não o aproveite). Bill Murray ajuda à festa com uma das interpretações mais cómicas e mais esclarecidas destes últimos dez anos. Profundo, mítico, mágico, o filme faz-nos repensar a forma como vemos o mundo.


Lust, Caution (2007)
O seguimento de Ang Lee a Brokeback Mountain não podia ser mais diferente, contudo não perde qualidade. Lust, Caution busca guia nos seus protagonistas, Tang Wei e Tony Leung, que nos premeiam com uma história romântica digna de um sonho.


Mar Adentro (2004)
O que é que se dá quando se junta um super-talentoso actor espanhol (Bardem) a um super-talentoso realizador espanhol (Amenabar)? Dá isto: um filme de uma intensidade dramática, de uma inquietude, de uma vivacidade inexplicáveis. O filme recupera-nos a alegria de viver.


Match Point (2005)
Porque o Woody Allen é um grande contador de histórias. E porque nesta década, só este e Vicky Cristina Barcelona se safam do marasmo que é o resto da filmografia (Whatever Works, Scoop, Cassandra's Dream). E porque, lá está, Rhys Meyers e Johansson parecem-me credíveis e interessantes nos respectivos papéis. O que é raro.


Me and You and Everyone We Know (2005)
Este filme, tal como em Up in the Air, mostra-nos como é difícil, no mundo de hoje, dois seres humanos estabelecerem uma relação, uma conexão, real, verdadeira, sentida. E o quão notável é então, assim, apaixonar-se. Adoro este filme.




Memento (2000)
Nunca um filme me satisfez tanto em termos intelectuais como Memento do excepcional Christopher Nolan (a caminho de se tornar um dos maiores de sempre). Guy Pearce vende o seu papel extremamente bem, mas é o argumento, de cortar a respiração, de dar a volta à cabeça, que desempenha o papel principal no filme.


Milk (2008)
Por que razão não podem todos os biopics ser assim? Gus Van Sant aqui com trabalho tipicamente forte, com uma interpretação soberana de Sean Penn (que lhe vale o seu segundo Óscar), com um elenco repleto de talento e qualidade e com uma história com voz própria. Milk fala por si mesmo. É um grande filme.


Moulin Rouge! (2001)
Grandiosidade ou... grandiosidade? Não consigo decidir. O musical foi ressuscitado por Baz Luhrmann que nos convida para esta grande festa que é Moulin Rouge! Nicole Kidman e Ewan McGregor protagonizam o que é, para muitos, o melhor filme, o melhor espectáculo cinematográfico da década. Vivo, alegre, contagiante, hilariante, emoção, paixão, canção, este filme tem tudo.


Mulholland Dr. (2001)
David Lynch é um realizador brilhante. Mulholland Dr. é não só um marco da nossa década, mas sobretudo o marco de uma geração. Naomi Watts brilha aqui como nunca. São tantos os pormenores do filme que me vêm à memória que até me faz doer a cabeça só de pensar. Tenho que voltar a ver este filme, tipo, já.


Mystic River (2003)
Clint Eastwood é um velho mestre do drama parado, mas nem todos são tão bons como este Mystic River. Tim Robbins, Sean Penn, Kevin Bacon, Laura Linney e Marcia Gay Harden providenciam a tinta com que Eastwood delineia, à sua maneira, uma das mais tocantes histórias contadas esta década.


No Country For Old Men (2007)
Depois de Fargo e The Big Lebowski (que quase entrou nesta lista), eis que os irmãos Coen voltam a poder se orgulhar de um dos seus filmes. Acabou por ser (o inevitável, diria eu) vencedor maior da noite dos Óscares de 2008, onde "sacou" Melhor Filme e Melhor Realizador. Javier Bardem (performance incrível, digno da força imparável que estava a representar), Josh Brolin e Tommy Lee Jones protagonizam este western cheio de suspense com um final muito singular.


No Man's Land (2001)
Filme bósnio que venceu o Óscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, dá-nos um retrato sublime do que foi e do que significou experienciar a guerra na Bósnia-Herzegovina.


Once (2006/7)
E não será o maior dos romances a melhor das canções de amor? Este grande filme foi o bilhete para a fama de Glen Hansard e Marketa Iglová, que nos encantaram neste filme e particularmente com "Falling Slowly" e nos fizeram doer o coração com a sua bela, apesar de triste, história de amor.


Rachel Getting Married (2008)
Intemporal, inolvidável, magnífico, brilhante, extraordinário, mítico, espontâneo, revelação. Cada laço de família autenticamente traçado, cada discussão, cada confusão, cada relacionamento genuinamente explorado, este filmaço de Jonathan Demme é pura classe. Pena tenho eu (e aqui me junto a alguns críticos que também amam o filme) que pouca (ou nenhuma) gente lhe tenha dado atenção (além da interpretação de Anne Hathaway).


Ratatouille (2007)
Para o bem do mundo, espero que a Pixar nunca deixe de fazer filmes. Ainda melhor, espero que a Pixar nunca deixe de fazer filmes com qualidade abaixo deste nível. A lição de vida que este filme nos ensina é, apesar de simples, importante; e a forma como ele nos ensina isso, através de um pequeno ratinho talentoso, é, só por si, merecedora de todos os elogios.


Reprise (2006)
Admira-me que ainda ninguém tenha querido (para já) fazer a versão norte-americana deste filme. Mais um vindo do cinema nórdico (muito em voga nesta década, em conjunto com o francês, o árabe e o romeno). Joachim Trier conta-nos a história de dois amigos e as entrecruzilhadas que se lhes aparecem na vida e a forma como cada um deles as ultrapassa. Os sonhos que temos na adolescência nem sempre se transpõem para a vida adulta... E há que aprender com os erros...


Requiem for a Dream (2000)
A droga muda vidas. Felizmente para nós, temos Aronofsky para nos mostrar o quanto. Brilhante início de uma carreira muito auspiciosa, com curtas-metragens com qualidade assegurada e uma longa-metragem com boa crítica (Pi), Darren Aronofsky mostra-nos aqui todo o seu potencial, com esta potente caracterização do mundo dos toxicodependentes.


Sideways (2004)
Paul Giamatti, Virginia Madsen, Sandra Oh, Thomas Haden Church. O vinho. A paisagem. A comédia. O drama. Alexander Payne. Todos os elementos necessários para uma das grandes comédias da década, Sideways é original, dinâmico, envolvente e sobretudo muito engraçado. Se eu achei isso, então imagino para quem se identifique (pessoal na crise da meia-idade) com as personagens...


Spirited Away (2001)
Hayao Miyazaki, o génio da animação japonesa, trouxe quatro filmes ao Velho Continente, todos eles excepcionalmente bons: Princess Mononoke, Spirited Away, Moving Castle e Ponyo By The Cliff. Dos três, Spirited Away, o que venceu o Óscar de Melhor Filme Animado, é o mais tocante, o mais belo, o mais mágico. Chihiro venceu.



The Dark Knight (2008)
É dos filmes que mais influencia o meu gosto pelo cinema. Posso vê-lo e revê-lo (tal como a primeira parte da trilogia Batman/Nolan) que nunca me canso. E encontro sempre detalhes novos para me deleitar. É TÃO bom. E Heath Ledger é tão sublime no filme. Nunca vi um vilão assim. A personagem parece que incarnou nele, ele viveu a personagem.


The Departed / Infernal Affairs (2006/2002)
Se o filme original de 2002 já era potencialmente explosivo, que dizer da "adaptação" de Martin Scorcese ao panorama norte-americano, com um elenco de luxo composto por Wahlberg, Nicholson, DiCaprio e Damon? Espectacular.


The Devil Wears Prada (2006)
Dos filmes mais conhecidos do mundo inteiro, pleno de frases dignas de serem citadas em qualquer mídia (aquele monólogo da cor azul... :swoon:) com uma interpretação para além do humanamente permitido por Meryl Streep.


The Diving Bell and The Butterfly (2007)
Julian Schnabel traz-nos um filme estupendo sobre um homem que aprende a ver a vida de outra forma depois de só ficar incapaz de mover o corpo inteiro à excepção de um dos seus olhos, vendo-se obrigado, ao mesmo tempo, a fugir dos seus pensamentos e a refugiar-se na sua imaginação. O filme é magnificamente harmonioso, conjugando momentos de depressão com momentos de júbilo de forma exemplar.


The Fountain (2006)
O filme mais menosprezado da década e o filme mais mal-tratado da filmografia de Darren Aronofsky, este The Fountain é de uma beleza invulgar. Rachel Weisz e Hugh Jackman são os protagonistas de um filme absolutamente arrebatador, de deixar o espectador colado ao ecrã.


The Hours (2002)
Tenho que admitir que não sou o maior fã de Stephen Daldry (também ainda só fez três filmes; venha o quarto para eu lhe poder dar razão) mas este filme é absolutamente brilhante. Adaptado na perfeição de uma obra difícil e muito estruturada, complicada de "dar vida", Daldry controla impecavelmente os momentos-chave do romance e constrói um filme do qual se pode orgulhar, com desempenhos impressionantes de três das cinco maiores actrizes de Hollywood no momento: Julianne Moore, Nicole Kidman (ganhou o Óscar por este papel) e Meryl Streep (as outras duas são Cate Blanchett e Kate Winslet, que ele dirigiu em The Reader, que deu a ela um Óscar).


The Lives of Others (2006)
Este foi o filme que nos deu a conhecer o realizador Florien von Donnersmarck. Um thriller (mas com uma componente emocional muito forte também) de grande qualidade , tão grande que obviamente ganhou o Óscar e está agora a ser adaptado, felizmente pelo mesmo realizador (à la Haneke com "Funny Games"), em versão americana.


The Others (2001)
Mais uma vez, Nicole Kidman prova-nos que Moulin Rouge! não foi fruto do acaso - juntando-se ao grande Amenabar, cria uma história que nos assombra o pensamento muito tempo depois de abandonarmos o cinema.


The Pianist (2002)
Quando penso em retrospectiva nesta magnífica obra de Roman Polanski, só me lembro da profunda tristeza e desespero do filme. No entanto, penso mesmo que foi com esse intuito que o filme foi feito. Adrien Brody incorpora por completo o pianista polaco refugiado da guerra e mostra-nos a sua dor interior, sem nada esconder.


The Piano Teacher (2001)
Isabelle Huppert dá neste excelente filme de Haneke a única interpretação que nesta década, a meu ver, pode rivalizar com a de Julianne Moore pelo título de "melhor interpretação". Uma actriz sempre empenhada e atenta, que sabe sempre fazer as melhores escolhas, tem aqui uma hipótese de brilhar. E fá-lo com soberania.


The Royal Tenenbaums (2001)
Wes Anderson revela-se ao mundo neste filme, com um argumento em co-autoria sua com Owen Wilson. O filme é tão intrinsecamente detalhado, com pormenores tão deliciosos e um elenco tão bem formado, que é impossível não se gostar dele. Este filme é demais.



There Will Be Blood (2007)
Se dúvidas houvesse que Paul Thomas Anderson é um grande realizador, acho que foram todas tiradas com este filme, o filme que devia ter sido o grande vencedor dos Óscares em 2008. Enfim. Mais tarde hão-de reparar o erro que fizeram. O realizador de filmes emblemáticos que falam do paradigma que é viver marginalizado da sociedade, como Magnolia, Boogie Nights e Punch-Drunk Love mostra toda a sua maturidade nesta obra-prima que nos faz sofrer e alegrar-nos com as personagens, em particular com o espectacular Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis).


The Wrestler (2008)
Darren Aronofsky bem nos avisa: testemunhem o regresso mais glorioso de sempre. E é bem verdade. Mickey Rourke ultrapassa todas as expectativas num papel que lhe cai como uma luva, embelezado e transfigurado em lenda pela mão de um enorme realizador.


Un Prophète (2009)
O cinema francês continuou em grande nesta década e uma vez mais este ano tivemos o privilégio de ver um grande filme da escola francófona. Jacques Audiard traz-nos esta valente película sobre um jovem analfabeto que é preso e que se vê obrigado a aprender a sobreviver.


Up (2009)
A jóia da coroa da Pixar, o segundo filme animado da história a ser nomeado para Óscar de Melhor Filme. Carl Fredricksen e a sua história encheram-nos os nossos corações de esperança, de alegria, de amor.


Up in the Air (2009)
Um marco da era contemporânea, de uma relevância social, cultural e económica fascinante. Excelente elenco e excelente banda sonora a acompanhar um extraordinário argumento, com uma visão transcendente de um dos maiores realizadores do nosso tempo, Jason Reitman.


Vera Drake (2004)
O dom puro de Imelda Stauton é extraordinariamente aproveitado pelo talento de Mike Leigh para capturar grandes interpretações de actrizes em câmara. Uma história de arrepiar, que em muitas formas poderia ter dado errado, dada a natureza pesada e de difícil abordagem dela, é transformada num filme soberbo que demonstra toda a qualidade e recursos de um dos realizadores mais excitantes do panteão do cinema.


Vicky Cristina Barcelona (2008)
Porque é o melhor filme de Woody Allen em muito tempo. Porque é dos poucos filmes em que não me apetece dar um par de estaladas na Scarlett Johansson a ver se ela acorda. Porque Penélope Cruz é simplesmente magistral. E Patricia Clarkson emana sensualidade mesmo com a idade dela e só através de cinco ou seis falas num filme inteiro.



Volver (2006)
Nunca num filme de Almodovar uma interpretação pareceu tão poderosa como a de Penélope Cruz como Raimunda. A força e a seriedade com que conduz o filme ajuda a que o realizador espanhol nos passe, uma vez mais, uma visão real de como é a vida e as voltas que ela dá.


Wall-E (2008)
Aquela que é, para mim, a obra-prima da Pixar. O pequeno robô empilhador de lixo Wall-E conta-nos a sua história de forma tão emocionalmente profunda e rica que até nos esquecemos que ele não fala e que não tem (quase nenhumas) expressões faciais. Não dá para não nos apaixonar-nos por ele. Este devia ter sido o segundo filme animado a ser nomeado para Melhor Filme.


Y Tu Mamá También (2001)
A vida foi feita para ser vivida e não pode ser prevista nem planeada de qualquer forma. Este é o ensinamento central deste grande filme de Alfonso Cuarón, que conta a história de dois amigos que partem à aventura com uma mulher mais velha. Brilhantes participações de Bernal e Luna.


You Can Count On Me (2000)
Um argumento riquíssimo, excelentes interpretações de Mark Ruffalo e Laura Linney e uma impressionante realização de Kenneth Lonnergan são as peças que fazem de You Can Count On Me um filme tão imponente. Lembra-me que o tenho que rever brevemente.


Zodiac (2007)
Não podia deixar de parte o mestre da obsessão e da mania. David Fincher (que conquistou a sua primeira nomeação como Melhor Realizador em 2009 por um filme nada coincidente com a sua filmografia, The Curious Case of Benjamin Button!) traz-nos um filme com um argumento forte mas altamente confuso (em mãos erradas, o filme podia ter corrido mal), com boas interpretações de Downey Jr., Ruffalo e Gylenhaal e que usa e abusa do seu estilo próprio para compor esta história de um desenhador de BD para jornais que fica obcecado com um assassino.

5 comentários:

Joana Vaz disse...

Grandes filmes!!

Infelizmente ainda não vi alguns desta lista que inclui os meus favoritos...;)

Dramas e Pixar... Os melhores...:D

João disse...

faltam-me alguns filmes aí da lista.

mas pronto, já tenho com que me entreter nos próximos tempos! :D


parabéns!!! ;)

Luís Miguel disse...

"Atonement" é o meu preferido (não tanto por ser o melhor, mas por razoes pessoais lol)... fiquei contente por estar destacado na tua excelênte compilação :D


De qqr forma, aquele "No country for old men" dá me cá uma azia... custou um pouco curar a "depressão" de ter tirado o óscar ao "atonement" depois de este ter ganho o Globo e o Bafta sniff

Tripas disse...

Há muitos filmes dessa lista que ainda nao vi (e espero ver nos proximos tempos).

Assim filmes desta década que me tenham marcado e nao apareçam na lista: Der Untergang, L'aubergue espagnole, Les poupées Russes, O homem que copiava, Snatch, 21 grams, Little Miss Sunshine e Million Dolar Baby.

Anyway, todos os filmes que vi dessa lista são grandes clássicos (com excepção do Dark Knight blhek :P).

Parabens pela lista (deve ter dado bastante trabalho..)

Jorge Rodrigues disse...

Lá está, o The Dark Knight é obviamente uma escolha muito pessoal, mas uma que eu tinha mesmo que pôr. :)

Little Miss Sunshine e 21 Grams são filmes que eu até aprecio mas que têm lacunas graves.

Million Dollar Baby tira-me do sério. Por mil e uma razões. A começar na vitória do Morgan Freeman nos Óscares e a acabar na vitória da Hilary Swank nos Óscares... :D